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29/07/2007

Urticária




Sou atacado de urticária de cada vez que se "fica a saber" que um determinado "fenómeno" climático, atribuído ao "aquecimento global" foi o mais significativo nos últimos 50 anos.

Das duas uma: ou isto é escrito por idiotas imberbes que suporão ter o mundo começado na véspera do dia em que nasceram ou por "ideólogos" desempregados.

50 anos em história natural equivale a dizer que foi ontem. 100 anos, a dizer que foi na véspera.

Em Inglaterra já não chovia assim há 60 anos. So what?

Quem os manda construir em leito de cheia? O leito de cheia terá sido foi inventado pelo "aquecimento global"?

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15/07/2007

Comutação aleatória



Há tempos casquei a tacha de Marie-Ségolène Royal.

A coisa está a tornar-se epidémica. Agora também Sócrates faz o mesmo, embora intermitentemente.

Sócrates declara qualquer coisa com cara sisuda, e, de repente, zzzzás, 'liga' o sorriso nº 23 (o mesmo da Ségolène) arreganhando a tacha.

O momento escolhido para a famigerada comutação parece ser aleatório: liga-se e desliga-se, sabe-se lá porquê.

Será que, a dormir, faz o mesmo? Que susto as melgas devem apanhar!

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07/07/2007

A Europa sou eu



Fernando Nobre, da AMI, declarou à Rádio Europa-Lisboa que o novo mini-tradado da Comunidade Europeia falhará porque “não vai levar, [...] à Europa que eu idealizei para mim”.

Por muito palerma que o mini tratado possa ser, poderá Fernando Nobre explicar porque carga de água haveria o documento de ter alguma relação ao que ele idealiza para ele próprio?

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02/07/2007

Novas oportunidades?

Acerca do programa Novas Oportunidades, escreve um leitor do Abrupto:
Tenho pouco conhecimento da fora como está a funcionar este programa, mas a observação sociológica do leitor José Carlos Santos, apesar de não (me) surpreender, devia ser motivo de reflexão. Aqui está outro exemplo do mesmo tipo: como deve saber, os exames ad-hoc para entrada no Ensino Superior foram extintos, pois (e estes foram os únicos motivos que ouvi serem frequentemente apontados) "reprovavam muita gente" e "aumentavam o insucesso e o desânimo" (posteriormente, ouvi insinuações de fraude, mas nenhuma prova); na minha experiência (e possivelmente também na sua), os alunos que tive e que entraram via exame ad-hoc foram , no geral, bons; na maior parte dos casos, destacaram-se da média dos outros que entraram pela via regular. Nada disto é surpreendente: quem tem a inteligência e auto-disciplina para se preparar sózinho para um exame, terá boas possibilidades de sucesso depois de entrar; e isto é ainda mais verdade em sítios (a utilização deste termo é intencional) onde o aluno médio é mediocre, se não mesmo mau (como acontece onde trabalho).

Agora, no lugar do exame ad-hoc, temos os +23, uma alteração com implicações na qualidade do nosso Ensino Superior que nunca foram cabalmente analisadas. Os únicos motivos apresentados foram economicistas e de feitura de estatísticas: se não entrassem mais, metade do ensino superior em Portugal, em especial o Politécnico, fechava e, além disso, assim temos mais gente "qualificada", um adjectivo que, cada dia que passa, se afasta mais do "competente".

Um resultado imediato desta alteração, foi a admissão de muitos candidatos que não têm qualquer preparação para fazer um curso superior e, se juntarmos a isto as pressões que os docentes que estão em situação precária sofrem para aprovar o maior número possível, o resultado inevitável é um abaixamento de nível sem precedentes.

Mas, voltando à observação, uma coisa é verdade: é, em geral, nos mais velhos que ainda existe alguma vontade de aprender e trabalhar, em vez de tentar explorar as vulnerabilidades dos docentes na expectativa de os intimidar. São também eles que dão os exemplos de boa educação e civilidade. O ambiente em algumas turmas nocturnas ainda recorda as aulas clássicas, o que já não acontece com os mais novos.

Talvez a nossa sobrevivência futura dependesse de uma reflexão e de acções resultantes, sobre o nosso rumo, mas não me parece que as nossas élites, políticas e outras, estejam à altura.

