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08/09/2007

Há professores a mais e inteligência a menos

Acicatado pelo António (chapelada), aqui fica mais uma autópsia.
Quando a ministra da Educação diz que a oferta de professores é maior do que a procura tem razão, mas a forma como aborda este problema é menos própria e revela uma falta de consideração pelos professores que é inaceitável num responsável pela educação. A ministra fala dos professores como se fosse o encarregado de uma obra pública a dizer aos serventes de pedreiro que procurem outra obra, porque para a semana já não há trabalho.
Este parágrafo resume bem o filme O Triunfo dos Porcos. Somos todos iguais, mas uns são mais iguais que os outros. O ajudante de pedreiro pode ser despedido, ser enviado às urtigas, passar fome, que, não pertencendo à casta dos professores, nada poderá, por alí, ser apontado como inaceitável.
É evidente que o número de alunos e mesmo de escolas diminui, que as funções não educativas das escolas, como é o caso da sua gestão, tenderá a não ser desempenhadas por professores. É também evidente que a melhoria do ensino pode colidir com hábitos e mesmo direitos concedidos no passado.
“Direitos concedidos no passado” ... resvalando, implicitamente para direitos inalienáveis. “Pode colidir” ... mas a força que “põe em causa” não deve prevalecer ...
Mas isso não implica que se crie na sociedade a ideia de que os professores são uns malandros, sem professores prestigiados e socialmente considerados nenhuma reforma do ensino será bem sucedida.
Pois não implica, a não ser que o prestígio seja abalado por posições de defesa de casta, claramente o caso presente.
Só que não se entende que o primeiro-ministro ande com o porta-bagagens do carro cheio de portáteis para distribuir pelos bem sucedidos das Novas Oportunidades e que a ministra da Educação revele tanto desprezo por milhares de professores que são vítimas da redução do número de vagas no ensino. Que se saiba foi o Estado que criou os cursos, que estimulou a formação de professores, ninguém chegou a professor com um curso de fachada pago com dinheiros do Fundo Social Europeu.
... o Estado criou e os tais de “professores”, pertensamente gente com algo entre as orelhas, que se comporta como as ratazanas: morde o isco. Fica-se a saber que o “professor”, cujo percurso formativo foi isento de processos de fachada, chegou ao fim da ladeira sem perceber que estava a ser “vítima” de um isco, como se nunca o tivesse alimentado a coisa conscientemente. Perdão, antes de ferrar o dente, a ratazana é mais cautelosa.
O mínimo que se esperava era que a ministra e o próprio primeiro-ministro abordassem este problema com alguma preocupação, com a mesma preocupação que por vezes se assiste quando fecha uma fábrica. Não basta dizer-lhes para irem ao centro de emprego mais próximo onde ainda por cima estão a ser maltratados. Ao terem optado por ser professores alguns destes profissionais dedicaram os melhores anos da sua vida à preparação, optaram por aquela que consideraram ser a sua vocação, desprezaram outras oportunidades profissionais.
... e não se percebe que a merda que tem saído das organizações sindicais dos professores resultou no facto de já ninguém ter pachorra para aturar reivindicações de casta? Reclamam-se agora os poucos direitos de quem, sempre tendo aguentado sem estrebuchar, se encontra numa encruzilhada difícil. Serão os “professores” os únicos legítimos detentores do direito a estrebuchar?

Se o prestígio não se reivindica, conquista-se, muito menos se renega tomando posições desprestigiantes, e querendo, em simultâneo, manter o prestígio via reivindicação classista.
O que teria sucedido ao sistema de ensino se há dez ou quinze anos os jovens não tivessem optado pela carreira de professor prevendo que estes seriam excedentários? Agora estaríamos a contratar professores brasileiros ou mesmo galegos, foi isso que sucedeu com os profissionais da saúde onde o numerus clausus criou uma situação simétrica à do ensino, onde a oferta de profissionais é menor do que a procura. O Estado poderia e deveria ter previsto esta situação mas por incompetência, cinismo ou mesmo oportunismo das universidades nada fez, milhares de jovens deram o melhor nos seus estudos para agora estarem num beco sem saída.
Depreende-se que à data “em que os jovens” optaram pela carreira de professor, não houvesse organizações sindicais compostas por adultos. Coitados. Todos jovens, embarcaram numa trapaça de governantes. Aborrecem-se agora perante o sucesso de outra casta, a dos médicos que, em devido tempo, trataram de “garantir” o seu futuro fazendo exactamente o contrário daquilo que fizeram os professores.

Parece até que os médicos tiveram sucesso à custa dos professores.

... tse, tse, tse.

O estado poderia ter previsto tudo e mais alguma coisa, os jovens ficaram em segundo lugar no acesso à inteligência obtida pelas ratazanas.

... e depois saíram ... “educadores”.
A ministra da Educação deveria compreender que há uma grande diferença entre uma responsável pela educação e um qualquer encarregado responsável por contratar serventes para uma obra pública. Deveria compreender mas pelos vistos não compreende ou a sua má formação leva-a a pensar que quanto pior tratar os professores mais fará passar a ideia de que é a grande reformadora do ensino. Reduzir o problema da redução dos alunos a uma consequência da natalidade é oportunismo, a ministra sabe (ou será que sabe mesmo?) que um dos problemas do ensino em Portugal é a reduzida escolaridade dos portugueses.
Serventes e professores não são, de facto, a mesma coisa. Se os professores se comportassem como serventes já seria um passo em frente. Um dos problemas do ensino em Portugal reside na reduzida inteligência demonstrada pelo comportamento dos professores. O normal seria usarem da inteligência que, descobrem agora, os ajudantes de pedreiro também têm.
Se é verdade que a tendência é para que haja menos alunos, daí podendo resultar um excedente de professores, também é verdade que a ministra deveria questionar-se porque há professores a menos, não fazendo passar a ideia de que tudo resulta do défice de libido dos portugueses. A verdade é que ao mesmo tempo que a ministra explica que há menos crianças os dados do Eurostat a percentagem de jovens que saíram precocemente da escola e cujo nível de estudos não ultrapassa o 9º ano de escolaridade subiu de 38,6%, em 2005, para 39,2%. Isto é, uma parte dos professores que ficou no desemprego foi vítima da incapacidade de a ministra para adoptar políticas que reduzam o abandono escolar. Esta taxa vergonhosa é mais do dobro da média europeia.
A ministra nunca poderá questionar-se porque haverá professores a menos no exacto momento em que há professores a mais. A matemática invocada fundamente o primeiro lugar obtido pelas ratazanas. Fica-se a “saber” que os portugueses fornicam QB mas que os rebentos abandonam a escola. Tá bem.

