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22/05/2008

Os EM

Conheço dois tipos de estúpidos: os que nascem estúpidos e os estúpidos militantes (EM).

Naturalmente estúpido é aquele a quem a natureza ou os genes dos antepassados, pregou uma partida.

A generalidade dos naturalmente estúpidos que conheço são esforçados e conseguem quase sempre atingir um qualquer patamar, forçando-se numa luta corpo a corpo com o aprender. Essas pessoas merecem-me toda a consideração e encaro o meu esforço a favor deles como uma obrigação.

Os EM são uma outra espécie, aparentada às carraças.

Como os cães, os EM reagem a estímulos condicionados. Por exemplo, a frase “obriguemos o capital a pagar impostos” provoca-lhes um orgasmo. Entregam-se a infinita conversa sobre os malefícios do capital e acedem aos mais grunhentes orgasmos passando ao lado do facto de se tratar de um puro acto masturbatório. No mundo real, aquele em que, entre outros, os estúpidos naturais procuram levar por diante a sua vidinha, as reacções são as do homem que de vez em quando, petisca um prato de caracóis.

Quando um qualquer iluminado aplica impostos às empresas, o resultado é sempre e apenas um: todo e qualquer cidadão irá pagar, chapa batida, directamente da carteira, a verba que irá ser triturada em parte incerta.

No caso de uma empresa multinacional se a coisa se complica e o volume de vendas baixa em resultado do aumento de custos de produção, a empresa procura melhores ares deslocalizando-se.

A palavra deslocalização provoca rosnadelas em virtude de ser capaz de gerar azias aos EM. Por um lado potencia a qualidade dos orgasmos, por outro anula-os ao perceberem que algo correu ao arrepio das suas certezas.

Como suores, afloram os “argumentos” segundo os quais os preços de produção em nada interessam porque “produto nacional” tem outro substrato (como os “produtos naturais”). Habituados a frequentar lojas de luxo, os EM ignoram que as lojas de produtos chineses estão cheias de gente que não sente qualquer arrepio pelo que compra. São pessoas que, não tendo qualquer problema em misturar-se com os naturalmente estúpidos, vão tentando de igual forma levar a bom termo a sua vidinha.

Ás empresas que apenas trabalham para o mercado nacional, há duas preocupações. A primeira, a de perceber se o dito imposto (ou norma imposta que tenha custos) é mesmo para cumprir.

Quando qualquer norma imposta (ou imposto) a uma empresa não é globalmente cumprida, a coisa turva-se, levando a melhor quem consegue passar ao lado. O EM rejubila, apontando ao bicho homem as imperfeições da praxe, mas é insensível à quantidade enorme de alarvidades legislativas que se não adaptam ao mundo real. Não é de estranhar essa insensibilidade porque brota habitualmente de cabeças orgasticamente iluminadas.

Se a coisa não é para cumprir as empresas que tentam manter a legalidade fecham, levantando nuvens de despedimentos, e com elas novas perplexidades em matéria de orgasmo.

Se a coisa é para cumprir, fazem-se contas e repercute-se a despesa extra sobre o produto final que será pago, adivinhe-se por quem.

Mas tributar o lucro das empresas, tributar o lucro dos capitalistas, (do “grande capital” como os EM gostam de referir) é sempre conversa da praxe a favor, evidentemente, dos “desfavorecidos”, daqueles em que “nunca ninguém pensa”.

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1968

Atenção, que cada um das partes (1ª e 2ª parte de um mesmo programa) tem cerca de 50 min de duração.



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Distraidos

Relembrando a histeria da esquerda face ao Katrina, não posso deixar de notar o seu silêncio perante as autoridades de Myanmar.

- Não avisaram (não deixaram avisar) as populações da aproximação do problema
- Negaram as consequências
- Negaram inicialmente ajuda
- Negaram a entrada de apoio humanitário (pessoal)
- Aplicam autocolantes com nomes de generais locais à pouca ajuda que é distribuida
- Canalizam uma boa parte da ajuda para a estrutura de poder

Supõe-se que, no caso de Bush, a esquerda tenha entrado em parafuso por não se verificar qualquer dos itens acima.

