17/11/2005

Sobre a ANF, onde anda o PCP?



Relembro este meu artigo, de Abril, sobre declarações de Bernardino Soares do PCP acerca do comportamento do governo.

Gostaria de saber o que pensa ele agora sobre este outro artigo do DN (via Causa Nossa). Será que o PCP ainda defende que a Associação Nacional de Farmácias deve ser uma instituição a proteger das garras do governo?

Já agora, este outro artigo de Vital Moreira é excelente e enquadra-se na ocupação do éter.

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RTP - Telejornal de futebol

No site da RTP, o link correspondente ao Telejornal de 15 de Novembro de 2005 (canal 1), contém um jogo de futebol ...

Viva o serviço público.

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16/11/2005

Redundância ...


... escreve Vital Moreira no blogue Causa Nossa.

É forte.

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TVs francesas auto controlam-se

Pela voz de uma pessoa da Rádio Paris Lisboa entrevistada num programa da RTP-2 exibido de madrugada de hoje (16/11/2005), ficámos a saber que as estações de TV francesas, num acordo tácito, tinham decidido deixar de exibir imagens dos incêndios e dos incendiários, após terem percebido que a exibição dessas imagens estava a ter o efeito de dinamizar o processo de fogo posto.

Segundo explicado, os responsáveis pelas TVs foram-se apercebendo, ao longo dos primeiros dias, que a exibição dos incêndios era, para os incendiários, uma espécie de trofeu conseguido pelo feito, portanto encorajador de novos desacatos.

Para quando decisão idêntica, em Portugal, relativa aos incêndios florestais? Relembro este meu outro texto sobre o assunto.

E, já agora, alguém se recorda de ter visto este assunto abordado nos órgãos de comunicação social portugueses? Ter-se-há dado o caso de todos eles terem alinhado, mesmo sem acordo expresso ou tácito, num black-out (censura) à notícia da decisão das TVs francesas, por esta decisão poder vir a levantar a lebre e colocar em causa a forma como os jornalistas lusos fazem a cobertura dos nossos fogos de verão?

Aqui estava uma boa ocasião para que os pseudo esquerdistas jornalistas de serviço mostrassem que estavam “contra o sistema”. Aposto que se este tipo de coisa se passasse nos Estados Unidos da América não faltariam vozes sibilinas a acusar os americanos de censura. Basta lembrarmo-nos do chinfrim que foi feito pelos anacletinhos jornalistas (entre outros) quando as estações norte americanas resolveram não divulgar imagens das vítimas do 11 de Setembro, exactamente pelo mesmo tipo de razão: não atribuírem um prémio aos terroristas.

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Estados Unidos – Mais uma vitória diplomática?

Enquanto a administração norte americana, pela pessoa de Condoleezza Rice, consegue mais um acordo histórico entre israelitas e palestinianos, os mais insignes multilateralistas europeus continuam atascados até aos cabelos em problemas internos.

A Alemanha tentando fazendo gatinhar um governo que demorou séculos a formar. A França, literalmente tentando apagar fogos ateados por aqueles de quem sempre achou ser a mais paladina defensora.

O comportamento de potência imperial norte americano torna-se patente não só por via do seu “arregaçar de mangas” como pela absurda conversa multilateralista de europeus que ciclicamente levantam a galinácea cabeça pensando serem girafas.

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Jornalismo e propaganda

Sobre o acordo entre israelitas e palestinianos conseguido por Condoleezza Rice, vejamos mais um exemplo de pura propaganda anti israelita exercitada por uma jornalista da RTP-2 no Jornal das 22h.

Dizia a jornalista a determinada altura:

“Até agora os israelitas alegaram que o potencial perigo de entrada de armas e explosivos em Gaza, resultaria em ataques contra o seu território. Os palestinianos respondem dizendo que Israel tentou sempre asfixiar a economia palestiniana.”

A propaganda consiste em denegrir um dos contendores em favor de outro e apoia-se em duas palavras: “alegam” e “respondem”.

Os israelitas alegam, os palestinianos respondem.

A jornalista podia dizer que ambos alegavam. Ou que israelitas diziam e palestinianos respondiam. Mas não. Alegar soa a: “alegar mas ...”. Soa a: “eles alegam mas sabe-se que não é bem assim”. Alegar, lança uma suspeita implicando um juízo de valor sobre o que se alega. Os palestinianos “respondem”. Coisa simples, sem encrencas.

E assim vai, no serviço público, a informação isenta.

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15/11/2005

Os avestruzes



Já com a fervura assente em França (com a promessa de que o cheiro a esturro vai continuar), vai assentando a ideia de que o projecto de multiculturalidade em França tem que receber novo impulso. E eu continuo a dizer que continua a política de avestruz.

Voltamos à velha história de sempre se fugir ao problema de se discutir até que ponto conseguem duas culturas, extremamente diferentes, coexistir porta a porta.

No seu blogue Abrupto, Pacheco Pereira escreve sobre o programa Diga Lá Excelência, com Rui Marques:

Tenham medo, tenham muito medo da série de ideias ultra-politicamente correctas do pomposamente chamado Alto Comissário para a Imigração e Minorias Étnicas (eu a pensar que num mundo "multicultural" não havia "minorias étnicas"), expostas no estilo da Raposinha do Aquilino, "com muita treta", no Programa "Diga lá Excelência" e reproduzidas no Público de hoje. Aqui vai uma pobre amostra do discurso cheio de certezas do Alto-Comissário:

Só nós:

"A Europa está a viver um tempo triste em que se está a fechar numa concha, erguendo muros e barreiras à sua volta. A opinião pública espanhola ra das poucas que se mantinham abertas, agora restamos praticamente só nós, os portugueses."

Onde estão "talheres" coloquem coisas como o estado de direito, a democracia, valores civilizacionais como a igualdade das mulheres e dos homens, repúdio da violência "cultural" (excisão do clitoris, etc.):

"Quando eu convido alguém para almoçar comigo não é normal que eu exija que todos comam com talheres?

Não é obrigatório. Eu acho possível sentar à mesma mesa pessoas com registos culturais, históricos e eligiosos completamente diferentes.

Com pratos diferentes, instrumentos diferentes?

Exactamente. Em contexto global, é isso mesmo que temos que fazer. O grande perigo que corremos é querer que toda a humanidade se sente à nossa mesa comendo com os nossos talheres e com a nossa culinária."


Preconceitos:

"Vamos então a um caso concreto. Defende escolas só para algumas comunidades imigrantes, com currículos especiais?

Não, a interculturalidade não é isso. Isso são versões suaves de multiculturalismo, versões de segregação, de separação de diferentes comunidades.

Mas parece que a escola portuguesa não interessa muito aos filhos dos imigrantes...

É um preconceito.

O insucesso escolar nestas comunidades é um preconceito?

Mas o insucesso escolar não tem que ver com o interesse na escola portuguesa. Temos
todos a ganhar com a aceitação da diversidade. De ver a realidade a partir do ponto de vista do outro."

As certezas enfatuadas e o tom dogmático eram tão evidentes que até os jornalistas habitualmente calmos estavam irritados.

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Gostava de saber que casal ocidental era capaz de aguentar um almoço com outro casal em que a respectiva mulher tivesse de ficar na mesa ao lado para não haver misturas.

E, neste caso, quem seriam os intolerantes? Os ocidentais, se não aguentassem a cena, ou os “alternativos” que não quereriam misturas?

E ainda, como “integrar”, sem que uma das partes abdique de algo que julgue absolutamente fundamental? Quem defende que, no cenário acima, a mulher ocidental vá para a mesa da mulher “alternativa” como sinal de respeito pela outra cultura?

Como ficamos neste cenário em que uma cultura “alternativa” não quer mistura de sexos? Criamos escolas “alternativas” em que rapazes e raparigas ficam separados? E isto não é exclusão? Criamos turmas “alternativas” em que rapazes e raparigas ficam separados? E isto não é exclusão?

Que direito tem um estado, pelo ponto de vista dos “multiculturalistas”, de obrigar que turmas sejam compostas por jovens de ambos os sexos?

Como se dá trabalho a pessoas que por terem uma cultura “alternativa” não se querem relacionar de igual para igual com pessoas do sexo oposto?

E, caso os seguidores dessa cultura “alternativa” cedam e comecem a comportarem-se como ocidentais, isso não implica um abandono da sua cultura “alternativa”?