Pretende-se agora sacudir a água do capote e escamotear que os professores venderam a sua dignidade a proventos salariais relativos face a amanhãs-que-cantam que redundaram numa taxa de “sucesso escolar” miserável cuja qualidade nem vale a pena abordar: coisas do mundo do eduquês.

Não é por acaso que se lhe chama “sucesso escolar” e não sucesso educativo: mais uma sacudidela de capote.
Em vez de dissertar sobre as curvas da oferta e da procura do mercado de trabalho dos professores a ministra deveria explicar porque motivo o Governo foi incapaz de cumprir comas metas que estabeleceu para o abandono escolar (30% até 2008 e para 25% até 2010) e para a percentagem de jovens com o ensino secundário (65% até 2010). A verdade é que muitos dos que pensaram poder continuar a ser professores acreditando nas metas do governo estão agora no desemprego a ouvir a ministra dizer-lhes que a culpa foi do aumento do consumo de preservativos há dez anos atrás.
... o professor como espantalho. Nada tem a ver como ele, a não ser no caso de nem conseguir ser, de facto, professor.
Todavia, é um facto que a inversão das tendências da natalidade e a contínua formação de professores resulta-se num desajustamento entre a oferta e a procura de docentes e que mesmo que se adoptem algumas medidas paliativas e se combata o abandono escolar o problema persista. É necessário abordar o problema com uma sensibilidade que a ministra, mais empenhada em resolver o défice público do que os problemas do ensino, não evidenciou.
... como se não se tivesse mantido a engrenagem bem oleada e bem alimentada na expectativa de continuar a aumentar o número de “professores” pela via da redução do número de alunos por turma. Como se a generalidade dos professores não tivesse alinhado na aceitação de matéria aberrante, de “paradigmas” aparvalhados e não tivesse alinhado na transformação do aluno indisciplinado em aluno “hiper-activo”.
Se a ministra quer fazer uma abordagem primária do mercado de trabalho dos professores afirmando que há um excesso da procura, então também terá que concluir que há um défice na procura pela qual ela própria é responsável. Temos, portanto, professores a mais e ministra a menos.
Palermices como esta, “gira”, apenas afundam ainda mais o residual prestígio dos professores face ao mundo real, no qual os professores “se vêm”, agora, forçados a viver!

Coisas que acontecem quando os iguais apoiam implicitamente a retirada de tapete, de que padecem os mais iguais.

... não tendo aprendido a bem, terão que aprender a mal. ... coisas que a “educação” deles bem podia ter evitado, não fosse dado o caso de ter sido, desde há 20 anos, capitaneada por “cientistas em educação”.

... engenhêros.

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25/08/2007

De Miguel Portas e do Bloco de Esquerda

Escalpelizemos o texto de contrição de Miguel Portas.
Ontem mesmo, Jaime Silva, ministro da agricultura, acusou o BE de "incentivar aqueles jovens" e insinuava que este partido teria estado por trás da acção na herdade da Lameira. O bloco não tem nada, rigorosamente nada, a ver com os acontecimentos ou o movimento que lhe esteve na origem. Nem os seus jovens, que no dia dos acontecimentos se encontravam acampados... mas a 600 quilómetros de distância.
O Bloco de Esquerda faz sua bandeira o ataque à produção de alimentos por via de plantas transgénicas, em particular junto dos jovens.

No caso, o Bloco de Esquerda afasta-se “daquele jovens” como quem corta um membro atacado de cancro. Os jovens em causa foram tão palermoides que destruíram a cultura de um pequeno agricultor, e o Bloco apresou-se a abandoná-los à sua sorte.

A idiotia culmina com uma justificação tão palerma quanto o ataque ao milho: os 600 quilómetros. ... como se houvesse uma barreira, por exemplo aos 500, que inviabilizasse a organização da coisa, uma espécie de muro que pretendesse camuflar a responsabilidade do Bloco. Enfim, um problema de indigestão de muros a que o bloco não consegue fazer face.
O único elemento sobre o qual se funda esta inadmissível extrapolação por parte do ministro é o facto de eu, há três dias, ter expresso "simpatia com o gesto".
“Único elemento”, escreve Miguel Portas. Depois vem dizer que se travava de uma opinião pessoal.
Escrevi o que escrevi a título estritamente pessoal, e no blog Sem Muros reconheço que errei (quem desejar que o consulte). Mas, mesmo que assim não tivesse sido, é no mínimo estapafúrdio associar uma manifestação de simpatia à posteriori com uma "conspiração antecipada". Não é só estapafúrdio. Um ministro não pode acusar ou insinuar sem provas.

O Bloco desenvolve as suas acções às claras e de rosto destapado. Pode concordar-se ou não com elas. Mas quando age, envolve os seus próprios dirigentes. Não ficam na retaguarda.
“Estapafúrdio”. Tá bem.

