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15/02/2007

IRS, demografia, aborto e progressismo

Isto não pode, de facto, deixar de ser tido em conta.

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11/02/2007

Aborto: referendado



Agora que passou uma fase de discussão sobre o sexo dos anjos, vai começar uma nova fase, em que o discurso à volta dos anjos do sexo estará em primeiro plano.

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07/02/2007

Sai um impasse para a mesa do canto!

O referendo ao aborto, está num impasse: não se percebe quem defende e o quê.

O NÃO:
- Diz não à despenalização.
- Propõe um "pacto" para que, venha quem vier a ganhar, o aborto seja despenalizado.

O SIM:
- Diz sim à despenalização, negando que se trate de uma liberalização.
- Diz não à despenalização que o NÃO propõe.

Nenhum dos movimentos diz que quer liberalizar (um deles quer mas não assume), nenhum deles quer as mulheres na cadeia. Ambos querem as mulheres fora da cadeia, mas o que defende o não, opõe-se à despenalização tal como o referendo a coloca, o que implica deixar que as mulheres vão, potencialmente, parar à cadeia.

Absurdo? Não: somos portugueses.

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05/02/2007

As tonterias à volta do referendo ao Aborto

A campanha para o referendo sobre a liberalização do aborto, projecta-se para o infinito absurdo.

Primeiro foi a vez da malta (alguma) do NÃO vir dizer que concordava com a substituição da pena de prisão por outra qualquer, mais leve. Podiam ter acordado mais cedo.

Depois vem José Sócrates dizer que isso não, que não fria sentido manter uma lei sem que tal implicasse a aplicação de uma pena.

A primeira defende uma liberalização com um pagamento de um imposto qualquer (trabalho comunitário, etc) - o raio que os parta.

A segunda rejeita a liberalização a que têm insistido chamar de despenalização (com que os gajos do NÃO agora alinham) - o raio que os parta. Entretanto informa o mesmo José Sócrates que se o NÃO ganhar a lei se manterá tal qual está - mulheres para a prisão.

A primeira pretende, afastar a malta das urnas. A segunda parece o contrário, mas alinha (implicitamente) caso a participação seja baixa.

Enfim: tudo o que a nossa política tem de pior.

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30/01/2007

Sócrates e o disparate

Temos agora José Sócrates a declarar que por causa da legislação que temos "a Interrupção Voluntária da Gravidez [IVG] se transforma em aborto clandestino".

Alguém me é capaz de explicar porque num caso se chama aborto e no outro IVG?

Ou será que José Sócrates está a querer aligeirar a coisa, dando a impressão que, sendo legal, o acto não é exactamente o mesmo e com a mesmíssima gravidade?

Será ainda que Sócrates suporá que o que digo não será percepcionado pelo eleitor? Pensará Sócrates que está a fazer um bom serviço ao SIM?

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Sobre o aborto

No debate do programa Prós e Contras, o sim conseguiu (o que é um feito) ser mais claro e suponho ter "vencido" a coisa.

Poderei dizer, entretanto, que, se por um lado Fátima Campos teve um comportamento decente, por outro eu não vi a 2ª metade do programa. Vi a ponta final, mas o cansaço venceu-me.

Direi que o assunto (aborto) se resumirá assim.

A pergunta a referendo foi parida por malta de esquerda. Dessa origem, a dita saiu uma calamidade, misturando alhos e bugalhos.

A pergunta a fazer deveria ser: Concorda com a liberalização da decisão de abortar?

Mas a esquerda foge a 7 pés da palavra liberalização. Daí, aquela explicação tenebrosa de Vital Moreira afirmando que liberalização é a situação em que nos encontramos.

Neste momento não há liberalização de decisão nenhuma, porque essa decisão é constrangida pele legislação. Não há liberdade de se decidir se se aborta ou não por se saber que a legislação vai contra uma das decisões possíveis a tomar: a de abortar.

Removida, da legislação, a respectiva pena, e a decisão será livre, portanto, passará a haver liberalização da decisão.

Pode a esquerda argumentar que não, porque haverá acompanhamento, aconselhamento, etc, etc, mas mesmo nessa perspectiva, a decisão final caberá sempre à mulher (parece, estranhamente, que ninguém defende que ela caiba ao homem ou também ao homem - mas isso é outra história) sem que haja, de onde quer que seja, qualquer limitação real dessa possibilidade.

Para fugir ao assunto fulcral, a esquerda mete no referendo a sacrossanta condição de ser realizada em estabelecimento legalmente autorizado, etc, etc. No referendo, isso não passa de um corpo estranho, e não pretende mais que tapar o sol com a peneira dando alguma margem de manobra argumentativa aos defensores do SIM em geral e da esquerda em particular de que não se tratará de uma liberalização da decisão.

Depois vem a história em que a esquerda é acusada de não explicar qual o regulamento todo. A isto, ela responde que isso fica para depois porque não caberia no referendo. Pois não caberia. Não caberia nem deveria lá estar, como não deveria lá estar a conversa do "estabelecimento".