Continuemos, pois a aderir aos pontos de vista do Alto-Comissário, e veremos se dentro em pouco não estoira a bronca em Portugal.

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Pescando



Saltitando por outros blogues, aqui junto três artigos que suponho serem de realçar:

No Câmara Corporativa (via Causa Nossa), Lista de Aposentados no ano de 2005 (Janeiro a Novembro) com pensões superiores a 5 mil euros mensais.

No Causa Nossa, Soma e Segue.

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Dependência - Ajdrubal


Aqui, há uns tempos, deambulei pelo mundo da dependência da esquerda face à direita. Vou consubstanciar.

Usando a linguagem da esquerda, imagine-se que havia outro candidato “à direita”.

Chamemo-lhe Ajdrubal.

Suponhamos que, nessa perspectiva, uma s primárias davam os seguintes resultados:

Ajdrubal 25%
Cavaco - 23%
Soares - 18%
Alegre - 16.9%
Louçã - 8.8%
Jerónimo - 8.3%

Já repararam quem passaria à segunda volta? Já repararam que, mesmo tendo a esquerda, neste cenário, mais de 50% dos votos (52%), quem passaria à final seriam os dois candidatos da direita?

A esquerda só se dá a luxo de apresentar uma capoeira de candidatos porque está confiante de que a direita só apresentará um único.

A esquerda quer usar as eleições presidenciais para, à custa de todos os portugueses, dirimir a liderança no seu campo. Espero que a manobra lhe saia furada, para ver se ela percebe que há mais mundo para além da esquerda. Seria bom para todos.

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14/11/2005

Justiça e jornalismo



No Jornal das 20 de 12 de Novembro, a SIC abordou um caso em que uma pessoa teria sido sentenciada a 2 anos de cadeia por ter roubado um telemóvel.

A coisa andava ainda à volta de um problema relativo à presença, ou não, do acusado, no local em que lhe era apontado ter cometido a patifaria e do valor dos objectos roubados.

Se a sentença era justa ou não, não é por aí que vou nesta prosa, mas de algumas facetas do assunto que me saltaram à vista.

Em primeiro lugar, o tom de agressividade com que um juiz interrogava uma testemunha. Julgava que não fosse, de todo possível, que num tribunal fosse usado aquele tom, que julgava morto e enterrado desde o 25 de Abril. Quando vejo alguém a falar com outra pessoa naquele tom, pergunto-lhe habitualmente: “Oiça lá, isso são modos de falar com alguém?”

Logo depois, em estúdio, o Jornalista entrevistou o juiz desembargador Eurico Reis que explicou, mais ou menos por estas palavras; “ ... a sentença não é proferida pelo valor das coisas, mas pelo abalo moral que a vítima sofre pelo facto de ser vítima de um roubo”. E logo a seguir pormenorizou: “Quando se rouba alguma coisa a alguém, está-se a retirar horas de vida a essa pessoa, porque os objectos foram comprados pelo ganho em horas de trabalho ...”

Raios me partam se a segunda explicação não contraditou completamente a primeira ...

Já agora, a explicação inicial do Juiz faz, quanto a mim, sentido. E a segunda também porque, suponho, permita um processo de compensação monetária face ao prejuízo causado. Mas continuam a ser duas coisas que não se podem meter no mesmo saco porque só a primeira me parece fazer sentido justificar prisão.

Entretanto percebe-se que nem a jornalista que tinha feito o trabalho nem o pivot em estúdio estavam conscientes do que tinha em mãos. Para eles, a sentença era função do valor do telemóvel. Parecem também ter achado razoável que o juiz tivesse entrevistado a testemunha da forma como o fez e era patente na gravação, caso contrário deveriam ter abordado essa matéria. Quanto a este último assunto, parece-me ter detectado um certo mau estar em Eurico Reis.

Como quem não quer a coisa é ainda abordada, em jeito de tangente, a delicada posição da advogada que defendia o acusado. Segundo percebi, a posição dela seria crítica porque tendo sido nomeada pelo tribunal não sentiria liberdade suficiente para fazer, na sala de audiências, o que era suposto. Pareceu-me que haveria ali um conflito de interesses entre a advogada e o tribunal, o que implica que este já tivesse uma ideia pré concebida face ao acusado.

Segundo julgo ter percebido, a advogada não quereria morder a mão que lhe dava de comer ...

Com tanto pano para mangas, a peça informativa (?) insistia na questão do preço to telemóvel ...

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Mário Soares faz mais uma comparação tosca



Referindo-se a Cavaco Silva e respectivo posicionamento face ao défice, Mário Soares comparou a eventual vitória daquele à subida ao poder de Salazar que “depois ficou lá 48 anos”.

A falta de consciência de Mário Soares é de tal ordem que já não se importa de limpar a imagem de Salazar para tentar mordiscar Cavaco Silva.

Há alguém que lembre ao nosso ancião que quando Cavaco Silva ganhou eleições (legitimamente) exerceu o poder, e quando as perdeu, se afastou? Será que Mário Soares já só recorda a história antiga?

Salazar e Cavaco foram primeiros ministros (embora no tempo de Salazar se chamasse Presidente do Concelho) e Salazar, de facto, só largou o poleiro quando caiu da cadeira.

Mas quem ocupa agora a posição que Salazar ocupava é José Sócrates. Mário Soares deveria portanto chamar a atenção de que José Sócrates poderia vir a não querer largar o poder.

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Centrais sindicais públicas e privadas

Já se tornou lugar comum que as centrais sindicais se preocupam, basicamente, com o sector público.

É pena. E é pena que não se forme uma central sindical exclusivamente dedicada aos sector privado.

Nesse cenário seria interessante criar ainda um outro. A presença, em simultâneo, de ambas as centrais nas negociações no âmbito da concertação social.

Suponhamos que a central representativa do sector público reclamava aumento de salários. Seria interessante ver a outra central opor-se por perceber que isso implicaria um aumento de impostos.

E seria ainda mais interessante ver a central representativa do sector privado reclamar que a outra alinhasse na dinamização de maior eficiência dos seus trabalhadores de forma a libertar verbas que pudessem permitir o abaixamento de impostos que possibilitasse uma melhoria do nível de vida dos trabalhadores do sector privado.

… wishful thinking ...

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Dependência



Uma das bandeiras da esquerda portuguesa dos anos 70 consistia na promoção da emancipação do homem (leia-se proletariado - homem do povo). Era um movimento que pretendia retirar à direita alguma base de sustentação, minando a tradicional relação entre senhor e servo.

Quando era criança lembro-me, que na zona onde vivia havia dois condes. Um deles ainda o avistava de vez em quando. O outro, nunca lhe pus a vista em cima.

O conde habitava uma casa enorme, tinha vastos terrenos, tinha vida de burguês. Os que para ele trabalhavam habitavam casas modestíssimas, trabalhavam de sol a sol, verão ou inverno, chovesse ou não, geasse ou não, e não recebiam se não trabalhassem. Caso ficassem durante algum tempo sem trabalho, valiam-lhes as galinhas, os perus, os coelhos que iam criando.

Eu vivia com avós reformados, e, por essa via, tinha uma vida de mais qualidade do que os meus colegas da primária. A maioria deles (6 a 10 anos), vindos da escola (que só ocupava umas 4 horas por dia), trabalhava nas fainas da casa apanhando erva, alimentando os animais, mudando a cama dos animais, etc. Um trabalho que hoje seria absolutamente inaceitável, mas que era o dia a dia há cerca de 40 anos. O meu caso não ia além da pastagem de perus. Tendo presente a fome do tempo da guerra que nos era relatado pelos mais velhos, o meu trabalho e o dos meus colegas não passavam de uma brincadeira face ao que os anciãos contavam.

A vasta maioria dos meus colegas da primaria não passou da 4ª classe. Eu pertenci a um pequeno grupo de meia dúzia de bafejados que fizemos os exames de admissão à escola técnica e liceu (que corresponderia hoje a um exame de admissão no segundo ciclo do ensino básico).

Voltando à carga inicial, sentia-se muito directamente o peso da instituição “condes”.

Os condes não seriam parvos de todo. Penso não estar longe da verdade se disser que haveria uma deferência respeitosa destes face aos trabalhadores. Essa deferência não chegava evidentemente ao ponto de os tornar plenamente sensíveis face às dificílimas condições de vida dos trabalhadores da zona, mas esses trabalhadores sentiam-se, de alguma forma, que eram tratados com alguma deferência pelos condes. Talvez o sentissem por se lembrarem dos idos ...