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Democracia?

A PROCURA DA REVOLUÇÃO

Só temos um problema. O nosso estado, o nosso tesouro, não tem meios financeiros. É o nosso único problema. Se não fosse isso, diria que governar é simples.



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Chulos

Esta bela prosa resulta do ensino centrado nos interesses do aluno sem que as suas crenças sejam postas em causa. E esta prosa aponta para este discurso de José Soeiro.



José Soeiro, do Bloco de Esquerda, diz que o 25 de Abril foi feito para nos libertar do passado.

A razão por que foi feito, ou iniciado, não é de momento, para aqui chamada. Mas que havia esperança de que nos libertasse de algo, era verdade.

A primeira esperança do 25 de Abril, residia na libertação da obrigatória linha de pensamento, sob pena de se ficar ao alcance dos rapazes da rua António Maria Cardoso.

Do 25 de Abril podia esperar-se muita coisa, mas uma delas tinha a ver com a possibilidade de se exercer poder sob o próprio destino de cada um. Para os distraídos ou para os que nem assim querem perceber o que escrevo, esperava-se, pelo 25 de Abril, que cada um tivesse oportunidade de conquistar amor-próprio e de estabelecer independência económica que lhe permitisse estar ao razoável abrigo das vicissitudes da vida. Para o conseguir havia que dotar todo e qualquer cidadão da cultura necessária (sentido lato) que lhe permitisse servir a sociedade elevando o seu padrão de vida e, indirectamente, servir-se a si próprio.

Evidentemente que cada um é como cada qual e nem vou perder tempo a explicar que nem toda a gente tem capacidade intrínseca para conseguir elevar-se de forma a permitir-lhe viver sem ajuda alheia e que, neste caso, há que dar a mão ao infortúnio: a mãe natureza sabe bem ser filha da puta sempre que lhe apetece. O que é desnecessário é que filhos da puta queiram viver, como carraças, à custa da vítima.

Mas voltemos ao disparate segundo o qual o 25 de Abril teria sido feito para nos libertar do passado. A aceitar a tese do proponente, o 25 de Abril falhou e a prova está no bem vivo passado, encarnado em José Soeiro.

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José Soeiro faz-nos perder tempo enquanto debita bruxedos relativos às clemências e inclemências do passado e futuros, numa espécie de catarse em pimbalhada revolucionária.

Logo depois fala da “inversão da relação de forças entre capital e trabalho, a exigência de uma cidadania que era mais que um estatuto legal” ... “desobediência ao poder” ... “direitos civis políticos e sociais inseparáveis”.

Claro que nada fala de deveres. Deveres são coisas caducas, de antes do 25 de Abril. Fala de cidadania e diz que se desenvolve no quadro da desobediência ao poder do cidadão.

“Entre esses direitos, temos os serviços públicos”, tudo ferramentas de combate às injustiças. E continua sem falar de deveres e obrigações do cidadão para com esses serviços públicos.

“A escola tem sido um elemento central da crença no progresso” ... “com a generosidade dos pedagogos”.

Na cabeça de José Soeiro a escola está relacionada com crenças. Uma delas a do progresso. Segundo José Soeiro, o progresso será uma crença, não uma coisa alcançável e pela qual valha a pena trabalhar. Segundo Soeiro, o aluno não tem o dever de aproveitar a escola para que se alcance progresso. O aluno deve apenas acreditar que o progresso será alcançado, ponto final.

“os grandes pensadores progressistas consideraram sempre a escola como um elemento transformador das sociedades.”

Ora cá está o elemento “transformador”. A escola, para José Soeiro, não está ao serviço da sociedade, mas deve ser seu carrasco, sua “transformadora”. Evidentemente que a escola deverá “transformar” sob a batuta dos tais “pensadores progressistas” de que, evidentemente, José Soeiro é exemplo.

