10/10/2005

Bloco de Esquerda e a política dos fogos

Recebi esta prosa por e-mail, desconheço quem seja o autor.

Bloco de Esquerda e a política dos fogos


Medidas que, com toda a certeza, seriam subscritas pelo Bloco de Esquerda para acabar com
os incêndios:

1.
Despenalização imediata dos incêndios: até porque há tantos, não se conseguem evitar e nada será conseguido com a aplicação de medidas persecutórias e sancionatórias!

2.
Como os coitadinhos dos incendiários são doentes, socialmente marginalizados e, como todos os demais delinquentes, são vítimas indefesas e inocentes do capitalismo, por isso, devem ser tratados como tal: é preciso criar zonas específicas para poderem incendiar à vontade. Nas "Casas de Incêndio" serão fornecidos fósforos, isqueiros e alguma mata.

Sob a
supervisão do pessoal habilitado e pago com o dinheiro dos contribuintes, estas vítimas poderão lutar contra esse flagelo autodestrutivo pessoal.

3.
Fazer uma terapia baseada nos "Doze Passos", em que o doente possa evoluír do incêndio florestal à sardinhada. O pirómano irá deixando progressivamente o vício: da floresta à mata, da mata ao arbusto, do arbusto à fogueira, da fogueira à lareira, da lareira ao barbecue até finalmente chegar à sardinhada do Santo António e do São João.

4.
Quando o pirómano se sentir feliz a acender a vela perfumada em casa, ser-lhe-á dada
alta, iniciará a sua reintegração social e perderá o seu subsídio de incendiário, passando a auferir uma pensão a título de compensação pelo sofrimento de que foi vítima.

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03/10/2005

A vacina contra os incêndios ou o A4 aguenta tudo

Em relação às origens dos incêndios, já verti anteriormente uns caracteres. Vou agora debruçar-me sobre as formas de minorar as consequências.

Nunca em Portugal houve tanta floresta quanto hoje.

É sabido que, desde os descobrimentos, se operou uma razia tal à nossa floresta que só recentemente (últimas décadas) foi compensada.

A floresta de hoje não é igual à floresta anterior aos descobrimentos: é muito mais densa porque é maioritariamente composta por pinheiro e eucalipto.

A pinheiro e o eucalipto são excelentes combustíveis. Quando começam a arder, ninguém lhes pode fazer frente.

Há ainda áreas (ou havia, no Algarve) onde o sobreiro é dominante. Mas aí, a praga ecologista tratou de criar as condições que garantissem que o fogo se viesse a propagar de forma incontrolável: conseguiu obter legislação que proibisse não só a limpeza dos terrenos, como a limpeza dos matagais que sempre se formam nas margens dos cursos de água (por pequenos que sejam).

Os cursos de água progridem, naturalmente, nas zonas mais baixas do terreno. Conhecendo-se a facilidade com que um incêndio de propaga encosta acima, a presença de chamas nos matagais dos cursos de água garante a proliferação das chamas pelos vales, como um rastilho de pólvora, e a respectiva propagação às encostas, exactamente a forma pela qual mais eficientemente tudo arde.

Há-de sempre haver incêndios. É disparatado pensar que se pode, em absoluto, evitar o seu aparecimento. A única coisa que há a fazer é criar mecanismos para evitar que eles se tornem incontroláveis.

Não vale a pena gritar por helicópteros e por outros equipamentos, se, de cada vez que se acrescentem meios, se descurar, ainda mais, a organização da floresta. Os meios aumentam na proporção do caos florestal, e ficamos na mesma.

Parece óbvio a toda a gente, que algumas coisas relativamente simples baixariam drasticamente não o perigo de incêndio, como muitos erradamente afirmam, mas a perigosidade do incêndio.

O perigo de incêndio diz respeito à possibilidade, ou não, da sua eclosão. A perigosidade diz respeito às consequências caso o incêndio se instale.

O segundo pode fazer diminuir o primeiro: a redução substancial das consequências de um incêndio é um factor desmobilizante da mão criminosa.

Voltando à prevenção, e deixando de lado os meios, porque, suponho, já teremos, média geral, mais que suficiente (alugados ou não), há duas coisas que parecem óbvias: é preciso manter a floresta limpa, e é preciso dividir a floresta de forma que vastas áreas sem arvoredo permitam que um incêndio numa das zonas se extinga quase por si próprio, ou possa ser eficientemente combatido.

A limpeza da floresta é essencial para que seja possível atravessá-la, mas não chega. Ela arde na mesma.

A limpeza é necessária, por um lado porque há espécies que crescem espontaneamente, por outro porque as operações de abate deixam no terreno altíssimas quantidades de matéria combustível.

O problema é que a limpeza tem enormes custos que ninguém parece querer suportar.

Em tempos que já lá vão, os rebanhos tinham um papel preponderante nesta matéria. Já vi, perante meus olhos, zonas perfeitamente transitáveis sem qualquer manutenção aparente, tornarem-se impenetráveis matagais simplesmente porque o pastor lá da zona se reformou.

Surge então o papel do estado que, entre nós, legisla quase sempre para dar a impressão que o “preto no branco”, si por só, resolve alguma coisa. Os governos e a Assembleia da República ainda não legislaram no sentido da obrigatoriedade de chover nas datas adequadas, mas já faltou mais.

Como diz um homem que conheço, o A4 aguenta tudo, mas a realidade está-se nas tintas para o que lá coloquemos.

Só será possível conter os incêndios (evitar é outra coisa) se forem encontrados métodos baratos de manter as florestas limpas e se se encontrarem formas de compensar os agricultores que se vejam inibidos de plantar floresta nas suas propriedade em virtude da criação de zonas tampão desflorestadas. E esse esforço não pode ser só dos governos ou das autarquias: tem que ser de toda a população, ao nível das juntas de freguesia. De outra forma continuaremos a ver arder e a culpar os governos.

Repare-se que a generalidade da população rural nem sabe o que fazer em caso de incêndio. Não tem pás, máscaras, botas, coisas simples que lhes permitissem sequer fazer face a um peque o incêndio.

Na perspectiva em que as coisas se encontram, não é mau de todo que o território vá ardendo. Caso contrário, o volume e o caos florestal tomariam tais proporções que o primeiro incêndio reduziria a cinzas a totalidade do território nacional.

Enquanto não formos capazes de organizar a floresta (organizar-nos a nós próprios), resta-nos que as vastas áreas que vão ardendo sirvam de vacina para os próximos anos e permitam que as áreas já ardidas funcionem como tampão para os próximos fogos.

Quando não respeitamos a natureza, ela encontra os seus próprios caminhos, com ou sem a nossa colaboração – a nosso contento ou não.

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ECE – vamos a isso

Os bombeiros de Albufeira resolveram apelar a que se inclua no telemóvel um número de telefone com o nome ECE (Em Caso de Emergência) para onde eles possam ligar (consultando o telemóvel da vítima) para obterem informações sobre o acidentado e para, simultaneamente, avisarem a pessoa que a vítima indique como sendo a mais adequada para o efeito.

É uma boa ideia. Segundo a SIC, a ideia vem dos Estados Unidos onde o sistema está em uso.
Mais uma ideia que vem dos EUA, como a maioria delas. Umas más, outras boas.

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O Bloco de esquerda e a moral



No programa Parlamento (RTP2) de 2 de Outubro, Miguel Portas, do Bloco de Esquerda, defendeu que os trabalhadores alemães teriam sido enganados durante as negociações laborais por causa da construção do cabriolet da VW.

Segundo Miguel Portas, os custo de mão de obra dos trabalhadores portugueses teriam sido postos “em cima da mesa” como forma de obrigar os trabalhadores alemães a baixarem os seus proventos, numa altura em que em Portugal já se saberia que o carro nunca seria construído na Auto Europa.

Repare-se a conta em que Miguel Portas tem os sindicatos alemães. Em Portugal sabe-se que o carro não será cá construído, e os sindicalistas alemães andam distraídos. Se calhar não têm por hábito ler os jornais dos territórios onde estão instaladas as fábricas com que são ameaçados ...

Miguel Portas é, de longe, o bloquista mais equilibrado. Mas ...

Quanto a Ilda Figueiredo, do PCP, é um caso perdido.

Já agora, qualquer bom militante anti-globalização deveria congratular-se por não ter acontecido mais esta deslocalização: da Alemanha para Portugal. A não ser que as deslocalizações sejam boas quando se fazem para o nosso país, e más quando abandonam o nosso território. A não ser assim não se percebe porque sempre que uma empresa se deslocaliza para fora de Portugal os ditos bloquistas de indignam invocando questões de moral. A não ser que a morar deles seja a mesma de que acusam George Bush: quando ganhamos está tudo certo, quando perdemos, não está.

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Comparemos antes de escoicinhar


Não devo ter vasculhado o suficiente, mas não encontrei nenhuma outra comparação geográfica directa entre estado Norte Americano de Luisiana e Portugal.

Aqui fica a pequena contribuição, com algumas notas:

1 – A superfície do Luisiana é de 134,275 Km2, muito embora parte dela não seja terreno “fixe”.

2 – A superfície de Portugal é de 92,082 Km2, quase toda terreno fixe. Suponhamos, portanto, que têm superfície idêntica.

3 – As altitudes mínima e máxima do território do Luisiana são de –2.4 e 164m respectivamente. A média, é de 30m.

4 - As altitudes mínima e máxima do território de Portugal são de 0 e 1998m. Desconheço a média.

5 – No Luisiana há 3.200Km de diques para tentar controlar as cheias. Em Portugal quase não há diques desse tipo, os que há, ou já estão rotos ou em vias disso.

Imagine-se agora:

1 - O que aconteceria se o território nacional fosse atacado por um furacão como o Katrina, que o atravessasse longitudinalmente.

2 – Quais as possibilidades de sucesso na evacuação de todo o território. Neste caso não conviria que fosse para o mar. Sugestões?

3 - Imagine-se que uma quantidade de gente não queria, não podia, ou não conseguia sair de casa. Quem os iria obrigar a sair e porque meios os transportaria?

4 – É certo que o nosso país tem muito mais declive. Mas, se fosse idêntico ao Luisiana, como socorrer gente cercada de água dispersa por todo o país, e por que vias de comunicação (se a maior parte estivesse debaixo de água ou bloqueada por destroços)?

Se fôssemos atingidos por uma hecatombe daquele tipo, seriamos provavelmente ajudados pelos parceiros da Europa, mas é provável que a Espanha tivesse um papel determinante. Alguém tem a certeza que, perante a premente necessidade de ajuda espanhola, que se teria que manter por meses, não surgiria a ideia de os deixar ficar?

Eu espero que não. Talvez isso servisse para que passeássemos a respeitar mais os nossos dirigentes e estes se tornassem mais respeitáveis. Ou talvez não.

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A caixinha mágica e a caixa de fósforos

Durante o período em que estive afastado da web, assisti a um dos Prós e Contras na RTP1 que andava à volta dos incêndios.