“De rosto destapado”. Tá bem. Lembremo-nos dos SMS.
As raízes da ira

Não posso deixar de me referir ao modo como os "miúdos" têm sido tratados: de betinhos a vândalos, de terroristas a drogados e de desocupados a comunas, tudo vale e continua a valer.
Talvez porque os “miudos” sejam betinhos, vândalos, terroristas, drogados, e de desocupados a comunas. Surpreende-me, apesar de tudo, que tenham conseguido não se enganar e não tenham demolido uma cultura de girassóis. Aposto que se pretendessem destruir qualquer coisa relacionada com a criação intensiva de porcos, rachariam as copas de uma enorme quantidade de oliveiras.
Sou de um tempo onde, tantas vezes à falta de melhores argumentos, se resolviam diferendos nas esquerdas com epítetos relativos à origem de classe ou ao modo de vestir e viver.
E, 30 anos depois, apoia quem destrui o modo de vida de quem é estranho à “classe” de onde ele declara ser oriundo, e de quem veste e vive de forma diferente.
Assisti agora, 30 anos depois, a essa ressurreição e não gostei do que vi. Muitos dos actuais liberais bem pensantes também não deviam gostar. Por todas as razões e porque também eles, em tempos idos, apanharam com esse enxoval de "acusações".
Lágrimas de crocodilo.
Na sublevação dos indignados a pedra de toque é a questão da propriedade que está em causa que dá o tom. Todos os fantasmas saltaram de imediato.
Os fantasmas que andaram à solta foram zombies destruidores de culturas.
Esta mesma indignação jamais veria a luz do dia se o caso fosse o de um despedimento, ou o de um pai de um "betinho" fugindo ao fisco. Ou mesmo o de um betinho em bolsa, limpando pequenas poupanças em operações legais, envolvendo montantes bem maiores do que 3900 euros.
Essa “indignação” (nos moldes que deram origem ao caso presente) são especialidade de Miguel Portas e do Bloco de Esquerda, por acções capazes de permitir levar a bom termo o que dizem repudiar.
Classifiquei este delírio como uma "tempestade num copo de água". Na realidade é bem mais do que isso. É instinto de classe e espírito de guerra.
Sim. Quem trabalha sabe o que lhe custa.
O abuso dos qualificativos é particularmente grave quando chega a conceitos como o de "terrorismo". Em entrevista à SIC notícias, Rui Pereira, ministro da administração interna, não hesitou em qualificar o acto de "eco-terrorismo soft". O ministro devia saber que quando se perde o sentido das proporções, se acordam consequências escondidas: a de banalizarmos, isso sim criminosamente, o valor das palavras.
Pena é que o Bloco e Miguel Portas não se tenham apressado a indemnizar o agricultor. Dessa forma amaciaria os efeitos do disparate que, até lá, continua como eco-terrorismo. O ministro acobardou-se.
Uma portaria do absurdo

Discutiu-se mais o que aconteceu do que o problema para que quis chamar a atenção. Mas a quantos, com argumentos bem razoáveis, invocaram o problema do Estado de Direito, vale a pena contar uma pequena história. Em 2003, o decreto-lei 72 regulou as condições em que poderia ocorrer o cultivo de transgénicos. Nele se incluía um anexo relativo à necessidade de defender as pessoas das inalações de pólen e um fundo de compensação para possíveis perdas de agricultores de milho híbrido. Na lei seguinte, de 21 de Setembro de 2005, misteriosamente, as "minudências" caem. Em troca, cria-se a figura "zonas livres" do cultivo de transgénicos, cuja regulamentação é diferida para uma portaria que sairia em Dezembro do ano passado.

Que nos diz a portaria? Que a fixação de zonas livres é fixada pelas assembleias municipais. Parece razoável, muito bem até.
Parece razoável ao Bloco e a Miguel Portas porque lhe cheira a “democracia directa”. Para ele, quem deve decidir sobre determinada matéria é quem sobre ela nada percebe.
Ou seja, a interdição de cultivo passaria a ser uma competência local, decidida pelo parlamento local. Mas a portaria também diz como acabar com a prerrogativa: impõe que dois terços dos agricultores assinem uma declaração prévia nesse sentido - um processo burocrático, tudo menos ingénuo - e , logo a seguir, que a decisão pode ser invalidada pela simples vontade de um agricultor se dedicar aos transgénicos. É um completo absurdo. De que adianta a maioria democraticamente eleita decidir (no Algarve foi por unanimidade), se um só - e foi o caso - invoca a sua vontade e direito, e com esse gesto, anula a decisão?
O Miguel Portas supõe que as pessoas são tontas como ele parece quer parecer.

Que bramaria Miguel Portas caso um dos tais 2/3 de agricultores, depois de assinar a declaração mudasse de ideias e começasse a cultivar milho transgénico? Chamaria cabeça rapada ao agricultor e gritaria pela intervenção exemplar da GNR?
O essencial e o acessório

Cada um se agarra ao que lhe parece essencial. Para o bloco, o essencial é a resposta á questão: "transgénicos no prato"? Como bem sublinha Nuno Pacheco, em editorial do Público saído hoje, "há mais dúvidas do que certezas quanto aos transgénicos".
Miguel Portas e o Bloco de Eaquerda não gosta do mundo dos dilemas. Eles preferem o mundo dos”amanhãs que cantam”. Ou o mundo é perfeito ou eles estão contra. Uma forma de estarem contra tudo o que é palpável e a favor do impossível.
É exactamente essa a questão. E é exactamente porque há "mais dúvidas do que certezas", que o princípio da precaução se recomenda como critério da decisão política.
Caro Miguel Portas, você não devia ter nascido. Todo o que nasce, corre o risco de vir a ser careca. Como eu sou careca, vá bugiar. Aprendi há muito a viver com a incerteza.
Há pouco mais de um mês, o governo alemão, insuspeito de simpatias ecologistas, proibiu a comercialização de uma semente de milho transgénico da Monsanto, a MON 863 porque se confirmou, após aturados exames, que o consumo desse milho diminuía a resistência dos rins e dos fígados. Vale a pena ir mais longe?
Vale a pena ir mais longe, se reparar que se estava na presença de algo (pelas suas palavras) provadamente nefasta. Convém que se tenha na mão algo concreto antes de se avançar para uma acção de privação do sustento de um agricultor.
Podemos discordar, de vários modos, da acção levada a cabo. Mas não se pode ignorar o problema para que ela quis alertar. Ele radica na sede de lucros das multinacionais que detêm as patentes das sementes. É aí, e não nos agricultores que delas dependem, que se encontra o nó górdio deste debate.
Podia ter começado por aqui. Você detesta que alguém lucre com o que quer que seja, quer se trate de uma multinacional quer se trate de quem se desloca a uma loja para comprar pipocas. O Miguel Portas defende que quem vende deve ter o máximo de custos de produção e lucro zero (preferencialmente prejuízo), supondo que quem quiser comprar pipocas as vai encontrar mais baratas. O Miguel Portas não se engana, apenas parece querer fazer crer que se engana. O Miguel Portas sabe que muita fome no mundo radica aí. A restante fome, não é também estranha à sua visão absurda do mundo.

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23/08/2007

Miguel Portas errou

Miguel Portas diz que errou.