“O sentimento dominante em relação à escola de hoje é de incerteza”. Bom, há a certeza que cada dia é uma surpresa. É a escola desafio permanente à autoridade. A escola bagunça total, a escola pantanal.

“Não correspondeu a uma igualização das oportunidade sociais” ... Bom, mais à frente José Soeiro fala da geração dos 500 euros. Aí está, igualmente má para todos.

“A escola massificou-se sem se democratiza completamente” ... Pois, ainda não está completamente democratizada. Logo que José Soeiro consiga distribuir ao primeiro dia de aulas da vida de cada aluno, um canudo de Doutor, a democratização estará completa.

“Não resolvemos o problema do sucesso educativo para todos”. Mas está garantido o insucesso equalitário. Que mais quer José Soeiro?

“Não consegue romper o ciclo vicioso de pobreza porque não garante a todos as mesmas condições de sucesso.” Que tal ficaria se José Soeiro tivesse dito: ‘Não consegue romper o ciclo vicioso de pobreza porque garante a todos o mesmo sucesso - nenhum’.

“A escola exclui incluindo”. Esta fica para o padre Jeremiah Wright. Deve ser coisa de Bush.

“E num certo sentido a inclusão na escola deixou de fazer sentido porque é difícil perceber porque é que precisamos de lá estar”. Adoro esta coisa de “certo sentido”. Poderia ter dito ‘a diarreia ter uma certa textura’. Quanto ao resto, matem-se ao nível da bufa verde.

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“Temos, isso sim, falta de empregos qualificados “ ... “um modelo produtivo atrasado baseado na mão-de-obra barata”. É natural que avançadas mentalidades em desobdiência sirvam apenas para um sistema produtivo atrasado. Bom, não há empregos qualificados porque há falta de empregos em que se possa exercitar a desobediência ao poder. Mas a culpa é do capital.

“A geração dos 500 euros vive na corda bamba”. Já não é mau. Enquanto houver corda ...

“nenhuns direitos, nenhuma capacidade de projectar um futuro”. Quererá José Soeiro projectar o futuro para o passado? Dir-se-ia incapacidade em projectar o futuro é um desígnio de José Soeiro. Ao fim e ao cabo porque deverá haver projectos de futuro? Para usar como alvo de desfio ao poder?

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O Bloco de Esquerda não passa de uma associação de proxenetas. O bloco de Esquerda pretende apenas garantir a existência de putas para as poder explorar ao seu serviço. Sem incluídos em ignorância, sem burros, sem idiotas, sem alternativos à força, sem diversidades sintetizadas, sem excluídos forçados ou por absoluta “democratização” do ensino, o Bloco de esquerda fica ao livre arbítrio das putas libertadas pelo 25 de Abril.

Há uns quantos palermas que percebendo isso, se aprontam a aprender o discurso das vacas loucas esperando passar de potenciais idiotas a chulos na rua de S. Bento.

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Os castigadores

De cada vez que um dirigente se afasta por própria iniciativa aparecem sempre uma colecção de almas, predominantemente de esquerda, a reclamar que fulano de tal "fugiu".

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Cavaco Silva foi empossado primeiro-ministro em 1985 e em minoria. Em 87, após a aprovação de uma moção de censura, houve lugar a novas eleições que o PSD ganhou em maioria absoluta. Em minoria, Cavaco tinha tentado levar em frente a governação mas a oposição tudo encravava. Estou em crer que Ramalho Eanes, então líder do PRD, percebendo da absoluta necessidade de uma maioria absoluta, conduziu o PRD à aprovação da moção se censura que levou o primeiro governo de Cavaco a cair. Foi talvez o primeiro caso (passado recente) em que alguém, consciente da inutilidade do projecto que liderava, resolveu retirar-se e garantir que alguém “pode fazer” sem ter sempre às canelas quem apenas “não quer deixar fazer”.

Em 1991 o PSD volta a ganhar as legislativas, novamente por maioria absoluta, e Cavaco Silva continua primeiro-ministro.

