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05/01/2007

"A maluquinha dos OVNIS"



Não resisto a transcrever esta posta do Lidador (via Blasfémias).
Ana Gomes insiste em servir-nos peixe.

Há 30 anos, peixeirava na esquerda tonta, convencida, como ainda está, que engoliu o garfo da inteligência e que é a fina-flor do entulho.

A mulher, além de grosseira, feia e inconveniente, é de uma estupidez que raia o inacreditável.

As peixeiradas sucedem-se a um ritmo alucinante e nem vale a pena escavar muito na memória:

Há menos de 2 anos, a sua obsessão contra as eleições na Etiópia causou grandes danos à imagem da Europa, tendo acabado por ser ostracizada por toda a gente, quando resolveu, à revelia do mais elementar bom-senso, apoiar os comunistas herdeiros do sangrento regime de Mengistu.

Há dias, a propósito da morte de Pinochet, escreveu um odioso texto, que revela bem o primarismo burgesso que (mal) se esconde por detrás do seu facies. Que ia abrir uma garrafa de champanhe, zurrava!

Perguntada que champanhe abriria quando morresse Fidel Castro, disse que "Não o ponho no mesmo plano que um Pinochet"

Porquê?, perguntou-lhe a jornalista Helena Pereira.

"Porque há em Cuba "aspectos extremamente positivos", respondeu a alarve.

Ou seja na inacreditável abóbora de Ana Gomes, basta que haja "aspectos positivos" (ou que ela considere como tal), para que se justifique a fome, a miséria, a repressão, o totalitarismo, a chacina de mais de 30000 pessoas, a deportação de centenas de milhar, a falta de liberdade, etc.

Mas o pior é a obsessão antiamericana de Ana Gomes.

A mulher está possessa e embarcou numa viagem paranóica onde já não consegue distinguir a verdade da especulação, a realidade da ideologia, as provas das convicções. Nesta história dos "voos da CIA", parece uma daquelas maluquinha dos OVNI. Só acredita naquilo em que já acreditava e nenhuma prova, estudo, ou comissão, pode concluir o contrário daquilo em que ela acredita.

Provas? Não são necessárias. Ana Gomes, como todas as peixeiras, sabe que o seu peixe é o mais fresco do mundo e aposta nisso todo o pelo rijo que lhe aflora a venta.

Já ninguém a pode ver à frente e é hoje ostracizada por toda a gente sensata e racional.

Como pode uma pessoa destas ser eurodeputada por Portugal ? Porque razão elegemos a estupidez em forma de gente, para nos representar? Que andava na cabeça de Ferro Rodrigues quando resolveu torpedear o seu próprio partido com tal cromo.

Acabará por se auto-destruir e despejar os seus ossos no Bloco de Esquerda, como é evidente, mas entristece-me que a sua desbragada ânsia de protagonismo antiamericano esteja a dar uma péssima imagem das mulheres portuguesas.

Temos muitas, muitíssimas senhoras. Porque raio fomos escolher uma peixeira de mão na anca?
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20/12/2006

Cuba: amanhã cantante

Via Kontratempos:

No Pública:
«"Em Cuba vive-se mal e é preciso estar sempre a inventar para no final do dia ter o que comer", diz Luís, 46 anos, vendedor de frutas no Mercado de Quatro Caminhos em Havana. "Não sei o que vai acontecer aqui, ninguém sabe, mas tenho um filho com 20 anos e só queria que ele fosse para outro país, onde tivesse mais possibilidades." (...)»

«"Os que mais se devem preocupar são os altos dirigentes que vivem nas mansões mais luxuosas de Cuba arrebatadas às classes altas. Só Fidel Castro tem 57 residências espalhadas por todo o país. Fizeram de tudo nestes anos. Repartiram entre si o pouco que ia restando com entusiasmo de piratas." É no Vedado, parte nobre de Havana, que vivem os altos funcionários do Estado e se situam as embaixadas. Uma zona que contrasta com os edifícios velhos e degradados do resto da cidade, onde numa só casa chegam a viver quatro gerações de uma família. "Não penso que os cubanos do exílio estejam dispostos a entrar em conflito com os seus compatriotas por uns metros de barracas. Muita gente sabe já que as casas são tumbas provisórias." (...)»

«Com um ordenado mínimo que não chega aos dez euros, a "luta é grande", assegura Pedro, 53 anos, distribuidor dos correios. "Entre a compra de alguns alimentos e o pagamento da luz, pouco resta ao final de uma semana." As mercearias estão sempre cheias. De caderneta de racionamento na mão, os cubanos enfileiram-se à espera de adquirir os produtos subsidiados pelo Estado: arroz, feijão, açúcar, sal, ovos, azeite, café, carne e peixe. "Isto é uma ajuda, mas não chega. A verdade é que os salários são baixos e os produtos caros." Pedro vive com a mulher, educadora de infância, e as duas filhas numa casa muito degradada. As paredes têm rachas profundas e o tecto ameaça cair. Depois de sair do trabalho, Pedro arranja frigoríficos para "tentar ganhar mais algum" e "não passar fome". Uma actividade que "é ilegal", diz com um sorriso irónico. (...)»