Com o 25 de Abril espalha-se o vírus da emancipação do homem. Penso que muita gente ficou em pânico de ambos os lados da barricada. Os condes por razões óbvias. Mas também muitos trabalhadores sentiam que as novas ideias de emancipação os deixariam órfãos ... mais vale o diabo que se conhece ...

Os tempos passaram e nalguns casos mais noutros menos, a emancipação teve lugar e a influência dos condes esbateu-se.

Eram tempos em que uma direita mais ou menos caceteira queria perpetuar esta relação paternalista/exploradora com o trabalhador.

A esquerda, regra geral, acabou, nesta matéria, sendo bem sucedida, e, em abono da verdade também muita direita, mais ou menos burguesa mas mais civilizada, acabou por alinhar numa relação mais bem nivelada com a generalidade dos proletários de então.

Evidentemente que o filme que acima recordo espelha, se as minhas faculdades de percepção não falham (ou falharam) uma realidade local, bastante limitada no espaço e no tempo.

Mas suponho que seja suficiente para abordar problemas relativos à dependência.

Sou capaz de não estar muito baralhado se afirmar que a maioria da população de Portugal desenvolve alguma espécie de mecanismo de dependência, face a alguém ou a algo. Não sei se não será, simplesmente, um mecanismo semelhante à dependência que, desde tenra idade, todos tendemos a manter, durante pelo menos a menoridade, com nossos pais. A verdade é que me intriga a dependência que a maioria dos portugueses parecem demonstrar, e que me parece doentia, a futebol, telenovelas, reality shows e outros programas de elevada toxicidade, música pimba, chunga, de encher pneus ou penicos, até dependência religiosa face a alguns comportamentos que suponho serem algo aberrantes.

Depois do sucesso que a esquerda obteve na dinamização da auto-emancipação do proletário, suponho que aquilo que então se esperava vir a ter lugar, a evolução no sentido do assumir de uma identidade de cidadão, veio a revelar-se um processo frouxo.

Enquanto por um lado a generalidade da população se foi emancipando face às dependências reinantes no panorama pré 25 de Abril, por outro foi aderindo aos vários tipos de dependências já antes referidas. Se muito embora as implicações dessas novas dependências tenham pouca relação às anteriores, elas têm fortíssimas implicações indirectas no nível cultural de todo o país.

Por nível cultural não entendo saber quantos cantos têm os Lusíadas, mas cultura em relação a todos os campos das letras e ciências.

Estando consciente de que, apesar de tudo, o nível global cultural (médio) sofreu uma melhoria, suponho que não terá sido suficiente para que tenhamos podido acompanhar o ritmo (para já não falar em aproximarmo-nos) dos restantes países da Europa.

Voltando à dependência, suponho que a globalidade da esquerda, não sei se consciente ou inconscientemente, se tenha deixado lentamente escorregar para a dinamização de um mecanismo em que passou a defender a elevação do estado à posição de tutor do cidadão comum.

Para alguma esquerda sindical, especialmente após a queda do muro de Berlim, este mecanismo revelou-se capaz de auto-sustentar a promessa de um estado de coisas em que, por um lado, um estado cada vez mais omnipresente e “zelador” passa a poder justificar a sua própria dimensão, e por outro, promete e ensaia um cada vez maior papel de tutor do cidadão comum. Este comportamento é particularmente notório no ensino, (elevado a educação, tal a fúria tutorizante), segurança social, e para com os cidadãos mais desprotegidos. Este comportamento para com o ensino não é inocente. Ele pretende garantir a “sustentabilidade” do estado de coisas.

Tudo isto conduziu o estado a assumir uma relação paternalista para com o cidadão ao arrepio de uma saudável relação adulta, de cidadão emancipado, a caminho do exercício de uma salutar cidadania.

Tal como fazem os adolescentes mal criados para com os progenitores, temos todo um país a insultar o estado e a exigir dele, simultaneamente, tudo e mais alguma coisa. E os governos, venham lá de onde vierem, mesmo que se apercebam do problema, nem sabem para onde se hão de virar.

Suponho que o estado de coisas em França tenha algum grau de paralelismo com o que escrevo porque é exactamente ali que parece morar a mais infinita fé no estado social “à moda da Europa” – dizem os seus defensores embora suponha que uma boa parte dela não alinhe pelo disparate.

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10/11/2005

Sem a presença de Cavaco Silva, Mário Soares esfuma-se


O contra‑candidato Mário Soares está com problemas existenciais.

De acordo com as declarações de hoje à TSF, se Cavaco Silva não lhe ligar nenhuma, a existência da contra‑candidatura de Mário Soares fica posta em causa. O problema é, aparentemente, de tal forma sério que, se Cavaco Silva continuar sem lhe ligar peva, é de supor que Mário Soares venha mesmo a tomar a decisão de retirar a sua contra‑candidatura.

Diz Mário Soares:
«Parece que o professor Cavaco Silva vai agora fazer uma viagem, o que lhe permite continuar numa posição de não fazer pré-campanha. É uma posição que lhe agrada certamente, mas vai-se tornando uma espécie de candidato esfinge».

Esta aflição pela ausência de Cavaco Silva é espantosa. Deve-se certamente a altruísmo político. Veja-se bem, Mário Soares está preocupado por Cavaco Silva estar a perder a possibilidade de expor as suas ideias durante a pré‑campanha. Suponho que não será outra coisa. A não ser que Mário Soares esteja seco de ideias e precise de Cavaco Silva como fonte de inspiração.

E que dizer da “esfinge”? Será uma referência aos atributos de beleza de Cavaco? A ser assim será, talvez, uma piscadela de olho aos Anacletos!

E Mário Soares continua. Segundo a referida TSF, “na opinião de Soares, a circunstância de o candidato apoiado pelo PSD e CDS-PP estar «silencioso e ausente do país» está a condicionar a pré-campanha dos restantes candidatos no que se refere à organização de debates, o que considerou «inaceitável»”.

Não tarda muito Mário Soares aventará a possibilidade de não se poderem realizar eleições presidenciais por causa da ausência de Cavaco. Para Mário Soares, sem Cavaco não há Portugal.

Para quem ainda tenha dúvidas, Mário Soares clarifica:
«Os debates devem ser com todos, não há que discriminar nenhum candidato e, portanto, ele próprio não pode ser discriminado. É um bocadinho pesado que, por ele ter organizado a sua vida de modo a prolongar o tabu do silêncio, os outros fiquem privados da palavra, o que não pode ser. Isso é inaceitável».

Veja-se bem quanto Mário Soares se preocupa com a eventual discriminação de que Cavaco Silva possa vir a ser vítima. Até parece que Mário Soares está com receio de não vir a ter a oportunidade de votar em Cavaco Silva.

E quanto à possibilidade de a ausência de Cavaco Silva vir a privar da palavra aos restantes candidatos? Até parece que, sem Cavaco Silva todos ficam sem pilhas.

Percebe-se que Cavaco Silva vá viajar. Fica em Portugal Mário Soares para relembrar da indispensabilidade de Cavaco Silva como figura fulcral no panorama presidencial português.

Não admira que já anteriormente, Mário Soares, elegesse George Bush como figura de referência a ter em conta em relação à aprovação, ou não, do Tratado Constitucional Europeu.

De cada vez que Mário Soares abre a boca, o disparate é absoluto e total ...

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Pescando:



O Estendal debruça-se sobre a cagufa, que cada vez mais gente começa a ter, da cachopada. Por causa deles, a França acaba de ficar de cu para o ar.

- À atenção das associações de pais e, em especial, à CONFAP

A Blasfémia, debruça-se sobre a idoneidade dos blogs anónimos (o meu caso). Eu vi parte do programa a que A Blasfémia se refere, mas confesso que o achei tão tosco que adormeci. Já percebi que foi tempo bem empregue.

- A César
- Doutrina nada pacífica
- Do Anonimato

Entretanto o contra-candidato Mário Soares disse mais umas enormidades. Já vou à carga.

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09/11/2005

Não façam nada que é melhor


Não cabe na cabeça de um tinhoso que, de cada vez que arruaceiros fazem bedum, haja sempre quem venha dizer que qualquer coisa que se faça para controlar a coisa (à excepção de nada fazer ou dar-lhes dinheiro) vai sempre fazer piorar a situação.

Será que esses querubins não percebem que, de cada vez que se cede, se dá mais espaço de manobra tornando a situação cada vez mais difícil de manter nos carris?