(João C. Soares)
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01/07/2007

Dos nomes


Se olhar atentamente a imagem, acabará, provavelmente, por ver uma girafa.

Escreve Pacheco Pereira no Abrupto:
Mães, antes de chamarem às vossas filhas Sónias, Vanessas, Vandas(1), Sandras e coisas do género,
Por mim acho o máximo quando me aparece um mânfio chamado de Sandro.

Eu vou mesmo mais longe que Pacheco Pereira: defendo que as pessoas passem a ter nomes neutros, seguidos do apelido. Por exemplo: 3426 845 da Silva Benevides.

Há lá coisa mais linda que uma mânfia chamar-se 6969 Castro Abrúncio. Se for do signo peixes tudo estará explicado. Se não for, poder-se-á argumentar que terá o dito nome por ter sido desejo dos pais que nascesse por aquele signo.

As vantagens seriam óbvias. Deixaria de haver uma ligação entre o nome e o sexo. Já se poderia ser gay, de qualquer tipo ou subtipo, ou até em combinações de sexo tipo e subtipo, sem que houvesse qualquer colisão de formalidades.

Por mim optaria por um número primo qualquer, sabendo-se (vou falar baixinho) que sou pelos harens.

...

(1) Eu conheci uma Wanda, que era podre de boa.

...

Assim com não quero a coisa, lembro um livro de Isaac Asimov chamado ... [já volto, vou tentar descobrir qual - suponho ser um conto de um dos seus '9 amanhãs'].

...

[Já voltei]

Se não estou em erro, trata-se mesmo de um conto quer terá por nome "Spell My Name with an S" ("Escreva o meu nome com um S").

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Adenda:
Que tal se o nosso bem amado Primeiro Ministro se chamasse de Zócrates? Enfatizaria a empatia com Zapatero e com Zorro (que me perdoe Zenha).

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16/06/2007

Da clandestinidade da sociedade civil

Vasco Pulido Valente ao Público de hoje [Via A Arte da Fuga].
Andávamos nisto quando Francisco van Zeller revelou ingenuamente a razãodo mistério: o grupo de empresários insistira no anonimato, porque alguns deles dependiam do Governo e temiam "represálias". "Represálias, claro". O medo move a CIP como o último empregado do último serviço do mais miserável ministério. O santo medo do patrão que faz de Portugal este país pacífico e ordeiro que o mundo admira.

A "sociedade civil" .... é clandestina e se mexe .... clandestinamente para se proteger da cólera do Estado .... Os beneméritos da CIP, que tentaram resolver da melhor maneira um grave problema nacional e participar num debate que o próprio Presidente pediu, andam por aí de cara tapada como criminosos.
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12/06/2007

Cavalidades

Este tipo de absurdo faz-me lembrar alguns artolas que, à boleia de um assunto trivial, debitam as mais prosaicas cavalidades. Levando nas ventas, reclamam: "não era disso que se tratava" ou "...foi uma piada"

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11/06/2007

O gato Esteves

Vasculhando o arquivo, descobri estes:

A cruz nos exames – a cruz de todos nós
Para este ano, os idiotas do Ministério da Educação(?) deverão propor:
1 – Que todo o exame seja feito por escolha múltipla.
2 – Que uma parte do exame seja feito por carimbadela para permitir que os alunos que não saibam fazer uma cruz possam ainda responder.
Para o ano que vem vai sei mais girino ainda.


O Monstro


Educação !!!


Ah!. Cá está. Era este o artolas que procurava. O amante da religião das pás esteve cá há quase um ano para gravar qualquer coisa. Parece que vai voltar. [link corrigido]

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05/06/2007

Aeroportinho

No Prós & Contras de hoje parece-me ter ficado claro que vários governos andaram a vender uma decisão que ainda não teria sido tomada. Porque? - pergunto-me. Talvez por precisarem vender qualquer coisa!

... e aquela de não poderem operar duas pistas em simultâneo foi muito engraçada. Rifa-se um aeroporto de uma pista para construir outro ... de pista e meia.

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03/06/2007

A distribuição de pães

O Estado, Ministério da "Educação", vai distribuir toneladas de computadores.

