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29/11/2007

Como me chamo?



Que dizer de (e a) um aluno que chega meia hora atrasado a uma aula em que há teste, se senta, escreve o nome no cabeçalho do exame e pergunta "qual é o nome desta disciplina?"

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26/11/2007

Partir pedra



Continuo com extrema falta de tempo.

Apesar disso, vou continuando, por aqui, a partir pedra.

Chamo ainda a atenção para este post. Deixei nele este comentário:
"É preciso que o Ministério diga aos alunos que a aprendizagem exige esforço, que aprender custa, que aprender "dói"! "

Aqui, também o Presidente da República falhou. Num discurso recente pediu o esforço de todos os agentes educativos*, mas esqueceu-se dos alunos.

Também já o PR vê os alunos como mercadoria.
Esperemos que o Totalitarismo em Curso não catrafile o seu autor.

Voltando a Cavaco Silva, laia-se (aqui) o seu discurso. Nele, o parágrafo seguinte acentua e resume a faceta 'aluno como produto'.
Por isso, acredito na vontade e no empenho dos poderes públicos, das autarquias, das famílias, dos professores e da sociedade civil. Com o esforço de todos, será possível realizar a ambição de uma escola melhor, em nome de uma melhor República.
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* Eduquês em cientologias da educação

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Cientologia do berlinde



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19/11/2007

A bandalheira

No Público:
Especialista diz que professores são dos profissionais com maiores índices de stress e exposição ao risco
11.11.2007 - 11h11 Lusa

Os professores são dos profissionais com maiores índices de stress e de exposição ao risco, muito devido à indisciplina dos alunos, que tem aumentado bastante nos últimos anos, disse João Amado, professor da Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação da Universidade de Coimbra e autor de várias obras sobre indisciplina.

"A indisciplina agravou-se progressivamente. Passou-se de uma infracção simples das regras para um comportamento mais violento e conflituoso", explicou.

Francisco Meireles, professor de Educação Visual e Tecnológica, não tem dúvidas disso. Depois de 14 anos afastado do ensino a trabalhar nos serviços centrais do Ministério da Educação, o docente regressou à escola no passado ano lectivo e garante que "a surpresa não está a ser nada, nada agradável".

"A degradação instalou-se a passos largos. Os insultos generalizaram-se, há agressões e conflitos quase todas as semanas", contou o professor, de 53 anos, que lecciona na escola básica do 2º e 3º ciclos António da Costa, em Almada.

João Amado, investigador do fenómeno da indisciplina desde o início da década de 1980, garante estar disseminada a desmotivação entre os professores, afectados por uma "grande indefinição na comunidade educativa e pela generalização da própria ideia de crise".

O autor de obras como "Indisciplina e Violência na Escola - Compreender para Prevenir" aponta ainda como motivo do aumento do fenómeno "o facilitismo por parte de muitos pais, que se demitiram totalmente da sua função educativa".

"As famílias desresponsabilizaram-se muito e o facto de não existirem regras em casa é altamente perturbador e potenciador de um comportamento de incivilidade por parte de muitas crianças e jovens", explicou.

Confap aponta o dedo aos docentes

Esta ideia não é aceite por Albino Almeida, presidente da Confederação Nacional das Associações de Pais (Confap), que garante que "a globalidade das famílias assume as suas responsabilidades ao nível da educação dos filhos".

Ao invés, o responsável da Confap aponta o dedo aos docentes, alegando que muitos se demitem de exercer a sua autoridade junto dos alunos e que agem com grande condescendência relativamente a situações de indisciplina.

Só isso explica, na sua opinião, que uma mesma turma possa ter um comportamento impecável com um professor e ser altamente indisciplinada com outro, o que diz acontecer com frequência.

Governo não tem dados concretos sobre a indisciplina

O Ministério da Educação não dispõe de dados concretos sobre indisciplina, mas apenas sobre violência no espaço escolar, devendo o relatório referente ao passado ano lectivo ser apresentado no final deste mês.