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Enigmas jornalísticos


Agora que toda a gente já percebeu que as arruaças (sim, de arruaceiros) em França não eram, neste caso, resultado de hediondos problemas exclusão, racismo, xenofobia (só faltou ouvir apartheid), mas simplesmente de putos a que nem as respectivas família nem o estado é capaz de dar “um par de estalos” e meter na escola ou pôr a trabalhar, é gostoso ver Paulo Dentinho a balbuciar enigmas que tenta, a todo o custo, fazer passar como uma outra faceta dos disparates que disse nos primeiros dias de arruaça.

Entretanto, em Portugal, está a fazer-se o possível para tentar pôr em marcha uma “operação” idêntica. Hoje, com a SIC, na Amadora, mas suponho que mais órgãos de informação tenham ido pelo mesmo caminho.

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08/11/2005

Trabalhar faz calos

Depois de ouvir este e este outro depoimento, como se pode acreditar que aumentando o apoio à imigração se obtenha uma melhor integração? Pelo contrário, percebe-se que, quanto mais se apoiar, menos motivos há para que cada um veja vantagem em se integrar.

Estudar, dá trabalho. Trabalhar faz calos.

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Auto-exclusão social

Hoje, na TSF, a meio da manhã, explicava uma emigrante portuguesa em França, mais ou menos por estas palavras:

Nós já moramos naqueles prédios onde só há agora magrebinos mas quando eles chegaram nós tivemos que ir embora.

Quando chega uma família, traz 10 filhos. A segurança social dá um abono por cada filho, e, com 10 filhos, o total que a família recebe todos os meses dá para ninguém trabalhar.

As crianças depois não vão à escola, ficam por ali sem fazer nada. Depois não aprendem e quando já são mais velhos não conseguem arranjar emprego.

A exclusão social é feita por eles próprios.

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Paris - Concurso de fogo de artifício

Esta manhã, na TSF, um jornalista entrevista um emigrante português, Martins Alvino (*), em França.



[Entrevistado] Para mim é quase uma guerra, aqui em França. É uma guerra civil.

[Entrevistador] Isto são bairros problemáticos aqui à volta, mas alguma vez viu alguma coisa assim?

[Entrevistado] Não, nunca vi. Os carros estão em fogo, toda o mundo ouve os bombeiros, é um país que está em guerra.

[Entrevistador] As pessoas do bairro tem medo agora de sair à rua à noite?

[Entrevistado] Agora, pelo menos, têm medo. Obrigatoriamente têm medo porque este grupo de jovens não estão bons da cabeça. São perigosos.

[Entrevistador] Neste bairro também há muitos portugueses. Podemos depreender que eles possam estar envolvidos nestas coisas também?

[Entrevistado] Não. É uma minoria. Não há muitos portugueses que façam isto. Pode ser. Mas que não são eles que causam os problemas. Eu tenho 38 anos. Eu tive uma educação ... o meu pai há 17 anos disse-me: Tá bem, sais das escola mas vais trabalhar. Se tu não trabalhares eu ponho-te fora de casa.

[Entrevistador] Há outro estilo de educação com os portugueses.

[Entrevistado] Há outra educação. Não tem nada a ver.

[Entrevistador] Expectativas optimistas em relação ao envolvimento de portugueses, mas piores em relação ao desfecho de toda a crise.

[Entrevistado] O problema hoje é que como queimaram em Corveille(*) 500 carros, em Grugny(*) vão queimar 600 carros, para serem melhores que os outros.

[Entrevistador] Há uma competição entre estes grupos.

[Entrevistado] É isso mesmo. Não é um problema dos dois que morreram, é um problema do fumo. Vão queimar mais carros que os outros.

[Entrevistador] Ver quem destrói mais ...

[Entrevistado] É isso mesmo.



(*) Não estou certo de que seja exactamente este o nome do entrevistado ou da localidade.

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07/11/2005

As torres gémeas da Europa

Suspeito que o caldinho em França virá a ser muito mais que os atentados de Madrid ou de Londres, o equivalente ao derrube das torres gémeas.

Aqui as torres são outras – welfare e políticas pseudo-integracionistas – e estão sedimentadas num mundo que só existe na cabeça de alguns estados europeus, em particular dos franceses.

Depois queixem-se que Jean-Marie Le Pen ganha votos ...

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Terrorismo em França - vítima nº 1



Aí está, confirmada, a primeira vítima mortal dos ataques terroristas em França.

Esperemos que o número de baixas não suba como tem subido a destruição.

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Nós, Israel e o Irão

Blogoexisto escreve:
Nós e Israel

O incitamento a varrer Israel do mapa mostra que o actual Presidente do
Irão ou é fanático, ou é estúpido, ou é simultaneamente fanático e estúpido.
Inclino-me para a terceira hipótese.

Admito que estas declarações serão predominantemente para consumo interno,
mas isso não nos dá o direito de subestimá-las.

Por isso, também eu pergunto: porque se calou o Governo portguês?


Entretanto, o Irão quer reabrir as negociações sobre a história da central nuclear. É de supor que, como anteriormente, se trata de mais uma manobra dilatória.

De qualquer forma já se percebeu que, caso a central comece a "carburar" no sentido que ninguém quer, embora só alguns o admitam, é claro que os Estados Unidos da América ou Israel tratarão do assunto, bombardeando-a, tal como aconteceu à central do Iraque.

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O Katrina francês

Actualizado



Um sindicato da policia francesa já pediu ao governo francês que imponha o recolher obrigatório nas áreas mais atingidas pela violência que peça a intervenção do exército para ajuda a controlar as multidões.

Estou surpreso por não ter ainda ouvir alguém alvitrar que os tumultos serão obra da CIA.

[Afinal Não. Este mânfio (pelo menos) já teve essa ideia.]

Os Estados Unidos da América ainda vão acabar por ter que deslocar tropas do Iraque para acudir aos franceses ... :-))

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Navegando a incoerência



Para exemplificar as incoerências que levam um país como a França, a encontrar-se de joelhos perante bandos de rufiões, analisemos algumas coisas que ouvi durante os últimos dias na comunicação social portuguesa.

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Um jornalista, em directo (TV) refere algo como “... jovens que abandonam uma escola que não lhes interessa”.

Suponho que neste caso o jornalista (não recordo quem) ache razoável que um jovem esteja em condições de decidir que a escola lhe interessa ou não. Face ao exposto percebe-se que escola lhes interessa e onde está um dos seguidores desta nova forma de abordagem da educação de jovens.

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Alguém ligado ao mundo da filosofia, em directo de França, por telefone, na rádio, refere várias coisas, umas mais, outras menos abstrusas. Uma delas referia algo como “ ... trata-se de um problema cultural, pois os jovens em causa são absolutamente ignorantes”.

Suponho que quando se fala em problemas culturais se aborda o assunto pelo lado em que conflitos possam surgir em virtude de atritos entre diferentes culturas. Falta de cultura não é propriamente um problema do campo da cultura, é um problema do campo da não cultura.

Dá-me a impressão que este tipo de abordagem implica que apesar do grau de cultura daqueles jovens ser nulo, é exactamente por ser nulo que tem direito a ser considerado como cultura.

Faz-me lembrar quando me dizem que determinados telediscos são interessantes por serem um exercício em que nada tem ligação ao que quer que seja e que é nesse absoluta falta de coerência que está a graça da coisa. São coerentes por não a terem. Passarem a cavalos porque, enquanto burros, não sabem comer palha. Cultos por serem ignorantes. ... isto cheira-me a pós modernismo.

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... a conversa sem sentido do apoio à exclusão, porque é exclusão e enquanto há exclusão.

Porque há-de um excluído querer sair da exclusão se, enquanto excluído, tem direito a apoio?

O apoio à exclusão só faz sentido enquanto limitado no tempo e perante obrigações da parte quem é ajudado. Ao fim e ao cabo a ajuda ao excluído só faz sentido na perspectiva de uma relação adulta, tal e qual a abordada pelo O Acidental: Se o emigrante for tratado com o respeito que se deve a um adulto, então, qualquer modelo económico serve. Se o emigrante for tratado como uma criança, então, não há modelo económico que salve a situação.

Candidato e contra-candidatos



Em Portugal há um grupo de candidatos, e um candidato (real) à Presidência da República:

O grupo – Manuel Alegre, Mário Soares, Jerónimo de Sousa, Francisco Louçã, etc, caracteriza-se por ser composto por não candidatos, ou contra-candidatos. Candidatam-se em função de Cavaco Silva e, antes de tudo, contra ele.