A avaliar pelo resultado das medidas anteriores, de idêntica índole, os resultados serão menos que zero.

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27/05/2007

Mais um delírio



É apenas um dos delírios que nos empestam e que deve ter as suas raízes numa fé qualquer.
Via O Insurgente

O ALEGADO JORNALISMO
Alberto Gonçalves

No Verão de 2005, Israel desmantelou os colonatos da Faixa de Gaza, abandonando o território à flexível jurisdição palestiniana. Desde então, Gaza tem sido principalmente utilizada pelo Hamas para lançar morteiros sobre as cidades "sionistas" limítrofes, em parte graças ao fluxo de armas e terroristas vindos da fronteira franca com o Egipto. De vez em quando, israelitas civis morrem. De vez em quando, Israel reage e bombardeia os carros ou as residências de alguns ilustres do Hamas. Em simultâneo, apoia, militar e financeiramente, a Fatah nas rituais matanças entre palestinianos. Por motivos discutíveis e discutidos, o Governo de Olmert convenceu-se de que a Fatah constitui uma espécie de aliado, embora nada permita reconhecer-lhe força ou vontade para tal. Em simultâneo, a fronteira de Gaza com o Egipto permanece aberta à circulação de "jihadistas" sedentos de martírio, próprio ou alheio. Receoso dos efeitos de uma invasão de Gaza na "opinião pública", Olmert limita-se a eliminar a ocasional luminária do Hamas e a esperar que a coisa acalme. A coisa não promete acalmar.

Resumidíssimos, eis os factos, de resto comprováveis. Mas não com facilidade. Quem, por exemplo, acompanhou os últimos dias no Médio Oriente pelos "telejornais" ou por certa imprensa, ficou apenas convicto do seguinte: a chatice que decorre no Líbano não envolve directamente Israel, portanto, não dá drama; dramática é a situação em Gaza; em Gaza, Israel estourou com uma casa repleta de civis, tanto mais inocentes quanto o "alegado" psicopata do Hamas que, por mera coincidência, habitava a dita, não estava lá dentro no instante fatal; Israel assassinou "alegados" membros do Hamas; Israel prendeu "políticos" do Hamas; Israel rejeitou "tréguas"; Israel matou e esfolou; as acções de Israel são injustificáveis, visto que o Hamas vai enviando uns engenhos "artesanais" que, no fundo, nem ambicionam magoar ninguém. Como sempre, os israelitas são deliberadamente cruéis. Como sempre, os palestinianos são "resistentes", "activistas", "insurgentes", "militantes", "combatentes". Enfim, fazem pela vida, coitados.

Podemos atribuir esta peculiar visão à má-fé. A má-fé não explica tudo. Claro, qualquer sujeito que queira saber sabe o que se esconde (se se esconde) por detrás do "jornalismo de referência" da BBC ou da Reuters. E a retórica enviesada de certa imprensa indígena só engana criaturas particularmente impressionáveis. O problema é que, inclusive na classe jornalística, as criaturas impressionáveis abundam: basta ver os pivots dos nossos noticiários televisivos repetirem os delírios acima com candura. Ali não há vestígios de uma "agenda" oculta ou de preconceito ideológico: repetem-se os delírios porque os delírios ascenderam ao cânone.

Ainda existe disponibilidade para conceder um mínimo de compaixão face ao "judeu errante", em fuga cinematográfica dos pogroms ou nos transportes para Auschwitz. Mas, passem os séculos e as tragédias que passarem, na Europa quase ninguém aceita graciosamente que os judeus tenham pátria e poder. E muito menos que tenham razão.
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26/05/2007

Abençoado seja o mundo dos utópicos



As utopias são o máximo. São sempre boas (nem poderiam ser outra coisa). E são sempre resultado de corações esbanjantes de bem-fazer.

Recordemos um dos seus mais altos expoentes; Mao Tse Tung.

1 - A utopia das siderurgias

Mao percebeu (já sabia, porque um ser superior já sabe tudo) que a China precisava entrar no mundo industrial. De acordo com o seu supremo intelecto, resolveu que cada pequena cidade Chinesa haveria de ter uma siderurgia. Daí a construírem-se fogueiras monumentais para derreter metal, foi um passo que, sendo utopia, se tornou um enorme salto em frente.