Escrevi o que escrevi a título estritamente pessoal, e no blog Sem Muros reconheço que errei (quem desejar que o consulte). Mas, mesmo que assim não tivesse sido, é no mínimo estapafúrdio associar uma manifestação de simpatia à posteriori com uma "conspiração antecipada". Não é só estapafúrdio. Um ministro não pode acusar ou insinuar sem provas.
Pena é que o ministro não possa acusar sem provas, mas que os imbecis verdeufémios possam destruir com base em coisa nenhuma. Apenas mais uma ... de Miguel Portas.

Lendo o resto, parece até que os idiotas dos verdeufémios são criancinhas de chucha.

Que nos acuda Vasco Graça Moura (via Portugal e Outras Touradas).

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19/08/2007

Miguel Portas e a carecada

Range-o-Dente escreveu: O seu comentário aguarda validação pelo moderador.

“Claramente, a sua intenção não foi de ataque à propriedade do agricultor - “nada nos move contra ele” - mas de afirmar, através de um gesto espectacular, a defesa do “princípio da precaução”.”

Não foi de ataque à propriedade do agricultor? Bem podiam então ter-se entretido a esmurrar a cara uns dos outros.

Pena é que, como eu, o Miguel Portas seja careca. Poderiam ainda, alternativamente, ter-lhe feito uma carecada.

… que tal arrancarem-lhe pelinho por pelinho? A cada pelo arrancado gritariam: abaixo o milho transgénico.

Este comentário foi deixado às 5:47, outro comentário deixado às 6:10 foi aprovado.

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A Miguel Portas, pelinho por pelinho, ou, os Muros de Miguel Portas

Deixei um comentário no blog der Miguel Portas declarando que acharia interessante que se lhe arrancasse milho por milho pelinho por pelinho e que, após cada arranque de milho pelo, se gritasse: abaixo os trangénicos.

O comentário ficou lá mas não passou a censura. Parece que Miguel Portas, como os Israelitas, gosta de construir muros à sua volta. Se pensou que me esquecia do comentário e não o salvaria, enganou-se. Sou muito cioso dos meus pés de milho.

Quem diria que "apenas um gesto de protesto" não tivesse tido acolhimento pela parte do eufémico deputado.

Digo mesmo mais. Só revela o seu machismo e falta de compreensão por aquilo a que as mulheres se sujeitam quase invariavelmente. O pelo, volta a crescer (como infelizmente, ao que parece, as mulheres sabem). O milho ...

O comentário pode ser lido acima. Vou agora informar o multilateral deputado do par de posts que aqui deixo. Vejamos se passa, ou se o muro, que ele diz não ter, fica ainda mais alto.

Aqui fica o referido aviso, com índice 39:

Range-o-Dente escreveu: O seu comentário aguarda validação pelo moderador.

Caro Miguel Portas,

Com muros ou sem eles, aqui fica o exemplar do meu comentário que não passou o seu crivo de censura. Afinal os Israelitas não estão sozinhos, também o Miguel gosta de se rodear de muros.

http://range-o-dente.blogspot.com/2007/08/miguel-portas-e-carecada.html
http://range-o-dente.blogspot.com/2007/08/miguel-portas-pelinho-por-pelinho.html

“Nunca digas não precisarei de um muro para me defender”

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05/08/2007

Portadores de gaita, abstei-vos de sacudir.

Espicaçado por este assunto abordado pelo Caldeirada de Neutrões, começo por informar que não fui ainda bafejado ou auto-bafejado pela propriedade de um ecran LCD. Tenho, em contrapartida um excelente monitor de raios catódicos de 21" cuja qualidade arrasa qualquer LCD que até agora tenha encontrado. Quando alguém me visita tenho sistematicamente que recorrer a uma rede de apanhar borboletas para evitar a queda inopinada dos testículos de quem olha para o meu Nokia Multigraph 445Xpro.

Mas não foi por isso que aqui vim. A propósito de poupança de energia lembrei-me de lançar uma campanha (politicamente correcta, está bem de ver):

Portadores de gaita, abstei-vos de sacudir.


Já alguém fez contas à energia consumida em sacudidelas de gaita de cada vez que algum dos portadores do precioso instrumento vai à casa de banho?

Se esse pavoroso acto de esbanjamento energético fosse banido, os alimentos que se poderiam evitar ingerir seriam suficientes para alimentar milhões de esfaimados ...

.. já para não falar doutro caso, mais assintoso, de gaital sacudidela.

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04/08/2007

A praga das eólicas



[Actualização: Caldeirada de Neutrões explica (chapeada), ainda mais detalhadamente, o assunto em seguida abordado].

Outra das loiras de olhos azuis dos ecologistas são as eólicas.

Os moinhos, como vulgarmente se lhes chama, são chamados, pelos idiotas verdes, de geradores de energia "limpos".

Problemas:

1 - Tendo em conta a energia que podem gerar são caríssimos. Repare-se que digo 'podem gerar': a possibilidade existe, mas ...

2 - Só geram energia quando há vento. Contrariamente ao que pode parecer, não é pelo facto de rodarem que geram a energia correspondente à sua capacidade máxima. Quando o vento escasseia não lhes são aplicadas as correntes de controlo que permitiriam obter a máxima produção porque, evidentemente, o sistema imobilizar-se-a (a hélice pararia).

3 - Decorrente do facto anterior, há que providenciar meios alternativos de geração de energia. As eólicas não substituem, por exemplo, a geração a combustíveis fósseis. Se não houver vento ...

4 - Tendem a produzir pouca energia exactamente quando ela mais é necessária: nos picos de verão e inverno.

Meteorologicamente falando, tende a haver pouco vento quando as temperaturas são muito altas ou muito baixas, alturas em que há brutais picos de consumo. Nessas ocasiões as verdes eólicas estão de férias (como os "verdes", na neve ou nas Maldivas).


Repare-se neste gráfico retirado so site da REN.





Hoje, um dia bastante quente, as eólicas poderiam produzir 700MW de energia eléctrica. Quanto produziram? À volta de 50MW, 1/14 do que poderia parecer. Porquê? Não trabalham sozinhas porque não há vento significativo.

...

Por estas e por outras, a energia que produzem e das mais caras de todas. Muitíssimo mais cara que barragens, centrais térmicas ou centrais nucleares. Alguém as terá que pagar, habitualmente com língua de palmo.