João Sebastião, presidente do Observatório da Segurança Escolar, explicou que não é possível contabilizar os incidentes de indisciplina, não apenas porque o conceito é abrangente e difícil de definir, mas também devido à própria dimensão do problema.

"Há um milhão e 600 mil alunos nas escolas portuguesas. Se um por cento dos alunos fossem indisciplinados, seriam cerca de 16 mil ocorrências por dia. É uma dimensão gigantesca e incontável", explicou o responsável.

Certo é que há uma percepção generalizada na opinião pública sobre o aumento da indisciplina e da violência na escola, fenómenos que, muitas vezes, andam de braços dados. O próprio Procurador-Geral da República considerou recentemente, em entrevista ao semanário “Sol”, que "a situação de impunidade tem de acabar".

Pinto Monteiro vai mesmo emitir uma directiva ao Ministério Público para fazer uma recolha de dados sobre a situação, "começando pela participação de todos os ilícitos que ocorram nas escolas".

Desde o início do ano lectivo, em apenas dois meses, a linha telefónica SOSprofessor recebeu 37 participações de docentes, das quais nove de agressão física por parte de alunos e encarregados de educação e as restantes relativas a situações de indisciplina grave.

"O fenómeno da indisciplina tem tendido, efectivamente, a aumentar. O quadro de valores na relação com o professor, enquanto pessoa mais velha e figura de autoridade, tem vindo a degradar-se progressivamente", disse à Lusa João Grancho, presidente da Associação Nacional dos Professores (ANP), que lançou e gere aquela linha telefónica de apoio.

Para este responsável, o afastamento dos pais relativamente ao acompanhamento escolar dos filhos, a quebra na imagem pública da escola e o agravamento das desigualdades e tensões sociais nos últimos anos são as principais razões na origem do problema.

Para já, o Governo apostou numa alteração do Estatuto do Aluno, em vigor desde 2002, reforçando a autoridade dos docentes para combater o problema da violência e indisciplina na escola, cuja dimensão tendeu a desvalorizar.

O diploma, aprovado esta semana no Parlamento, prevê a distinção entre sanções correctivas e sancionatórias, agiliza os processos disciplinares e reforça a responsabilização dos pais.
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10/11/2007

Modelo Nórdico

[Via O Triunfo dos Porcos]
Santarém: Aluno fez explodir bomba para batida às raposas no interior de escola secundária
08.11.2007 - 12h28 Lusa

O rebentamento de uma bomba de arremesso própria para batida às raposas na Escola Secundária Sá da Bandeira, em Santarém, deixou ontem uma funcionária em estado de choque e provocou alarme em todo o estabelecimento, disse a PSP.

Em comunicado, a PSP afirma que uma jovem de 14 anos arremessou a bomba das escadas do primeiro andar para o corredor do piso térreo cerca das 12h50 de ontem, numa altura em que decorriam aulas.

A PSP verificou que três outras bombas do mesmo género explodiram na via pública, nas imediações da escola, durante a manhã de quarta-feira, situação que se verificara igualmente na véspera, sem que ninguém comunicasse a ocorrência.

A polícia identificou três menores, de 14 e 15 anos, referindo que há um quarto menor que "terá adquirido cerca de 100 destas bombas, pelo valor de 7,50 euros, em estabelecimento e data que se desconhecem".

O comunicado acrescenta que a PSP está a realizar diligências com vista à identificação do jovem e do estabelecimento onde terá adquirido os explosivos e a providenciar a sua apreensão.

"A aquisição, posse e uso deste tipo de artefactos pirotécnicos, para fins diferentes dos legalmente consagrados, constitui contra-ordenação punível com coima", frisa o comunicado, acrescentando que a única entidade que pode autorizar a compra e uso destes explosivos é a PSP.

... aposto que foi culpa dos americanos.

Na Escola Sá da Bandeira, onde a coisa se deu, há um Quadro de Honra Quadro de Excelência.

... enfim, vão reaparecendo.

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09/11/2007

Cientologia matemática

Directamente da pena de Nuno Crato, via Fliscorno.



Leiam inda este: Auto-avaliação (para professores).