Um dos temas em debate versava o facto de haver, ou não, uma ligação entre a exibição de imagens dos incêndios e a multiplicação de casos do fenómeno.

Basta ter conhecimento de que a Polícia Judiciária refere, com frequência, que a maioria dos incendiários identificáveis praticam os respectivos actos por razões fúteis, para perceber que é funesta a exibição de imagens apelativas.

Já sei que muitos me vão querer trinchar por dizer que as imagens são apelativas. Só refiro o facto de não conhecer ninguém que não goste de observar o crepitante fogo numa lareira. De facto são apelativas, e no caso dos incêndios são-no para quem nada perde, directamente, com eles.

Não me parece que a possibilidade de ver manobrar helicópteros não seja motivo suficiente para que muita gente ateie fogo sem ter a consciência do que está a fazer. Para provar a existência de muita inconsciência, basta dar uma volta pelas zonas onde o perigo resultante do aparecimento de um incêndio é maior, e observar a quantidade de pequenos fogos ateados para roçar mato, afastar as cobras, limpar matagais, queimar lixo, fazer churrascos, etc, e em que os respectivos promotores se mantêm junto ao fogo, aparentemente inconscientes de que a todo o momento se pode abrir a caixa de pandora. Este verão deambulei pelas albufeiras de várias barragens ladeadas de florestas e, à noite, viam-se claramente fogueiras nas margens.

Havia até casos em que parecia que os proprietários queimavam o mato rasteiro que separava suas casas da floresta, na tentativa de manter o terreno limpo e assim dificultarem a eventual progressão de um incêndio, que se acercasse, vindo do arvoredo. Suponho que a hipótese de o fogo se escapar para o arvoredo não lhes ocorresse.

Estou convencido de que muita cachopada (e adultos também, naturalmente), pela socapa, ateia fogos para ver bombeiros, helicópteros, câmaras de televisão, enfim, o movimento que nunca tem possibilidade de ver. Como se, tivesse encontrado uma forma de trazer para junto de si o bulício da civilização que uma parte substancial da população parece adorar.

Estou também convencido de que a vingança e a inveja são motivos mais que suficientes para que muitas pessoas risquem o fósforo, tanto mais que a possibilidade de sucesso em provocar um gigantesco incêndio, escolhendo um locar adequadamente ermo para o provocar, é inversamente proporcional à possibilidade de se vir a ser apanhado.

Justamente as televisões mantêm fresca, na cabeça dessas pessoas, a memória dessa possibilidade. Não só exibindo os efeitos, como relembrando que os fogos foram ateados em locais ermos, como quem diz: “é assim que se faz, estão a perceber?”. Aliás, não há bombeiro ou político que evite “explicar” que é assim que se faz a coisa.

A ladainha dos meios aéreos (“ganda pinta – helicópteros por todo o lado”) é vomitada recorrentemente a pretexto de serem muitos, ou poucos, ou terem chegado tarde, ou serem caros, ou nacionais, ou estrangeiros, grandes, pequenos, com asas, sem elas, etc, etc, mas sempre lembrando que eles não estão aí para outra coisa.

Já várias pessoas me disseram, cara a cara: “o mal é passarem helicópteros, até parece que são eles que pegam o fogo”. Parece-me razoável supor que a passagem de helicópteros é suficiente para relembrar aos “voluntários” que a caixa de fósforos resulta.

Voltando ao Prós e Contras, um dos convidados era o director de informação da RTP e outro um jornalista.

O primeiro tentava tapar o sol com a peneira explicando que os seus jornalistas tentavam evitar enquadramentos em que se vissem chamas por detrás dos repórteres.

O segundo era mais surreal.

Tentava ele defender que não havia estudos que comprovasses uma ligação entre a exibição de imagens e o aparecimento de incêndios ... Ficámos a saber que aquele ardina nos queria convencer que desconhecia a existência e os mecanismos pelos quais a publicidade actua ... Queria que acreditássemos que desconhecia a indução de desejo por exibição de imagens apelativas, qualidade que, aliás, nenhum dos presentes negava, muito embora preferissem o termo “dramáticas”.

Há, de facto, muita gente que “vive” dos incêndios. Alguns habitam a caixinha mágica.

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30/09/2005

Mais um piquenique

Aqui estes artistas voltaram aos piqueniques.

Só foi pena de não se terem lembrado de colocar um cartazito reclamando o fim das centenas de ataques suicidas contra a população iraquiana (mulheres crianças, desempregados, etc) que, segundo os piqueniqueiros, matam centenas de cada vez (por culpa dos unilateralistas das terras do tio Sam, pois claro).

... a não ser que achem a coisa justificável ... (deve ser só impressão minha).

Serão os mesmos que abalaram para o Iraque, antes da invasão, como escudos humanos?

Já percebi, foi, nessa altura, um excesso de altruísmo. Foram para lá cedo demais, e agora, no momento em que mais falta lá fazem é quando, justamente, o vil combustível está mais caro.
Ora abóbora.
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O valor da vida em função da origem da bala

[mais um que veio a pé]

Caiu o Carmo e a trindade quando a polícia Londrina matou um imigrante brasileiro.

Não discuto os pormenores que envolveram a coisa, dou de barato que, no meio da confusão, tenham perdido o controlo e tenham morto um absoluto inocente.

Os multilateralistas de serviço armaram um caldinho de todo o tamanho, pedindo, a torto e a direito, explicações aos ingleses (unilateralistas) acerca da história.

Os responsáveis políticos ingleses lá tiveram que pedir desculpa milhentas vezes, os embaixadores andaram numa fona, foram exigidas (e pagas) indemnizações, etc. Enfim: cobras e lagartos.

Só uma coisa não foi esclarecida: que explicações dá o estado brasileiro e que indemnizações entrega aos familiares das pessoas mortas em circunstâncias idênticas ou por simples fuzilamento, quando a coisa se passa dentro de portas?

Há dois pesos e duas medidas? O cidadão brasileiro só tem direito à vida fora de fronteiras?

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Candidatos independentes merecem mais confiança

Em relação à boa mão cheia de candidatos independentes à presidência das Câmaras Municipais que estão a contas com a justiça, há uma perspectiva que não recordo ter visto abordada.

Parece ponto assente de que a generalidade da população portuguesa está convencida que a corrupção generalizada nas câmaras municipais existe, e com intuitos de financiar partidos políticos, carreiras políticas e equipes de futebol (actividade de que já ouvi falar e que alguns defendem tratar-se de um desporto).

Não faltam aliás acusações vindas exactamente de dentro do meio autárquico.

Suponho que este convencimento pode implicar duas outras possibilidades:

1 – Que os casos que foram parar à justiça resultaram da catrafilagem dos candidatos (outrora presidentes de câmara) pelos próprios correligionários, por não verem fluir a quantidade de bens que acham apropriados em proveito dos respectivos partidos e/ou deles próprios.

2 – Que a denúncia destes casos por adversários políticos se deve somente ao apetite que os mesmos recursos lhes provocam.

Partindo destes pressupostos, parece-me razoável que a população conclua que há que apoiar exactamente aqueles que cortaram amarras aos partidos políticos. Estando quebrado o canal de drenagem de bens, estão finalmente criadas as condições para um exercício mais saudável do poder autárquico. De acusados passam a heróis.

O inexplicável e rocambolesco comportamento do sistema de justiça (demora nas investigações, fugas de informação sobre os resultados das investigações, demora em ser deduzida uma acusação, fugas de informação em relação às decisões de juizes, sentenças contraditórias, julgamentos para as calendas gregas, milhentos adiamentos) parece tornar ainda mais verosímil todo este cenário.

Lembremo-nos do julgamento do General Garcia dos Santos por causa da JAE: levantou a lebre, foi condenado.

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O vetusto monárquico


[Este artigo vem atrasado, mas não podia deixar de aqui saltitar.]

Mário Soares candidato à Presidência da República ...

Será que ele não escutou as palavras do antigo Presidente da Assembleia da República, Almeida Santos? Dizia ele: “Na minha idade, sabe-se como se está hoje, mas não se sabe como se estará amanhã”.

Evidentemente que isso se pode dizer de qualquer um, mas não é difícil perceber que aos 80 anos é mais verdade do que nunca. E quanto à ainda intocada sagacidade ... a decisão não é mais que uma prova do seu mau estado.

Só vejo uma possibilidade: Sócrates está a fazer os possíveis para retirar do caminho a linhagem monárquica Soares. Esperemos que não fique um espinho em Sintra.

Todos devemos algo a Soares. Para preservar essa memória há que evitar que ele volte a ocupar o palácio de Belém. Temos que passar à etapa seguinte, não à anterior.

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29/09/2005

O preto e branco, a poesia e a fome.

A propósito deste excelente artigo, resolvi ranger um bocado.

[revisto]

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Quando é que a esquerda resolve reclamar o fim do proteccionismo à agricultura europeia?

As ajuda económica (dinheiro) a uma vaca europeia é superior ao que um pobre, do terceiro mundo, tem para viver.

Embora isto embarateça os produtos agrícolas ao consumidor final (à custa de impostos, evidentemente), não é mesmo assim suficiente para competir com o preço das eventuais exportações de países do terceiro mundo. Portanto, para aplacar essa possibilidade, há que aplicar taxas alfandegárias à entrada de víveres daqueles com quem os Live Aids dizem preocupar-se.

Os Live Aids não são, portanto, mais que um processo de tranquilização das próprias consciências invocando os maus da fita do costume - governos capitalistas, unilateralistas, etc, etc.

Nenhum governo europeu se atreve a defender o levantamento puro e simples do proteccionismo porque sabe que isso significará desemprego, abandono dos campos, etc, enfim, a eventualidade de se verem avançar campos de golfe.

Tudo se resume, portanto, a um dilema: ou comemos nós (os europeus) ou come o terceiro mundo.

Claro que pode haver nuances: percentagens de importação, etc. Mas disso a esquerda não gosta. Isso é navegar no cinzento. O preto e branco (como nos filmes) é mais poético. Poesia e fome (a dos outros) andam, pelas nossas paragens, de mãos dadas.

Nesta matéria, como noutras, a esquerda, que se parece cada vez mais com uma lagarta anafada (escolhi lagarta por similitude de inteligência), prefere alienar, à direita, suficiente campo de manobra para que seja esta a reivindicar a defesa dos pobres. Perante o facto consumado, e para a contrariar, a esquerda coloca-se rapidamente ao lado da extrema direita – proteccionismo, proteccionismo, proteccionismo, abaixo a globalização.

Surgem alguns com uma ideia ainda mais peregrina: alinhar com a globalização para, estando lá dentro, poderem controlá-la, leia-se “canalizar recursos para a Europa à custa do resto do mundo”. Mas os países (e empresas) que já estão (globalmente instalados) têm sistema nervoso central desenvolvido e não cairão na esparrela.