Não havendo minério para derreter, foi fundida a maioria dos utensílios domésticos. O resultado foi ... escória. O resultado no ano seguinte foi ... fome. Os agricultores "empenharam-se" de tal forma no evidente "projecto de futuro" que, entretanto, deixaram as culturas ao abandono.

2 - Tendo conhecimento que os pardais comiam parte das culturas, o mesmo querubim resolveu, durante um acometimento de ideia, cortar o mal pela raiz: matar toda a passarada. Ao fim e ao cabo, quem era a passarada para fazer frente ao superior ser e às necessidades do "seu" povo?

Nas ruas, milhões de chineses, espalhados pelos campos, fizeram barulho dias a fio. Deve ter sido algo parecido com a chungaria que a generalidade dos pimpolhos hoje ouve. A passarada não podia pousar, era mantida permanentemente em voo até cair por exaustão. Talvez, quem sabe, estivesse até a "curtir", electrizada pela "batida" chinesa.

A coisa funcionou. A passarada foi dizimada.

Pareceu, no entanto, que a mãe natureza afinal não funcionava de acordo com a sábias certezas do benemérito querubim. Mas isso era apenas um pequeno pormenor que, certamente se vergaria à utopia do herói - como que um ligeiro inconveniente que, face à sua magnanimidade, acabou até por apimentar a coisa.

No ano seguinte, limpos de passarada, os campos foram cultivados. Que maravilha: era só cereal a crescer. Oops, afinal não crescia. Quem crescia era a quantidade de insectos.

...

Bem vistas as coisas, estes dois pequenos grãos de poeira na utópica boa ideia (uma redundância, evidentemente) averbaram 20.000.000 de mortos. Não mais que um solavancozito (coisas da teimosa realidade) que, evidentemente só tornava ainda mais evidente (se possível fosse) a bondade da teoria inicial.

Abençoado seja o mundo dos utópicos.

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08/05/2007

Da novilíngua

França: a escumalha continua a divertir-se.

Definições:
- Escumalha:
Grupo de artistas equipados com a crença de que a escolha não lhes interessa.

- Divertir-se:
Queimar tudo aquilo que não é deles, que gostavam de ter, mas que nada fazem no sentido de o conseguir (se exceptuarmos o caso que implica o uso de gazuas).

Notas finais:
Se a escumalha fosse de extrema direita, já teria caído o Carmo e a Trindade.

Ler: O que a gente aprende.

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06/05/2007

Eles mentem, eles perdem

Os que têm ganho, ou ainda ocupam o poder:

George W. Bush
Nicholas Sarkozy
Tony Blair
Durão Barroso
Angela Merkel


Os que têm perdido:

Al Gore
Ségolène Royal
Gerhard Schröder


Os que podiam ter ganho, mas decidiram afastar-se:
José María Aznar


Os que ganharam pela mão da Jihad:
José Luis Rodríguez Zapatero

...

Pela máxima expressa pelo título percebe-se quem tem mentido.

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Da novilíngua

Novo sinónimo para discriminação positiva: equidade.

Equidade: imparcialidade; igualdade; justiça; rectidão;

Discriminação positiva de uns, implica discriminação negativa de outros pelo que, para um mesmo acto e aplicando a novilingua se pode dizer que continuamos perante um exercício de equidade.

Equidade é assim sinónimo de duas coisas: discriminação positiva e discriminação negativa.

Confuso? Não. Apenas novilingua.

Actualização:

Repare-se nesta pérola de lógica debitada num comentário deste mesmo artigo:
Equidade é ter igualdade para condições diferentes, diferença para condições diferentes.
Hummm ...

Mas há ainda duas outras frases lapidares:
DP [discriminação positiva] é beneficiar um indivíduo apenas por este ser diferente ou pertencer a uma minoria.

Quando as diferenças não são da responsabilidade do próprio, ele deve ser beneficiado.
Na primeira frase o autor relembra que não concorda com a discriminação positiva apenas por determinadas pessoas serem diferentes.

Na segunda, abre uma excepção dizendo que se a diferença não for da responsabilidade do próprio, então deve ser compensado.