2007.11.11 - Actualização - Artigo completo de Nuno Crato. (Via A Perola da Net e Sorumbático)

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08/11/2007

A irrelevância das relevâncias

Para comemorar mensagem nº 800, aqui vai mais uma cabazada à Ministra da "Educação", cientóloga de serviço.

Escreve José António Ferreira no Abrupto:
A senhora Ministra da Educação quando em 2005 justificou a necessidade de aulas de substituição, fê-lo alegando e cito de cor,que:"a Escola deve ocupar sempre os alunos do básico e do secundário para que não vão para o café,para o tabaco e pior".Ora acontece que agora em 2007, ao pretender justificar um novo Estatuto do Aluno em que se acaba com a distinção entre faltas justificadas e injustificadas , afirmou em entrevista televisiva e volto a citar de cor:"o que é relevante não são as faltas,mas sim se o aluno sabe ou não sabe".

Desta feita parece ter deixado de se preocupar se o aluno que falta vai "para o café, para o tabaco ou pior". Então em que ficamos?!

(António José Ferreira)
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05/11/2007

Militantemente burros

... em geito de rapidinha ...

Porque será?
O apelo surge após o conselheiro ter tomado conhecimento de um relatório do organismo que coordena os serviços escolares na Suíça (CDIP), que revela que os alunos portugueses naquele país obtêm os resultados escolares mais baixos entre as comunidades estrangeiras e recorrem "excessivamente" a classes especializadas. (Aqui).
Alguns dirão que tem a ver com a origem social. Eu digo que sim: a esse respeito os portugueses (regra geral) não dão, pura e simplesmente, qualquer valor à escola. O que surpreende é que achem injusto ganharem menos que os suíços.

Sem, evidentemente, retirar uma vírgul ao afirmado, um responsável suíço veio depois pedir desculpa por "terem ofendido os portugueses". Suponho que o gesto atenuou o caso. Pois claro. Os alunos vão poder continuar a ostentar orgulho em ignorância.

A esquerda Anaclética e Cro-Magnon diz que a culpa é do país de acolhimento. Balbucia uma lenga-lenga qualquer relacionada com "integração". A tal "integração" que é suposto co-existir com "diversidade".

Faz lembrar a máxima que diz que de tarde as mulheres defendem exactamente o contrário do que defendiam de manhã, com a mesma vivacidade e pelas mesmas razões.
Manuel Melo [conselheiro das comunidades portuguesas na Suíça] salienta que o relatório demonstra "um desconhecimento profundo" da comunidade portuguesa na Suíça, onde se destacam professores universitários, médicos, políticos, sindicalistas, bancários, quadros superiores e empresários.
O problema está do destaque. Destacam-se demais: tanto quanto o cato no deserto. Para não variar, Manuel Melo (neste caso), não percebe nem o que ouve nem o que diz. Mas fala. Ou melhor, quer fazer crer que fala para suíços estando apenas a falar para o deserto: continuemos burros, mas orgulhosos.

... apenas uma variante da máxima "orgulhosamente sós".

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Racismo politicamente correcto

Durante o último par de semanas houve burburinho à volta de alguns assuntos que eu, à medida que for conseguindo nesgas de tempo, tentarei trinchar:

1 - A história das "raças" mais inteligentes

2 - A história dos guetos explicativos do insucesso escolar

3 - A história da recusa (mais ou menos clara) de algumas escolas em aceitar alunos africanos (ou filhos de).

Indo ao primeiro caso ...

Eu não vou muito à bola em falar em assuntos relacionados com raças porque não se consegue encontrar uma definição consistente para raças humanas. Em boa verdade, cada caso é um caso - não é possível generalizar.

Mas muito embora não seja possível generalizar, há mecanismos em estatística que permitem traçar linhas gerais.

Essas linhas gerais não se referem, tanto quanto percebo, a raças no sentido estrito. Referem-se-lhes em sentido comum: aquilo a que o cidadão comum chama (quanto a mim erradamente, repito) de raças.