A liberalização de qualquer coisas não implica a liberalização de tudo o que se relaciona com essa coisa, e não deixa de ser, por essa via, liberalização. Mas nunca a esquerda (pelo menos a mais caceteira) poderia entrar por uma liberalização do que quer que fosse porque a palavra em causa é, para ela, uma tabu.

A esquerda, mesmo a menos caceteira, está ciente que para muito eleitorado, a palavra liberalização é tabu, e alinha na produção, à volta da palavra, da cortina de fumo a que assistimos.

Por mim sou pelo SIM, consciente, tanto quanto possível, que até às 10 semanas não há uma pessoa. A coisa de ser, potencialmente, (ter toda a probabilidade - concedendo) um ser vivo com a qualidade de pessoa não me assusta, porque uma relação sexual em período fértil tem toda a probabilidade de se transformar num nascimento e o evitar dessa relação não é, por ninguém, chamado de aborto.

A este respeito há outros casos. Por exemplo, a clonagem de células pode (e redunda se bem feita) resultar, no caso humano, numa pessoa. Só não resulta porque será preciso que algo seja feito para que isso se dê (o complexo e incerto processo de clonagem). Quanto a mim, interromper o processo por não lhe dar início ou interromper quando já arrancou é uma questão de sexo dos anjos, e todos sabemos que é exactamente dos anjos, da igreja católica (e de outras), que vem a história da "moral" (a deles) contra o aborto até às 10 semanas, altura a partir do qual o feto adquire uma configuração que faz com que a conversa tenha que começar a mudar.

Já agora, e depois das 10 semanas, o que deve acontecer à mulher? A resposta só pode ser uma: uma penalização significativa (a prisão muito provavelmente). Também aqui há que chamar os bois pelos nomes, e é, neste ponto, que o NÃO em geral e a direita em particular foge como o diabo da cruz para evitar usar a palavra prisão. Se uma mulher abortar (voluntariamente) na véspera da data prevista para o parto, quem defende que não se tratará de um homicídio?

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29/01/2007

Vida / não vida

Enquanto a malta do SIM não pegar de frente a história de se saber se até às 10 semanas se trata, ou não, de uma vida, qualquer argumento soará sempre como uma fuga para a frente, e a malta do NÃO saberá muito bem pegar por aí.

Aliás, este meu outro post, antigo, espelha bem a coisa.

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Despenalização / liberalização

Chamar à proposta sobre a história do referendo ao aborto de despenalização do aborto é um eufemismo.

Trata-se, evidentemente de liberalização.

É uma liberalização, e onde está o problema?

Porque tem a malta do SIM (esquerda, regra geral) tanta dificuldade em admitir tal?

É um liberalização que se propõe ... ponto final.

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Debates sobre o aborto

Tenho visto ou ouvido poucos debates sobre a história do aborto. Já aqui escrevi que a generalidade doa argumentos explicitados são de cariz de caceteiro.

Muito embora já tivesse manifestado que, a esse respeito, faço minhas as palavras de Pacheco Pereira, não posso deixar de conceder que a malta do SIM é, regra geral, mais caceteira, labrega, bronca, idiota, etc, no tratamento da coisa que a malta do não.

Digo mesmo: neste, como no anterior referendo, se o não ganhar dever-se-á exclusivamente ao facto do SIM ter tão execráveis excelentes figuras de proa.

A malta do NÃO está sem vergonha e de monas cheias de vácuo. Fazem lembras a velha máxima dos anarcas em relação a Cunhal: têm a tripa cagueira ligada ao cérebro, quando pensam só pensam merda, quando cagam, só cagam sentenças.

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26/01/2007

Arauto



Sobre o Aborto, de Pacheco Pereira, (no Abrupto), assino por baixo.

Directamente sobre o assunto, nada mais direi.

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01/04/2005

O Bloco de Esquerda defende despenalização do assassinato

Ouvi, na RTP, o seguinte diálogo (mutatis mutandis) entre António Pires de Lima e Fernando Rosas:

- Você defende o aborto em qualquer altura!
- Não defendo não.
- Então você defende que haja julgamentos e prisões para mulheres que abortem à 20ª semana!
- Não, não defendo.
- Nem à 30ª?
- Não
- Nem à 40ª?
- Não.
- Então você defende que haja despenalização mesmo que pratique o aborto imediatamente antes do parto!
- Sim.



Qual a diferença em matar o feto imediatamente antes ou logo após o parto?

E porque não até 1 semana de vida?

Ou 1 mês … 6 meses … 1 ano …

Talvez até à idade escolar …

Talvez até à idade de ir à tropa …

Talvez até à idade em que alguém se pode candidatar à Presidência da República …

Porque tem andado, o Bloco de Esquerda, a achincalhar os Estados Unidos da América por só recentemente ter abolido a pena de morte para menores? O Bloco de Esquerda defende o mesmo … sem julgamento …

Isto é a total aberração! Lembram-se da outra primorosa tirada “você nunca gerou uma vida”?

Decidir, por livre arbítrio, quem deve viver ou não, numa altura em que ninguém (mesmo o Bloco de Esquerda) recusa que se esteja perante um ser (a partir das 12 semanas), é nazi.

