A história do Land Rover com jornalistas da Reuters, que teria sido atacado pelos israelitas.
Via O Insurgente.
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29/08/2006
26/08/2006
Os herdeiros da PIDE

Será que ainda usam o velho lápis azul?
Por cá, como no Irão, manias, ou, quanto mais sabem que estão errados mais fazem de conta que não ... até ao absoluto absurdo. Qual o seu sonho? A total exploração do homem pelo homem.
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05/08/2006
A Euronews e o fantasma
Euronews, 4 de Agosto de 2006, às 8:20:
Acerca da vida e da guerra no norte de Israel, e à forma como israelitas (de ascendência árabe e não árabe) se defendem dos ataques do Hezbollah, conclui o jornalista:
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Acerca da vida e da guerra no norte de Israel, e à forma como israelitas (de ascendência árabe e não árabe) se defendem dos ataques do Hezbollah, conclui o jornalista:
"Paradoxo da guerra: muitos árabes fugiram para abrigos de amigos judeus"Onde é que o jornalista vê o paradoxo? Estamos em Israel.
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03/08/2006
De absurdo para absurdo por absurdo salto
Um dos mais badalados absurdos até aqui repetidos à náusea, reclama que a reacção de Israel terá sido desproporcionada.
A partir de agora, e face à reclamada continuação de ataques a rocket do Hesbolah, os mesmos calinácios vão reclamar que afinal Israel não está a conseguir controlar o inimigo.
Com a mesma facilidade com que diz um e outro disparate, passam do primeiro para o segundo sem perceber que são contraditórios.
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A partir de agora, e face à reclamada continuação de ataques a rocket do Hesbolah, os mesmos calinácios vão reclamar que afinal Israel não está a conseguir controlar o inimigo.
Com a mesma facilidade com que diz um e outro disparate, passam do primeiro para o segundo sem perceber que são contraditórios.
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A SIC, no Líbano, fez uma vítima inocente
Um choque entre um carro de uma equipa da SIC e um carro libanês fez uma vítima – noticia o jornalista que circulava na viatura agressora, na própria SIC no Jornal das 13h.
A vítima, uma criança, não morreu, feriu apenas o nariz. Se tivesse falecido e houvesse mais que uma vítima, estaríamos perante um massacre.
Mas há uma vítima. Inocente, sem sombra de dúvida.
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A vítima, uma criança, não morreu, feriu apenas o nariz. Se tivesse falecido e houvesse mais que uma vítima, estaríamos perante um massacre.
Mas há uma vítima. Inocente, sem sombra de dúvida.
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Os jornalistas e a matemática ...
... um excelente exemplo.
Não são todos os jornalistas, evidentemente. Mas qualquer jornalista "que se preze", escolheria a caixa acima.
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Não são todos os jornalistas, evidentemente. Mas qualquer jornalista "que se preze", escolheria a caixa acima.
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10/04/2006
A baleia supersónica
A RTP-1 acaba de noticiar que um ferry boat japonês, que seguia a 80Km/H, foi abalroado, por detrás, por uma baleia, e que o incidente provocou um batatal de feridos.
Pode concluir-se que a baleia em causa estava equipada com reactores que lhe permitiam alcançar velocidades supersónicas.
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Pode concluir-se que a baleia em causa estava equipada com reactores que lhe permitiam alcançar velocidades supersónicas.
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20/12/2005
Darwin e "intelligent design"
Um juiz federal da Pensilvânia decretou que o "processo"(??) "intelligent design" - nova forma de encarar o criacionismo parida pelos criacionistas - não pode ser ensinado (em inglês) - {via A Blasfémia}.
Ainda não abordei decentemente este desenvolvimento, mas está relacionado com este exercício desconchavado de propaganda.
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Ainda não abordei decentemente este desenvolvimento, mas está relacionado com este exercício desconchavado de propaganda.
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24/11/2005
A "informação" da RTP e a propaganda
Actualização: Posteriormente, este outro artigo veio acentuar o disparate abaixo analisado.
Nas estações de TV nacionais, a propaganda (neste caso anti-americana) atinge, por vezes, um pináculo de estupidez militante difícil de igualar. Suponho que alguns dos seus exercitantes pertençam a um grupo de eleitos entre os mais aguerridos niilistas nacionais ou, quem sabe, pela acção da globalização, mundiais.