Voltando à poesia, que diria a isto Manuel Alegre?

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27/09/2005

Lobis e penhoras

A propósito de lobis e mais lobis, de dinheiro mal gasto e da incompetência generalizada que grassa pelo funcionalismo público, já alguém se apercebeu de que muitas Câmaras Municipais têm dívidas de tal maneira altas à Portugal Telecom que ficam sem possibilidade de renegociar contractos ou procurar fornecedor alternativo por forma a poderem ter melhores preços de chamadas telefónicas (telecomunicações em geral)?

Nem procuram alternativa porque sabem que a PT lhes cortaria de imediato os telefones invocando a dívida … que as Câmaras não estão, evidentemente, em posição para liquidar …

E a farra vai continuando. À custa de todos, a PT cobra preços exorbitantes, usando como penhora, a dívida que as Câmaras lhe vão fazendo o jeito de manter.

João Cordeiro e a PIDE



Em relação ao debate de ontem na RTP1, programa Prós e Contras, só me ocorre lembrar um programa que recordo ter visto enquanto criança no programa Zip Zip (fim dos anos 60).

Nessa altura Fialho Gouveia entrevistava um prestamista proprietário (casa de penhores).

Alguém da produção do programa tinha levado ao balcão da casa de penhores do entrevistado, para penhorar, um gravador de som novinho em folha. O estabelecimento avaliou o equipamento numa ninharia e foi esse o valor entregue ao pretenso dono do equipamento.

Fotocopiado o documento comprovativo da penhora, o equipamento é resgatado no dia seguinte.

Durante o programa, em directo, Fialho Gouveia pergunta ao prestamista o porquê de serem atribuídos, nas casas de penhores, valores tão baixos aos objectos penhorados. O prestamista contraria Fialho Gouveia dizendo que isso não é verdade e que, imbuído da noção que tem de estar a prestar um bom serviço à sociedade, avalia sempre os objectos por valores muito próximos do seu valor real.

Fialho Gouveia convida-o então a avaliar o mesmíssimo gravador anteriormente avaliado pela casa de penhores de que o entrevistado é proprietário. O homem avalia o equipamento por um valor aproximadamente 10x superior ao oferecido ao balcão do seu estabelecimento.

Revelada ao prestamista a fotocópia do documento obtida anteriormente ao balcão, o convidado, sentindo-se encurralado, não se coíbe de ameaçar, em directo, Fialho Gouveia (e o programa), invocando “o conhecimento de pessoas importantes” supõe-se que, directamente ou indirectamente da PIDE/DGS.

O representante da Associação Nacional de Farmácias, na pessoa de João Cordeiro, fez-me lembrar ontem o prestamista.

Como é que o homem se atreveu a ameaçar o ministro e o estado?

A cena foi tão surreal que tive por momentos a nítida impressão de ver entrar um inspector da PIDE e seus capangas para abafar o impertinente ministro comunista (qualidade que João Cordeiro não se coibiu de insinuar).

… eles andam aí …


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26/09/2005

Segurança Social - 1 ano de atrazo

Venho aqui de passagem para perguntar se alguém percebe porque está a ser processada, com mais de 1 ano de atraso, a documentação entregue pelas empresas na Segurança Social?

Há uns tempos comprei um carro (em segunda mão, claro). O carro tinha sido matriculado no registo automóvel do Porto, portanto, demorei mais de 1 ano a receber o novo registo de propriedade.

Já que anda por ai uma febre de expor tudo na Internet, talvez fosse de também lá colocar o nome dos responsáveis, incluindo os trabalhadores, de todas as secções do estado que têm trabalho em atraso, e, já agora, a percentagem de dias em que cada um deles não compareceram ao trabalho, quer por motivos justificados quer injustificados.

… entretanto, continuo sem linha telefónica. A empresa de telecomunicações em causa explicou-me, a semana passada, que o atraso se devia … a falta de impressos …

15/09/2005

... ainda estrebucho

Embora ganas me não faltem, só dentro de um mês devo poder voltar a publicar regularmente (a linha telefónica nunca mais é instalada).

Desculpem.

RoD

19/07/2005

Sou um só ... !!!



Este blog não é como o monstro das bolachas: é alimentado por um único escravo.

Suponho que não terei tempo para ele durante mais umas duas semanas.

Peço desculpa aos leitores,

Range-o-Dente.
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04/07/2005

Live Aid ...

Na Biblioteca de Babel, artigo a ler: Live Aid - os poetas oferecem sonhos... mas não soluções

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Fenómeno Unilateralismo / Multilateralismo

Nova tabela clarificadora de como as diversas partes do globo encaram o fenómeno Unilateralismo / Multilateralismo em função do público a que se destina.

Já agora, é de relembrar a "(Sempre Nova) Bíblia do Jornalista".

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01/07/2005

Energia nuclear "limpa"

Salvador, na Biblioteca de Babel, publica este excelente artigo, a que acrescentei, em comentário:
A mim irrita-me outra coisa: não queremos o nuclear mas não nos importamos de consumir energia eléctrica gerada por essa via.

É como dizer que os fins justificam os meios desde que em território alheio. Ou que queremos a energia mas não queremos os efeitos colaterais.

Evidentemente que pagamos a electricidade. Fazemos (esquerda inclusive) o que os norte americanos dizem: o (vil - diz a esquerda) dinheiro paga tudo. Dito de outra forma, desde que se pague tudo está certo. E continuamos a não querer o nuclear.
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30/06/2005

Buuuuuum



* Actualizado *

Aconteceu ao Barnabé o mesmo que às fábricas de pirotecnia portuguesas. Digamos que foi atacado por um efeito colateral, ou, melhor dizendo, fogo amigo.

O estudo desta discussão fúnebre revela a fragilidade e contradições deste tipo de "esquerda" que, à mais pequena sombra de contrariedade se esfuma em plasma (imagem ao topo).

Suponho que ignorarem mutuamente os artigos dos colegas (de blog), abstendo-se de os comentar, e revelando-o publicamente, teria evitado o aniquilamento mútuo em violência proporcional ao inverso da soma das contradições.

Aqui está a lista de links que apontam para a discussão final (dos mais antigos aos mais recentes).

Daniel Oliveira - http://barnabe.weblog.com.pt/arquivo/116635.html
Bruno Reis - http://barnabe.weblog.com.pt/arquivo/116777.html
Daniel Oliveira - http://barnabe.weblog.com.pt/arquivo/116986.html
Bruno Reis - http://barnabe.weblog.com.pt/arquivo/117128.html
Rui Tavares - http://barnabe.weblog.com.pt/arquivo/117148.html
Bruno Reis - http://barnabe.weblog.com.pt/arquivo/117241.html
Rui Tavares - http://barnabe.weblog.com.pt/arquivo/117787.html
Pedro Oliveira - http://barnabe.weblog.com.pt/arquivo/117885.html

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27/06/2005

Morreu Jack Kilby


Jack Kilby
(1923 - 2005)

O inventor do microship.



O primeiro circuito integrado desenvolvido, em 1958, por Jack Kilby.

“Naquela altura não percebemos que o circuito integrado reduziria o custo de funções electrónicas por um factor de um num milhão. Nunca nada antes o tinha feito” - Jack Kilby.

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Memória e Matemática

Sobre Matemática: uma nota que deixei no blog Blasfémias.

Minha nota inicial:
Para se poder ser bom aluno a matemática há que ter memória persistente, e capacidade de trabalho persistente.

Tudo hoje à nossa volta vai ao arrepio dessa forma de estar.

Os professores de matemática estão condenados, os alunos também, estamos todos lixados.

Os putos vivem no mundo virtual da TV, dos jogos de computador, dos chats. Aqui, não é preciso que se tenha memória com duração superior a 1 minuto.

A culpa é nossa, individualmente e como sociedade.

Nota de CA:

"Para se poder ser bom aluno a matemática há que ter memória persistente, e capacidade de trabalho persistente."

Trabalho sim. Quanto à memória é útil mas está muito longe de ser fulcral em matemática.

"COntas básicas; tabuada decorada;operações de cálculo mental; problemas de aritmética; fracções( o busílis de muitas questões). Se este prgrama fosse cumprido e tivesse êxito em 60 por cento, estaríamos bem melhor de que estamos hoje."

A matemática, mesmo no 1.º ciclo, é muito mais do que isto. Falta a geometria e a capacidade de resolver problemas, mais ou menos complexos.
Minha resposta:
Isto está animado.

"Trabalho sim. Quanto à memória é útil mas está muito longe de ser fulcral em matemática."

Reafirmo que a memória persistente é fulcral. O busílis é que tendemos a ligar memória a dados, mais ou menos "crus".

Em matemática é fulcral ter memória persistente em conceitos, formas de encarar a coisa, ideias. Até memória visual.

De outras forma não se explica porque tanta gente tem dificuldade em perceber porque é que um desconto de 20% sobre um desconto de 30% não é o mesmo que um desconto de 50%.

Não é aqui qualquer alta matemática - é um problema comezinho.
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Já agora, suponho que a também memória pode ser treinada ( ~ aprendida?).

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23/06/2005

O presidente da Associação Sindical de Juizes espicaça o Presidente da República


Baptista Coelho
Acerca das palavras da ministra da educação sobre decisões aparentemente contraditórias dos tribunais do continente e dos Açores, o presidente da Associação Sindical de Juízes, Alexandre Baptista Coelho, vem pedir que Jorge Sampaio “não fique calado”.

O presidente da Associação Sindical demonstra, desta forma, qual julga ser a posição dele perante a sociedade portuguesa.

1 – Este tipo de comentário não tem cabimento a um sindicalista, mesmo que Baptista Coelho seja juiz. Não foi nessa qualidade que usou da palavra. As magistraturas têm órgãos próprios para este tipo de problema. Em boa verdade, os órgãos de topo das magistraturas deveriam pronunciar-se sobre as comentários de Baptista Coelho, mas isso é outra história (também triste).

2 – O Presidente da República não é surdo, e não consta que precise de ser espicaçado para dizer o que muito bem entenda, muito menos por um sindicalista como milhares de outros. Já que ele fala de “cultura pouco democracia”, convém que não esqueça o nível de relatividade da sua posição.

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Os chavões de Ana Gomes

(desta vez não leva foto)

Ana Gomes publicou mais um artigo no Causa Nostra.

Não vou debruçar-me pormenorizadamente sobre o conteúdo do artigo, mas fazer notar um pormenor de forma: as enfatizações a negro (ou mais negro, ou negrito, como quiserem).

Ana Gomes enfatiza pequenas partes do texto que correspondem, regra geral, a chavões mais ou menos propagandísticos.

Na minha opinião, nestes artigos, há que ler cuidadosamente todo o que não está enfatizado.

De outra forma, pode dizer-se que o texto se destina a fazer passar os chavões enfatizados, alguns deles particularmente absurdos ou vazios. A gravá-los na nossa memória como se eles, tivessem um valor intrínseco.