Candidatam-se porque ele se candidata, ou porque suspeitavam que ele se iria candidatar, ou para tentar evitar que ele se viesse a candidatar (para meter medo?).

Nas horas vagas candidatam-se uns contra os outros.

Á excepção de Manuel Alegre (honra lhe seja feita neste ponto), todos os engrupados candidatos são candidatos directamente propostos por partidos, alguns saídos directamente das suas cúpulas (Manuel Alegre inclusive).

Se houver segunda volta, todos eles, à excepção de um, dedicar-se-ão à digestão do sapo.

Todos eles se apresentam simplesmente porque confiam que a direita apresentará um só candidato – em função dela e em menoridade estratégica.

O candidato (real) é Cavaco Silva, o único que, infelizmente e em função do exposto (óbvio), pode ser levado a sério.

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Semântica no Blasfémias

... Pois claro.

Aqui, o Bloco de Esquerda no seu melhor.

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Fatwa para desordeiros



Segundo a CNN, invocando a Reuters, um dos maiores grupos islâmicos franceses emitiu uma fatwa contra eventuais participantes islâmicos nos desacatos em França.

“É formalmente proibido que algum Muçulmano, procurando graça divina, participe em qualquer acção que cegamente atinja propriedade pública ou privada ou que possa constituir um ataque à vida de alguém.”

“A contribuição para tais actos é ilícita” ... e é aplicável “a qualquer Muçulmano que viva em França, quer como cidadão quer como hóspede”.

É de notar que cairia o Carmo e a Trindade se coisa equivalente tivesse sido gerada num meio Católico.

É de notar ainda, que a condenação da violência é apenas aparente. Condena apenas a acção que “cegamente atinja” ... Se não atingir cegamente já não é condenável. A lei às urtigas, portanto.

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O furúnculo está a rebentar



Já há muito que eu (pobre de mim), como muitas outras pessoas, denunciamos a ficção em que alguns países da Europa insistem em viver. Digo países da Europa e não governos, porque estou em crer que a coisa é muito mais grave do que parece.

Há muitos anos (uns 30?) alguém me chamou a atenção de que na Alemanha pós nazi, as forças aliadas tinham obrigado cidadãos alemães a visitar campos de concentração e a ver (de vivo olho) as atrocidades cometidas. Segundo o que me foi relatado, muitos compulsados visitantes, perante o que viam, reagiam rindo às gargalhadas.

Suponho que a tomada de poder pelos nazis não seja, por si só, suficiente para explicar o caminho de atrocidades, e que o medo projectado sobre a generalidade da população alemã pela cataclísmica organização não seja também suficiente para explicar a falta de oposição ao estado de coisas que acabou nas câmaras de gás. Suponho que tenha havido um apoio tácito ao caminho então tomado, senão da generalidade da população, pelo menos de uma percentagem significativa dela.

É certo que os tempos foram passando e que hoje de pouco serve esgravatar a ferida, tanto mais que a generalidade dos alemães de hoje nasceram no pós guerra. Mas é perigoso esquecer a possibilidade do holocausto não ser meramente resultante de um exercício de poder levado a cabo por um grupo de facínoras. Aproveitemos para relembrar o caso da Jugoslávia.

Suponho que a França está a braços com uma circunstância idêntica. Não se trata de uma semelhança de métodos implantados no terreno, mas de uma semelhança no que respeita ao alinhamento em logros. Suponho ainda que não seja só em França, mas suponho ser lá que a coisa mais se faz notar.

Um dos logros consiste em supor-se que tudo o que tenha uma explicação (que pareça razoável) cujas consequências incidam sobre um grupo denominado “vítima” e cujas causas sejam imputáveis a uma determinada “situação”, isentem o vítima de toda a responsabilidade.

Outro logro consiste em meter no mesmo saco integração e direito à diferença. Suponho que uma implica inexoravelmente o fim da outra. Se a diferença é pequena, a integração pode manter-se em suspenso, mas não me parece que seja possível equilibrar, ombro a ombro, posicionamentos muito diferentes, face à vida (e à morte).

Em relação ao segundo logro, suponho que um país se aguenta quando comporta uma enorme quantidade de pouca diversidade ou uma pequena quantidade de muita diversidade, mas não uma enorme quantidade de muita diversidade.

Sei que a Índia é um exemplo do contrário do que afirmo, mas também sei que a Índia é uma realidade muito antiga, que já passou por aquilo que a Europa parece querer evitar. Sei também que os Estados Unidos da América são um exemplo de uma enorme diversidade. Mas a sociedade é tão entrecortada que é essa diversidade que faz a sua homogeneidade. Apesar disso já teve as suas indigestões.

Em relação ao primeiro logro, ele não é mais que o resultado da percepção, mais ou menos inconsciente, de que se está perante uma bomba relógio, e que se pensa ser possível evitar o rebentamento simplesmente deixando passar o tempo.

Que o furúnculo rebentou, já se percebeu. Vejamos se pretendem fechá-lo debelando o núcleo, ou se se contentam em colocar-lhe um penso por cima. Há sinais de que é a segunda hipótese.

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27/10/2005

Panaceia

Panaceia: aqui está uma coisa interessante.

Ou a Micro$$$oft já lhe moveu uma guerra danada ... ou está a preparar-se para isso, aposto.

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13/10/2005

O regabofe continua

Fiquei a saber, pelo programa Prós e Contras (RTP1) de 10 de Outubro de 2005, que tinha sido promulgada legislação no sentido de aumentar substancialmente as subvenções estatais às campanhas das forças políticas concorrentes às eleições autárquicas (não percebi se a nova legislação respeitada a todos os tipos de eleições).

Segundo um dos intervenientes ao programa, a medida destinar-se-ia a evitar que os partidos mergulhassem em esquemas de financiamento menos confessáveis.

A verdade é que ninguém desmente que nas ainda fumegantes eleições autárquicas as despesas com a campanha não tenham disparado até ao céu.

Isto significa que as forças em presença, esmagadoramente formadas por partidos políticos, se estiveram absolutamente nas tintas para a virtualidade da intenção legislativa e prosseguiram pela via da ilegalidade.

A ser assim, porque não há dirigentes partidários no banco dos réus ao lado de Fátima Felgueiras?

Isto só demonstra que Fátima Felgueiras não terá simplesmente sido suficientemente competente para fazer o que continua a ser a prática generalizada, “a coisa pela calada”.

E há ainda quem se admire que a Fátima Felgueiras ganhe eleições ...

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A SIC e o disparate da radiação venenosa


No mesmo Jornal das 13h, de 11 de Outubro de 2005, e em relação a um problema qualquer em Los Alamos (EUA), a SIC, continuando na senda do disparate total, refere, em voz-off: “... o plutónio é radiologicamente venenoso ...”

Mais um disparate. O plutónio é venenoso e radiologicamente perigoso. Mas não é radiologicamente venenoso.

Ser radiologicamente perigoso refere-se ao mundo da física – é capaz de emitir partículas capazes de partir moléculas.

Ser venenoso refere-se ao mundo da química – é capaz de provocar reacções químicas adversas ao organismo humano.

Este disparate equivale a dizer-se que dar uma martelada na cabeça é venenoso.

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42% - quase o dobro

No Jornal das 13h, de 11 de Outubro de 2005, a SIC declara: os trabalhadores da região de Lisboa ganham quase o dobro dos restantes trabalhadores. Em simultâneo exibe um oráculo onde se lê o valor de 42%.

Trata-se de um belo exemplo do nível de ignorância que, em matemática, afecta a esmagadora maioria dos jornalistas.

Embora a matemática em causa não exija mais que o 6º ano de escolaridade, vejamos em pormenor:

- 42% está bastante próximo dos 50%. Logo será razoável que fosse anunciado que os trabalhadores da região de Lisboa ganhavam mais metade do que os restantes.
- 42% está mais longe de 100% (o dobro) do que dos 0% (o mesmo). A SIC arredondou a percentagem a zero decimais, mas, em boa verdade, o arredondamento de 42% a zero decimais dá 0% (0.42 arredonda, a zero decimais, para baixo (0) e não para cima (1.00=100%). Neste caso a notícia deveria referir que os trabalhadores de Lisboa ganhavam o mesmo que os restantes.