Vejamos esta peça, aparentemente produzida pela batuta de Graça Andrade Ramos, jornalista da RTP, sobre “a luta”, nos Estados Unidos, entre a teoria científica desenvolvida por Charles Darwin que explica a evolução das espécies (evolucionismo) e um dogma (religioso) que defende que as espécies surgiram tal qual as conhecemos hoje após terem sido criadas pelo Criador, (criacionismo).
O áudio da peça (emitida às 22 horas de 16 de Novembro de 2005) pode ser aqui escutado.
Repare-se como, a propósito de uma exposição evocativa dos 150 anos da elaboração da teoria da evolução, se difunde propaganda que mais não pretende que remeter o estado norte americano da Pensilvânia, e os americanos em geral, para as calendas da Idade Média.
A peça começa por fazer crer que a teoria da evolução necessita de defesa face ao criacionismo, aproveitando para propagandear que haja rejeição a esta teoria por largas camadas da população americana . Diz o jornalista pivô (em estúdio) na fase inicial da peça:
Avança então a jornalista:
As escolas e universidades dos Estados Unidos têm uma flexibilidade acima do que estamos habituados. Nas zonas em que algumas delas estão situadas há uma larga faixa de habitantes (estudantes) que, por via da educação religiosa, são postos perante o choque da existência da teoria da evolução. Nesse contexto surgem reacções e, para evitar criar “matérias tabu”, essas escolas decidiram que, além de ensinarem a teoria de Darwin, explicariam também, especialmente aos alunos que nada sabem de criacionismo, que biblicamente, se defende que as espécies teriam sido criadas espontaneamente.
É claro que o parágrafo anterior nunca daria jeito para se poder sugerir que os estados unidos estão de tal forma pejados de imbecis que, pelo menos num estado, a Pensilvânia (mas depreende-se que haverá outros), não se ensina, de todo, o evolucionismo nas respectivas escolas.
A peça continua, e é o fim da peça a única coisa que leva a concluir que a jornalista não propagandeia simplesmente o criacionismo. Nessa altura uma outra entrevistada explica:
É claro que se poderia argumentar que, se fosse o caso, a entrevista podia ter sido, simplesmente eliminada. Mas já dizia António Aleixo:
Finalmente a jornalista remata com pura informação:
Vejamos o que nesta peça é informação:
O facto de ela ser anti-americana é apenas um pormenor. Este método é frequentemente usado nos mais variados meios de comunicação social para “defenderem” os mais diversos “pontos de vista”.
Um belo exemplo da mais pura propaganda.
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Nas estações de TV nacionais, a propaganda (neste caso anti-americana) atinge, por vezes, um pináculo de estupidez militante difícil de igualar. Suponho que alguns dos seus exercitantes pertençam a um grupo de eleitos entre os mais aguerridos niilistas nacionais ou, quem sabe, pela acção da globalização, mundiais.
Vejamos esta peça, aparentemente produzida pela batuta de Graça Andrade Ramos, jornalista da RTP, sobre “a luta”, nos Estados Unidos, entre a teoria científica desenvolvida por Charles Darwin que explica a evolução das espécies (evolucionismo) e um dogma (religioso) que defende que as espécies surgiram tal qual as conhecemos hoje após terem sido criadas pelo Criador, (criacionismo).
O áudio da peça (emitida às 22 horas de 16 de Novembro de 2005) pode ser aqui escutado.
Repare-se como, a propósito de uma exposição evocativa dos 150 anos da elaboração da teoria da evolução, se difunde propaganda que mais não pretende que remeter o estado norte americano da Pensilvânia, e os americanos em geral, para as calendas da Idade Média.