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03/08/2007

Arvorezinhas-as-Coitadinhas


Numa primeira leitura deste excelente 'post' ocorreu-me o incontornável exercício de girinice(*1) imbecil, pós moderno, absurdo, ridículo, idiota, politicamente correcto , ... : Reciclemos papel - bradam os ditos acima qualificados, recorrendo ao eduquês - a gramática que 'está a dar'.

Porque? Porque em cada folha de papel reciclada está parte da vida de uma Arvorezinha-a-Coitadinha, cuja vida se poupará.

...

A mãe natureza parece dispor de uma e apenas uma forma eficiente de capturar carbono da atmosfera e fixá-lo ao solo: pela clorofila. Em morte, o tronco da árvore devolve ao solo o carbono que, pacientemente, ao longo de toda a sua vida, foi retirando da atmosfera.

A clorofila, consumindo energia solar, decompõe o CO2 ("gás de efeito de estufa", tenhamos presente) em oxigénio libertado para a atmosfera, e carbono que fica retido nos tecidos da arvore.

O oxigénio é fundamental à vida animal, e sem a sua libertação a vida tornar-se-ia impossível tal como a conhecemos (talvez por enquanto).

É exactamente a energia solar consumida pela clorofila na dissociação do CO2 que nós recuperamos quando queimamos carvão ou petróleo.

...

Voltando ao papel, há que reciclar, reciclar, reciclar, reciclar, reciclar, reciclar, reciclar, reciclar, ...

Porquê? Para poupar a vida das Arvorizinhas-as-Coitadinhas, que nos fornecem o oxigénio que nos permite respirar e continuar vivos.

Mas não é exactamente enterrando papel que se fixa, de volta ao solo, de onde o mau-bicho-homem o retira sob a forma de carvão, o carbono que, combustado, vai libertar para a atmosfera o CO2, o execrável "gás de efeito de estufa"?

Ah, pois é ... Olha que giro (girinice imbecil, pós moderna, absurda, ridícula, ideota, absurda, politicamente correcta).

...

Os idiotas dos verdes (de várias estirpes - todas anti-globalização, anti-CO2, anti indústria, anti-americanos(*2) e anti-Bush - numa palavra, o Satã pós-moderno) reclamam a poupança da vida das Arvorezinhas-as-Coitadinhas (leia-se eucaliptos), propondo em alternativa a reciclagem do papel, para a qual será consumida energia geradora de CO2 grandemente originária do carvão ou de centrais nucleares (outra coisa que eles abominam, desenvolvida pelo mesmo Satã). Poupando a vida das Arvorezinhas-as-Coitadinhas, acabam defendendo que, para obter a energia necessária à reciclagem do papel, se liberte CO2, queimando carvão - o tal que eles defendem que se retenha e devolva ao solo do planeta, impossibilitando, implicitamente, o retorno de carbono, ao solo.

Numa penada defendem e condenam a fixação de carbono, defendem e condenam a libertação de CO2. Tudo numa única tirada. Que giro (girino, digamos)!

Alternativamente defendem que se produzam isótopos e elementos radioactivos (fisicamente instáveis) consumindo energia proveniente de centrais nucleares.

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*1 - "de ... "aaaaiii que giiiiirooooo!".
*2 - até os americanos da América do Sul, sem que disso se apercebam.

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02/08/2007

Cuba - do amanhã cantante à morte miserável



A RTP acaba de passar, pela batuta de Sandra Felgueiras, um programa muito interessante sobre o amanhã cantante cubano.

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15/07/2007

Igualdade

Comentário a um comentário a este artigo.

Rouxinol:
"É impossível vencer as desigualdades de oportunidades, mas é possível minimizá-las de forma a que todos partam de uma linha de partida relativamente semelhante, para que seja possível determinar com alguma precisão qual o melhor atleta."

Pois é possível e isso deve ter lugar.

Mas não é isso que está a acontecer.

O que está a ter lugar é, entre outros disparates de equivalente calibre, a transformação de igualdade de oportunidades em igualdade ou, melhor, em igualitarismo.

Perante o aparecimento de um melhor atleta o 'sistema' supõe que se tratará de uma imperfeição do próprio sistema e achincalha o atleta, desvalorizando o que ele conseguiu e apagando as sucessivas metas cuja qualidade, entretanto, tem sistematicamente baixado.

O achincalhamento produz a dinamização do ensino privado coisa que os "defensores" do ensino público não gostam porque lhes deixa de fora a careca.

Alunos de qualidades indistintas passam ao privado e, entre eles, os melhores cortam a (famigerada) meta em primeiro lugar.

Potenciais bons alunos que, entretanto, no ensino público soçobram à bandalheira, perdem-se.

Eis como uma paranóia igualitária cria um status quo em que só aprende quem tem dinheiro.

... há quem diga que os "defensores" do público (em regime de defesa paranóica) pretendem apenas manter uma vasta classe de idiotas para à custa dela viverem.

... isto traz-me à memória a sociedade triunfo-dos-porcos.

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07/07/2007

A Europa sou eu



Fernando Nobre, da AMI, declarou à Rádio Europa-Lisboa que o novo mini-tradado da Comunidade Europeia falhará porque “não vai levar, [...] à Europa que eu idealizei para mim”.

Por muito palerma que o mini tratado possa ser, poderá Fernando Nobre explicar porque carga de água haveria o documento de ter alguma relação ao que ele idealiza para ele próprio?

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02/07/2007

Novas oportunidades?

Acerca do programa Novas Oportunidades, escreve um leitor do Abrupto:
Tenho pouco conhecimento da fora como está a funcionar este programa, mas a observação sociológica do leitor José Carlos Santos, apesar de não (me) surpreender, devia ser motivo de reflexão. Aqui está outro exemplo do mesmo tipo: como deve saber, os exames ad-hoc para entrada no Ensino Superior foram extintos, pois (e estes foram os únicos motivos que ouvi serem frequentemente apontados) "reprovavam muita gente" e "aumentavam o insucesso e o desânimo" (posteriormente, ouvi insinuações de fraude, mas nenhuma prova); na minha experiência (e possivelmente também na sua), os alunos que tive e que entraram via exame ad-hoc foram , no geral, bons; na maior parte dos casos, destacaram-se da média dos outros que entraram pela via regular. Nada disto é surpreendente: quem tem a inteligência e auto-disciplina para se preparar sózinho para um exame, terá boas possibilidades de sucesso depois de entrar; e isto é ainda mais verdade em sítios (a utilização deste termo é intencional) onde o aluno médio é mediocre, se não mesmo mau (como acontece onde trabalho).