A única explicação reside na necessidade de exagerar. E o exagero é notório.

Para se evidenciar melhor o nível de disparate, a verdade é que, mesmo que o diferencial entre aquilo que os trabalhadores de Lisboa ganham em relação aos restantes, fosse o dobro daquilo que é, ganhariam somente mais 84% daquilo que os restantes ganham, portanto ainda abaixo do dobro anunciado. Pela exacta forma de encarar o problema exercitada pela SIC, e mantida a mesma e exacta proporção de disparate, caso o dito diferencial fosse de 84% (ainda abaixo do dobro) a SIC anunciaria que se trataria do quádruplo.
Já agora, a SIC podia enquadrar a coisa e chamar a atenção para o nível de despesas fixas a que os trabalhadores de Lisboa estão sujeitos. O que interessa não é aquilo que se ganha mas com quanto se fica depois de despender o que não pode ser evitado. Mas, claro que, pela perspectiva da SIC, espalhar disparates é muito mais necessário. Se o jornalista da SIC pensasse, a percebia que a peça não tinha qualquer razão de ser.

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Os Melgas da Alegria


Trabalhei ontem até muito tarde. Já na cama descubro, da pior maneira, que o difusor anti-melga se tinha acabado. Durante a noite, mal dormida, matei, à chapada 18 melgas.

Ainda mal acordado, ligo a TV e na RTP1 está o pseudo-alentejano de serviço do programa Praça da Alegria a tecer considerações sobre notícias de um jornal.

Uma das histórias, segundo o personagem, rezaria assim:

Um determinado homem, angolano, encontrava-se retido, com o filho, menor, num campo de repatriamento inglês e na eminência de ser recambiado para Angola.

Porque teria feito parte de um movimento democrático pelo qual familiares seus, ainda no território, estavam a ser perseguidos, alguns deles estando mesmo presos, esse homem não poderia ser repatriado sem correr grave perigo.

Tendo tido conhecimento de que em Inglaterra não seriam repatriados menores órfãos, o angolano decidiu-se e prosseguiu com o suicídio.

A alentejana(?) figura decide então retirar a sua moral da história. Segundo ele, como seria possível que Blair, invasor de países, repatriasse um cidadão naquelas circunstâncias?

À figura de boina e capote, não ocorre perguntar porque anda a sinistra figura de José Eduardo dos Santos a perseguir cidadãos que se envolvem em lutas de cariz democrático.

Não lhe ocorre perguntar porque se perseguem familiares de pessoas que se envolvem em lutas pela democracia.

Não lhe ocorre perguntar como é possível num país em paz, rico em recursos, como Angola, provocar a fuga de cidadãos para o estrangeiro em circunstâncias dramáticas.

Dá implicitamente de barato que reconhece que em Angola está instalado um regime que persegue democratas e que persegue familiares de democratas e não dá mostras de ver nisso qualquer problema.

Por distracção certamente, não repara que justamente o malogrado angolano viu em Inglaterra um potencial território de refúgio.

... e só lhe ocorre culpar Blair pela tragédia, exactamente um dos poucos dirigentes políticos que é capaz de colocar tropas para libertar países que se encontram debaixo de regimes idênticos ao angolano, ... que sumariamente executa democratas ...

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10/10/2005

Cunha monárquica


Mário Soares

Lê-se no Público:


Soares viola lei eleitoral Pela segunda vez em oito meses, Mário Soares violou a
lei eleitoral ao ter defendido ontem a vitória do seu filho, João Soares, nas
eleições para a Câmara de Sintra.
Aposto que, se fosse Santana Lopes, a comunicação social entrava em esteria e, durante 15 dias não falava de outra coisa.

Se Mário Soares comete deslizes tão primários quanto este, imagine-se as escorregadelas de que seria capaz caso chegasse a Belém ...

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Televisão: a opção reles


Escreve João César das Neves, no DN.

Boa parte da programação dos canais generalistas, sobretudo SIC e TVI, é ordinária. Não está em causa a qualidade técnica, sofisticação de métodos ou pergaminhos dos participantes. É a escolha dos temas e atitude no tratamento que é boçal, rasca, estúpida. Mas, ao contrário do que se diz, tal não se deve a imperativos de sucesso ou exigências do público. É mesmo falta de talento dos produtores. A grosseria não vem do que os espectadores impõem, mas do que os autores conseguem.

Devo confessar que não falo por experiência directa. Há anos classifiquei esses programas na categoria de "lixo tóxico" e deixei de ver. Descobri, no entanto, que o poder da televisão se estende mesmo aos que a não vêem. Conversas de amigos e relatos de jornais fazem sentir a sua influência. Por isso sei que, mesmo ignorando nomes e desconhecendo pormenores, a descrição que se segue é justa e exacta.

Existem evidentemente rubricas e profissionais de qualidade. Mas no horário nobre, nos programas de grande audiência, dominam as opiniões idiotas, a brejeirice tonta, o disparate assumido, a gabarolice e vaidade, o sexo ou a simples alarvice. Novelas, concursos, shows e telejornais assumem que a imoralidade é popular, natural, recomendada. Adultério, aldrabice, fornicação, corrupção e malandragem são a dieta quotidiana da televisão.

Isto não é escolha do público, mas decisão dos canais. Claro que há gente que gosta de se espojar na lama, mas a maioria dos portugueses é composta de pessoas normais, que se sentem tentadas pelo prazer e elevadas pela sabedoria. A escolha está na televisão. A opção pela parvoíce, pornografia e aviltamento não vem do grande público, mas do pequeno produtor. A devassidão das séries juvenis não nasce de um deboche generalizado nas escolas nacionais, mas da depravação privada dos seus autores. Não é Portugal, mas o pequeno mundo da televisão, que faz germinar porcarias destas.

Outros países, e até o nosso às vezes, mostram bem como é pos- sível fazer programas populares de qualidade, como se pode ter, ao mesmo tempo, graça e interesse, sucesso e elevação. Mas, evidentemente, isso é impossível a autores sem valor, que se refugiam na asneira. O caso do humor é revelador. Perante uma sala, um comediante pode dizer uma piada inteligente e bem concebida, ou fazer uma alusão insultuosa ou obscena. Em ambos os casos ele arrancará, naturalmente, uma gargalhada. Se, por preguiça ou incapacidade, envereda pela facilidade, pensa "é mesmo disto que a malta gosta!".

À falta de talento junta-se, assim, o tradicional desprezo que as elites nacionais têm pelo povo. As televisões assumem que quem os vê é estúpido e bruto. Esse desdém pelo cliente sente-se, desde logo, no descuido com que os canais violam os seus próprios horários de programação. Mas o principal sinal está na opção arrogante pela indoutrinação da massa ignara. É curioso, mas triste, voltar a ver a atitude paternalista do salazarismo, agora com propósitos opostos.

Por exemplo, dizem-me que nestes meses vários concursos e novelas decidiram outorgar ao país um curso catequético completo sobre homossexualidade. Impondo os dogmas do género e elaborando as doutrinas da seita, querem apresentar essa visão como a única verdade aceitável. O pedantismo é o mesmo dos antigos programas do Movimento Nacional Feminino sobre lavores ou economia doméstica; a subtileza é igual à das Conversas em Família, de Marcelo Caetano. Só que sobre sodomia.

Que se pode dizer acerca disto? Que esta fase não vai durar muito. Num mundo aberto, o mau gosto raramente domina a totalidade. O deslumbramento libertário acabará por ceder ao enjoo, à reacção dos bons profissionais, à frescura da nova geração. Aliás, contando com a ajuda da tecnologia. A TV por cabo traz verdadeira liberdade e os programas aí têm de ser bons para segurar os subscritores. Com a penetração desta última, não tarda que os canais generalistas tenham de mudar. Senão passarão a meros canais temáticos da obscenidade.


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Bloco de Esquerda e a política dos fogos

Recebi esta prosa por e-mail, desconheço quem seja o autor.

Bloco de Esquerda e a política dos fogos


Medidas que, com toda a certeza, seriam subscritas pelo Bloco de Esquerda para acabar com
os incêndios:

1.
Despenalização imediata dos incêndios: até porque há tantos, não se conseguem evitar e nada será conseguido com a aplicação de medidas persecutórias e sancionatórias!

