
"Eles mentem, eles perdem"
Olhando quem tem ganho e quem tem perdido, percebe-se quem tem mentido.

Comentários a "dados adquiridos" - Especialista em gambosinos. // "Short time gain long time pain!" - Edmund S. Phelps



Poucas instituições têm sido tão devastadas pela demagogia igualitária como as de ensino superior. "Gestão democrática", "excelência para todos" ou "acesso generalizado ao mestrado" são bandeiras sempre desfraldadas em qualquer discussão sobre os problemas do ensino superior..
A demagogia igualitária assenta em três pressupostos o de que os estudantes são todos iguais; o de que os professores são todos iguais; e o de que as instituições são todas iguais. Sendo os estudantes todos iguais, há que assegurar que todos se licenciam, concluem mestrados e, porque não, doutoramentos, independentemente de aptidões ou preferências. Como os professores são todos iguais, devem ser promovidos por antiguidade e auferir idênticas remunerações, independentemente da qualidade pedagógica ou científica e da área de conhecimento. Sendo as instituições iguais ou, não o sendo ainda, tendo igual potencial para o vir a ser, devem ser todas financiadas pela mesma bitola, independentemente da qualidade, procura dos seus serviços ou adequação dos cursos que oferecem.
Assim se perdem os melhores professores e investigadores para o estrangeiro ou para as empresas, se penalizam as melhores escolas, se debilitam as mais expostas à concorrência internacional e, enfim, se impedem os melhores estudantes de acederem a um genuíno ensino de qualidade e ajustado às necessidades da economia. Em síntese, assim perde Portugal as suas elites.
2. Vêm estas reflexões a propósito de recentes declarações do ministro da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior sobre o financiamento do 2.º ciclo do ensino superior (mestrados), que surgirá com a implementação do acordo de Bolonha. Aparentemente, as propinas dos novos mestrados não serão definidas livremente pelas instituições (como acontece com os já existentes) mas, antes, fixadas centralmente pelo ministério em montantes sensivelmente idênticos aos das actuais propinas das licenciaturas. A ideia declarada é, através de um controlo de preços a um nível baixo, generalizar a frequência dos mestrados, abrindo-os a novos públicos, nomeadamente aos estudantes-trabalhadores adultos que se desejem qualificar.
Este modo de conceber o ensino superior constitui a manifestação mais recente da ideologia igualitária. Conduzirá ao desperdício da oportunidade aberta pelo processo de Bolonha de acentuar a diversidade no ensino, de criar algumas (necessariamente poucas) instituições de nível internacional e de adaptar o sistema de ensino às reais necessidades do País. No processo, transformará todo o ensino superior num gigantesco sistema de formação profissional.
O culto da massificação patenteado é um bom exemplo da abordagem "se uma aspirina faz bem, cinco fazem melhor" como qualquer país precisa de licenciados, mestres e doutores, então quantos mais existirem melhor. Mas, na realidade, não existe qualquer relação de causa-efeito comprovada entre o número de mestres (ou, mesmo, despesa com o ensino superior) e uma maior produtividade ou riqueza. Os gastos relativos de Portugal com o ensino superior são da ordem de grandeza dos da Alemanha, Reino Unido ou Japão, que, obviamente, apresentam superiores níveis de prosperidade.
3. Qual deve ser o papel do ensino superior? Antes de tudo, preparar os estudantes para a vida profissional. Não no sentido estreito de um programa de formação mas antes ensiná-los a explorar e a adaptarem-se. Deve identificar talentos e dar-lhes uma formação simultaneamente teórica e aplicada que responda às necessidades da economia.
É por possibilitar o correcto ajustamento entre as necessidades da economia (e oportunidades de emprego), as escolhas dos estudantes e a oferta de cursos pelas escolas, que a questão das propinas é fulcral.
As instituições de ensino superior devem poder fixar livremente as propinas de todos os cursos que oferecem (quer licenciatura quer mestrado). Para garantir um acesso independente do rendimento familiar, o Estado deve promover a criação de uma sistema de empréstimos aos estudantes, que começarão a ser pagos uma vez concluídos os estudos. A obrigação de reembolso do empréstimo levará a uma maior aplicação nos estudos (e à edução do insucesso escolar) mas, acima de tudo, reduzirá os incentivos à escolha de especialidades que conduzam ao desemprego. Os estudantes serão, muito naturalmente, levados a procurar, e as escolas a oferecer, as especialidades mais ajustadas às necessidades da economia.
Um sistema que descentralize o financiamento e a decisão criará ainda incentivos para que as instituições se especializem em diferentes nichos de tipo qualidade-preço dos serviços que oferecem. Por exemplo, alguma instituições poderão escolher oferecer um ensino profissionalizante, de massas e a baixo preço, enquanto outras poderão escolher ser uma boutique, oferecendo um ensino generalista, caro e para pequenos números.
4. Pretender aplicar regras idênticas e centralmente definidas conduz a um ensino nacionalizado e uniforme. Tal será prestar um mau serviço aos estudantes e ao País. Tendo as instituições, tal como os estudantes, ambições e capacidades distintas, o nivelamento só pode acontecer na mediocridade.
É tempo de recuperar a máxima maoísta "que mil escolas floresçam e que mil flores desabrochem". Para o conseguir, e aqui o velho Mao Tsé-Tung dará uma volta no túmulo, basta deixar que, também no ensino superior, o sistema de preços funcione.