A partir de meio deste terceiro mandato de Cavaco começou a perceber-se que o desgaste provocado por cerca de uma dezena de anos de governação abre fendas na coesão do governo e do PSD. O poder, exercido por muito tempo e sempre debaixo de fogo, provoca corrosão. Paulo Portas tem nesta altura um papel importante. Aos comandos do jornal O Independente, e procurando formatar uma carreira política, entretém-se, a abater figuras importantes da governação e do PSD.

Cheirando às hostes do PSD que o fim de ciclo poderia estar próximo, começam a saltitar, como pipocas, aqui e ali, broncas provocadas por quem aproveita o que lhes parece já não poder durar muito.

Não foram poucas as vozes de esquerda que reclamaram que Cavaco se mantivesse ao leme do periclitante navio até ao fim, como quem castiga quem faz uma maldade. “Fez a cama, deite-se nela” dizia-se. O Presidente da República, Mário Soares, um outro franco-atirador, entretinha-se a “chatear o governo”.

Cavaco decidiu afastar-se e, para garantir claramente que o PSD sairia do governo, teve o cuidado de deixar Fernando Nogueira a liderar o partido.

Em 1995, António Guterres do PS assumiu o comando do novo governo sem maioria absoluta. A governação foi-se fazendo a conta-gotas, sempre negociando tremoço a tremoço.

Em 1999 o PS volta a ganhar as eleições tendo ficado com o mesmo número de deputados que toda a oposição. A governação continuou a fazer-se a conta-gotas, cada vez mais contadas e em gotas cada vez mais pequenas.

Mais atacado que Cavaco Silva, Guterres sofre um desgaste monumental que alastra a todo o governo. Atacado pelo mesmo fenómeno que tinha atacado Cavaco Silva, Guterres apresenta a demissão e afasta-se na sequência de um mau resultado em autárquicas.

“Malandro”, vocifera a esquerda. “Tinha feito a cama agora havia que deitar-se nela”.

À esquerda nunca nada interessa a não ser o mal do governo, como se isso não implicasse o mal de todos. Mas já se sabe que eles acreditam que os amanhãs cantantes brotam sobre terra queimada.

Durão Barroso, novo líder do PSD escolhido em biliões de rocambolescas peripécias (“Durão, por favor, avança”) acaba por assumir, ainda em 2002, o comando em eleições que o PSD acaba por ganhar. Em minoria, Durão aceita a “colaboração” do CDS agora travestido em PP ou, talvez, CDS-PP. Paulo Portas, o figadal “jornalista” inimigo de Cavaco e do PSD está ao leme do PP.

Muitas figuras negam entrar para o governo para não terem que aturar Portas. Ninguém acredita nele e a cada gaveta que Portas abre brota um esqueleto.

Durão acaba por perceber que não tem qualquer hipótese de governar eficientemente e aproveita a oportunidade que se lhe abre em Bruxelas.

Malandro! Fugiu! Volta a esquerda a berrar.

Apanhado de surpresa, o PS vacila. Sampaio acaba por aceitar Santana Lopes como primeiro-ministro.

O governo de Santana Lopes foi um flop e o PS, desta vez com José Sócrates, volta ao poder.

Tudo indica que enquanto Sócrates conseguir manter a coesão no governo o PSD vai chuchando o dedo.

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Continuo sem perceber que história é esta do “malandro que foge”. Eu diria que seria uma irresponsabilidade manter-se o comando a um governo moribundo.

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Juro





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06/04/2008

1€

Esta manhã, suponho que na Antena 1, um idiota cascava num supermercado por ter movido um processo a uma velhota na sequência dela ter, hipoteticamente, roubado um creme no valor de 1€.

O argumentista reclamava que a velhota era velhota, que o valor do creme era apenas de 1€, que o supermercado teria gasto uma fortuna em advogados e que o Estado teria gasto um batatal de massa em geringônciais manobras de tribunal.