Não posso deixar em claro que não é difícil perceber que quem mais brande o fantasma "raça" é a esquerda e os africanos. Trata-se de uma espécie de simbiose política: a esquerda espera arregimentar "oprimidos" e os africanos porque percebem que há por ali um mecanismo por onde conseguem obter rendimento.

Vou usar o termo "pretos", exactamente para dar uma boleia à esquerda que gosta muito de se lhes referir, quando muito, como negros porque, dizem eles, preto acarreta um sentido pejorativo. Enfim, pancadas. Quanto a "brancos" a esquerda parece não se arrepiar.

Pretos são, genericamente falando, habitantes ou descendentes de africanos (habitantes do continente a que se chama África).

Segundo Darwin, que os cientologistas gostam de por em cusa, explica que as espécies se adaptam ao meio. A teoria da evolução das espécies explica a evolução de grandes quantidades de indivíduos ao longo do tempo. Outros autores pormenorizam que a evolução é conseguida graças a pequenas variações aleatórias que ocorrem de pai para filho (seja em que espécie for ou, melhor dizendo, pelo menos naquelas em que os filhos não são apenas um duplicado do pai).

As duas teorias não são contraditórias.

Não é difícil admitir que as características dos seres humanos possam variar de região para região de acordo com as necessidades ambientais que, por via de um crivo em que os menos adaptados, terão uma via mais curta.

Daí que estudos estatísticos possam determinar as características determinantes dos seres humanos que habitem cada zona.

Os estudos em causa demonstram determinada coisa do ponto de vista estatístico.

A estatística estuda tendências em enormes quantidades de dados. Aliás, se assim não fosse a estatística seria uma ferramenta inútil. Por exemplo, não é preciso usar a estatística para perceber que a maioria dos seres humanos têm pulmões e que a maioria dos peixes têm guelras.

O que espanta é a enorme quantidade de pessoas que são incapazes de abordar o assunto mantendo a conversa no domínio da estatística, reclamando de imediato que "não pode ser, porque há casos em que" ...

Já agora, e recorrendo à estatística caseira, digo que me parece que é exactamente entre a população preta que há mais racistas.

Nas escolas, o racismo em favor de uma "superioridade" preta é regularmente brandido de forma ostensivas sem que pareça daí advir qualquer mal ao mundo. Se for um branco a afirmar o inverso ... cairá o Carmo e a Trindade. ... ah, já me esquecia: se for um branco a dizer que os pretos são seres "superiores", também não há problema porque parece ser, pelo menos, politicamente correcto.

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29/10/2007

Rankings

Anda tudo à batatada por causa dos rankings das escolas. Anda tudo à batatada porque não se está de acordo em relação ao que é "a melhor escola".

Para mim a melhor escola é a que consegue ensinar mais, tendo em atenção o nível de resistência, seja ela de que tipo for, à aprendizagem.

O problema é que isto de pouco adianta, porque, de facto, só quem atinge as metas interessa. Para o que conta verdadeiramente, a melhor escola é aquela que consegue que mais alunos atinjam as metas.

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2007.10.30 - Leitura complementar (Helena Matos).

... e uma boa achega de
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Coisas do mundo real

Vital Moreira parece não saber que a Terra não é plana. Não sabe que o caminho mais curto entre o Irão e os Estados Unidos se faz pelos arredores do Polo Norte.

Enfim, coisas do mundo real.

(Via Blasfémias.)

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21/10/2007

Oooouuu lálá.

Isto está a aquecer.

Maçonaria, Opus Dei ... chamem os Marines.

Entretanto, Condes, Barões e afins.



Parece que na escola há impunidade. Os professores e funcionários já não se metem no assunto e as imagens das câmaras entretanto instaladas nas escolas vão passar a aterrar na PGR.

Isto faz-me lembrar aqueles que acham estranho que os suíços em geral sejam os seus próprios polícias. Em Portugal todos assobiamos para o lado e tentamos encontrar quem faça aquilo que todos deveríamos fazer.

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07/10/2007

Só suor

Já percebi. Sem alunos estes gajos não teriam trabalho.

[via A Blasfémia, texto original no Sorumbático]

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Kid raised by dogs

Não conhecia este caso, mas conheço outro. Não consegui encontar imagens do outro (com um rapaz).