Não é razoável imaginar que ao eventual unilateralismo de intervenções discutíveis se pode responder com um multilateralismo de abstenções.Caso o referido artigo deixe de estar acessível no site do DN, pode ainda ser lido aqui.




Comentário ao comentário de Range-o-Dente:Comentário ao comentário ...
O que determinada esquerda pensa, não sei. O que eu penso é que, quando se querem derrubar ditaduras se deve assumir essa louvável actuação com frontalidade. Do mesmo modo que a intenção de consolidar posições geoestratégicas não deve ser camuflada com desculpas de combate ao terrorismo ou quaisquer outras. O que esta esquerda exige é que não se inventem pretextos para prosseguir políticas encapotadas.
“O que esta esquerda exige é que não se inventem pretextos para prosseguir políticas encapotadas.”Para ser coerente com o conteúdo, deveria escrever:
O que esta esquerda exige é que não se inventem pretextos para prosseguir políticas correctas.Nessa altura eu estaria de acordo.




Pronto, agora é oficial: a CIA concluiu que não existem armas de destruição massiva no Iraque.Continua a transparecer que determinada esquerda (será?) acha que não é de remover do poder ditadores facínoras e cruéis.
Sabia-se que Saddam era um facínora, um ditador cruel e, provavelmente, bastariam estes atributos para justificar uma guerra.
É caso para dizer que não havia necessidade de inventar a desculpa do combate ao terrorismo e as armas de destruição massiva para consolidar posições geo-estratégicas.
Assim, passam a ter razão todos os que criticaram os fundamentos então invocados, por mais que hoje os protagonistas da guerra nos venham falar em restabelecimento da democracia no Iraque.
Esta só aconteceu como efeito colateral de uma guerra insensatamente iniciada.
Se é de instauração da democracia que se trata, para quando a invasão da Coreia do Norte?


1 – a reacção da esquerda em defesa da relação de poderes entre religião e estado no Iraque, em que se percebe que àquela esquerda parece razoável que, no Iraque, não haja (nem venha a haver) separação de poderes,O segundo caso é contraditório em relação ao primeiro, o terceiro em relação ao segundo.
2 – a recente reacção da mesma esquerda a uma homilia de propaganda eleitoral reclamando que a separação de poderes existente (que a mesma esquerda vê, para consumo próprio, como um direito fundamental) torna essa uma atitude inadmissível
3 – a ausência de reacção da mesma esquerda aos acontecimentos em Timor.