O trambolho argumentou isto tudo mas esqueceu-se de dizer que pensaria ele dever fazer-se perante a percepção generalizada de que o supermercado nunca levantaria processos para roubos inferiores a 1€.

Dever-se-ia retirar do supermercado tudo o que custasse menos de 1€? Dever-se-ia deixar roubar tudo o que custasse menos de 1€?

E porquê 1€? Porque não 5, 10, 100, 1000? Dever-se-ia apenas levantar processos nos casos em que o roubo fosse superior ao somatório de todos os custos judiciais?

De acordo com o pensamento do artista deveria ser esta última a via a seguir, muito embora não se tenha percebido quantos seriam, na cabeça do palermoide, os artigos de supermercado que ultrapassam 1000€ ou se ele defenderia a retirada de todos o artigos de valor inferior.

Enfim, coisas giras, coisas caviar, coisas ao nível de inteligência Neandertal (não desfazendo).

A propósito: qual o preço do kaviar?

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Manifestação a 2 taxis

No Abrupto pode ver-se esta piramidal foto (RM):


[clicar a imagem para ver melhor]

Não há duvida: à flamejante causa, as massas aderem a magotes.

Nota: estão todos encasacados por causa do aquecimento global.

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Mediação em porradaria

De chorar a rir:
"As escolas com problemas graves de indisciplina podem apresentar ao Ministério da Educação uma proposta para a contratação de técnicos como psicólogos e mediadores de conflitos, anunciou hoje o secretário de Estado da Educação."
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Adenda:

Recomendo vivamente uma visita ao blog As Minhas Leituras.

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16/03/2008

Culto na escola: também quero



Um tribunal alemão botou sentença no sentido admitir o culto islâmico no interior da escola, desde que em sala apropriada.

Eu sou Pastafarianista e quero também uma sala para mim.

[Publicado no Fiel-Inimigo a 12 de Março de 2008]
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08/03/2008

O extintor de fogo sulfuroso



[Actualizado (IV)]

De acordo com o inevitável guião e aproveitando o facto dos colombianos terem limpo o sebo a um imbecil produtor de droga e raptor nas horas vagas, Chávez, ferido no seu orgulho pestilento, mandou avançar as tropas venezuelanas para a fronteira colombiana.

Manda avançar e chama a atenção que o presidente colombiano é um fantoche às mãos do sulfuroso Bush.

Aguarda-se a posição da esquerda estúpida. Aposto que vai dizer 'sim, mas que ...'. E 'pois, mas há que compreender'. Ainda 'tenhamos em atenção que ele foi obrigado pelas circunstâncias'. Ou até talvez, 'tenhamos em conta que é uma reação compreensiva face à opressão provocada pela longa noite imperial'.

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Nota final:
Não se percebe se as tropas venezuelanas irão aproveitar o passeio para exterminar a guerrilha colombiana que se tem acoitado impunemente no seu território ou se se tratará apenas de uma acção para a proteger.

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Pérolas:

OS REVOLUCIONÁRIOS NÃO CELEBRAM MORTES

e
A MORTE DE UM REVOLUCIONÁRIO


Uribe: não semeies outro Israel na América do Sul

Luís Lavoura diz:
3 Março, 2008 às 10:35 am

“onde um líder terrorista que se movia em liberdade foi abatido pelas tropas colombianas”

O JCD, pelo mesmo critério, deve admitir que a Rússia nada fez de mal ao (alegadamente) mandar abater o antigo agente dos seus serviços secretos que se movia em liberdade em Londres.

De facto, é evidente que um inimigo do Estado russo não pode deixar de ser um “terrorista”, que a Rússia tem toda a legitimidade para abater, onde quer que ele se mova em liberdade.
No Arrastão:
"Se não estamos em guerra com um país não entramos pelo seu território dentro. Parece-me o mínimo, não?"