A peça começa por fazer crer que a teoria da evolução necessita de defesa face ao criacionismo, aproveitando para propagandear que haja rejeição a esta teoria por largas camadas da população americana . Diz o jornalista pivô (em estúdio) na fase inicial da peça:
Uma exposição sobre Darwin vai abrir em Nova Iorque. O objectivo é defender a teoria da evolução elaborada pelo cientista há 150 anos e que continua a ser rejeitada por largas camadas da sociedade americana.Já que a jornalista (suponho que também esta fase inicial da peça seja da autoria de a jornalista) se imbui em educadora da classe operária, podia ter esclarecido que, qualquer católico que siga a Bíblia à risca, terá que rejeitar necessariamente a teoria de Darwin porque esta transforma implicitamente numa falsidade tudo o que a Bíblia defende neste campo. No entanto, na Europa como nos Estados Unidos, a percentagem de pessoas que segue por essa via é residual. Aliás, muito menos residual na Europa como nos Estados Unidos é a percentagem de pessoas que desconhecem tanto a teoria como o dogma e esse assunto escapa à jornalista.
Avança então a jornalista:
Em 1850, Charles Darwin publicou ‘A Origem das Espécies’. A sua teoria postula que toda a vida evolui graças a um mecanismo de selecção natural e está em constante mudança.Um entrevistado intervém:
Numa exposição que levou 3 anos a preparar os visitantes podem acompanhar a própria evolução dos estudos e da teoria de Darwin, depois da sua visita às ilhas Galápagos.
The theory of evolution by natural selection, Darwin’s theory, is only a theory. I would say that it’s a theory that is testable in many ways, is based on observations. A huge wealth of material has been gathered over the 150 years since it was published.A jornalista entrega-se agora, de viva voz, ao exercício do disparate absoluto:
(Tradução)
A teoria da evolução por selecção natural, a teoria de Darwin, é apenas uma teoria. Eu diria que é uma teoria, baseada em observações, testável de muitas maneiras. Uma vasta riqueza de materiais tem sido recolhida desde que a teoria foi publicada, há 150 anos.
Mas a contestação continua. Alguns consideram a teoria da evolução insuficiente por não explicar toda a complexidade da origem da vida.Isto pode ser dito sobre toda e qualquer matéria científica. As únicas teorias que explicam tudo e mais alguma coisa são as explicitadas, por exemplo, na Bíblia. Para fundamentar o disparate a jornalista referiu a insuficiência, em abrangência, da teoria da evolução, para lhe lançar uma mancha que lhe permitirá projectar-se para o mundo do absurdo, continuando:
Nos Estados Unidos há mesmo estados que recusam ensiná-la nas escolas. Na Pensilvânia, por exemplo, prefere-se o criacionismo, que se baseia literalmente na descrição bíblica da criação do mundo.Se a peça acabasse aqui eu diria que a jornalista estaria a propagandear o criacionismo. Entretanto, a história da Pensilvânia é falsa.
As escolas e universidades dos Estados Unidos têm uma flexibilidade acima do que estamos habituados. Nas zonas em que algumas delas estão situadas há uma larga faixa de habitantes (estudantes) que, por via da educação religiosa, são postos perante o choque da existência da teoria da evolução. Nesse contexto surgem reacções e, para evitar criar “matérias tabu”, essas escolas decidiram que, além de ensinarem a teoria de Darwin, explicariam também, especialmente aos alunos que nada sabem de criacionismo, que biblicamente, se defende que as espécies teriam sido criadas espontaneamente.
É claro que o parágrafo anterior nunca daria jeito para se poder sugerir que os estados unidos estão de tal forma pejados de imbecis que, pelo menos num estado, a Pensilvânia (mas depreende-se que haverá outros), não se ensina, de todo, o evolucionismo nas respectivas escolas.
A peça continua, e é o fim da peça a única coisa que leva a concluir que a jornalista não propagandeia simplesmente o criacionismo. Nessa altura uma outra entrevistada explica:
Darwin’s theory of evolution is the only scientific explanation for the diversity of life on earth, as we know it today. These other theories are reactions, social non-scientific reactions.Na eminência de que este último depoimento pudesse pôr em causa toda a manobra de propaganda, a jornalista apressa-se a abafar o esclarecimento prestado pelo entrevistado.
(Tradução)
A teoria da evolução de Darwin é a única explicação científica para a diversidade da vida tal como a conhecemos hoje na Terra. Essas outras teorias são reacções, reacções sociais não científicas.
É claro que se poderia argumentar que, se fosse o caso, a entrevista podia ter sido, simplesmente eliminada. Mas já dizia António Aleixo:
... e continua a jornalista à carga:P’ra mentira ser segura
E atingir profundidade
Tem que trazer à mistura
Qualquer coisa de verdade.