Salvo erro, a constituição proíbe os partidos de pendor nazi.

Sobre o assunto, com esta já são duas. Há que ilegalizar o Bloco de Esquerda.

24/03/2005

Desmanche sim, aborto não.

Estou de acordo com o que Pedro Marques Lopes escreve no O Acidental, destacando, em particular, este parágrafo:

É uma questão política curiosa (choca-me chamar-lhe isto, mas é, de facto, uma questão política): se o “sim” ganhar, a extrema esquerda vai capitalizar politicamente esta vitória (o que será, no mínimo, indigno), mas se o “sim” perder, esta rapaziada continuará com a sua arma de arremesso político favorita.

Já agora aproveito para deixar duas notas que ouvi durante a discussão do problema por altura do primeiro referendo.

1.
O pessoal (?) quer poder abortar se tal achar conveniente, mas não quer que se saiba que tomou essa decisão. Foge de tudo o que lhe cheira a consultas que impliquem a possibilidade de se saber que o fizeram ou o decidiram.

Portanto, consultas de planeamento familiar, etc, etc, que não possam garantir o anonimato ...

2.
Uma amiga minha referiu ter ouvido esta conversa entre duas senhoras:
- Então, como vais votar?"
- Não sei. Essa coisa do aborto não me agrada. Desmanche, está bem .... mas aborto ...

07/09/2004

Div-pro

Há duas semanas, fui ver um espectáculo do Vitorino à Fábrica de Pólvora em Barcarena. Por essa ocasião exercitei algumas outras dentadas em relação ao espectáculo propriamente dito.

Fiquei-me, nessa altura, por aí, por me não ter conseguido lembrar de um termo então invocado. Entretanto, o termo voltou à memória: Div-pro.

Div-pro – invocou o Vitorino no intervalo de duas músicas. 3 segundos se silêncio e suspense - isto está a precisar de Div-pro.

Mais 3 segundos e esclareceu Div-pro, divulgação e propaganda. E prosseguiu: esse barco [o dito do aborto] devia ter entrado. Entrava e depois logo se via. Estamos a precisar de Div-pro, para ver se as coisas andam para a frente.

Divulgação e propaganda. Segundo o Vitorino estamos a precisar de ambas.

Até ter ouvido a reluzente prosa, digo que, em separado, divulgação aconselha atenção crítica e propaganda remete para a mais absoluta rejeição da sinistra coisa. Ambas juntas, quando invocadas, revelam uma acrescentada sinistra falta de escrúpulos.

Ficamos a saber que, para Vitorino, divulgação e propaganda andam bem juntas …

Não parecendo, em princípio, que alguém com alguma espécie de consciência cívica defenda o uso de propaganda, penso ter lido nas estrelinhas que existe uma propaganda benigna, saudável, recomendada e recomendável. Talvez assim se torne logo que acompanhada por divulgação. Ambas devem constituir algo parecido com as manifestações pacifistas e os escudos humanos altamente divulgados há pouco mais de um ano mas que, daí para cá, e contrariamente ao que seria de esperar, desapareceram, muito embora ocasiões para se exercitarem não tenham parado de ter lugar.

Divulgação e propaganda. Deve ser algo de pacífico. Certamente mais pacífico que as obras cinematográficas da Riefenstahl que alguns partilhantes do mesmo ramo de pensamento que o Vitorino facilmente consideram de propaganda. Curioso.

A Riefenstahl sempre recusou liminarmente a classificação da sua obra como propaganda. Mais o Vitorino não tem dúvidas e vai direito ao assunto – aceitemos e exercitemos propaganda. Não se percebe, portanto, porque Riefenstahl se abespinhava tão vivamente de cada vez que alguém lhe punha o carimbo de executora de propaganda Nazi. A decalage de épocas nunca lhe terá permitido ter tomado conhecimento da doce e simbiótica nuance Div-pro?

Pena é que o Vitorino não tenha, de viva vós, exemplificado a coisa Div-pro. Aposto que ele avançaria (há que andar para a frente – com um diabo) Fahrenheit 9/11.

E ainda há quem se espante com os telúricos e gargalhantes ruídos que Salazar faz na cova. Serão barulhos Div-pro?

Tão brilhante, progressista (“para a frente”, não se esqueçam) e intelectual tirada, ajudará a perceber porque George Bush (ou outro ainda pior) se arrisca aos próximos 4 anos de Casa Branca? Se tal vier a acontecer, as suas gargalhadas vão certamente ouvir-se mais que as de Salazar.

Será que o Vitorino também defenderá alguma espécie de variante benigna para a defesa do uso de amas nucleares? Ou talvez a esquerda deva procurar explicações para o rumo que o mundo tem levado e que invoca de tenebroso no seu (dela) aparentemente intrínseco niilismo. A não ser que, no caso da esquerda, se trate de niilismo benigno, saudável, recomendado e recomendável, a ser aos quatro cantos do mundo levado, como boa nova, num voador tapete Div-pro.

Com amigos destes …

Vitorino. Continue a fazer o que faz bem. Componha e cante. Quando fala sem cantar …