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22/06/2005

Rasto de libertação



O pequeno carro (rover) que a NASA colocou em Marte, atolou-se em areia fina, há umas 3 semanas.

A imagem documenta o rasto deixado pelas rodas metálicas durante a manobra de recuo que permitiu libertar o aparelho (que tem por nome Opportunity).

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O presidente do Sindicato dos Enfermeiros e a podridão



Guadalupe Simões, presidente do Sindicato dos Enfermeiros, declarou à TSF:
«Quando o ministro faz uma afirmação dessas, devia também salientar a carência de profissionais de saúde que existem nos hospitais. Isto obriga a um aumento tão grande do ritmo de trabalho que pode ser descurada, por vezes, a lavagem das mãos»
É confrangedora a incompetência que o presidente do Sindicato dos Enfermeiros revela e que projecta irremediavelmente nos associados do sindicato.

Não passa pela cabeça de Guadalupe Simões que o facto de não lavarem as mãos (que não põe em causa) causa o aparecimento de infecções que resulta num significativo acréscimo de trabalho? Ele não percebe que este acréscimo vai, obrigar ao aumento do ritmo de trabalho (já para não falar do sofrimento dos pacientes, que podem até morrer) que ele critica?

A resposta sensata poderia ser:
“De facto, a sobrecarga de trabalho a que estamos sujeitos pode fazer descorar as regras básicas de alguns dos nossos profissionais. Mas estamos, tanto quanto o ministro, interessados em corrigir essas eventuais situações para garantir o mais alto nível de competência da nossa classe profissional. Não queremos entre nós profissionais desleixados”
Há muito dirigente sindical que precisa reciclagem.

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Os calos dos lobis

Há lobis cujos calos estão a ser pisados.

Os juizes fazem greve de zelo por se sentirem atingidos em virtude da redução do tempo de férias de 3, para 1 mês (como eu tenho pena … ).

Na TSF declaram que nada farão que os obrigue a ficar depois da hora de saída.

Já agora, que zelem no sentido de entrar à hora suposta e de começarem de imediato a trabalhar.

… 3 meses de férias … que lata.

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Derrota

A ler, este e este artigos de Vital Moreira.

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Alinhamento de Mercúrio, Vénus e Saturno



O alinhamento pode ser visto a poente, depois do pôr do Sol.

Os três planetas aproximar-se-ão (uns dos outros) nos próximos dias.

O artigo original pode ser visto no site da NASA (em inglês).

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Saturno e perfil dos respectivos aneis


Clicar imagem para ler artigo original (em inglês)

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21/06/2005

Contas

Já alguém calculou quantos postos de trabalho podem ser usados em algo de mais produtivo, integrando, num só, todos os sub-sistemas de saúde do estado?

Porque há-de haver diferentes sub-sistemas de saúde? Resquícios de uma sociedade por classes?

A propósito: onde anda a esquerda?

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Férias

As reacções dos juizes (várias estirpes) à perda de tempo de férias acarreta uma enorme perca de dignidade – a reacção sim, não a perca de tempo de férias.

Às vezes parece estarem a reclamar o direito a manter regalias sobre a outra classe – os escravos. Argumentam do alto da mordomia “órgão de soberania” (agarram-se a ele), como se estivessem acima dos mortais por quem têm a benevolência de lhes aplicar umas chicotadas de vez em quando.

Faz-lhes bem misturarem-se, de vez em quando, com a plebe, para sentirem o que ela sente.

E a propósito: onde anda a esquerda?

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Greves e ping-pong.

Tem havido regularmente, em períodos de greves, disputas sobre a legitimidade sobre o decretar de requisições civis ou serviços mínimos.

É triste que em 30 anos de democracia este tipo de coisas acabe sempre em tribunal.

É triste que quem faz greve não possa faze-la sabendo que está dentro da legalidade.

É triste que o governo (este e os anteriores) tenham visto frequentemente declarada em tribunal a ilegitimidade das medidas de requisição civil.

É triste, num palavra, que estas coisas tenham que ser resolvidas em tribunal. Das duas uma, ou as partes (ou, pelo menos, uma delas) estão sistemática e conscientemente (ou por incompetência) violando a lei, ou o sistema democrático não consegue legislar de forma suficientemente clara para que estas coisas não aconteçam. Nada disto é bom sinal – continua a apostar-se no medo.

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Vitória, onde?

Os Sindicatos de Professores tinham anunciado que a greve desta semana resultaria na inviabilização de exames. Aliás, nesse sentido, parecia não verem qualquer inconveniente para os alunos, argumentando que eles poderiam efectuar os exames posteriormente.

Podiam ter simplesmente feito greve às aulas, deixando de for a os exames. Mas não.

Vêm agora cantar vitória por terem uma altíssima taxa de adesões.

A verdade é que a vitória (se vitória) é frouxa.

Em primeiro lugar não estão a conseguir boicotar os exames. Em segundo lugar não conseguiram, em boa verdade, boicotar as aulas, porque o ministério o fez administrativamente.

O Ministério pode cantar de galo porque as medidas de serviços mínimos (ou coisa que o valha) resultaram. Pode cantar de galo porque se pode vangloriar de ter sido pela sua acção que os alunos puderam efectuar exames (contra a vontade dos professores), saindo do filme como defensores dos alunos.

Os sindicatos não se podem queixar de excesso de serviços mínimos porque não podem, simultaneamente, reclamar uma vastíssima maioria de adesões à greve e um número excessivo de professores requisitado para os serviços mínimos. Se o número de adesões foi esmagador, então os serviços mínimos uma ínfima percentagem.

Pode ser, na perspectiva dos professores, uma vitória, mas é uma vitória sobre coisa nenhuma.

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Pata na poça.

O Ministério da Educação resolver proibir as aulas durante o período de greve dos professores, suponho que para “libertar” professores suficientes para fosse sempre possível que os exames do 9º e 12º se realizassem.

Já expliquei aqui que greves de professores nunca deveriam afectar exames.

Houve professores do recorrente de estranharam ser também abrangidos pela proibição e resolveram telefonar para o Ministério. No caso do recorrente, a relação entre professores e alunos não é, habitualmente, a mesma, havendo, aparentemente, mais consideração dos professores pelos alunos (aliás dos alunos em relação aos professores passa-se o mesmo).

O que é bizarro é que do Ministério terão respondido; “esquecemo-nos do caso do recorrente, portanto, a proibição é para todos”.

Os alunos do recorrente estão privados de aulas porque o Ministério se esqueceu que eles existiam …

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Quando os partidos políticos procuram angariar votos a partir da Apologia do Medo

Um excelente artigo de Blasfémias.

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20/06/2005

O pai do Dinis.

A propósito da nossa sumidade doméstica Manuel Maria Carrilho, pai do Dinis, sugiro a leitura destes três artigos:

No blog EsplanarVerdade ou Mentira?
No blog O AcidentalO fabuloso destino do marido de Bárbara Guimarães
E, já agora (com falsa modéstia) – Carrilho e Jardim

Divirtam-se.

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O Gato na Varanda

O Gato na Varanda - pequeno, mas bom blog.

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19/06/2005

As naves espaciais e as greves dos professores.



Enviar uma nave espacial (vulgarmente denominada sonda) a outro planeta, é uma tarefa complexa.

Há que definir metas a atingir, esboçar o projecto e distribuir, por diversas equipas, o desenvolvimento dos diversos equipamentos (instrumentos, motores, etc). Haverá que estabelecer uma equipa para coordenar as restantes.

Além de planear a parte que lhe compete, cada equipa terá que adjudicar os componentes, montá-los, definir métodos de teste, realizar os testes e definir correcções até que o instrumento ou equipamento a seu cargo funcione, em ambiente de laboratório, na perfeição.

Após tudo estar montado no corpo da sonda, (desenvolvido por uma das equipas) terá lugar um ou múltiplos testes finais.

Dada como pronta, a sonda, que neste caso poderia destinar-se ao planeta Marte, será instalada num foguete lançador que a colocará no espaço.

A determinada altura, esse foguete será lançado.

Suponhamos agora que pela altura do lançamento, as pessoas encarregues de o fazer entram em greve.

Se essa greve tiver uma duração curta, será possível lançá-la nos dias seguintes à mesma hora, mas consumir-se-há bastante mais combustível e, chagada a Marte, restar-lhe-há menos combustível para efectuar manobras, implicando a inutilidade prematura da sonda. Haverá pois, uma penalidade irreversível.

Se a greve durar, suponhamos, 8 dias, não será mais possível efectuar o lançamento porque a sonda nunca chegará a Marte: nessa caso, o melhor percurso possível consumirá mais combustível do a quantidade instalada na sonda. O lançamento terá então que ser adiado por um ano.

Um ano depois, haverá que repetir uma imensidão de testes, substituindo mesmo partes substanciais da sonda porque, entretanto, algumas delas teriam que durar mais do que previsto - nessa nova data de lançamento a sonda já terá, de idade, mais 1 ano que o planeado inicialmente. Pode mesmo acontecer que todo o projecto deixe de fazer sentido e vá por água abaixo.

Vejamos agora o caso das greves dos professores.

Os professores planeiam aulas, dão aulas, fazem regularmente chamadas para aferir resultados, realizam pontos, enfim, tentam, na medida do possível, deixar os alunos em condições para o exame final. É certo que o exame final pode não ser absolutamente decisivo, mas será decisivo para uma parte substancial dos alunos.

Suponhamos agora que no dia do exame os funcionários das portarias das escolas entram em greve e alunos e professores não podendo entrar nas instalações vêem-se na impossibilidade de fazer exames.

É certo que, perante este cenário, uma parte inquietante dos professores se estaria absolutamente nas tintas, mas só assim é porque, obvia e habitualmente, se estão absolutamente nas tintas por ver aferidos os resultados do seu trabalho - por ver, em concreto, preto no branco, o fruto do seu trabalho.

Evidentemente que os exames podem ser realizados posteriormente, mas certamente com penalidades. Se assim não fosse a data inicialmente marcada seria inapropriada, coisa que ninguém parece defender.

Se é claro que a muitos professores é indiferente, ver, ou não, os resultados do seu trabalho, também é óbvio que se estão tão supremamente nas tintas que são, eles próprios, capazes de entrar em greve no período de exames.

Sendo absurdo entrar em greve nesse período, tende a parecer que supõem ser o único apropriado para a realizar.

Há outros casos idênticos, como o caso dos trabalhadores do serviço de estrangeiros e fronteiras que ameaçaram greve pelo Euro 2004.

Não é admissível que em períodos corolário de projectos complexos se entre em greve comprometendo substancialmente e irreversivelmente o resultado do trabalho e vida de pessoas.