Encontrei entretanto um link com muitos outros casos.

Aqui fica o vídeo que encontrei sobre uma moça da Sibéria.


06/10/2007

As moscas



Estimulado por este artigo no Rato de Biblioteca e respectiva troca de comentários, aqui vai.

...

Pensava eu que era claro a quem está ligado ao assunto que o desenvolvimento da criança está directamente relacionado com a estimulação a que ela é sujeita.

O raciocínio só pode ser desenvolvido de se raciocinar. O cálculo mental só pode ser estimulado de se tentar calcular mentalmente, etc.

Um dia destes vi um documentário onde isto era bem claro.

Determinada criança tinha, desde tenra idade, uma catarata numa das vistas. Nada havia de errado com o sistema nervoso relacionado com aquele lado da visão. O que o olho captava era difuso e a imagem enviada ao cérebro não o estimulava por ser incompreensível. O cérebro, paulatinamente, começou a desviar todos os recursos para a outra vista desligando as ligações neuronais (ou tornando-as inactivas).

Os médicos explicaram que era extremamente importante recuperar a visão da vista afectada e, para o efeito, removeram a catarata, explicando ainda que seria naquela altura ou nunca mais. Mesmo assim, adiantaram, nunca o sistema nervoso relacionado com a visão da criança seria igual ao de uma criança normal.

Segundo explicaram, nestes casos, mesmo que posteriormente a catarata viesse a ser removida essa vista seria, pelo cérebro, usada de forma irrelevante.

Executaram a cirurgia mas não ficaram por aí. Taparam o olho que se estava a desenvolver bem de forma a obrigar o cérebro a desenvolver também as ligações neuronais do olho então operado. A criança teria que andar com o olho saudável tapado cerca de 1 ano.

...

Dito isto, espanta-me que haja dúvidas em relação ao uso de calculadoras por crianças.

Quando uma criança usa uma calculadora não está a fazer mais que a pedir ao aparelho que calcule por meio de dispositivos electrónicos binários aquilo que a criança supostamente deveria ser capaz de fazer mentalmente.

Em boa verdade, as crianças, no 1º ciclo, poderiam também usar software para leitura de voz (voz -> escrita - já existe que permite que se dite um texto) ou software de leitura por voz (escrita -> voz). Porque não?

E plotters com caneta? Já existem há dezenas de anos. Caíram em desuso, aliás. Porque não evitar que a criança passe por esta “tortura”, ligando a plotter de canetas ao software de leitura de voz (voz -> escrita). O sucesso escolar estaria garantido.

Tudo isto pode ser feito em prole da “felicidade” da criança.

O que já há muitos anos é sabido, é que criança criada como um cão se porta irreversivelmente como canino. Criança criada como um computador, vai portar-se como quê?

O passo seguinte consistirá em fazer tudo isto sem crianças.

Enfim, a felicidade suprema acessível no livro de Stanislaw Lem “A Nave Invencível” (título português).

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[Actualização]

Transcrevo, de seguida, a totalidade de um comentário de Joaquim Simões a um outro comentário de Alf (blog Portugal e Outras Touradas).
A aprendizagem das palavras não é da mesma natureza da dos números. A capacidade de operar com os números exige uma abstracão (básica) dupla.

Há uns quantos que o conseguem fazer desde muito cedo, da mesma forma que houve Pascal, Mozart ou Carlos Seixas. Uma coisa que é da experiência comum dos professores de filosofia é que, dos alunos que entram no 10º ano com 14 anos, raros são os que conseguem encontrar interesse na matéria e desistem, criando resistências e arrastando-a pelo ano seguinte.