Conclui-se, portanto, que há pessoas que fazem outras serem diferentes. Os médicos que fazem operações plásticas devem (entre outros) cair nesta categoria.

Um gajo a quem é rejeitado um trabalho apenas por ser mal encarado, passa a ser diferente. Mas se não for rejeitado, continua a ser igual.

Conclusão: não se é aquilo que se é. É-se de acordo com aquilo que nos acontece, pelo que a vontade do próprio não tem qualquer função, apenas a dos outros.

Eu, por mim, defendo que sou o que sou, independentemente de poder ser mal avaliado ou não.

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A tacha de Marie-Ségolène Royal

Uma das coisas que me tem feito uma enorme confusão, tem sido o sorriso de Ségolène Royal.

Por mais triste que fosse o assunto que ela abordasse, havia sempre por ali um sorriso inquietante.

Por mim, tenho uma certa dificuldade em arreganhar a tacha de cada vez que abordo, com alguém, um assunto duro. As pessoas que conheço, fazem cara séria.

Ségolène não. Parece que sai de casa com o sorriso nº 23, e nunca mais o tira. Será que dorme com ele?

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13/03/2007

Chiça III

Actualização III do artigo Ainda bém que há alunos, chiça.

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09/03/2007

Ainda bem que há alunos, Chiça!



Parece que o Chico Inteligente na Educação Cor-de-Rosa desconhece a relatividade da lei da gravidade: o habitual.

Parece que se preocupa com a falta de capacidade que o professor possa ter em reconhecer a mestria com que o aluno, potencial fonte de inspiração ideológica, será capaz de o formar (ao professor, tá bom de ver).

Exercitando: Ó stôr, Camões? no Big Brother tipo assim também falam uns com os outros. Isso é tudo relativo. Antes de haver Camões as pessoas já comiam, dormiam e f..... (*)

A função da escola não é abalar as "crenças". Pois não. Aliás, quanto mais imbecis as "crenças" forem mais demonstram a capacidade criativa do aluno rumo ao absurdo. Yes!!

Ainda bem que há alunos, chiça!

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Outras crenças a apoiar (aceitam-se sugestões):

1 - Hitler não era assim como o stôr o pinta
2 - Estaline matou a mãe e mais uns quantos milhões, mas ela embirrava com ele e com aquela idade ela já devia tar quieta.
3 - A Terra é redonda? Desde quando?
4 - A água líquida não tem nada a ver com o gelo. Olha olha!
5 - Não se diz prontos? Porquê? Isso é que era bom. O stôr diz que a língua evolui, a gente tamos assim tipo a fazer com que ela evolua.

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... Nada de abalar estas crenças. Não se esqueçam, não é essa a função do professor.

... E diz, o Inteligente, que acabaram as canções.

(*) Preocupação ideológica transcendental.

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Actualização (2)


Baldassare contrapôs:
O problema aqui é que a teoria da relatividade de tudo é sustentável e sustentada por muitas pessoas.

Não se trata de uma teoria absurda. Trata-se sim de uma teoria que, simplesmente, não é a sua, o que não lhe dá o direito, como professor, de não a respeitar.

No máximo, o que poderia fazer, era tentar explicar ao aluno a sua teoria.

O mais engraçado é que depois vai para o Blasfémias gabar-se da sua mestria em abalar convicções "imbecis" dos alunos.

Em democracia os alunos - até os alunos!- têm direito de opinião e de a sua opinião ser respeitada.
Eu nunca neguei que tudo seja relativo. Portanto o "problema" que refere é mais uma "relatividade" à sua maneira.

Não diga que disse o que eu nunca disse. Aliás, comecei a minha resposta ao seu artigo declarando que o Baldassare não conhece a relatividade da lei da gravidade. Se procurar saber porque não tem Marte atmosfera logo descobre a sua pólvora.

Que a 'coisa ser relativa' está por tudo o lado é o mesmo que dizer que de vez em quando chove. Desde Heisenberg que a ciência embutiu, nas suas ferramentas, a incerteza. O que o Baldassare não percebe (ainda, mas haja esperança que, se abandonar a sua postura de referencial absoluto em termos de crenças, venha a perceber) é que tudo é relativo mas há gradações de probabilidade.