Não é razoável que médicos entrem em greve suspendendo trabalhos em blocos operatórios e consultas há meses ou anos esperadas, remetendo-as para meses ou anos depois. Sendo difícil contabilizar, isto resulta numa diminuição da esperança de vida – não sendo o adiamento uma vantagem, só poderá ser uma desvantagem que se traduzirá em mortes precoces a curto ou longo prazo.

Imagine-se que em terra os controladores de uma missão espacial tripulada entravam em greve, provocando a morte dos tripulantes de uma nave. Cairia e Carmo e a Trindade. Pois é isso que os médicos fazem regularmente.

Não é, já agora, razoável que se entre em greve às 6as ou às 2as feiras, parecendo que se está a “comprar” um fim de semana prolongado.

Não é razoável que grupos profissionais cuja entrada em greve afecta directa e substancialmente centenas de milhar de pessoas (transportes) entrem em greve de forma repetida e sistemática por terem a capacidade, pela sua própria natureza, de provocar monstruosos estragos. Aliás, do ponto de vista sindical é contraproducente porque leva à percepção dos restantes trabalhadores, da inviabilidade das suas próprias greves por não terem possibilidade de produzir idênticos estragos. Daí ao desinteresse à sindicalização, vai um passo.

Parece cada vez mais que os sindicatos estão a perder o pé e que cada vez mais delineiam estratégias de defesa das regalias de determinadas profissões em detrimento das outras. Conviria talvez que os sindicatos avaliassem estratégias comuns e defensoras da globalidade dos trabalhadores e não só de alguns, de outra forma o movimento sindical no âmbito da generalidade da sociedade está condenado.

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Ana Gomes - Conselho de Segurança III e referendo francês: «Ignore Germany. Affirm EU»



Diz Ana Gomes (a azul):
Se os actuais líderes políticos europeus ainda liderassem alguma coisa, deveriam, face à adversidade dos resultados do referendo francês (e possivelmente do holandês), estar agora a esforçar as meninges congeminando medidas que transmitissem rapidamente ao resto do mundo e a todos os cidadãos europeus (franceses incluídos) sinais políticos claros de que há Europa para além do referendo em França (e Holanda)
Pois podia. Mas como se conseguiria isso se se andou a dizer (Ana Gomes inclusive) que sem o avanço rumo a uma Europa política (sim ao referendo) não poderia haver Europa?
Deviam estar a preparar-se para fazer a UE avançar, mesmo sem a Constituição ratificada pelos restantes países (mas no sentido que a Constituição prevê). Para fazer a Europa intervir mais decisivamente no controlo da globalização.
O que Ana Gomes defende, é que nas próximas legislativas, caso os resultados iniciais indiquem uma derrota do partido no governo, se suspenda a contagem da votação, se queimem os votos e se permita que o governo continue em exercício prosseguindo a política que vinha exercendo. Mais salazarista não pode ser.

A Ana Gomes está obcecada pelo controlo da globalização. Suponho que ande a ler demasiada ficção científica e se passou para aquelas paragens.
No final de contas, não foi essa a poderosíssima mensagem que os eleitores franceses quiseram passar à liderança política europeia? que a Europa não pode continuar a ver passar os tsunamis das deslocalizações selvagens, sem mexer um dedo para regular a globalização?
… e ela a dar-lhe …
Não se trata de enfrentar a globalização numa perspectiva defensiva, nacionalista e proteccionista, como sugeriu a propaganda xenófoba e amedrontante dos defensores do NÃO em Franca. Mas de agir no quadro da Estratégia de Lisboa, apostando na competitividade e crescimento da economia europeia e na projecção mundial de uma Política Externa e de Segurança Comum (política comercial e política de ajuda ao desenvolvimento incluídas) realmente coerente e eficaz, todos os azimutes.
Gambuzinos, gambuzinos, gambuzinos …
Isso deveria traduzir-se em decisões ousadas no próximo Conselho Europeu de Junho. Por exemplo,
1- antecipar a entrada em vigor da previsão do Tratado Constitucional de conferir personalidade jurídica à União Europeia;
2- acelerar a constituição do Serviço de Acção Externa ? o serviço diplomático comum que deverá apoiar o MNE europeu previsto na Constituição;
3- anunciar a entrada em campo antecipada do MNE europeu;
4- anunciar a decisão de pedir um lugar, com todos os atributos inerentes, de membro permanente do Conselho de Segurança da ONU para a União Europeia. (o que implicaria a desistência de qualquer candidatura nacional; mas não, nesta fase, o afastamento dos membros da UE que já lá estão como P5, França e Reino Unido; nem o abandono de candidaturas nacionais a lugares não-permanentes).
Numa palavra, constituir uma Europa à medida de Ana Gomes. Ela só não explica se seria, ou não, anunciado, que essa Europa teria ainda um problemazito a resolver: estar cheia de europeus (?) que nada teriam a ver com o assunto. O que Ana Gomes quer é arrastar a Europa para a sua (de Ana Gomes) guerra à globalização, nos moldes de Oliveira Salazar: à revelia dos europeus e “rapidamente e em força”.

Viva o planeta dos gambozinos.

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Ana Gomes - Conselho de Segurança II: «Ignore Europe»



A azul o texto original de Ana Gomes.
Comiserável é a reacção alemã a esta posição americana.

O Embaixador da Alemanha em Washington, Wolfgang Ischinger, veio dizer, segundo a mesma notícia do «Washington Post», que a proposta que a Alemanha apresenta nas NU para reforma do Conselho de Segurança ?reduz substancialmente a representação da Europa no CS, de 33% para 20%?. "O ponto é que a nossa proposta de reforma não aumentará, mas diminuirá o peso relativo da Europa", disse Ischinger.

Uma reforma que não contempla um lugar de membro permanente para a UE e que reduz o peso relativo da Europa no Conselho de Segurança?

Então porque razão haveremos nós, europeus, de querer a reforma proposta pelos alemães?
Com parceiros desta massa, quem precisa da Sra. Arroz?
O Conselho de Segurança tem dois membros permanentes europeus: a França e a Inglaterra. Se a Europa (?) se quer apresentar como uma entidade política coerente (integrando França e Inglaterra), que sentido faria que França e Inglaterra continuassem a ser membros?

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Ana Gomes - Conselho de Segurança I : "Ignore Germany"



Mais uma tirada divinal de Ana Gomes. A azul, o seu texto original.
Ora aí está! A retaliação pelo não apoio à guerra do Iraque.
Faz sentido que haja retaliação. Basta perceber isto.
Em 1993, quando o Tratado de Maastricht introduziu a noção de Política Externa Comum da UE, os EUA apressaram-se a dar o seu apoio, velado embora, à entrada da Alemanha como membro permanente do Conselho de Segurança da ONU. Dividir para reinar. Quanto mais dividida a Europa, melhor.
Que há de especial nisso? Não é que faz qualquer governo do mundo em circunstâncias idênticas? A única excepção que me ocorre é o caso da Europa, que quer reinar dividindo-se a ela própria, e depois amua porque a coisa não surte efeito.
A repartição de custos de funcionamento das NU também aconselhava tal apoio, pois a Alemanha estava disposta a pagar mais e os EUA tinham então uma dívida considerável às NU.
Registe-se que Ana Gomes concorda que deve poder aceder-se ao poder desde que se possa pagar. Tráfico de influências?
Mas em 2000, a Administração Clinton conseguiu resolver o problema da dívida às Naçoes Unidas.
Depois veio a guerra do Iraque em 2003. A Alemanha não apoiou a Admnistração Bush na guerra. E os EUA fizeram finalmente saber, segundo o «Washington Post» de 19/5/05, que afinal já não apoiam a pretensão da Alemanha a membro permanente do CS. Justificação da Sra. Rice: ?Em muitos aspectos a UE tem agora uma política externa comum. Facto que precisa de ser levado em conta no Conselho de Segurança?. ?Por isso há poucos motivos para dar a um outro membro da UE um lugar de membro permanente?.
A Ana Gomes parece razoável que a Europa (?) anuncie ao mundo que vai a caminho de ter uma política externa comum e que os Estados Unidos façam de conta que não se apercebem disso.
A consequência a tirar seria os EUA passarem a apoiar um lugar de membro permanente para a UE.
Apoiar mesmo antes dela existir enquanto entidade política? Ana Gomes queria um cheque em branco? Ana Gomes não percebe que os Estados Unidos querem primeiro perceber em que moldes se fará a entidade política?
Mas a Srª Arroz não vai tão longe. A sua intenção parece ser mais a de ignorar a pretensão alemã, do que reconhecer a necessidade de um lugar para a UE no Conselho de Segurança.
Eu diria que o anúncio de que a Europa vai a caminho de se transformar numa entidade política mata, por si só e pela sua (da Europa) própria mão, as pretensões da Alemanha.
Afinal, foi à Sra. Arroz que se atribuiu a máxima, depois da intervenção unilateral no Iraque:«Forgive Russia, ignore Germany, punish France».
Parece ser uma consequência lógica do comportamento recente desses três países. Se fosse ao contrário, seria exactamente isso que a Europa (?) faria.

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Ana Gomes - Europa a menos: o remédio é mais Europa



Este irado desabafo de Ana Gomes é um exemplo daquilo que suponho fundamentar o NÃO ao tratado.

O título é sugestivo: “Europa a menos: o remédio é mais Europa”. Resolver o problema com a técnica do salto em frente. Está a morrer? Dá-lhe mais.

A azul, a excitação original.
Mais uma vez, constato que são os optimistas como eu que levam com baldes de água fria... Andei por França, nos debates pelo OUI de 23 a 26 deste mês. E quis convencer-me que a inteligência, o bom-senso, o pragmatismo, o europeismo, o sentido da História dos franceses acabariam por vencer.

Enganei-me: levaram a melhor a vingança primária, o soberanismo barato, a xenofobia e o medo, instilados pela propaganda demagógica e populista de uma sórdida aliança entre a extrema-direita anti-europeista de Le Pen/de Villiers e de dirigentes que se dizem de esquerda e «pró-europeus».
Pois é por causa dos optimismos que as coisas rebentam com uma frequência preocupante. Optimismo, ao estilo Ana Gomes, significa fazer de conta que os problemas não existem, que uma fé baseada sabe-se-lá-em-quê garantirá o sucesso da coisa. Optimismo ao estilo Ana Gomes, significa simplesmente ficar ao alcance do coice, que aliás se deu, alto e bom som.

A Ana Gomes andou por França, supõe-se que a espalhar optimismo. Pois claro.

Vejamos, em pormenor, do que ela se convenceu e andou por lá andou a “debater”:
- Inteligência - todos os que votassem não, eram estúpidos
- Bom senso - todos os que votassem não, eram irresponsáveis
- Pragmatismo - dir-se-ia, coisa de Bush. Supunha que a Ana Gomes daria mais atenção à moral que ao pragmatismo (se calhar já encetou o caminho de conversão)
- Europeismo - percebe-se que os europeus que votassem não, eram não-europeus. Talvez Ana Gomes esteja a pensar utilizar as “técnicas” de Mao Tse-tung, mandando-os fuzilar.
- Sentido da História - dir-se-ia que a votação apontou o sentido para onde a História terá que apontar: história nada tem a ver com o que vai na cabeça de Ana Gomes.