A mostra também inclui a controvérsia, tentando esclarecer os hesitantes.Esta frase é lapidar. Parece dela saltitar: “mas a mostra jamais conseguirá esclarecer os estúpidos dos americanos, de tal forma que, até na exposição o criacionismo está presente”.
Finalmente a jornalista remata com pura informação:
A exposição abre sábado, dia 19, em Nova Iorque. É já uma antecipação das comemorações do nascimento de Darwin em 2009.----
Vejamos o que nesta peça é informação:
Uma exposição sobre Darwin vai abrir em Nova Iorque.Tudo o resto, ou é pura propaganda, ou depoimentos resultantes de perguntas que pretendem levar os especialistas a falar do criacionismo por forma a dar “um cunho científico” à “luta” entre evolucionismo e criacionismo.
Em 1850, Charles Darwin publicou A Origem das Espécies. A sua teoria postula que toda a vida evolui graças a um mecanismo de selecção natural e está em constante mudança.
Numa exposição que levou 3 anos a preparar os visitantes podem acompanhar a própria evolução dos estudos e da teoria de Darwin, depois da sua visita às ilhas Galápagos.
The theory of evolution by natural selection, Darwin’s theory, is only a theory. I would say that it’s a theory that is testable in many ways, is based on observations. A huge wealth of material has been gathered over the 150 years since it was published.
(tradução)
A teoria da evolução por selecção natural, a teoria de Darwin, é apenas uma teoria. Eu diria que é uma teoria, baseada em observações, testável de muitas maneiras. Uma vasta riqueza de materiais tem sido recolhida desde que a teoria foi publicada, há 150 anos.
A exposição abre sábado, dia 19, em Nova Iorque. É já uma antecipação das comemorações do nascimento de Darwin em 2009.
O facto de ela ser anti-americana é apenas um pormenor. Este método é frequentemente usado nos mais variados meios de comunicação social para “defenderem” os mais diversos “pontos de vista”.
Um belo exemplo da mais pura propaganda.
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07/11/2005
Navegando a incoerência

Para exemplificar as incoerências que levam um país como a França, a encontrar-se de joelhos perante bandos de rufiões, analisemos algumas coisas que ouvi durante os últimos dias na comunicação social portuguesa.
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Um jornalista, em directo (TV) refere algo como “... jovens que abandonam uma escola que não lhes interessa”.
Suponho que neste caso o jornalista (não recordo quem) ache razoável que um jovem esteja em condições de decidir que a escola lhe interessa ou não. Face ao exposto percebe-se que escola lhes interessa e onde está um dos seguidores desta nova forma de abordagem da educação de jovens.
-
Alguém ligado ao mundo da filosofia, em directo de França, por telefone, na rádio, refere várias coisas, umas mais, outras menos abstrusas. Uma delas referia algo como “ ... trata-se de um problema cultural, pois os jovens em causa são absolutamente ignorantes”.
Suponho que quando se fala em problemas culturais se aborda o assunto pelo lado em que conflitos possam surgir em virtude de atritos entre diferentes culturas. Falta de cultura não é propriamente um problema do campo da cultura, é um problema do campo da não cultura.
Dá-me a impressão que este tipo de abordagem implica que apesar do grau de cultura daqueles jovens ser nulo, é exactamente por ser nulo que tem direito a ser considerado como cultura.
Faz-me lembrar quando me dizem que determinados telediscos são interessantes por serem um exercício em que nada tem ligação ao que quer que seja e que é nesse absoluta falta de coerência que está a graça da coisa. São coerentes por não a terem. Passarem a cavalos porque, enquanto burros, não sabem comer palha. Cultos por serem ignorantes. ... isto cheira-me a pós modernismo.
-
... a conversa sem sentido do apoio à exclusão, porque é exclusão e enquanto há exclusão.
Porque há-de um excluído querer sair da exclusão se, enquanto excluído, tem direito a apoio?