2.
Como os coitadinhos dos incendiários são doentes, socialmente marginalizados e, como todos os demais delinquentes, são vítimas indefesas e inocentes do capitalismo, por isso, devem ser tratados como tal: é preciso criar zonas específicas para poderem incendiar à vontade. Nas "Casas de Incêndio" serão fornecidos fósforos, isqueiros e alguma mata.

Sob a
supervisão do pessoal habilitado e pago com o dinheiro dos contribuintes, estas vítimas poderão lutar contra esse flagelo autodestrutivo pessoal.

3.
Fazer uma terapia baseada nos "Doze Passos", em que o doente possa evoluír do incêndio florestal à sardinhada. O pirómano irá deixando progressivamente o vício: da floresta à mata, da mata ao arbusto, do arbusto à fogueira, da fogueira à lareira, da lareira ao barbecue até finalmente chegar à sardinhada do Santo António e do São João.

4.
Quando o pirómano se sentir feliz a acender a vela perfumada em casa, ser-lhe-á dada
alta, iniciará a sua reintegração social e perderá o seu subsídio de incendiário, passando a auferir uma pensão a título de compensação pelo sofrimento de que foi vítima.

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03/10/2005

A vacina contra os incêndios ou o A4 aguenta tudo

Em relação às origens dos incêndios, já verti anteriormente uns caracteres. Vou agora debruçar-me sobre as formas de minorar as consequências.

Nunca em Portugal houve tanta floresta quanto hoje.

É sabido que, desde os descobrimentos, se operou uma razia tal à nossa floresta que só recentemente (últimas décadas) foi compensada.

A floresta de hoje não é igual à floresta anterior aos descobrimentos: é muito mais densa porque é maioritariamente composta por pinheiro e eucalipto.

A pinheiro e o eucalipto são excelentes combustíveis. Quando começam a arder, ninguém lhes pode fazer frente.

Há ainda áreas (ou havia, no Algarve) onde o sobreiro é dominante. Mas aí, a praga ecologista tratou de criar as condições que garantissem que o fogo se viesse a propagar de forma incontrolável: conseguiu obter legislação que proibisse não só a limpeza dos terrenos, como a limpeza dos matagais que sempre se formam nas margens dos cursos de água (por pequenos que sejam).

Os cursos de água progridem, naturalmente, nas zonas mais baixas do terreno. Conhecendo-se a facilidade com que um incêndio de propaga encosta acima, a presença de chamas nos matagais dos cursos de água garante a proliferação das chamas pelos vales, como um rastilho de pólvora, e a respectiva propagação às encostas, exactamente a forma pela qual mais eficientemente tudo arde.

Há-de sempre haver incêndios. É disparatado pensar que se pode, em absoluto, evitar o seu aparecimento. A única coisa que há a fazer é criar mecanismos para evitar que eles se tornem incontroláveis.

Não vale a pena gritar por helicópteros e por outros equipamentos, se, de cada vez que se acrescentem meios, se descurar, ainda mais, a organização da floresta. Os meios aumentam na proporção do caos florestal, e ficamos na mesma.

Parece óbvio a toda a gente, que algumas coisas relativamente simples baixariam drasticamente não o perigo de incêndio, como muitos erradamente afirmam, mas a perigosidade do incêndio.

O perigo de incêndio diz respeito à possibilidade, ou não, da sua eclosão. A perigosidade diz respeito às consequências caso o incêndio se instale.

O segundo pode fazer diminuir o primeiro: a redução substancial das consequências de um incêndio é um factor desmobilizante da mão criminosa.

Voltando à prevenção, e deixando de lado os meios, porque, suponho, já teremos, média geral, mais que suficiente (alugados ou não), há duas coisas que parecem óbvias: é preciso manter a floresta limpa, e é preciso dividir a floresta de forma que vastas áreas sem arvoredo permitam que um incêndio numa das zonas se extinga quase por si próprio, ou possa ser eficientemente combatido.

A limpeza da floresta é essencial para que seja possível atravessá-la, mas não chega. Ela arde na mesma.

A limpeza é necessária, por um lado porque há espécies que crescem espontaneamente, por outro porque as operações de abate deixam no terreno altíssimas quantidades de matéria combustível.

O problema é que a limpeza tem enormes custos que ninguém parece querer suportar.

Em tempos que já lá vão, os rebanhos tinham um papel preponderante nesta matéria. Já vi, perante meus olhos, zonas perfeitamente transitáveis sem qualquer manutenção aparente, tornarem-se impenetráveis matagais simplesmente porque o pastor lá da zona se reformou.

Surge então o papel do estado que, entre nós, legisla quase sempre para dar a impressão que o “preto no branco”, si por só, resolve alguma coisa. Os governos e a Assembleia da República ainda não legislaram no sentido da obrigatoriedade de chover nas datas adequadas, mas já faltou mais.

Como diz um homem que conheço, o A4 aguenta tudo, mas a realidade está-se nas tintas para o que lá coloquemos.

Só será possível conter os incêndios (evitar é outra coisa) se forem encontrados métodos baratos de manter as florestas limpas e se se encontrarem formas de compensar os agricultores que se vejam inibidos de plantar floresta nas suas propriedade em virtude da criação de zonas tampão desflorestadas. E esse esforço não pode ser só dos governos ou das autarquias: tem que ser de toda a população, ao nível das juntas de freguesia. De outra forma continuaremos a ver arder e a culpar os governos.

Repare-se que a generalidade da população rural nem sabe o que fazer em caso de incêndio. Não tem pás, máscaras, botas, coisas simples que lhes permitissem sequer fazer face a um peque o incêndio.

Na perspectiva em que as coisas se encontram, não é mau de todo que o território vá ardendo. Caso contrário, o volume e o caos florestal tomariam tais proporções que o primeiro incêndio reduziria a cinzas a totalidade do território nacional.

Enquanto não formos capazes de organizar a floresta (organizar-nos a nós próprios), resta-nos que as vastas áreas que vão ardendo sirvam de vacina para os próximos anos e permitam que as áreas já ardidas funcionem como tampão para os próximos fogos.

Quando não respeitamos a natureza, ela encontra os seus próprios caminhos, com ou sem a nossa colaboração – a nosso contento ou não.

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ECE – vamos a isso

Os bombeiros de Albufeira resolveram apelar a que se inclua no telemóvel um número de telefone com o nome ECE (Em Caso de Emergência) para onde eles possam ligar (consultando o telemóvel da vítima) para obterem informações sobre o acidentado e para, simultaneamente, avisarem a pessoa que a vítima indique como sendo a mais adequada para o efeito.

É uma boa ideia. Segundo a SIC, a ideia vem dos Estados Unidos onde o sistema está em uso.
Mais uma ideia que vem dos EUA, como a maioria delas. Umas más, outras boas.

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O Bloco de esquerda e a moral



No programa Parlamento (RTP2) de 2 de Outubro, Miguel Portas, do Bloco de Esquerda, defendeu que os trabalhadores alemães teriam sido enganados durante as negociações laborais por causa da construção do cabriolet da VW.

Segundo Miguel Portas, os custo de mão de obra dos trabalhadores portugueses teriam sido postos “em cima da mesa” como forma de obrigar os trabalhadores alemães a baixarem os seus proventos, numa altura em que em Portugal já se saberia que o carro nunca seria construído na Auto Europa.

Repare-se a conta em que Miguel Portas tem os sindicatos alemães. Em Portugal sabe-se que o carro não será cá construído, e os sindicalistas alemães andam distraídos. Se calhar não têm por hábito ler os jornais dos territórios onde estão instaladas as fábricas com que são ameaçados ...

Miguel Portas é, de longe, o bloquista mais equilibrado. Mas ...

Quanto a Ilda Figueiredo, do PCP, é um caso perdido.

Já agora, qualquer bom militante anti-globalização deveria congratular-se por não ter acontecido mais esta deslocalização: da Alemanha para Portugal. A não ser que as deslocalizações sejam boas quando se fazem para o nosso país, e más quando abandonam o nosso território. A não ser assim não se percebe porque sempre que uma empresa se deslocaliza para fora de Portugal os ditos bloquistas de indignam invocando questões de moral. A não ser que a morar deles seja a mesma de que acusam George Bush: quando ganhamos está tudo certo, quando perdemos, não está.

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Comparemos antes de escoicinhar


Não devo ter vasculhado o suficiente, mas não encontrei nenhuma outra comparação geográfica directa entre estado Norte Americano de Luisiana e Portugal.

Aqui fica a pequena contribuição, com algumas notas:

1 – A superfície do Luisiana é de 134,275 Km2, muito embora parte dela não seja terreno “fixe”.