Vejamos o que ela pensa do resultado:
- Vingança primária - os franceses quiseram vingar-se, primariamente, de alguém – não se percebe de quem – talvez de George Bush.
- Soberanismo barato - muito embora o mais provável é que qualquer deles se trate, simplesmente, de um conceito gambuzino, o soberanismo caro, sofisticado, é aquele que Ana Gomes defende.
- Xenofobia - aquilo em que os europeus, mesmo nos seus mais multilateralistas unilateralismos não se distinguem dos outros povos, incluindo o Norte Americano. Ana Gomes parece ter agora descoberto isso (se calhar é pedir muito).
- Medo - papão.

Depois, Ana Gomes fala em propaganda demagógica (agitprop?), populista, sórdidas alianças, etc, etc, coisas que já não me apetece comentar porque estou a ficar enjoado. De qualquer forma, se o SIM tivesse ganho, seria pelas razões contrárias às que ela invoca.
A maioria dos franceses não conseguiu ver a floresta, encalhou na árvore - seja ela a raiva a Chirac e o seu rafareiro governo (por quem essa mesma maioria antes havia votado e por isso agora paga a factura, como a gente está a pagar pelo que o Barroso nos deixou em herança...); ou o emprego perdido ou em risco de ser levado pelas vagas das deslocalizações selvagens.
A derrota tem destas coisas, às vezes bate-se com os chifres onde não se quer. Raiva a Chirac (como é possível, um insigne multilateralista?), ao seu rafareiro governo (como os trocadalhos de Ana Gomes são viris!) e pelo emprego perdido à custa das deslocalizações selvagens (não foram selvagens quando se deslocalizaram para França deixando no desemprego os trabalhadores dos locais de onde nessa altura saíram, ou para onde nunca chegaram a ir).
Só que, tragicamente, com o NON, os franceses nem varrem Chirac, nem amainam a ondulação alterosa da globalização. Nos próximos anos, espera-os mais do mesmo... ou pior...
Os franceses são o eixo do mal.

Veja-se que passa pela cabeça de Ana Gomes que a suprema missão da Europa no sistema Solar é a de amainar a globalização. Como se a globalização não fosse um processo de cariz caótico, sem centros de decisão, e da qual o país mais populoso do planeta, a China, manobra magistralmente.

A estas pertenças intenções bonançosas, os chineses não têm perdido mais do que o tempo suficiente para dizer “Up yours”.
Com um SIM à Constituição, seguir-se-ia derrotar a direita em 2007 e mandatar quem ganhasse para trabalhar por uma Europa mais integrada, mais forte e mais eficaz a contribuir para regular a globalização.
IoooooI. Isto parece um discurso do Averel (Lucky Luke) ou do Obelix (talvez mais este último, porque o outro é bushista).

Regular a globalização … e ela a dar-lhe. Se os franceses tiverem dois dedos de testa (o que parece confirmar-se) perceberão que Ana Gomes os alicia para a cura do cancro através de extracto de sumo de teia-de-aranha.
Era uma avenida que se lhes abria - poderia percorrer-se com os vagares e labores necessários para arranjar os canteiros e até retemperar numa esplanada.... Com um NÃO - ficam com um beco em Nice... e provavelmente ver-se-ão obrigados a reduzir a horta lá instalada (pois poderá lá perder-se a oportunidade de dar a machadada que há muito se impunha na iníqua PAC?).
Aqui entramos no discurso ao sabor de Sharon … terra prometida, paraíso … A referência a “beco” deve ter a ver com a Faixa de Gaza.
Levei o murro do resultado há uma hora e meia, acabada de aterrar em Bruxelas de uma Assembleia Parlamentar da NATO em Liubliana, onde integrei a delegação do PE. Durante os últimos dois dias, inúmeras foram as referências «esperançosas» nos resultados do referendo em França que ouvi a «atlanticistas» de diferentes matizes e níveis de sofisticação.
Pois claro. Ana Gomes e o seu clube de iluminados, Com aqueles que acham que o mundo está em suspenso até que a Europa se lhe apresente, com a constituição aprovada, debaixo do braço, para lhe dizer como finalmente se vai domesticar a globalização. Já agora, se Ana Gomes quer saber como consegue um país relativamente pequeno enfrentar a globalização e dela tirar partido, sem constituição europeia e não pertencendo ao clube dos iluminados, pergunte a Tatcher e Blair. Eles explicam.
Escrevo a quente e provavelmente não devia. Mas, confesso, o que mais me enoja é a rapaziada fabiusista, que seguiu carneiramente o chefe esfomeado de projecção presidenciável e para isso violou as mais elementares regras do jogo democrático, ao ir contra o resultado do referendo interno do PSF. Alguns deles/delas, meus colegas no Grupo socialista no PE, que até votaram a favor da Constituição na Convenção! Qual será a cara dessa gente, quando os/as encontrar depois de amanhã em Tallin, onde o Grupo vai reunir ? É que eles sabem bem que o resultado para que contribuiram arreganha sorrisos escarninhos em Washington e Pequim e suspiros de alivio e desforço em Londres.
Será que nem assim Ana Gomes percebe que os europeus se estão absolutamente nas tintas para a Europa? Que esta coisa de “europeus” não passa da forma de designar os mânfios que habitam a zona geográfica a que se chama Europa? Será que Ana Gomes não percebe que qualquer assunto do país de origem de um qualquer europeu, por mais comezinho que seja, é mais importante do que os planos da pólvora que um grupo de iluminados andam a parir?
Valha-me o meu habitual optimismo - descarregar isto, já mo começa a devolver! De qualquer mal se pode extrair algum bem.... Ele há Europa para além do referendo em França. Venha o nosso! Só o prazer de discutir a UE com os portugueses, como apesar de tudo os franceses discutiram, já faz o exercício valer a pena. É que não pode mesmo haver mais Europa sem ganhar para ela os europeus!
Que descarregue, e que não se esqueça de puxar o autoclismo. Quanto ao sucesso (na óptica dela) do referendo em Portugal, talvez resulte se Ana Gomes for vender a pescada dela, para os polos, aos pinguins.

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17/06/2005

Suborno multilateralista



Não posso deixar passar em claro mais um exemplo da dualidade de critérios da esquerda portuguesa (pelo menos).

Ficou-se a saber que membros do gabinete de Lula da Silva subornam deputados do Congresso brasileiro.

Se o caso se tivesse dado com a administração norte americana não faltaria. E quer a esquerda que o Brasil passe a ser membro permanente do Conselho de Segurança da ONU …

Também ali, usando palavras da esquerda, “é tudo uma questão de dinheiro”.

A propósito: ainda alguém se lembra deste outro muro?

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Missão a Plutão chega, para testes, à NASA



Sumário – (13 de Junho de 2005).

À excepção de Plutão, todos os planetas do nosso sistema solar foram já visitados.

A sonda que completará o conjunto de visitas, New Horizons (Novos Horizontes), chegou ao Centro Espacial Goddard, da NASA, para testes pré-voo.

Se tudo correr bem, a New Horizons será lançada por um foguetão Atlas 5, da Lockheed Martin, em Janeiro de 2006, e chegará a Plutão e à sua lua Charon em 2015.

A sonda ficará no centro Goddard durante três meses para que os técnicos a possam fazer passar por uma série de testes de forma a certificarem-se de que está em condições de viajar num foguetão.

Artigo completo (em inglês) aqui.

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16/06/2005

Noites +

Mais uma vigarice das almas da PT.

A PT enviou-me esta bela prosa:


Por ela fiquei a saber que os querubins da PT me estava a impingir um serviço que não tinha contratado (venda forçada).

Ligando para lá, fui informado de que aquilo era tudo para meu bem, que se no fim não quisesse a “oferecida” felicidade podia desistir. Mas sou também informado de que teria que ser eu a dar esse passo, pelo que só pude concluir que me estavam, de facto, a impingir qualquer coisa.

Perante a minha fúria, a alma esclarece (ou inventa), que afinal haveria um contacto final: alguém daquele paraíso me telefonaria para obter uma confirmação final de adesão ao serviço. Perante a minha insistência em saber o que aconteceria nos vários cenários possíveis, sou informado que, se não conseguissem falar comigo (dando de barato que alguma vez tentariam), me viriam a debitar aquilo que nunca teria encomendado.

Estava eu a trepar pelas paredes quando a alminha com quem falava se voluntaria para me retirar a “oferta”. Concordei.

Passados uns dias recebo esta outra missiva:


O problema é então do computador … e demoraram 15 dias a perceber isso. Claro que nunca recebi qualquer postal.

Diz então a PT que a carta inicial pretendia relembrar a oferta, mas … dando simultaneamente conta de que a PT tinha registado a activação. Se tinham registado a activação (pressupondo-se que o cliente a tinha aceite na sequência do envio do postal) não podia deixar de ser absurdo relembrar a oferta, porque teria já implicitamente sido aceite.

Entretanto, enquanto telefonicamente lhes cascava, nunca me falaram do famigerado postal – pois claro.

Tudo não passou de mais uma aldrabice semelhante à da taxa de activação, seguida de uma tosca tentativa de encapotamento.

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Ode à Lazeira


O Chico Malhado e o Baltazar Pintado

De corpinho estiraçado
debaixo de uma figueira
Estava o Chico Malhado
mais o Baltazar Pintado
dois campeões da lazeira

O Malhado a bocejar
passando a mão pelo rosto
perguntou, Ó Baltazar
quem gosta de trabalhar
não achas que tem mau gosto??

Camarada mandrião
diz o outro com ripanço
Tens muita muita razão
Sou da tua opinião
Bendito seja o descanso!!...

Trago um projecto na mente
um engenho mui perfeito
carrega-se unicamente
num botão e de repente,
aparece tudo feito

Diz o Malhado, isso amigo
é uma grande invenção
mas escuta bem o que te digo
não deves contar comigo
para carregar no botão!!

Autor desconhecido

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15/06/2005

Pausas … à Oliveira Salazar


Em relação à realização do referendo sobre a Constituição Europeia, o Governo, pela boca de Freitas do Amaral (que acusa a administração norte americana de estar cheia de trastes de pendor nazi), admite fazer uma “pausa para reflexão”.

Durão Barroso, Presidente da Comissão Europeia, admite que, perante a “propagação*” das votações a favor do não (França e Holanda), se suspendam, até melhores dias, os restantes referendos.

Fica-se a saber que na Europa só se fazem referendos quando os resultados sejam favoráveis às visões das classes dirigentes. Vão-se fazendo sondagens, e quando previrem a vitória aos pontos de vista dos iluminados, … vota-se.