O apoio à exclusão só faz sentido enquanto limitado no tempo e perante obrigações da parte quem é ajudado. Ao fim e ao cabo a ajuda ao excluído só faz sentido na perspectiva de uma relação adulta, tal e qual a abordada pelo O Acidental: Se o emigrante for tratado com o respeito que se deve a um adulto, então, qualquer modelo económico serve. Se o emigrante for tratado como uma criança, então, não há modelo económico que salve a situação.
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13/10/2005
A SIC e o disparate da radiação venenosa

No mesmo Jornal das 13h, de 11 de Outubro de 2005, e em relação a um problema qualquer em Los Alamos (EUA), a SIC, continuando na senda do disparate total, refere, em voz-off: “... o plutónio é radiologicamente venenoso ...”
Mais um disparate. O plutónio é venenoso e radiologicamente perigoso. Mas não é radiologicamente venenoso.
Ser radiologicamente perigoso refere-se ao mundo da física – é capaz de emitir partículas capazes de partir moléculas.
Ser venenoso refere-se ao mundo da química – é capaz de provocar reacções químicas adversas ao organismo humano.
Este disparate equivale a dizer-se que dar uma martelada na cabeça é venenoso.
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42% - quase o dobro
No Jornal das 13h, de 11 de Outubro de 2005, a SIC declara: os trabalhadores da região de Lisboa ganham quase o dobro dos restantes trabalhadores. Em simultâneo exibe um oráculo onde se lê o valor de 42%.
Trata-se de um belo exemplo do nível de ignorância que, em matemática, afecta a esmagadora maioria dos jornalistas.
Embora a matemática em causa não exija mais que o 6º ano de escolaridade, vejamos em pormenor:
- 42% está bastante próximo dos 50%. Logo será razoável que fosse anunciado que os trabalhadores da região de Lisboa ganhavam mais metade do que os restantes.
- 42% está mais longe de 100% (o dobro) do que dos 0% (o mesmo). A SIC arredondou a percentagem a zero decimais, mas, em boa verdade, o arredondamento de 42% a zero decimais dá 0% (0.42 arredonda, a zero decimais, para baixo (0) e não para cima (1.00=100%). Neste caso a notícia deveria referir que os trabalhadores de Lisboa ganhavam o mesmo que os restantes.
A única explicação reside na necessidade de exagerar. E o exagero é notório.
Para se evidenciar melhor o nível de disparate, a verdade é que, mesmo que o diferencial entre aquilo que os trabalhadores de Lisboa ganham em relação aos restantes, fosse o dobro daquilo que é, ganhariam somente mais 84% daquilo que os restantes ganham, portanto ainda abaixo do dobro anunciado. Pela exacta forma de encarar o problema exercitada pela SIC, e mantida a mesma e exacta proporção de disparate, caso o dito diferencial fosse de 84% (ainda abaixo do dobro) a SIC anunciaria que se trataria do quádruplo.
Já agora, a SIC podia enquadrar a coisa e chamar a atenção para o nível de despesas fixas a que os trabalhadores de Lisboa estão sujeitos. O que interessa não é aquilo que se ganha mas com quanto se fica depois de despender o que não pode ser evitado. Mas, claro que, pela perspectiva da SIC, espalhar disparates é muito mais necessário. Se o jornalista da SIC pensasse, a percebia que a peça não tinha qualquer razão de ser.
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Trata-se de um belo exemplo do nível de ignorância que, em matemática, afecta a esmagadora maioria dos jornalistas.
Embora a matemática em causa não exija mais que o 6º ano de escolaridade, vejamos em pormenor:
- 42% está bastante próximo dos 50%. Logo será razoável que fosse anunciado que os trabalhadores da região de Lisboa ganhavam mais metade do que os restantes.
- 42% está mais longe de 100% (o dobro) do que dos 0% (o mesmo). A SIC arredondou a percentagem a zero decimais, mas, em boa verdade, o arredondamento de 42% a zero decimais dá 0% (0.42 arredonda, a zero decimais, para baixo (0) e não para cima (1.00=100%). Neste caso a notícia deveria referir que os trabalhadores de Lisboa ganhavam o mesmo que os restantes.
A única explicação reside na necessidade de exagerar. E o exagero é notório.