«(...) Devido às restrições impostas pelas autoridades, hoje são poucos os que trabalham - de forma legal - por conta própria. À margem da lei, a realidade é outra. "Não há um cubano que não tenha o seu negócio. O Governo quer o quê? É a única maneira de sobreviver." A opinião de Pedro é partilhada por Raúl Rivero, para quem a solução é "liberalizar a economia". Ou seja: "Abandonar os mecanismos de controlo do Estado e retirar as mãos sujas das pandilhas de lerdos com cartão do partido que tudo dirigem com uma ineficácia que conseguiu manter a caderneta de racionamento desde 1964 até aos dias de hoje. Uma gestão de energúmenos que, em meio século, não conseguiu fazer com que o povo almoce com decência."»

«Com um apertado sistema de vigilância, o Governo de Fidel tenta evitar o contacto entre cubanos e estrangeiros. (...) Apesar do controlo, não raras vezes, há quem peça "uma ajuda". Qualquer coisa serve: sabonetes, pasta de dentes, roupa, comida ou um dólar "para comprar leite para os filhos". (...)»

«"O Governo de Fidel não quer admitir, mas o problema é que hoje há tanta ou mais prostituição e corrupção do que durante a ditadura de Batista", assegura Pedro. É ao final do dia, junto ao Malecón, que jovens de mini-saia e pronunciados decotes metem conversa com os estrangeiros. Convidam-nos para dançar e algumas, mais atrevidas, perguntam se não têm curiosidade em saber "como é que uma cubana faz amor". "No final", garante Pedro, "querem sempre o mesmo: dinheiro ou um convite para sair do país". Por ter a pele muito clara e o cabelo todo branco, Pedro já foi confundido com um europeu: "Se soubesse falar duas ou três palavras de inglês, até com uma menina de 12 anos ia para a cama." (...)»

«O carácter gratuito do sistema de saúde e educação tem sido uma das conquistas mais emblemáticas da revolução. O exemplo dos EUA - onde a medicina tem um preço elevado - é, aliás, sempre mencionado pelo regime. "O Estado diz-nos que somos os únicos no mundo a ter estes privilégios, mas esquece-se que sabemos pelos turistas que, em muitos países da Europa, a medicina e a educação também não são assim tão caras", afirma Rafael.»

«(...) "Se não há acesso nem a informação, nem a novas tecnologias, como podemos dizer que temos um dos melhores sistemas de saúde e educação do mundo?", questiona Carlos, 69 anos, antigo médico veterinário.»

«(...) Quase todos os cubanos participam em actividades de carácter político, como os Comités de Defesa da Revolução (CDR), as associações ou marchas. "Pode parecer que somos a favor do sistema, mas não temos outra alternativa", diz Carlos. "Por exemplo, se não se aparece para votar, no dia a seguir vêm perguntar-te por que não foste. As eleições são de mentira. Em nenhum lugar do mundo vota 98 por cento da população. Aqui não há liberdade."

O "Granma" e o "Juventud Rebelde" são alguns dos poucos jornais que circulam em Cuba. Cada um não tem mais de oito páginas e as manchetes exaltam os feitos do regime: a saúde, a educação, o desporto e a cultura. Os EUA são o alvo das críticas. Na televisão, há quatro canais oficiais, todos do Governo. A Internet só existe nos hotéis e está proibida aos cubanos. O acesso a livros também é limitado. O falecido Guillermo Cabrera Infante, escritor cubano exilado e Prémio Cervantes 1997, é praticamente desconhecido. Ou, então, lido às escondidas, como tantos outros.

Do mundo, na verdade, pouco se escreve ou fala. O que os cubanos conhecem é através do que lhes contam os turistas ou os emigrados quando visitam o país. "É difícil ter acesso a informação", confirma Rafael. "Há coisas que precisamos saber não só como cubanos, mas também como seres humanos. Os noticiários aqui só passam o que de pior acontece no mundo... É o que eles [os dirigentes do regime] querem que nós vejamos, o que lhes convém." "É um Estado que generaliza o temor e a desconfiança", explica Rivero. "Tem, além disso, a cumplicidade da maioria dos governos do continente que, para manterem calmas as suas esquerdas, tornam-se cúmplices de um ditador."

Durante cerca de duas décadas o jornalista exerceu a sua profissão em Cuba. Descreve assim a experiência: "É quase não viver. É sobreviver. Os jornais diários, a rádio e a televisão reproduzem máximas políticas desacreditadas. Alguns artistas, escritores oficiais e científicos têm correio electrónico através de um servidor do Governo vigiado pela polícia. Há carros russos ou chineses que patrulham as ruas com antenas para detectar sinais de televisão estrangeiros. Só os que servem o Governo é que têm acesso (também limitado) à Internet." (...)»

«Rafael e Javier, ambos músicos, são amigos. Fazem parte dos cerca de 70 por cento de cubanos que nasceram já depois de Fidel estar no Governo. Para eles, a revolução é "algo distante". Querem poder ter um telemóvel, aceder à Internet, comprar um carro ou viajar. E não entendem por que não podem visitar os "cayos" em Cuba (ilhas paradisíacas reservadas aos turistas) ou por que necessitam de uma "carta de invitación" de um estrangeiro (que tem de ser autorizada pelo Governo cubano) para conhecer o mundo. "Há coisas que nunca vamos aceitar", garante Rafael. "Aqui tentam pôr-te palas nos olhos como fazem com os cavalos", acrescenta Javier. "Conformados? Não. Estamos habituados, mas não conformados. Ainda temos esperança."»