Porque não se simplificam as coisas imprimindo nos votos referendários exclusivamente os “sins” ou os nãos” que as luminárias achem ser as escolhas correctas?

Oliveira Salazar era mestre em criar as condições necessárias a que as votações resultassem no que muito bem entendesse …

Nota: Suponho que ele tenha dito “contaminação” (ouvi na rádio enquanto conduzia), mas só encontro referências a “propagação” – talvez a memória me esteja a trair. Esta correcção foi feita posteriormente à publicação deste artigo.

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A Supernova que não deixou qualquer núcleo


Sumário – (6 de Junho de 2005) Quando a supernova 1987A estoirou na Grande Nuvem de Magalhães, era a mais próxima supernova em mais de 300 anos, e era uma boa oportunidade de estudar de perto uma destas raras ocorrências.

No centro do anel de detritos em expansão devia ter-se formado uma estrela de neutrões ou um buraco negro, mas até agora ninguém os conseguiu encontrar.

Pode lá estar uma estrela de neutrões, mas nesse caso nem emite qualquer radiação nem suga, dos seus arredores, qualquer material, não podendo, portanto, ser vista ou detectada. Se a estrela de neutrões tivesse, por ano, pelo menos, uma taxa de acreção de 1/5 da massa lunar, deveria ser possível detectá-la.

Desenvolvimento, (em inglês) aqui.

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14/06/2005

Morreu Eugénio de Andrade


Eugénio de Andrade (1923 - 2005).

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As galinhas pós-modernas


Em "O Acidental".

Bem esgalhado.

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Coerência


A morte de Álvaro Cunhal tem provocado comentários chamando a atenção, salvo raras excepções, para o facto de ter sido um dirigente que teria marcado a segunda metade do século XX.

Parece implícito, pelo menos pela falta de nota contrária, que o facto de ter marcado os tais 50, será, por si próprio, um factor positivo.

A verdade é que uma boa colecção de facínoras, igualmente corentes e teimosos, marcaram o século XX, e, salvo raras excepções (cabeças rapadas, por exemplo, e outros afins), não lhes são feitas homenagens de nota.

Simplificando, coerência - especialmente acompanhada de teimosia - não são, por si só, necessariamente, uma coisa boa. É preciso analisar o sentido e as consequências dessas teimosia e coerência.

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Já saíram todos

António Perez Metelo escreve no DN de 16 de Junho:
Mau começo

"Vão-se embora, já saíram todos!"

O conflito sino-soviético motivou confrontos políticos e ideológicos tremendos entre comunistas e maoístas dentro do campo antifascista.

Um ódio intenso foi cavando uma rivalidade belicosa entre essas duas correntes políticas. Para os "marxistas-leninistas", os militantes do PCP eram "cunhalistas" ou "revisionistas". Aos olhos destes, os membros dos grupos "m-l" não passavam de "esquerdistas, provocadores".

No Forte de Peniche chegou mesmo a passar-se do insulto verbal a confrontos físicos no início dos anos setenta. Quando lá entrei, em Março de 1974, já os dois colectivos estavam separados em pisos incomunicáveis entre si. Chegada a hora da libertação, os presos do colectivo maoísta recusaram-se a ir saindo sem os camaradas que o general Spínola queria manter encarcerados por terem cometido delitos de sangue. Enquanto decorriam as negociações com advogados para resolver o impasse, os presos do PCP foram saindo ao longo da tarde e da noite de 26 de Abril.

Quando, finalmente, todos os presos maoístas passaram o portão exterior do Forte às três da manhã de dia 27, qual não foi o espanto quando ouvimos da boca das nossas famílias o que se passara horas antes. Ao completar a libertação dos seus presos, quadros do PCP disseram aos populares de Peniche, concentrados à saída da prisão, para irem para casa, pois lá dentro já não estava mais ninguém.

O sectarismo cego e obtuso tomou o freio nos dentes ao longo dos meses seguintes, mas veio logo ao de cima quando a liberdade dava os primeiros passos.

António Perez Metelo
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Sítio do Não

Blog fundamental.

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08/06/2005

Carrilho e Jardim


Em campanha eleitorais, Alberto João Jardim expõe-se em preparos bizarros de cantorias de Bailinho da Madeira.

Manuel Maria Carrilho explora esposa e filho, exibindo-os.

Só o embrulho parece diferente – a autenticidade só a Jardim pertence.

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O fenómeno Freitas do Amaral continua …

Freitas do Amaral opinou duplamente. Ficámos a saber que, enquanto membro do governo, tem determinada posição sobre o referendo ao tratado. Que pessoalmente tem (em simultâneo) a posição contrária em relação ao mesmo assunto.

Parece que Freitas do Amaral supõe que nos interessa saber o que ele pensa enquanto cidadão. É curioso que ele não opine, sobre o mesmo assunto, enquanto professor universitário, assessor jurídico, ex funcionário da ONU, ex dirigente político, etc, etc. Seria interessante saber de que lado ele estaria em cada uma dessas qualidades. Será que assumiria posições incompatíveis umas com as outras, com toda a naturalidade?

Ou será que ele não destingue, de todo, entre a sua pessoa e o lugar que ocupa?

Já agora lembram-se de quando ele de altercou com o PSD (ou vice-versa) por causa de ter congeminado um parecer jurídico contrário aos interesses de quem o nomeou para a Caixa Geral de Depósitos (o governo)? A mania de defender, em simultâneo, algo, e o seu contrario, já vem de longe.

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01/06/2005

Gato Fedorento

A quem possa interessar, declaro que não tenho, por três razões, pachorra para aturar o Gato Fedorento:

1 - É chato como a potassa (nome dado comercialmente a todas as variedades de carbonatos de potássio impuros)

2 - Porque me parece ser politicamente correcto gostar dele

3 - A maioria das pessoas que encontro, e gostam dele, gostam também de Fahrenheit 9/11

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A derrocada da Europa

A ler, no Público de hoje (Quarta-feira, 1 de Junh de 2005), o artigo do General Loureiro dos Santos sobre o cenário em que a Europa se encontra (e como lá foi parar, e por quem) face aos chumbos da famigerada "constituição".

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24/05/2005

Nova forma de escravatura?



Quando falo com alguém que trabalha para o estado a recibos verdes ou a contracto, vou ouvido, frequentemente, algo preocupante:
1.
“Os gajos do quadro não fazem nada. Nós, os recibos verdes, é que temos que fazer o trabalho todo sozinhos. “

2.
“Nós fazemos o trabalho todo. Os gajos do quadro só jogam ao computador ou curtem os chats. E se nós reclamamos os gajos põem em causa a nossa renovação do contracto.”

3.
“Nem os gajos que entraram recentemente para o quadro se lembram pelo que passaram quando também estavam a contracto. Assim que se apanharam no quadro desataram a fazer como os que já lá estavam.”

4.
“Trabalhamos horas e mais horas para fazer o nosso e o trabalho dos gajos do quadro, que, ainda por cima, entram e saem quando querem e lhes apetece. Não têm consideração nenhuma por nós.”
Será que se está a formar uma forma bizarra de sociedade por classes dentro dos serviços estatais? Será que o mesmo se passa nas empresas privadas?

Qual a relação numérica (real) entre funcionários do quadro e contratados, na função pública?

Qual o desempenho dos funcionários do quadro em relação ao dos funcionários contratados?

Qual a posição dos sindicatos nesta matéria? Será que estão a defender a classe dominante (ou escravizante)? Será que defendem o fim dos contractos a prazo como forma de aumentar a sua base de suporte e dinamizar novas contratações (temporárias (?)) para que o trabalho possa aparecer feito?

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Eles mentem, eles perdem

Andou por aí uma máxima que rezava assim:


"Eles mentem, eles perdem"

Olhando quem tem ganho e quem tem perdido, percebe-se quem tem mentido.


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Bizarria …

Por volta das 8 da noite de 22 de Maio, algo de bizarro se passou na área onde moro. Os meus vizinhos guincharam como se um porco estivesse a ser morto …

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Algo melhora, enfim

Tentando contrariar o que todos sentimos, que tudo vai mal, sinto que algo melhorou em Portugal nos últimos tempos.

1.
Parece-me ter-se reduzido substancialmente a subserviência dos meios e do poder político à comunicação social.

Tudo terá começado com José Sócrates remetendo os jornalistas presentes à tomada de posse do governo para um comunicado distribuído em simultâneo às respectivas redacções.

Posteriormente o mesmo Sócrates tornou claro que diz o que tem a dizer e não lhe compete comentar o que os jornalistas entendem que ele deve comentar.

2.
Marques Mendes parece ter percebido que, independentemente de estar na oposição, continua a ser português e nesse sentido deve zelar pelo interesse de todos, evitando a velha política de bota abaixo típica das nossas oposições (todas, não interessa em que circunstância).

Também as lideranças do CDS e PCP parecem ter melhorado de qualidade, mais tangencialmente no último caso que, de qualquer forma, continua muito abaixo da linha de água.

A única excepção continua a ser o Bloco de Esquerda, que continua tão catastrófico como anteriormente (o que, de qualquer forma é pouco relevante).

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Universidades todas iguais, todas más



Escreve José A. Ferreira Machado no DN de 23 de Maio de 2005:
Poucas instituições têm sido tão devastadas pela demagogia igualitária como as de ensino superior. "Gestão democrática", "excelência para todos" ou "acesso generalizado ao mestrado" são bandeiras sempre desfraldadas em qualquer discussão sobre os problemas do ensino superior.

A demagogia igualitária assenta em três pressupostos o de que os estudantes são todos iguais; o de que os professores são todos iguais; e o de que as instituições são todas iguais. Sendo os estudantes todos iguais, há que assegurar que todos se licenciam, concluem mestrados e, porque não, doutoramentos, independentemente de aptidões ou preferências. Como os professores são todos iguais, devem ser promovidos por antiguidade e auferir idênticas remunerações, independentemente da qualidade pedagógica ou científica e da área de conhecimento. Sendo as instituições iguais ou, não o sendo ainda, tendo igual potencial para o vir a ser, devem ser todas financiadas pela mesma bitola, independentemente da qualidade, procura dos seus serviços ou adequação dos cursos que oferecem.

Assim se perdem os melhores professores e investigadores para o estrangeiro ou para as empresas, se penalizam as melhores escolas, se debilitam as mais expostas à concorrência internacional e, enfim, se impedem os melhores estudantes de acederem a um genuíno ensino de qualidade e ajustado às necessidades da economia. Em síntese, assim perde Portugal as suas elites.

2. Vêm estas reflexões a propósito de recentes declarações do ministro da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior sobre o financiamento do 2.º ciclo do ensino superior (mestrados), que surgirá com a implementação do acordo de Bolonha. Aparentemente, as propinas dos novos mestrados não serão definidas livremente pelas instituições (como acontece com os já existentes) mas, antes, fixadas centralmente pelo ministério em montantes sensivelmente idênticos aos das actuais propinas das licenciaturas. A ideia declarada é, através de um controlo de preços a um nível baixo, generalizar a frequência dos mestrados, abrindo-os a novos públicos, nomeadamente aos estudantes-trabalhadores adultos que se desejem qualificar.