Não se trata de dificuldade de compreensão, mas do próprio questionamento, que não lhes passa sequer pela cabeça, quanto mais interessar-lhes! Numa palavra: esses alunos são ainda incapazes, aos 14 anos, de encontrarem qualquer sentido de questionamento (repare que eu não disse no, mas de questionamento). Os alunos de 15 anos (dando razão a Rousseau e a Piaget quanto às fases de desenvolvimento cognitivo) já o conseguem fazer com mais ou menos dificuldade. Mas nem sequer os companheiros conseguem despertar os mais novos, que acham aquilo tudo (repito: o questionamento) incompreensível ou disparatado. Aos 15, são incapazes de perceber os temas do 11º. Não se trata unicamente de educação, mas de fases que não se pode saltar e, numa enorme medida, das características individuais. Tenho em minha casa, onde os níveis de questionamento foram mantidos, embora com uma tipologia diversificada (o chamado "ensino individualizado"), um bom exemplo disso e que me fez rever uma boa quantidade de coisas na minha forma de ver o problema. E aprendi muito, embora nem sempre de uma forma muito agradável.

A pluralidade dos seres é muito engraçada. Mas porque é que tem que haver (a pergunta não é: "porque é que há?") pluralidade? Essa é que é a pargunta, do mesmo modo que o fundamental não é apenas o "como se formam as ideias e de onde vêm elas", mas, sobretudo, "o que é conhecer?".
Bom, mas isso fica para a próxima.
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Aromas

Importante ler este artigo (de O Jumento) e os comentários subsequentes, em especial do Alf e do Joaquim Simões.

aqui fica um aroma:
Alf:
[..]ou fazemos uma evolução lenta e vamos mantendo o desemprego controlado, ou damos o salto e o desemprego dispara. Os Espanhóis escolheram a segunda opção e estão agora a recolher a recompensa. Não há milagres....
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05/10/2007

O “ensino da democracia”

O “ensino da democracia” tem sido um dos cavalos de batalha de um conjunto de mamíferos ligados à “educação”, seres que continuam em dificuldade para perceberem porque continua a generalidade dos alunos do básico e secundário a ignorar, mais ou menos paulatinamente, os “paradigmas” relacionados com a “cidadania”.

Qualquer alma que se preze percebe que o que está em causa é o ensino dos diversos tipos de regime político que já passaram pela superfície do terceiro planeta do sistema solar (a contar do sol para os que não saibam qual a temperatura de fusão da água).

Essa educação deveria supostamente ser dada pelas famílias e pela escola. As famílias estão mais preocupadas com as cretinices televisivas, a escola com as ideias que brotam dos cientologistas da educação que por lá pululam.

Face ao descalabro aparecem, de vez em quando, artistas imbuídos de uma crença meta-estável segundo a qual o mundo deveria ser como pensam propondo que a democracia deva ser “ensinada” aos alunos pelo método seringa-turbo.

O método seringa-turbo não é mais que uma variante de publicidade em doses de multinacional pretendendo impingir um qualquer novo tipo de cueca.

Porque não ensina a escola, como matéria a saber e sem a qual se chumba, as linhas pela qual se cosem a generalidade dos regimes?

Não cabe à escola defender causas. Cabe à escola ensinar do conteúdo das causas históricas e deixar que os alunos, anos mais tarde e já equipados com o discernimento que é de esperar, escolham o que muito bem entendam e à sua inteira responsabilidade.

Mas as tais luminárias não vão muito à bola em deixar que os alunos vão pensando pelas suas cabeças, tentando impingir a seringa-turbo em alternativa à seringa televisiva.

O problema com os regimes, como dizia, anda à volta do problema dos ideologicamente desempregados. Ensina-se o salazarismo (caso caseiro) com uma dose acrescida e conveniente de veneno e sem explicar a hecatombe que o precedeu, o nazismo pela mesma bitola, a democracia como a redenção dos nossos tempos, e aborda-se também o comunismo. Mas, neste último caso, foge-se sempre a explanar a dimensão do monstro deixando por um lado a ideia de que o mais cataclísmico foi o regime nazi, por outro escondendo-se que o comunismo foi, de longe, o regime responsável por um maior número de vítimas em execuções em massa de todos os tipos, tamanhos e feitios.

O que se pretende é apenas deixar ao socialismo uma porta aberta, evidenciando entretanto, as debilidades da democracia, entre as quais campeia a “impossibilidade de ser instituída pelo uso da força” (coisa que aconteceu em Portugal em 1974).