Para se evidenciar melhor o nível de disparate, a verdade é que, mesmo que o diferencial entre aquilo que os trabalhadores de Lisboa ganham em relação aos restantes, fosse o dobro daquilo que é, ganhariam somente mais 84% daquilo que os restantes ganham, portanto ainda abaixo do dobro anunciado. Pela exacta forma de encarar o problema exercitada pela SIC, e mantida a mesma e exacta proporção de disparate, caso o dito diferencial fosse de 84% (ainda abaixo do dobro) a SIC anunciaria que se trataria do quádruplo.
Já agora, a SIC podia enquadrar a coisa e chamar a atenção para o nível de despesas fixas a que os trabalhadores de Lisboa estão sujeitos. O que interessa não é aquilo que se ganha mas com quanto se fica depois de despender o que não pode ser evitado. Mas, claro que, pela perspectiva da SIC, espalhar disparates é muito mais necessário. Se o jornalista da SIC pensasse, a percebia que a peça não tinha qualquer razão de ser.
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03/10/2005
A caixinha mágica e a caixa de fósforos
Durante o período em que estive afastado da web, assisti a um dos Prós e Contras na RTP1 que andava à volta dos incêndios.
Um dos temas em debate versava o facto de haver, ou não, uma ligação entre a exibição de imagens dos incêndios e a multiplicação de casos do fenómeno.
Basta ter conhecimento de que a Polícia Judiciária refere, com frequência, que a maioria dos incendiários identificáveis praticam os respectivos actos por razões fúteis, para perceber que é funesta a exibição de imagens apelativas.
Já sei que muitos me vão querer trinchar por dizer que as imagens são apelativas. Só refiro o facto de não conhecer ninguém que não goste de observar o crepitante fogo numa lareira. De facto são apelativas, e no caso dos incêndios são-no para quem nada perde, directamente, com eles.
Não me parece que a possibilidade de ver manobrar helicópteros não seja motivo suficiente para que muita gente ateie fogo sem ter a consciência do que está a fazer. Para provar a existência de muita inconsciência, basta dar uma volta pelas zonas onde o perigo resultante do aparecimento de um incêndio é maior, e observar a quantidade de pequenos fogos ateados para roçar mato, afastar as cobras, limpar matagais, queimar lixo, fazer churrascos, etc, e em que os respectivos promotores se mantêm junto ao fogo, aparentemente inconscientes de que a todo o momento se pode abrir a caixa de pandora. Este verão deambulei pelas albufeiras de várias barragens ladeadas de florestas e, à noite, viam-se claramente fogueiras nas margens.
Havia até casos em que parecia que os proprietários queimavam o mato rasteiro que separava suas casas da floresta, na tentativa de manter o terreno limpo e assim dificultarem a eventual progressão de um incêndio, que se acercasse, vindo do arvoredo. Suponho que a hipótese de o fogo se escapar para o arvoredo não lhes ocorresse.
Estou convencido de que muita cachopada (e adultos também, naturalmente), pela socapa, ateia fogos para ver bombeiros, helicópteros, câmaras de televisão, enfim, o movimento que nunca tem possibilidade de ver. Como se, tivesse encontrado uma forma de trazer para junto de si o bulício da civilização que uma parte substancial da população parece adorar.
Estou também convencido de que a vingança e a inveja são motivos mais que suficientes para que muitas pessoas risquem o fósforo, tanto mais que a possibilidade de sucesso em provocar um gigantesco incêndio, escolhendo um locar adequadamente ermo para o provocar, é inversamente proporcional à possibilidade de se vir a ser apanhado.
Justamente as televisões mantêm fresca, na cabeça dessas pessoas, a memória dessa possibilidade. Não só exibindo os efeitos, como relembrando que os fogos foram ateados em locais ermos, como quem diz: “é assim que se faz, estão a perceber?”. Aliás, não há bombeiro ou político que evite “explicar” que é assim que se faz a coisa.
A ladainha dos meios aéreos (“ganda pinta – helicópteros por todo o lado”) é vomitada recorrentemente a pretexto de serem muitos, ou poucos, ou terem chegado tarde, ou serem caros, ou nacionais, ou estrangeiros, grandes, pequenos, com asas, sem elas, etc, etc, mas sempre lembrando que eles não estão aí para outra coisa.