Kuwait: mulheres vão poder votar e ser eleitas (19.04.2005)Quem está na origem de mais esta, quem? Será que a esquerda também a vai considerar negativa? Ou negativa por ser insuficiente (não é perfeito - não serve)?
Os deputados do Parlamento do Kuweit chegaram a um acordo de princípio para a elaboração de um projecto de lei que dá às mulheres o direito de voto e que as torna elegíveis já a partir das próximas eleições.
A legislação, já aprovada em Outubro de 2003 pelo Governo, passou com os votos favoráveis de 26 deputados. Votaram contra 20 deputados e três abstiveram-se.
Todos os deputados tribais e islamistas, que são contra os direitos políticos das mulheres, votaram contra este projecto de lei.
O Parlamento é composto por 50 deputados eleitos mais 15 membros do Governo, que também têm direito de voto.
A última votação deverá decorrer dentro das duas próximas semanas.
A Constituição do Kuwait garante a igualdade entre os sexos, mas a lei eleitoral só dá direito de voto aos homens.
Em 1999, o emir árabe promulgou um decreto sobre o direito de voto e a elegibilidade das mulheres. O documento foi posteriormente aprovado pelo Governo mas rejeitado pelo Parlamento.
"O “espírito do tempo” é, de resto, a coisa mais totalitária que conheço."Há que ler todo o artigo.



Num debate com o deputado bloquista Fernando Rosas, Mário Soares disse que votar pelo "não" deixará Bush "muito contente".










Abril é chão que veste um tom garrido
Nos prados que se vestem de bem estar...
Passa o seu passar mais colorido
E canta a pura paz neste versar...
O cante é uma papoila a baloiçar
Num cio animalesco em cada peito...
Abril dá mais razão ao verbo amar
E ama com um ar de um ser perfeito...
Sua face enamorada é como um leito
De fracos corações entre os bichinhos...
Altera o seu pulsar nesse seu jeito
Brotando as crias novas nos seus ninhos...
É o mês onde os afectos são carinhos
No campo em puro traje primaveril...
E diz p´rós namorados de mansinho:
-Como é bom este viver no mês de Abril!...
António Prates
- Directamente das forças americanas (embedded* ou em conferências de imprensa)Junto às forças americanas os jornalistas estão perante o inimigo de estimação a partir de quem, de uma forma ou outra, são obrigados a noticiar (nem que seja com reserva mental) aquilo que lhes é transmitido ou directamente observado caso estejam embedded.
- Livremente no terreno
- Junto às forças opositoras aos americanos, difusamente enquadradas numa aparente miríade de organizações.

“Em Portugal não há carreira de jornalista. O jornalista não tem saída. Cada vez mais o jornalismo é para ser exercido entre os 20 e os 40 anos. A partir dos 20, porque nessa altura ainda é ingénuo suficiente, ambicioso o suficiente para correr sem perguntar para onde nem como. No final, é simplesmente rejeitado borda fora, porque não há lugar para nós, a não ser a cooptação para serviços de controle e de administração. Carreira propriamente jornalística não há. Digam-me quem são os seniores jornalistas que estão hoje no activo em Portugal a exercer efectivamente a profissão...Eu gostaria de continuar. Mas como? A fazer o quê? Não há esse estatuto de jornalista. Isso não é reconhecido. Não há essa carreira. E sem isso, o topo da "carreira" de jornalista hoje em dia, no nosso país pelo menos, é ser conselheiro de imprensa numa embaixada“.Volto a recordar o artigo de fundo de O Bigode na Sopa sobre este tema. Está lá tudo.
“O perfeccionismo legal leva à impossibilidade de se praticar justiça”.Este perfeccionismo legal é, exactamente, um dos dogmas da esquerda construído sobre um dogma da direita (o da legalidade absoluta).
Pontos nos is: o antes e o depois
A censura e o PREC
E chega o 25 de Novembro
... E o pós-25 de Novembro
A era das rádios locais
... A seguir, o das "redes" de rádios locais
A "nova onda" jornalística
O novo interesse do povo: o apelativo
Da censura e do lixo
O bolo e os morangos
As televisões privadas
O oficiante jornalista comentador, opinion-maker, vedeta, juiz e o mais
O sussurro das melgas
A "revolta dos morcegos"
O comércio
A dupla metamorfose: de morcego novamente a morango