No Esquerda.net:
Em comunicado, as FARC revelaram que Reyes estava no Equador para tentar organizar um encontro com o próprio presidente Sarkozy para tratar de um novo processo de libertação de reféns.
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Publicado no Fiel-Inimigo a 3 de Março de 2008.

24/02/2008

Quando as veias nos gelam

A esquerda é caracterizada por uma espécie de mentalidade capitalista feudal, particularmente notada no meio sindical.

Quando a fábrica da Opel, Azambuja, ameaçou fechar, os sindicatos apresaram-se a declarar greve.

Greve. Pois claro. “Greve, em defesa dos postos de trabalho”.

E as indemnizações? E quantos deles perceberam de imediato que seria o momento supremo para afundar o barco de vez e reclamar a indemnização? E, ter-se-á dado o caso de terem sido justamente os mais velhos, com mais anos de casa e mais entrincheiradamente sindicais, a irem por aí?

E os mais novos, que seria deles? E que importava os mais novos aos mais velhos desde que o graveto pingasse para o lado deles?

E a solidariedade? “Parece que temos sarna” gritavam os que ali, como pelas ‘siderurgias’ por esse país fora, iriam, de facto, para o desemprego com meia dúzia de notas no bolso. “Nem conseguimos falar com eles. Fogem de nós”. E que teriam os mais velhos a ver com isso? Direitos conquistados são direitos garantidos e direitos garantidos é graveto no bolso.

M'ai nada!

"A cantiga é uma arma
eu não sabia
tudo depende da bala
e da pontaria
Tudo depende da raiva
e da alegria
a cantiga é uma arma
e eu não sabia...

Há quem cante por interesse
há quem cante por cantar
e há quem faça profissão
de combater a cantar
e há quem cante de pantufas
p’ra não perder o lugar
a cantiga só é arma
quando a luta acompanhar

O faduncho choradinho
de tavernas e salões
semeia só desalento
misticismo e ilusões
canto mole em letra dura
nunca fez revoluções"

Publicado no Fiel Inimigo.
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27/01/2008

O brilharete

Sempre usei esta máxima chegada não sei de onde:

Sempre que não tiveres nada para dizer, fica calado.

Suponho que seria de aplicar a linha anterior a este post.

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26/01/2008

Jolly good fellows

Parece que engavetaram em Espanha uma horda de mânfios que se preparariam para promover o multiculturalismo (defendido por Zapatero) por via da utilização de substancias energeticamente instáveis capazes de libertar energia de que resulta uma enorme produção de calor e substanciais alterações de pressão.

Não é claro se os artistas em causa pertencem ao mesmo grupo alter-globalista que ajudou a promover a eleição de Zapatero.

Parece que a secreta espanhola terá recebido informações suficientemente relevantes para lhes permitir "justificar" (que lata) o recolhimento, para introspecção, dos multilateralistas.

Não é também claro se a informação recebida, sabe-se lá de onde, implicará alguma forma de cedência dos poderes políticos espanhóis a alguma unilateralista exigenciazita.

Publicado no Fiel Inimigo a 19 de Janeiro de 2008.

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06/01/2008

Alarvidade

Esta alarvidade fez-me saltar a tampa.

[A alarvidade prossegue também aqui, nos comentários]

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A alarvidade confirma-se:
"as mesmas elites cujo comportamento alarve não incomoda o Baldassare."

Se calhar cabe-me a mim decidir o que me incomoda... os dirigentes africanos corruptos preocupam-me ainda mais que o rally Dakar, como é óbvio... só que, como não sou neo-colonialista, acho que devem ser os africanos a tirarem essa gente do poder por eleições (onde as há) ou por golpes de estado (como fizeram os europeus para acabar com o nazi-fascismo e com o comunismo militarista).

Quanto ao Dakar, caso não tenha reparado, passa também por território europeu, mais especificamente em edições recentes, por território português.
Penso que eu como europeu, mais especificamente como português, tenho o direito a ser contra este rally. E pelos motivos que eu entender.

"Entretanto, essa mania de querer decidir o que os africanos querem ou não ver passar é uma pura manifestação de racismo."