Agora, no lugar do exame ad-hoc, temos os +23, uma alteração com implicações na qualidade do nosso Ensino Superior que nunca foram cabalmente analisadas. Os únicos motivos apresentados foram economicistas e de feitura de estatísticas: se não entrassem mais, metade do ensino superior em Portugal, em especial o Politécnico, fechava e, além disso, assim temos mais gente "qualificada", um adjectivo que, cada dia que passa, se afasta mais do "competente".

Um resultado imediato desta alteração, foi a admissão de muitos candidatos que não têm qualquer preparação para fazer um curso superior e, se juntarmos a isto as pressões que os docentes que estão em situação precária sofrem para aprovar o maior número possível, o resultado inevitável é um abaixamento de nível sem precedentes.

Mas, voltando à observação, uma coisa é verdade: é, em geral, nos mais velhos que ainda existe alguma vontade de aprender e trabalhar, em vez de tentar explorar as vulnerabilidades dos docentes na expectativa de os intimidar. São também eles que dão os exemplos de boa educação e civilidade. O ambiente em algumas turmas nocturnas ainda recorda as aulas clássicas, o que já não acontece com os mais novos.

Talvez a nossa sobrevivência futura dependesse de uma reflexão e de acções resultantes, sobre o nosso rumo, mas não me parece que as nossas élites, políticas e outras, estejam à altura.

(João C. Soares)
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13/06/2007

Mortos três membros da Cruz Vermelha

Num campo de refugiados palestiniano no Líbano, dois trabalhadores da Cruz Vermelha foram mortos por militantes da Fatah Islam.

Imagine-se a peixeirada que iria pela comunicação social se tivessem sido mortos em resultado de um ataque israelita.

... entretanto ...

Em Londres, uma mulher foi executada por muçulmanos. Nem as feministas parvas nem os idiotas úteis da praxe levantaram, sequer, uma palha "contra a violência" [via Insurgente].

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08/06/2007

Cá se fazem cá se pagam



“Cá se fazem, cá se pagam”, diz o povo.

Há tempo, num blog aqui ao lado perguntava-se se a auto-discriminação era resultante de masoquismo.

Eu respondo que não, que a maioria das vezes é resultante da penhora do futuro por benesses imediatas.

Ligado ao ensino, vejamos três casos, micro, médio e macro, que têm resultado em discriminação.

Durante o tempo da Mocidade Portuguesa, os professores eram bem considerados. Respeitados, eram tidos, na sociedade, como referência (houve, evidentemente, excepções, mas era esta a generalidade).

Depois do 25 de Abril essa respeitabilidade continuou. Quando da primeira greve de professores, lembro-me que as pessoas se interrogavam: ”se até os professores fazem greve, o caso deve ser sério”.

Passando ao lado da bagunça imediata ao 25 de Abril, anos passados começou a sentir-se o cancro das “ciências da educação”.

Os professores foram deixando de serem professores e passaram a “agentes educativos”, “facilitadores de comunicação”, “facilitadores de aprendizagem” e outras barbaridades equivalentes.

Como explicado aqui, foi-se, na verdade, escaqueirando a escola e substituindo-a por uma instituição entorpecente onde o aluno, à volta da vontade do qual tudo gira, é mantido como um fardo de palha: sem se lhe pedir mais do que ele é capaz de dar espontaneamente. Quando sair da escola e lhe forem cortados os arames não servirá de mais que de alimento a burros – carne para indústria de salários baixos e baixa qualificação.

O mundo do aluno contemporâneo é do tamanho de uma ervilha. Eles são todos “especialistas” em informática, mas a informática deles é uma bosta. A maioria sai do 12º sem ser capaz de usar espontaneamente funções de Excel – que, como apenas uma aplicação, nem sequer permite por ela que se “perceba de informática”.

Voltando ao professor, ele é responsável pelo presente estado de coisas pelo menos na medida em que nunca foi capaz de perceber que a cada novo “paradigma” aceite punha em causa a sua respeitabilidade. O professor foi abandonando rapidamente a sua costela de intelectual e foi aceitando o crachat de “facilitador” de todo o tipo de disparate. Em muitos casos pela máxima do “amanhã cantante” (logro), noutros pela cenoura salarial - ganho a curto prazo. Esta, em momentos críticos, foi usada para comprar a aceitação ao jogo, num cenário em que dominavam sindicatos globalmente controlados (democraticamente, pois claro) pelos Cro Magnons da “esquerda”. Em qualquer dos casos uma escola “mais ligada à sociedade”(?) segurava a minhoca no anzol do facilitismo, o tal que, a curto prazo, dá menos trabalho.

O tempo foi passando e os resultados são patentes: um professor é hoje uma “coisa” cuja missão, mais ou menos indefinida, passa, sabe-se lá como, por ser responsável por que os alunos sejam capazes de acabar (?) a escola e arranjar emprego bem remunerado (não necessariamente trabalho!).

Tudo deixou de andar à volta do professor, fonte de conhecimento, para passar a andar à volta do aluno, fonte de desconhecimento e palermice. O desconhecimento passou de pura burrice a fonte inesgotável de “perplexidades”, empalmadas por “manuais” em vez de livros.

De referência de sociedade o professor passou a algo a quem qualquer papá imbecil dá porrada quando a sua imbecil criança lhe diz que o professor lhe “comunicou” que não podia cagar na sala de aula (“comunicou” entre aspas, porque os professores já não falam – comunicam apenas).

Excluindo-se implicitamente, o professor (e por maioria de responsabilidade a corja de imbecis “cientistas de educação” que pululam pelo Ministério da Educação) vai formando gente inútil (futuros excluídos) que tem vindo a relegar Portugal para o grupo dos países apalermados.