Entrar pelas referidas gradações é como entrar num campo de minas, mas a vida é tão somente isso (metaforicamente falando, não vá dar-se o caso de o Baldassare não perceber).

De facto, aprender é, entre outras coisas (como, simplesmente, decorar dados) dominar tanto quanto possível, directa ou indirectamente, o contexto e a probabilidade de se ter como certo aquilo que se diz.

Em boa verdade, quem defende frequentemente que tudo é relativo, a única coisa que demonstra é que encontrou uma forma de nada querer saber, defender, ou discutir. Tudo é possível, portanto, qualquer argumento vale apenas como forma de gastar tinta (se calhar nem isso).

A teoria de que tudo é relativo não é minha nem de ninguém. Essa suposta teoria é trazida a lume simplesmente para acentuar que parece que todas as teorias têm excepções, até a da gravidade. Às vezes não são excepções, mas parecem, pelo menos, sê-lo.

Mais absurdo que pretender que exista a teoria de que tudo é relativo, é pretender que haja uma outra que afirma que a primeira teoria é falsa (que o BB"a possibilidade de um vaso com flores subir em vez de cair de uma varanda existia. Muito improvável, mas existia (e existe)")o argumento estupidificante de que, se o relativismo se aplica às culturas e aos valores, também se aplica à lei da gravidade". Ou seja, o Baldassare declara que defende o que diz que eu defendo (não defendo) e que eu estou errado. Quer maior absurdo?

Sim, determinadas convicções dos alunos são erradas, por muito que lhe custe que assim seja. Os alunos são alunos, têm pouco voto na matéria. Não sabem. Por isso são alunos. Vão para a escola com as convicções típicas de uma criança, a maioria delas erradas (o que é natural). O que não é natural é que, anos mais tarde, não só essas convicções erradas se mantenham como aumentem. Nessa altura tornam-se convicções imbecis.

A mania, (como outras) que se instalou no sistema, de deixar passar em branco que apesar de tudo ser relativo, algumas coisas são-no menos que outras (algumas são, no respectivo contexto, absolutas) radica na demissão galopante do sistema de ensino em cumprir a sua missão: ensinar. A partir de determinada altura, tem-se vindo a tornar mais e mais aceitável que tudo se possa afirmar, em último caso que as galinhas têm dentes. Mas uma coisa é que que vai na cabeça de cada um, outra é a realidade.

Em democracia, os alunos - até os alunos - têm direito de opinião e de ser respeitado o facto de a terem, não a opinião propriamente dita (a não ser quando ela faça sentido). Não é respeitável que um aluno defenda que as galinhas têm dentes.

Quando um aluno defende o disparate é obrigação do professor (contra a vontade do respectivo ministério) deixar claro que a "crença" não tem pés nem cabeça e que é imbecil insistir nela.

O Baldassare não gosta que eu usa a palavra imbecil. Problema seu. Para seu(?) conforto, não a uso na aula. Mas não estou na aula e, neste contexto, prefiro chamar os bois pelos nomes. Na sala de aula, a vida é mais complexa - está-se num campo minado. E quem lá tem colocado as minas? O Ministério da "Educação". Os alunos regozija-se com elas, nas "crença" de que, com elas, se "safarão". Os alunos sentem-se imbecilmente felizes, o ministério obtém a sua masturbação mental.

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"A teoria de que tudo é relativo não é minha nem de ninguém."
Pois a sua já vi que não é... agora que "não é a de ninguém"??? então, é impressão minha ou o seu comment no Blasfémias era precisamente num post que abordava a polémica do relativismo. Se bem se lembra, o nome do post no blasfémias era "O relativismo favorece o erro intelectual". Esse post atacava a posição de daniel oliveira e da suposta "extrema esquerda" nessa matéria.
Tá bem, mas continuamos na mesma. Quem é o autor da afirmação de que “tudo é relativo”? Não me diga que acha que é o Daniel Oliveira.
Foi nesse contexto que surgiu o seu comentário e foi nesse contexto que eu o critiquei. Não estava na sala de aulas (esse campo minado...) quando você disse isso ao seu aluno.
Isso o quê? Que o vaso lhe cairia da mona? E, continuamos na mesma, critica porquê? Continua a defender que não devo abalar a crença do aluno?