Eu não quero decidir o que os africanos querem, eu quero decidir o que eu não quero, por um motivo que, enquanto ser humano me toca: já morreram vários inocentes na rota do Dakar, incluindo crianças de 10 e 12 anos. Sejam eles africanos, sejam eles europeus, isto faz-me ser contra o Dakar. Posso?

"O colunialismo decidia o que os africanos queriam. O Baldassare idem."
Eu não decido nada. Eu não quero impor nada aos africanos. Eu quero é que os europeus deixem de permitir que esta prova comece em território europeu, dadas as circunstâncias que já expliquei. E essa vontade é um direito que me assiste, enquanto você não subir ao poder para mo retirar.

Eu recuso o complexo neo-colonialista que diz que não se pode falar nada de África, porque isso é querer impor a nossa vontade. Posso debater os problemas de África, como o posso fazer em relação à Ásia, à América ou às ilhas do Pacífico. Recuso essa lógica ainda mais quando, na realidade, estou a falar da Europa. Repare que o meu texto é um apelo aos europeus, nomeadamente no terceiro parágrafo.

A França já disse não ao Dakar. Este triste evento foi descendo para Barcelona, e depois Lisboa.
Este evento é patrocinado em milhões pelo Estado, quer através do Turismo de Portugal, quer através das Câmaras Municipais (Lisboa já pagou 400 mil euros e Portimão quer reaver os 1.5 milhões que investiu), quer através do patrocínio pela Santa Casa da Misericórdia.

Este é um evento pago por todos nós, e portanto, tenho o direito a não o querer, mesmo que as razões não sejam propriamente os custos, mas a repulsa por tudo o que está envolvido nesta competição que é, a meu ver, o pior espetáculo desportivo do mundo.

E, claro, o Range-o-dente também tem direito a ser a favor do Dakar.
Infelizmente para si, desta vez, os africanos disseram que não (para além das autoridades francesas terem desaconselhado o rally, as autoridades do Mali rejeitaram a passagem do rally... este "desaconselho" com a usual desculpa do terrorismo foi para não se notar quem realmente boicotou o rally: as aultoridades malianas).
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05/01/2008

Dissecando, dissecando, dissecando, ...



Em pleno século XXI tropeçam-se em peças que parecem saídas do mundo das carraças. Veja-se esta.

"Uma concepção do acto educativo que não se queira limitar a uma educação do tipo «externo-cleido-mastoideu», uma educação que pretenda ser arma de combate efectivo contra a exclusão social, contra a simples privação de desenvolvimento, cultural, afectivo e psicomotor, tem que responsabilizar o Estado por uma intervenção precoce.

Tudo muito giro. Uma educação que nada ensine, ou, dito de outra forma, que ensine apenas aquilo que todos sejam capazes de aprender sem esforço: nada.

Por isso defendemos a expansão da oferta educativa a montante, colocando sobre o Estado o ónus de garantir que todas as crianças tenham acesso à Educação para a Infância a partir dos 4 anos de idade. Seja em contexto familiar, quando as famílias explicitamente fizerem essa opção, seja em contexto de instituição educativa do Estado. "

É excelente garantir uma educação de nada para todos. Afinal, a “igualdade” é um direito constitucional que é preciso preservar. Como? Evitando que uns possam aprender mais que os outros. Como se consegue isso? Ensinando técnicas de “[...] combate efectivo contra a exclusão social, contra a simples privação de desenvolvimento, cultural, afectivo e psicomotor [...]”. Há que enviar os entendidos nesta matéria às madraças paquistanesas para lá fazerem um doutoramento.

"Sobre gestão e administração escolar o Bloco defende três princípios fundamentais para a organização da administração escolar:
• princípio da colegialidade,
• princípio da democracia e representatividade de todos os membros das comunidades educativas "

Há que meter ao barulho tanta gente quanto possível de forma a potenciar a possibilidade de conseguir uma maioria que, não percebendo rigorosamente nada daquilo em que está metida, seja capaz de transformar a coisa de forma a que a dita passe a estar ao alcance do que a douta “colegialidade” é capaz de entender.