Pode resumir-se a coisa dizendo que a incapacidade (até por vontade própria) em neutralizar um bando de energúmenos “cientistas de educação” colocou os professores na posição de excluídos do papel que lhes compete, responsabilizados, ainda por cima, pela não ”educação” dos bandos de inúteis que, de ano para ano e em cada vez maior número, vão sendo despejados no mercado de trabalho em empresas que terão que concorrer com países onde a sacrossanta ciência não deu ainda os mesmos “frutos”. Esta incapacidade em ombrear com as pessoas de países de economia livre, onde se aprende mais, leva o país à posição de excluído da orquestra mundial de países desenvolvidos.

Nesta bostas por onde moscas vão passando, coisas como esta são apenas mais um tentáculo do cancro.

Claro que os idiotas úteis locais culpam os países evoluídos de tudo quanto nos acontece, em especial pela nossa ignorância e ineficiência, embora seja evidente que não são esses países a ditar os “conteúdos” imbecis e imbecilizantes com que os nossos “facilitadores” vão tristemente mantendo lavado o cérebro de quem entra na escola. Pode dizer-se que as “ciências da educação” vierem dos Estados Unidos, mas é da nossa única e exclusiva responsabilidade alinhar em idiotices.

Parece, entretanto, que as mesmas ciências vão campeando, mais aqui menos ali, a generalidade da Europa. Enfim, não é por ser moda que a cretinice generalizada produz prémios Nobel – os Estados Unidos ficam com os Nobel, nós, (Portugal e Europa) com os idiotas.

Por esta via a Europa vai-se “afirmando” (de forma bastante generalizada) como uma “potência” em insipiência. A Europa já só é capaz de riscar sentença nos pseudo órgãos de informação de consumo interno: a exclusão da Europa na cena mundial é patente – há que agradar a pacóvios cuja escola lhes deixou a tripa cageira directamente ligada ao cérebro.

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A triste figura que vamos fazendo constitui a maior derrota do 25 de Abril face à máxima Salazarista: “pobrezinhos mas limpinhos”, ou, burros mas orgulhosos, com muita fé e muitas crenças.

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04/06/2007

Porrada neles



CAA do Blasfémias, tem razão.

Em Rostok, um grupo de imbecis a que a comunicação social gosta de chamar "manifestantes", "críticos", "contestatários", "inconformistas" e outras idiotices equivalentes, gosta de andar à porrada.

Pois que a polícia lhes dê, com fartura, nos cornos. Só se perderão as que caírem ao lado.

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27/05/2007

Mais um delírio



É apenas um dos delírios que nos empestam e que deve ter as suas raízes numa fé qualquer.
Via O Insurgente

O ALEGADO JORNALISMO
Alberto Gonçalves

No Verão de 2005, Israel desmantelou os colonatos da Faixa de Gaza, abandonando o território à flexível jurisdição palestiniana. Desde então, Gaza tem sido principalmente utilizada pelo Hamas para lançar morteiros sobre as cidades "sionistas" limítrofes, em parte graças ao fluxo de armas e terroristas vindos da fronteira franca com o Egipto. De vez em quando, israelitas civis morrem. De vez em quando, Israel reage e bombardeia os carros ou as residências de alguns ilustres do Hamas. Em simultâneo, apoia, militar e financeiramente, a Fatah nas rituais matanças entre palestinianos. Por motivos discutíveis e discutidos, o Governo de Olmert convenceu-se de que a Fatah constitui uma espécie de aliado, embora nada permita reconhecer-lhe força ou vontade para tal. Em simultâneo, a fronteira de Gaza com o Egipto permanece aberta à circulação de "jihadistas" sedentos de martírio, próprio ou alheio. Receoso dos efeitos de uma invasão de Gaza na "opinião pública", Olmert limita-se a eliminar a ocasional luminária do Hamas e a esperar que a coisa acalme. A coisa não promete acalmar.

Resumidíssimos, eis os factos, de resto comprováveis. Mas não com facilidade. Quem, por exemplo, acompanhou os últimos dias no Médio Oriente pelos "telejornais" ou por certa imprensa, ficou apenas convicto do seguinte: a chatice que decorre no Líbano não envolve directamente Israel, portanto, não dá drama; dramática é a situação em Gaza; em Gaza, Israel estourou com uma casa repleta de civis, tanto mais inocentes quanto o "alegado" psicopata do Hamas que, por mera coincidência, habitava a dita, não estava lá dentro no instante fatal; Israel assassinou "alegados" membros do Hamas; Israel prendeu "políticos" do Hamas; Israel rejeitou "tréguas"; Israel matou e esfolou; as acções de Israel são injustificáveis, visto que o Hamas vai enviando uns engenhos "artesanais" que, no fundo, nem ambicionam magoar ninguém. Como sempre, os israelitas são deliberadamente cruéis. Como sempre, os palestinianos são "resistentes", "activistas", "insurgentes", "militantes", "combatentes". Enfim, fazem pela vida, coitados.

Podemos atribuir esta peculiar visão à má-fé. A má-fé não explica tudo. Claro, qualquer sujeito que queira saber sabe o que se esconde (se se esconde) por detrás do "jornalismo de referência" da BBC ou da Reuters. E a retórica enviesada de certa imprensa indígena só engana criaturas particularmente impressionáveis. O problema é que, inclusive na classe jornalística, as criaturas impressionáveis abundam: basta ver os pivots dos nossos noticiários televisivos repetirem os delírios acima com candura. Ali não há vestígios de uma "agenda" oculta ou de preconceito ideológico: repetem-se os delírios porque os delírios ascenderam ao cânone.

Ainda existe disponibilidade para conceder um mínimo de compaixão face ao "judeu errante", em fuga cinematográfica dos pogroms ou nos transportes para Auschwitz. Mas, passem os séculos e as tragédias que passarem, na Europa quase ninguém aceita graciosamente que os judeus tenham pátria e poder. E muito menos que tenham razão.
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26/05/2007

Abençoado seja o mundo dos utópicos



As utopias são o máximo. São sempre boas (nem poderiam ser outra coisa). E são sempre resultado de corações esbanjantes de bem-fazer.

Recordemos um dos seus mais altos expoentes; Mao Tse Tung.

1 - A utopia das siderurgias

Mao percebeu (já sabia, porque um ser superior já sabe tudo) que a China precisava entrar no mundo industrial. De acordo com o seu supremo intelecto, resolveu que cada pequena cidade Chinesa haveria de ter uma siderurgia. Daí a construírem-se fogueiras monumentais para derreter metal, foi um passo que, sendo utopia, se tornou um enorme salto em frente.