E que estivesse na sala. Fiz a minha obrigação dizendo aos alunos que as galinhas não tinham dentes, por muito orgulho que eles tivessem nessa teoria, e por muito orgulho que tivessem por ela ser ouvida.
Pareceu-me incorreto a maneira de abordar a crença "imbecil" do aluno .
Um problema seu. Eu não chamei nem imbecil ao aluno nem imbecil à ideia. Mas na internet era o que faltava se ainda estivesse preso pelas grilhetas do politicamente correcto. A ideia em causa (na sala de aula) era imbecil e o aluno estava a fazer figura de tal.

É que, meu caro, quando se defendem coisas estúpidas, passa-se por estúpido, etc, etc.
"A partir de determinada altura, tem-se vindo a tornar mais e mais aceitável que tudo se possa afirmar"
É claro que tudo se pode afirmar! Estamos, meu caro, em Democracia, em Liberdade de expressão. TUDO SE PODE AFIRMAR. E um professor pode refutar uma afirmação do aluno, mas tem de, de alguma maneira respeitar o aluno, e nisto penso que estamos de acordo.
Ah bom. Já é uma cedência sua. Afinal pode refutar. E a tal crença, não vai sair melindrada?

Qualquer um é livre de fazer figura de parvo. O que não é razoável é que tenha orgulho nisso. Parece hoje suficiente dizer-se algo para que se sinta o égo afagado, independentemente de se fazer sentido ou não.

Já agora, olhe que nem tudo se pode afirmar. Experimente dizer que vai matar um colega.

Já sei, já sei. Não era nesse contexto que dizia que tudo se pode afirmar. Mas está a ver onde se pode chegar se a coisa não for tida em conta no contexto? Lá está, tudo é relativo, mas há gradações e, aqui é que a porta torce o rabo.
Quanto à questão de fundo, nem tudo é relativo e nem tudo é absoluto, mas se alguém defender que tudo é absoluto ou que tudo é relativo, tem esse direito.
Neste caso, quem teve uma "postura de referencial absoluto em termos de crenças" foi você!"
Claro que tem esse direito. E as restantes pessoas têm o direito de pensar que essa pessoa é parva. Se lho disserem, estão a fazer-lhe um serviço. E se não lho disserem que pensará você dessas pessoas? Parece-lhe razoável que se fechem em copas?

Nunca ouvia A dizer para B “estás a ser parvo”?

Você é que disse ao seu aluno que a sua crença, e só a sua crença, era plausível, ou melhor, não era imbecil."
Você volta a pôr palavras na minha boca.

Eu não disse que só a minha crença era plausível. Ele é que, como você (hipoteticamente), perante a percepção que a história inicial era um disparate pegado (já não me lembro qual era) percebeu que tinha feito figura de parvo. E eu ralado. Aliás, de cada vez que um aluno percebe que está a fazer figura de parvo eu acho que estou a conseguir cumprir a minha missão.

Evidentemente que há milhões de assuntos bem mais viscosos e que não cabem nesta discussão.

Agora, digo e repito, que me parece ser a minha missão (my job, diriam os americanos) fazer perceber ao aluno que está errado. Mas também afirmo que o professor, regra geral (e eu também, por frequentemente), se coíbe de chamar a atenção ao aluno de que defende coisas absolutamente disparatadas.

E ainda há pior. E quando o professor tem que dar matéria que sabe ser absolutamente disparatada? Como faz? Com essa, até se me viram as tripas.

Há professores que, em privado, não dizem que dão aulas. Dizem que as vendem. Porque será?

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Actualização 3
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A Escola centrada no aluno? "Disparate! Tretas!", diz você.
Nunca disse tal coisa, como acima demonstrei.
Mas repare: uma educação com foco no aluno, seria uma Educação em que se adapta o que se ensina e como se ensina ao ponto mais individual possível. Seria uma educação que iniciava desde cedo a educação para a cidadania e para a democracia, dando mais liberdade ao aluno. E claro, se se dá mais liberdade, os alunos têm de ser responsabilizados pelos seus actos. Uma escola baseada no aluno seria uma escola onde, naturalmente, os professores tinham mais autoridade (e menos "poder" absoluto).
Mais palavreado politicamente correcto. O que você propõe é uma colecção de absurdos. No limite, você corre o risco de acabar propondo que os alunos só aprendam o que lhes apetecer.