Entre outras debilidades apontadas figuram o florescimento de multinacionais, do capital descontrolado, do capitalismo “gerador de diferenças” mesmo que este tenha tirado e continue a tirar da fome dezenas de milhão de seres humanos.

A ‘mensagem’ é tentada fazer passar de várias formas: textos para análise não necessariamente sobre o seu sentido em disciplinas de línguas, ataques às linhas mestras da democracia e capitalismo em variadas disciplinas e de diversas formas, promoção de eventos ‘alternativos’ cujo conteúdo pinga um misto de anti-americanismo disfarçado em anti-imperialismo, propaganda “contra as guerras”, contra os “interesses das grandes corporações” sempre com um molho a condizer empestado em aquecimento global, protecção da natureza, “substancias naturais”, invariavelmente tentando rachar as petrolíferas mas esquecendo invariavelmente que elas produzem combustíveis não exactamente para uso próprio, etc, sem deixar passar em branco que a “Europa”, como os cientologistas da educação em coito com os eurocratas, será a solução para todos os males do mundo.

Enquadram-se neste cenário pejado de “ideais”, “utopias”, “amanhãs que cantam”, coisas como esta.

Seringa por seringa e com tanta cretinice à solta, continua a ser mais provável que a televisão seja a melhor.

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O direito a aprender apenas metade

Não tive tempo para cascar na devida altura. No site de Nuno Crato voltei entretanto a encontrar esta entrevista de Rita Bastos, Presidente da Associação de Professores de Matemática a Maria João Caetano do Diário de Notícias.
Ficou surpreendida com os resultados dos exames de Matemática do 9º ano?

De certa maneira, sim. Nós estamos habituados a ter resultados negativos a Matemática, mas não tínhamos nenhum motivo para achar que este ano iriam ser piores que no ano passado.
É espantoso que “sem nenhum motivo” para esperar que determinada coisa pudesse acontecer, se fique espantada apenas de “certa maneira”.
Que explicações encontra para este resultado?

É difícil encontrar uma só explicação.
Espantoso seria que houvesse uma só explicação e especialmente se ela estivesse directamente relacionada connosco.
Alguns alunos consideraram os testes difíceis. Também já ouvi queixas sobre os critérios de avaliação, que penalizavam muito as respostas erradas.
Penalizariam muito, penalizariam pouco? Estará Rita Bastos habituada a valorizar o erro?
Há colegas que dizem que muitos alunos desistiram dos exames mesmo antes de os realizar, o que é típico desta idade: convenceram-se que vão ter má nota e não investem tanto quanto poderiam.
Teria talvez feito mais sentido se tivesse dito “deveriam” e não “poderiam”. Mas essa coisa do dever é hoje tabu. Uma herança salazarista.
Isso acontece muitas com aqueles que geralmente têm boas notas noutras disciplinas. Encontram uma dificuldade na Matemática e preferem não a encarar porque têm medo do insucesso. É mais fácil dizer: não fiz melhor porque não quis, não me esforcei.
Pondo Rita Bastos posteriormente em causa o real domínio dos alunos da matéria de outras disciplinas, não se percebe como se usa esse dúbio resultado como referência no resultado próprio.
Mas isto não é uma novidade em Portugal. Todos os anos há exames e todos os anos as notas são más.

Não aconteceu só em Portugal.
... há mais burros no mundo: suprema felicidade.
É verdade que Portugal está mal classificado internacionalmente, mas é uma tendência geral e há países muito piores. E aconteceu com a Matemática porque é a disciplina em que há exames. Se calhar, se houvesse exames de Inglês ou de Física e Química no 9º ano, os resultados também seriam maus. A Matemática é uma disciplina sobrevalorizada socialmente, é a disciplina que serve para classificar os alunos.
Como dizia, fica-se agora a saber que as disciplinas em que os alunos eram bons, (explicando a opção por outra coisa que não o estudo de Matemática) são disciplinas em que os alunos não serão afinal bons. Parecerão apenas bons.