Não havendo minério para derreter, foi fundida a maioria dos utensílios domésticos. O resultado foi ... escória. O resultado no ano seguinte foi ... fome. Os agricultores "empenharam-se" de tal forma no evidente "projecto de futuro" que, entretanto, deixaram as culturas ao abandono.

2 - Tendo conhecimento que os pardais comiam parte das culturas, o mesmo querubim resolveu, durante um acometimento de ideia, cortar o mal pela raiz: matar toda a passarada. Ao fim e ao cabo, quem era a passarada para fazer frente ao superior ser e às necessidades do "seu" povo?

Nas ruas, milhões de chineses, espalhados pelos campos, fizeram barulho dias a fio. Deve ter sido algo parecido com a chungaria que a generalidade dos pimpolhos hoje ouve. A passarada não podia pousar, era mantida permanentemente em voo até cair por exaustão. Talvez, quem sabe, estivesse até a "curtir", electrizada pela "batida" chinesa.

A coisa funcionou. A passarada foi dizimada.

Pareceu, no entanto, que a mãe natureza afinal não funcionava de acordo com a sábias certezas do benemérito querubim. Mas isso era apenas um pequeno pormenor que, certamente se vergaria à utopia do herói - como que um ligeiro inconveniente que, face à sua magnanimidade, acabou até por apimentar a coisa.

No ano seguinte, limpos de passarada, os campos foram cultivados. Que maravilha: era só cereal a crescer. Oops, afinal não crescia. Quem crescia era a quantidade de insectos.

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Bem vistas as coisas, estes dois pequenos grãos de poeira na utópica boa ideia (uma redundância, evidentemente) averbaram 20.000.000 de mortos. Não mais que um solavancozito (coisas da teimosa realidade) que, evidentemente só tornava ainda mais evidente (se possível fosse) a bondade da teoria inicial.

Abençoado seja o mundo dos utópicos.

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25/05/2007

Os "humanistas" e os tira-olhos

Há muito tempo que os "humanistas" europeus estão sossegados ...

24 de Maio

Num recente raid a uma casa segura da Al-Qaeda, no Iraque, oficiais norte-americanos recolheram desenhos cruéis, retractando métodos de tortura como “queimaduras de pele a maçarico” e “remoção de olhos”. Com as imagens que podem ser vistas nas páginas seguintes, os soldados apanharam várias implementações de tortura como cutelos para carne, chicotes e corta-arames. [...]. As imagens, agora desclassificadas [tornadas não secretas] pelo Departamento de Defesa, incluem também uma imagem deteriorada de uma casa segura, em Bagdad, descrita como uma “câmara de tortura da Al-Qaeda”. Foi ali que, durante um raid, a 24 de Abril, os soldados encontraram um homem suspenso do tecto por uma corrente. De acordo com os militares, ele tinha sido raptado do seu local de trabalho e tinha sido agredido diariamente pelos seus raptores. Na mesma semana, noutro raid anterior, as Forças de Coligação libertaram cinco iraquanos encontrados agrilhoados em Karmah. O grupo, que incluía um rapaz, tinha sido repetidamente agredido com correntes, cabos e mangueiras. [...]


MAY 24

In a recent raid on an al-Qaeda safe house in Iraq, U.S. military officials recovered an assortment of crude drawings depicting torture methods like "blowtorch to the skin" and "eye removal." Along with the images, which you'll find on the following pages, soldiers seized various torture implements, like meat cleavers, whips, and wire cutters. Photos of those items can be seen here. The images, which were just declassified by the Department of Defense, also include a picture of a ramshackle Baghdad safe house described as an "al-Qaeda torture chamber." It was there, during an April 24 raid, that soldiers found a man suspended from the ceiling by a chain. According to the military, he had been abducted from his job and was being beaten daily by his captors. In a raid earlier this week, Coalition Forces freed five Iraqis who were found in a padlocked room in Karmah. The group, which included a boy, were reportedly beaten with chains, cables, and hoses. Photos showing injuries sustained by those captives can be found here. (12 pages)
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Da novilíngua e do carro do burguês

Na Venezuela, mais um amanhã cantante segue o seu caminho. Num comentário do log O Triunfo dos Porcos, pode ler-se:

Lidador.

Cá pelas bandas do Brasil os neo-conservadores são considerados efetivamente ultra-direita, sem nenhuma chance, devido a um trabalho eficiente realizado pelos gestores da novilíngua nas universidades do país. A coisa está tão preta (desculpe-me os neo-racistas do "movimento negro") que o giro mental considerado de bom alvitre entre nós é o de esquerda. Se você não for de esquerda deve ser mais à esquerda ainda, senão você não existe. Liberais, conservadores, democratas-cristãos e toda essa gente está automaticamente excluída do debate público. Pode crer, o Brasil e a América Latina caminham a passos seguros direto à cubanização. Querem ver? Fiquei a saber através de um amigo um caso chocante que se deu em Venezuela. Certa pessoa teve seu carro roubado na cidade Caracas, então, imediatamente, esta acorreu a uma delegacia de polícia mais próxima para dar queixa do ocorrido. Por incrível que possa parecer, o policial responsável pela ocorrência disse-lhe que não tivesse tantas esperanças em rever seu patrimônio, pelo fato de que seu automóvel era um automóvel de "burguês" e que os "burgueses" deveriam mesmo ser expropriados de seus bens. Este infeliz era simplesmente um mero professor privado que usava seu carro para dar aulas em colégios equidistantes, meio de transporte portanto imprescindível. Esse é um panorama que conhecemos e que pode vir a se repetir, desta vez como farsa em todo nosso continente.

Antônio Carlos de Oliveira
Rio de Janeiro - Brasil

No Brasil, a coisa vai também bem lançada. Sei, de viva voz, por um amigo, que o que Antônio Oliveira escreve faz sentido. Cláudio Tellez descreve também o mesmo padrão.

Um outro amigo refere o facto de haver múltiplas políticas no Brasil, consoante as regiões. Ele refere que Lula joga para onde os bois puxam. A ver vamos.

As fumarolas cheiram a podre.

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