Este modo de conceber o ensino superior constitui a manifestação mais recente da ideologia igualitária. Conduzirá ao desperdício da oportunidade aberta pelo processo de Bolonha de acentuar a diversidade no ensino, de criar algumas (necessariamente poucas) instituições de nível internacional e de adaptar o sistema de ensino às reais necessidades do País. No processo, transformará todo o ensino superior num gigantesco sistema de formação profissional.

O culto da massificação patenteado é um bom exemplo da abordagem "se uma aspirina faz bem, cinco fazem melhor" como qualquer país precisa de licenciados, mestres e doutores, então quantos mais existirem melhor. Mas, na realidade, não existe qualquer relação de causa-efeito comprovada entre o número de mestres (ou, mesmo, despesa com o ensino superior) e uma maior produtividade ou riqueza. Os gastos relativos de Portugal com o ensino superior são da ordem de grandeza dos da Alemanha, Reino Unido ou Japão, que, obviamente, apresentam superiores níveis de prosperidade.

3. Qual deve ser o papel do ensino superior? Antes de tudo, preparar os estudantes para a vida profissional. Não no sentido estreito de um programa de formação mas antes ensiná-los a explorar e a adaptarem-se. Deve identificar talentos e dar-lhes uma formação simultaneamente teórica e aplicada que responda às necessidades da economia.

É por possibilitar o correcto ajustamento entre as necessidades da economia (e oportunidades de emprego), as escolhas dos estudantes e a oferta de cursos pelas escolas, que a questão das propinas é fulcral.

As instituições de ensino superior devem poder fixar livremente as propinas de todos os cursos que oferecem (quer licenciatura quer mestrado). Para garantir um acesso independente do rendimento familiar, o Estado deve promover a criação de uma sistema de empréstimos aos estudantes, que começarão a ser pagos uma vez concluídos os estudos. A obrigação de reembolso do empréstimo levará a uma maior aplicação nos estudos (e à edução do insucesso escolar) mas, acima de tudo, reduzirá os incentivos à escolha de especialidades que conduzam ao desemprego. Os estudantes serão, muito naturalmente, levados a procurar, e as escolas a oferecer, as especialidades mais ajustadas às necessidades da economia.

Um sistema que descentralize o financiamento e a decisão criará ainda incentivos para que as instituições se especializem em diferentes nichos de tipo qualidade-preço dos serviços que oferecem. Por exemplo, alguma instituições poderão escolher oferecer um ensino profissionalizante, de massas e a baixo preço, enquanto outras poderão escolher ser uma boutique, oferecendo um ensino generalista, caro e para pequenos números.

4. Pretender aplicar regras idênticas e centralmente definidas conduz a um ensino nacionalizado e uniforme. Tal será prestar um mau serviço aos estudantes e ao País. Tendo as instituições, tal como os estudantes, ambições e capacidades distintas, o nivelamento só pode acontecer na mediocridade.

É tempo de recuperar a máxima maoísta "que mil escolas floresçam e que mil flores desabrochem". Para o conseguir, e aqui o velho Mao Tsé-Tung dará uma volta no túmulo, basta deixar que, também no ensino superior, o sistema de preços funcione.
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20/05/2005

Mancha solar gigante


Uma mancha solar gigante emerge entre 10 e 14 de Janeiro de 2005. Créditos: SOHO.

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Robots procurarão depósitos de água lunares


Sumário – (29 de Abril de 2005) Antes de haver novas pegadas humanas na Lua, robots terão já feito à superfície o trabalho de busca de fontes de água gelada que poderão ser usadas como combustível, como fontes de ar ou utilizadas no crescimento de plantas.

O primeiro a ser lançado será o Lunar Reconnaissance Orbiter (Orbitador de Reconhecimento Lunar), agendado para 2008.

Transportará 6 instrumentos diferentes e mapeará a superfície lunar em grande pormenor.

A partir dessa altura uma nova missão será lançada por ano, até que o homem chegue [de novo] à Lua, espera-se que até 2020.

Desenvolvimento (em inglês).

19/05/2005

Ana Gomes e o Arroz Malandro


Ana Gomes voltou à carga, desta vez disparando para Condoleezza Rice, referindo-se a ela como Sra Arroz.

Podia ter-se referido a ela como Sra Arroz Doce: Condoleezza significa mais ou menos “com doçura”. Arroz doce, portanto.

A má fé de Ana Gomes volta a estar patente.

Diz Ana Gomes que a visita de Rice foi apara consumo interno americano (norte americano, supõe-se – não parece provável que Ana Gomes se esteja a referir à América do Sul).

Bom, para consumo europeu não seria certamente, porque a Europa nestas matérias nada risca. Tenta riscar se lhe cheirar a proventos económicos, mas só nesse caso e só se daí não puderem vir a ocorrer baixas próprias. Os asiáticos têm mais em que pensar, os africanos têm pouca margem para pensar, etc,. Talvez não seja o caso do Médio Oriente, do Iraque e, evidentemente, dos Estados Unidos da América.

A viagem seria para consumo interno dos EUA, mas Ana Gomes esqueceu-se de referir os encontros com os dirigentes iraquianos. Talvez suponha que façam parte da administração dos EUA ou prefira fazer de conta que não existem.

Ignora em absoluto (agora como antes) o sofrimento do povo iraquiano – para ela o Iraque só existe na medida em que é fonte do martírio dos norte americanos, gáudio de Ana Gomes.

Ana Gomes preocupa-se com razões que “consolem a América” mas, mais uma vez, ignora a necessidade de consolo dos iraquianos. Já agora há que notar que, em matéria de consolo, não será a multilateralista Europa (só a pacifista) a consolar os iraquianos, porque nem sequer apoio moral deu à sua libertação.

A má fé de Ana Gomes vai mais longe. Suponho, aliás, que já não se tratará de má fé, mas pior, muito pior – e não é só malandrice (arrozeira ou de bacalhau com todos).

Ana Gomes sabe certamente que, no Iraque, há um problema de falta de eficácia do exército iraquiano, anda em consolidação e sabe porquê.

Ana Gomes sabe que esse exército está ainda numa fase algo incipiente, e sabe que, nessa fase, assumir um combate directo e arriscado aos terroristas (que ela não nomeia mas a que também não tem a coragem de chamar patriotas) na presença de um exército norte americano bem organizado, corajoso e eficaz (coisa com que certamente não concorda - mas é um problema dela), leva facilmente os soldados iraquianos a uma inércia que, se por um lado não abona muito em favor das teses patrióticas defendidas por muitos (Ana Gomes inclusivé), por outro lhes salva a pele – coisa pouco displicente para eles, como para os europeus pacifistas e multilateralistas. Ana Gomes sabe tudo isto, mas faz de conta que não sabe, preferindo tentar o golpe baixo, envenenando arroz.

Ana Gomes percebe evidentemente que Condoleezza Rice está a pressionar as autoridades iraquianas (e indirectamente o exército iraquiano) no sentido de que assumam o controlo do território que permita a desocupação (coisa que Ana Gomes agora parece não desejar – porque as mortes de americanos lhe vão alimentando o ego).

Talvez devesse aprender o que é frontalidade – George Bush é exemplo suficiente para valorizar Ana Gomes - caso ela seja capaz de o perceber (já se sabe que não é porque … blá, blá, blá).

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Adriano Moreira - Os custos da vitória


Adriano Moreira é um dos comentadores de assuntos internacionais que mais respeito.

Crítico contundente da administração Bush, vai deixando, de cada vez que aborda a questão da guerra no Iraque, pistas no sentido da crítica paralela à política europeia, nomeadamente no que respeita ao “multilateralismo”.

No DN de 17 de Maio de 2005, uma frase de Adriano Moreira é particularmente clara:
Não é razoável imaginar que ao eventual unilateralismo de intervenções discutíveis se pode responder com um multilateralismo de abstenções.
Caso o referido artigo deixe de estar acessível no site do DN, pode ainda ser lido aqui.

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Pedimos desculpa por esta interrupção …

Pedindo desculpa aos leitores, aqui retomo, mesmo que menos intensamente, a publicação de artigos.

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05/05/2005

Eclético - bom Blogue

Pena é ter muita coisa em inglês (pessoalmente aguento-me), mas sei que traduzir dá muito trabalho.

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04/05/2005

Alguém sabe de Ana Gomes?


Há que tempos que Ana Gomes nada escreve no Causa Nostra. Estou a ficar preocupado.

Faltando-me essa fonte de inspiração, e enquanto vou lambendo as feridas provocadas por tão vincada ausência, relembro estes meus artigos anteriores (sobre artigos da senhora, pois claro):

O cano roto
O Hilariante planeta dos gambuzinos de Ana Gomes
A decisão do Presidente da República (tangencialmente)

Supunha que eram mais ... devo ter perdido algo. Anda o blog a comer artigos, andará à solta o monstro das bolachas ou terá havido um contra-ataque de gambozinos?

Inquietação:
Não seria do máximo interesse (académico, evidentemente) se o Avatares de um Desejo se debruçasse sobre a inextricável lógica dos artigos de Ana Gomes e a inquietante expressão de Mona Lisa.

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03/05/2005

Absolutamente Errado


Transcrição de um artigo do blog Jaquinzinhos - mais uma cavalidade jornalística

Título do Público:

"PIB dos EUA ao nível mais baixo dos últimos dois anos."

O joranlista confundiu PIB com 'crescimento do PIB'. O crescimento do PIB no 1º trimestre de 2005 (anualizado) foi de 3,1%. Desde o primeiro trimestre de 2003 que o PIB crescia sempre acima deste valor. A confusão do jornalista é absoluta. O título correcto seria:

"PIB dos EUA ao nível mais alto dos últimos dois anos."

O jornalista escreve também que esta evolução é decepcionante. Crescer a 3,1% ao ano é decepcionante. Portugal não cresce a este ritmo desde 1999. Vou gostar de ler o que este homem vai escrever sobre a evolução da economia portuguesa nos próximos anos.

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O Jornalista confundiu PIB com crescimento do PIB, e vai, provavelmente, continuar a confundir. Já agora lembro este outro jornalista, que atacado de confusões idênticas declarou posteriormente, ainda por cima, que, como a vasta maioria dos portugueses, era avesso a matemáticas ... (estamos, evidentemente, a falar de matemática"s" da 4ª classe - 'rocket science').

Entretanto, é claro que abundantes especialistas de esquerda hão-de ligar a hecatombe do dito crescimento à guerra do Iraque. Outros, do mesmo lado, mais avisados, dirão que, afinal, o sucesso do dito crescimento será consequência da guerra do Iraque - à custa dos iraquianos (pois claro).

Como a história dos 100.000 mortos ...

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