Você continua engasgado com a questão do poder. É um problema que você terá que resolver com a sua cabeça.
Só se nos focarmos no receptor da mensagem é que podemos fazer com que o conhecimento lá chegue melhor.
Você, mais acima, escreveu: “... ignorando os interesses, deveres e direitos de alunos e professores, desde que a mensagem seja bem dada.

Não lhe parece estar a dar uma no cravo e outra na ferradura? E você continua a esquecer-se dos deveres de todos. A responsabilidade de cada um.

E qual é o papel do aluno? Mero microfone desligado? Experimente escrever a coisa de outra forma: “Só quando o aluno se focar na mensagem que lhe é transmitida poderá chegar ao conhecimento”.

Está a ver? Você continua na senda da desresponsabilização do aluno.

Você, em boa verdade, é que centra a coisa no papel do professor. Então e o aluno não é gente? Não assume as suas responsabilidades (tento em atenção as respectivas idades, já se vê)? Nunca mais assume a sua responsabilidade? Nunca mais se percebe que se tem, paulatina e sistematicamente, vindo a desresponsabilizar o aluno de todo o processo? E como quer você, por essa via, que ele chegue à lenga-lenga da cidadania?

Volto à história dos 3 pilares: Professor, matéria, aluno. O que você defende é um ensino (?) centrado num aluno voluntariamente amorfo. Depois claro: as cabeças de abóbora são cada vez mais.
Os professores são, a meu ver, um elemento importante no Ensino, mas não são "O Elemento" mais importante do Ensino. A qualidade da mensagem não deveria nunca depender do professor ser bom ou não... nem sequer o professor deve ser um exemplo a seguir pelo aluno(porque nesse caso, há professores que sinceramente...)
O professor deve ser um elemento de ligação entre o programa e o aluno e mais nada.
Isso que você descreve é um computador, não é um professor.
A desierarquização da Escola seria fundamental para que se estabelecesse uma nova relação professor/aluno, mais mutualista e mais propiciadora a um ambiente de trabalho, não de guerrilha.
Não há nova relação a estabelecer, como não há nova roda a inventar. E o ambiente de guerrilha não é gerado por aqueles que você próprio defende deverem ser corridos da sala de aula?
Mas eu percebo a sua teoria. Também é válida.
Depois do que você escreveu, essa frase é um mistério.
Aliás é a que predomina na opinião pública e no ministério, sobretudo com esta conversa velho-do-restelista da desautorização dos professores e do fim dos "bons costumes"...
É bom costume ir-se à escola. Quer abdicar? Se tudo o que se deve aprender é coisa do velho do Restelo, porque aprendeu você a falar e a escrever? E a comer? E a andar?
Contudo, e como já disse, acho que a Escola do século XXI devia ser uma escola mais democrática e mais aberta, ou se quiser, mais politicamente correcta.
O politicamente correcto é puro lixo.

A escola deve ser mais aberta a quem estiver disposto a assumir as suas responsabilidades. E quem não estiver, só tem dois caminhos: ou aprende “seringado” ou terá que saltar fora da carroça.

Você acha que alguém trabalharia se não tivesse que ser? Se não houvesse algum tipo de ameaça/consequência implícita? Em que nuvem vive você?

O que você descreve em relação aos direitos, direitos, direitos, é o parasita.

Quem foi que lhe meteu na cabeça que aprender era assim como quem apanha banhos de sol?

Você vê o aluno como o “coisa” que veio ao mundo, obrigado (não veio de livre vontade), e a quem depois, ainda por cima, querem obrigar a aprender.

O que você procura é um computador, a que você se ligue, e que lhe transfira as matérias para o cérebro.

Meu caro. Se você ainda não percebeu que aprender dá trabalho, é difícil, requer insistência, dedicação de muito tempo (pouca borga), etc, você foi entregue ao planeta errado, na galáxia errada, no universo errado. Mas isso, mais uma vez, é um problema que você terá que resolver consigo próprio: não espete com o seu problema aos costados dos outros. Assuma-o porque, vir ao mundo (a este), implica isso.

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