Em que ficamos? Havia ou não uma questão de opção pessoal?
Como se toda a gente tivesse que gostar de ser um óptimo aluno.
Cá está o tabu salazarista. Ninguém tem que gostar de ser bom aluno, mas todos devem ser bons alunos, gostem ou não.
E há que ter em conta que o que um aluno faz num exame nem sempre corresponde àquilo de que ele é capaz.
Pois não. Pode corresponder a mais ou a menos. Será de admitir que os alunos seriam ainda piores do que se ficou a saber?
Mas os problemas não são só os exames, os maus resultados em Matemática são comuns. Porquê?

Há vários motivos. Por um lado é uma disciplina que exige conhecimentos acumulados.
Todas as disciplinas exigem conhecimento acumulado. Numas há forma de contornar o problema, noutras não.
Uma pessoa que não saiba a tabuada tem mais dificuldade em fazer exercícios mais complexos.
O que fica por explicar é a razão pela qual quem não sabe a tabuada acaba numa aula em que a deveria saber.
E os professores têm que tentar dar a volta a isso, motivar alunos com uma história de insucesso não é fácil.
Pois não. Especialmente quando se diz : “Como se toda a gente tivesse que gostar de ser um óptimo aluno”.
Depois é uma ciência muito abstracta, [...]
A Matemática é abstracta ou Rita Bastos gosta de dizer que é abstracta?
[...] que não lida directamente com os interesses dos alunos, [...]
Cá estamos a dizer amen ao interesse dos alunos, a fazer rodar o mundo à volta do interesse dos alunos. O interesse dos alunos, naquela idade, vale tanto como um caracol esborrachado. Rita Bastos ainda não percebeu isso.
[...] o que talvez dificulte o ensino.
Fica-se a saber que para Rita Bastos o que dificulta o ensino de Matemática é o facto de ela não constar na lista de “interesses dos alunos” e não o estúpido endeusamento desse interesse.
Mas, mais uma vez, não me parece que a Matemática seja muito diferente das outras disciplinas.
Tão depressa é diferente como não é. Varia, conforme o parágrafo.
O facto de ser uma disciplina constantemente sujeita a exames e ao escrutínio social causa uma pressão enorme nos professores e dificulta o ensino.
Rita Bastos perdeu uma excelente oportunidade para reivindicar o alargamento da pressão e do escrutínio social às outras disciplinas. Prefere camuflar o mau resultado em Matemática na combustão das restantes disciplinas.
Está a dizer que ensinar Matemática é mais difícil porque há exames?

Claro. O professore tem que fazer um esforço para cumprir as normas, para dar o programa, para preparar os alunos para uma prova específica.
Pois é. Há que fazer o que é suposto fazer-se: que chatice.
Um professor de História, por exemplo, pode testar estratégias de ensino diferentes e pode, até, ter graus de exigência diferentes para os alunos. Não estou a falar e ser pior professor mas de personalizar o ensino. É impossível fazer isso quando se tem 28 alunos numa turma e todos eles têm de fazer o mesmo exame. Aliás, é impossível ter um ensino inovador com turmas de 28 alunos.
É espantoso que haja professores que pensam isto em relação a alunos do 9º ano.

Graus de exigência consoante os alunos: uns são filhos da mãe, outros são filhos da puta. Está mesmo a ver-se: alunos de zonas “difíceis” são filhos que têm o direito a aprender apenas metade.

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30/09/2007

Sai um embuste para a mesa do canto

Pois:
[...]

O segundo aspecto, o de definir, por inclusão e exclusão, a "cultura europeia", é mais complicado e mexe em muito mais do que a economia. Tornar "europeia" a cultura das nações da Europa é uma tarefa difícil de levar a cabo, não muito diferente da de fazer um manual de "história europeia" que sirva de norma educativa nas escolas da Europa, também desejado pelos eurocratas.

[...]

Imagine-se a metamorfose que os "manuais escolares" vão sofrer para se "adaptarem" a este novo embuste amanhã que canta ...

Depois digam que os putos e a realidade não se entendem e que a coisa se resolve com mais uns quantos computadores e quadros inter-activos.

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