Já várias pessoas me disseram, cara a cara: “o mal é passarem helicópteros, até parece que são eles que pegam o fogo”. Parece-me razoável supor que a passagem de helicópteros é suficiente para relembrar aos “voluntários” que a caixa de fósforos resulta.
Voltando ao Prós e Contras, um dos convidados era o director de informação da RTP e outro um jornalista.
O primeiro tentava tapar o sol com a peneira explicando que os seus jornalistas tentavam evitar enquadramentos em que se vissem chamas por detrás dos repórteres.
O segundo era mais surreal.
Tentava ele defender que não havia estudos que comprovasses uma ligação entre a exibição de imagens e o aparecimento de incêndios ... Ficámos a saber que aquele ardina nos queria convencer que desconhecia a existência e os mecanismos pelos quais a publicidade actua ... Queria que acreditássemos que desconhecia a indução de desejo por exibição de imagens apelativas, qualidade que, aliás, nenhum dos presentes negava, muito embora preferissem o termo “dramáticas”.
Há, de facto, muita gente que “vive” dos incêndios. Alguns habitam a caixinha mágica.
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Um dos temas em debate versava o facto de haver, ou não, uma ligação entre a exibição de imagens dos incêndios e a multiplicação de casos do fenómeno.
Basta ter conhecimento de que a Polícia Judiciária refere, com frequência, que a maioria dos incendiários identificáveis praticam os respectivos actos por razões fúteis, para perceber que é funesta a exibição de imagens apelativas.
Já sei que muitos me vão querer trinchar por dizer que as imagens são apelativas. Só refiro o facto de não conhecer ninguém que não goste de observar o crepitante fogo numa lareira. De facto são apelativas, e no caso dos incêndios são-no para quem nada perde, directamente, com eles.
Não me parece que a possibilidade de ver manobrar helicópteros não seja motivo suficiente para que muita gente ateie fogo sem ter a consciência do que está a fazer. Para provar a existência de muita inconsciência, basta dar uma volta pelas zonas onde o perigo resultante do aparecimento de um incêndio é maior, e observar a quantidade de pequenos fogos ateados para roçar mato, afastar as cobras, limpar matagais, queimar lixo, fazer churrascos, etc, e em que os respectivos promotores se mantêm junto ao fogo, aparentemente inconscientes de que a todo o momento se pode abrir a caixa de pandora. Este verão deambulei pelas albufeiras de várias barragens ladeadas de florestas e, à noite, viam-se claramente fogueiras nas margens.
Havia até casos em que parecia que os proprietários queimavam o mato rasteiro que separava suas casas da floresta, na tentativa de manter o terreno limpo e assim dificultarem a eventual progressão de um incêndio, que se acercasse, vindo do arvoredo. Suponho que a hipótese de o fogo se escapar para o arvoredo não lhes ocorresse.
Estou convencido de que muita cachopada (e adultos também, naturalmente), pela socapa, ateia fogos para ver bombeiros, helicópteros, câmaras de televisão, enfim, o movimento que nunca tem possibilidade de ver. Como se, tivesse encontrado uma forma de trazer para junto de si o bulício da civilização que uma parte substancial da população parece adorar.
Estou também convencido de que a vingança e a inveja são motivos mais que suficientes para que muitas pessoas risquem o fósforo, tanto mais que a possibilidade de sucesso em provocar um gigantesco incêndio, escolhendo um locar adequadamente ermo para o provocar, é inversamente proporcional à possibilidade de se vir a ser apanhado.
Justamente as televisões mantêm fresca, na cabeça dessas pessoas, a memória dessa possibilidade. Não só exibindo os efeitos, como relembrando que os fogos foram ateados em locais ermos, como quem diz: “é assim que se faz, estão a perceber?”. Aliás, não há bombeiro ou político que evite “explicar” que é assim que se faz a coisa.
A ladainha dos meios aéreos (“ganda pinta – helicópteros por todo o lado”) é vomitada recorrentemente a pretexto de serem muitos, ou poucos, ou terem chegado tarde, ou serem caros, ou nacionais, ou estrangeiros, grandes, pequenos, com asas, sem elas, etc, etc, mas sempre lembrando que eles não estão aí para outra coisa.