"A recente discussão pública em torno da existência de escolas a funcionar com um reduzio número de alunos não pode escamotear a existência, por outro lado, de estabelecimentos de ensino que funcionam com turmas muito acima do que é pedagogicamente recomendável. "

Claro. Mas a utopia por que todos devemos dar o pescoço será alcançada no momento em que haja:
a) 1 professor por 10 alunos ?
b) 1 professor por aluno?
c) 10 professores por aluno?
d) 100 professores por aluno?
Nota importante: 10 professores por aluno já ultrapassa, e larga escala, as possibilidades da máxima família que o bloco tolera (mas não defende) - 1 casal com 1 filho. A ser assim, será finalmente possível decretar a extinção da família. Poderá, portanto, esquecer-se a posição d).

"A redução do número de alunos por turma é, assim, uma forma de aproximar o professor da realidade de cada estudante e do seu meio sócio-cultural, podendo dispor de mais condições para assegurar a desejável articulação das escolas com a população escolar."

Finalmente o professor alcançará a felicidade suprema perante a possibilidade de conhecer a realidade ou, melhor dito, de aprender com os doutos alunos. No balanço, adapta-se a escola à população escolar em vez de fazer o contrário: há que adquirir “competências” em ignorância, estupidez e burrice.

"É imperativa a certificação dos manuais a serem lançados no mercado"

Oh, evidentemente. E ninguém melhor que o Bloco para desempenhar a distinta tarefa.

Enfim, a escola segundo a perspectiva da carraça. Abocanham o animal e multiplicam-se, multiplicam-se e, a cada sinal de fraqueza do bicho, decreta-se que se enterrem mais as mandíbulas. Quando finalmente o bicho soçobrar, vai-se ao armário dos esqueletos buscar a enciclopédia onde se explica que a ideia é demasiado bondosa para a qualidade do animal.

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05/11/2007

Militantemente burros

... em geito de rapidinha ...

Porque será?
O apelo surge após o conselheiro ter tomado conhecimento de um relatório do organismo que coordena os serviços escolares na Suíça (CDIP), que revela que os alunos portugueses naquele país obtêm os resultados escolares mais baixos entre as comunidades estrangeiras e recorrem "excessivamente" a classes especializadas. (Aqui).
Alguns dirão que tem a ver com a origem social. Eu digo que sim: a esse respeito os portugueses (regra geral) não dão, pura e simplesmente, qualquer valor à escola. O que surpreende é que achem injusto ganharem menos que os suíços.

Sem, evidentemente, retirar uma vírgul ao afirmado, um responsável suíço veio depois pedir desculpa por "terem ofendido os portugueses". Suponho que o gesto atenuou o caso. Pois claro. Os alunos vão poder continuar a ostentar orgulho em ignorância.

A esquerda Anaclética e Cro-Magnon diz que a culpa é do país de acolhimento. Balbucia uma lenga-lenga qualquer relacionada com "integração". A tal "integração" que é suposto co-existir com "diversidade".

Faz lembrar a máxima que diz que de tarde as mulheres defendem exactamente o contrário do que defendiam de manhã, com a mesma vivacidade e pelas mesmas razões.
Manuel Melo [conselheiro das comunidades portuguesas na Suíça] salienta que o relatório demonstra "um desconhecimento profundo" da comunidade portuguesa na Suíça, onde se destacam professores universitários, médicos, políticos, sindicalistas, bancários, quadros superiores e empresários.
O problema está do destaque. Destacam-se demais: tanto quanto o cato no deserto. Para não variar, Manuel Melo (neste caso), não percebe nem o que ouve nem o que diz. Mas fala. Ou melhor, quer fazer crer que fala para suíços estando apenas a falar para o deserto: continuemos burros, mas orgulhosos.

... apenas uma variante da máxima "orgulhosamente sós".

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