Já várias pessoas me disseram, cara a cara: “o mal é passarem helicópteros, até parece que são eles que pegam o fogo”. Parece-me razoável supor que a passagem de helicópteros é suficiente para relembrar aos “voluntários” que a caixa de fósforos resulta.
Voltando ao Prós e Contras, um dos convidados era o director de informação da RTP e outro um jornalista.
O primeiro tentava tapar o sol com a peneira explicando que os seus jornalistas tentavam evitar enquadramentos em que se vissem chamas por detrás dos repórteres.
O segundo era mais surreal.
Tentava ele defender que não havia estudos que comprovasses uma ligação entre a exibição de imagens e o aparecimento de incêndios ... Ficámos a saber que aquele ardina nos queria convencer que desconhecia a existência e os mecanismos pelos quais a publicidade actua ... Queria que acreditássemos que desconhecia a indução de desejo por exibição de imagens apelativas, qualidade que, aliás, nenhum dos presentes negava, muito embora preferissem o termo “dramáticas”.
Há, de facto, muita gente que “vive” dos incêndios. Alguns habitam a caixinha mágica.
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16/11/2004
As setas
Muito se tem dito sobre o controlo da maioria de comunicação social pelo estado por via da golden share na PT.
Há, de facto, uma via de comando entre o estado e a PT. No entanto parece-me plausível que essa linha de comando possa ser subvertida de forma a tornar-se bidireccional, talvez até mais activa no sentido inverso que no directo (estado-PT).
Lembremo-nos da série Yes, Minister. A competência do secretário sobrepunha-se quase sempre às decisões do ministro.
Os grandes grupos económicos escudam-se eficientemente ao escrutínio da opinião pública, tanto mais que parece ser óbvio não ser suposto que a comunicação social por ali faça estardalhaço, ao contrário do que parece praxe com o estado e o governo.
Enquanto os grandes grupos económicos são comandados por pessoas de grande competência no sentido da defesa dos seus interesses (individuais e do grupo) o estado, e com particular ênfase o governo (este ou outro qualquer) tendem a ser comandados por aqueles que vão sobrando da debanda dos mais competentes. Esta debanda é resultado de serem alvo preferencial de cada vez mais violentos ataques pessoais, insultos, desconsideração, acusação de incompetência, etc, vindos nomeadamente de uma comunicação social incompetente e cada vez mais ao serviço dos interesses dos privados que a controlam.
Face a este estado de coisa é fácil perceber que é mais provável que sejam os interesses privados a comandar, ou condicionar, no sentido inverso, o governo e o estado, do que este, os interesses privados.
A golden share do estado na PT é perigosa porque resulta num canal de acesso privilegiado dos privados ao estado e ao governo por via da subversão da “cadeia de comando”.
Há, de facto, uma via de comando entre o estado e a PT. No entanto parece-me plausível que essa linha de comando possa ser subvertida de forma a tornar-se bidireccional, talvez até mais activa no sentido inverso que no directo (estado-PT).
Lembremo-nos da série Yes, Minister. A competência do secretário sobrepunha-se quase sempre às decisões do ministro.
Os grandes grupos económicos escudam-se eficientemente ao escrutínio da opinião pública, tanto mais que parece ser óbvio não ser suposto que a comunicação social por ali faça estardalhaço, ao contrário do que parece praxe com o estado e o governo.
Enquanto os grandes grupos económicos são comandados por pessoas de grande competência no sentido da defesa dos seus interesses (individuais e do grupo) o estado, e com particular ênfase o governo (este ou outro qualquer) tendem a ser comandados por aqueles que vão sobrando da debanda dos mais competentes. Esta debanda é resultado de serem alvo preferencial de cada vez mais violentos ataques pessoais, insultos, desconsideração, acusação de incompetência, etc, vindos nomeadamente de uma comunicação social incompetente e cada vez mais ao serviço dos interesses dos privados que a controlam.
Face a este estado de coisa é fácil perceber que é mais provável que sejam os interesses privados a comandar, ou condicionar, no sentido inverso, o governo e o estado, do que este, os interesses privados.
A golden share do estado na PT é perigosa porque resulta num canal de acesso privilegiado dos privados ao estado e ao governo por via da subversão da “cadeia de comando”.
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