2 – A superfície de Portugal é de 92,082 Km2, quase toda terreno fixe. Suponhamos, portanto, que têm superfície idêntica.

3 – As altitudes mínima e máxima do território do Luisiana são de –2.4 e 164m respectivamente. A média, é de 30m.

4 - As altitudes mínima e máxima do território de Portugal são de 0 e 1998m. Desconheço a média.

5 – No Luisiana há 3.200Km de diques para tentar controlar as cheias. Em Portugal quase não há diques desse tipo, os que há, ou já estão rotos ou em vias disso.

Imagine-se agora:

1 - O que aconteceria se o território nacional fosse atacado por um furacão como o Katrina, que o atravessasse longitudinalmente.

2 – Quais as possibilidades de sucesso na evacuação de todo o território. Neste caso não conviria que fosse para o mar. Sugestões?

3 - Imagine-se que uma quantidade de gente não queria, não podia, ou não conseguia sair de casa. Quem os iria obrigar a sair e porque meios os transportaria?

4 – É certo que o nosso país tem muito mais declive. Mas, se fosse idêntico ao Luisiana, como socorrer gente cercada de água dispersa por todo o país, e por que vias de comunicação (se a maior parte estivesse debaixo de água ou bloqueada por destroços)?

Se fôssemos atingidos por uma hecatombe daquele tipo, seriamos provavelmente ajudados pelos parceiros da Europa, mas é provável que a Espanha tivesse um papel determinante. Alguém tem a certeza que, perante a premente necessidade de ajuda espanhola, que se teria que manter por meses, não surgiria a ideia de os deixar ficar?

Eu espero que não. Talvez isso servisse para que passeássemos a respeitar mais os nossos dirigentes e estes se tornassem mais respeitáveis. Ou talvez não.

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A caixinha mágica e a caixa de fósforos

Durante o período em que estive afastado da web, assisti a um dos Prós e Contras na RTP1 que andava à volta dos incêndios.

Um dos temas em debate versava o facto de haver, ou não, uma ligação entre a exibição de imagens dos incêndios e a multiplicação de casos do fenómeno.

Basta ter conhecimento de que a Polícia Judiciária refere, com frequência, que a maioria dos incendiários identificáveis praticam os respectivos actos por razões fúteis, para perceber que é funesta a exibição de imagens apelativas.

Já sei que muitos me vão querer trinchar por dizer que as imagens são apelativas. Só refiro o facto de não conhecer ninguém que não goste de observar o crepitante fogo numa lareira. De facto são apelativas, e no caso dos incêndios são-no para quem nada perde, directamente, com eles.

Não me parece que a possibilidade de ver manobrar helicópteros não seja motivo suficiente para que muita gente ateie fogo sem ter a consciência do que está a fazer. Para provar a existência de muita inconsciência, basta dar uma volta pelas zonas onde o perigo resultante do aparecimento de um incêndio é maior, e observar a quantidade de pequenos fogos ateados para roçar mato, afastar as cobras, limpar matagais, queimar lixo, fazer churrascos, etc, e em que os respectivos promotores se mantêm junto ao fogo, aparentemente inconscientes de que a todo o momento se pode abrir a caixa de pandora. Este verão deambulei pelas albufeiras de várias barragens ladeadas de florestas e, à noite, viam-se claramente fogueiras nas margens.

Havia até casos em que parecia que os proprietários queimavam o mato rasteiro que separava suas casas da floresta, na tentativa de manter o terreno limpo e assim dificultarem a eventual progressão de um incêndio, que se acercasse, vindo do arvoredo. Suponho que a hipótese de o fogo se escapar para o arvoredo não lhes ocorresse.

Estou convencido de que muita cachopada (e adultos também, naturalmente), pela socapa, ateia fogos para ver bombeiros, helicópteros, câmaras de televisão, enfim, o movimento que nunca tem possibilidade de ver. Como se, tivesse encontrado uma forma de trazer para junto de si o bulício da civilização que uma parte substancial da população parece adorar.

Estou também convencido de que a vingança e a inveja são motivos mais que suficientes para que muitas pessoas risquem o fósforo, tanto mais que a possibilidade de sucesso em provocar um gigantesco incêndio, escolhendo um locar adequadamente ermo para o provocar, é inversamente proporcional à possibilidade de se vir a ser apanhado.

Justamente as televisões mantêm fresca, na cabeça dessas pessoas, a memória dessa possibilidade. Não só exibindo os efeitos, como relembrando que os fogos foram ateados em locais ermos, como quem diz: “é assim que se faz, estão a perceber?”. Aliás, não há bombeiro ou político que evite “explicar” que é assim que se faz a coisa.

A ladainha dos meios aéreos (“ganda pinta – helicópteros por todo o lado”) é vomitada recorrentemente a pretexto de serem muitos, ou poucos, ou terem chegado tarde, ou serem caros, ou nacionais, ou estrangeiros, grandes, pequenos, com asas, sem elas, etc, etc, mas sempre lembrando que eles não estão aí para outra coisa.

Já várias pessoas me disseram, cara a cara: “o mal é passarem helicópteros, até parece que são eles que pegam o fogo”. Parece-me razoável supor que a passagem de helicópteros é suficiente para relembrar aos “voluntários” que a caixa de fósforos resulta.

Voltando ao Prós e Contras, um dos convidados era o director de informação da RTP e outro um jornalista.

O primeiro tentava tapar o sol com a peneira explicando que os seus jornalistas tentavam evitar enquadramentos em que se vissem chamas por detrás dos repórteres.

O segundo era mais surreal.

Tentava ele defender que não havia estudos que comprovasses uma ligação entre a exibição de imagens e o aparecimento de incêndios ... Ficámos a saber que aquele ardina nos queria convencer que desconhecia a existência e os mecanismos pelos quais a publicidade actua ... Queria que acreditássemos que desconhecia a indução de desejo por exibição de imagens apelativas, qualidade que, aliás, nenhum dos presentes negava, muito embora preferissem o termo “dramáticas”.

Há, de facto, muita gente que “vive” dos incêndios. Alguns habitam a caixinha mágica.

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30/09/2005

Mais um piquenique

Aqui estes artistas voltaram aos piqueniques.

Só foi pena de não se terem lembrado de colocar um cartazito reclamando o fim das centenas de ataques suicidas contra a população iraquiana (mulheres crianças, desempregados, etc) que, segundo os piqueniqueiros, matam centenas de cada vez (por culpa dos unilateralistas das terras do tio Sam, pois claro).

... a não ser que achem a coisa justificável ... (deve ser só impressão minha).

Serão os mesmos que abalaram para o Iraque, antes da invasão, como escudos humanos?

Já percebi, foi, nessa altura, um excesso de altruísmo. Foram para lá cedo demais, e agora, no momento em que mais falta lá fazem é quando, justamente, o vil combustível está mais caro.
Ora abóbora.
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O valor da vida em função da origem da bala

[mais um que veio a pé]

Caiu o Carmo e a trindade quando a polícia Londrina matou um imigrante brasileiro.

Não discuto os pormenores que envolveram a coisa, dou de barato que, no meio da confusão, tenham perdido o controlo e tenham morto um absoluto inocente.

Os multilateralistas de serviço armaram um caldinho de todo o tamanho, pedindo, a torto e a direito, explicações aos ingleses (unilateralistas) acerca da história.

Os responsáveis políticos ingleses lá tiveram que pedir desculpa milhentas vezes, os embaixadores andaram numa fona, foram exigidas (e pagas) indemnizações, etc. Enfim: cobras e lagartos.

Só uma coisa não foi esclarecida: que explicações dá o estado brasileiro e que indemnizações entrega aos familiares das pessoas mortas em circunstâncias idênticas ou por simples fuzilamento, quando a coisa se passa dentro de portas?

Há dois pesos e duas medidas? O cidadão brasileiro só tem direito à vida fora de fronteiras?

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Candidatos independentes merecem mais confiança

Em relação à boa mão cheia de candidatos independentes à presidência das Câmaras Municipais que estão a contas com a justiça, há uma perspectiva que não recordo ter visto abordada.

Parece ponto assente de que a generalidade da população portuguesa está convencida que a corrupção generalizada nas câmaras municipais existe, e com intuitos de financiar partidos políticos, carreiras políticas e equipes de futebol (actividade de que já ouvi falar e que alguns defendem tratar-se de um desporto).

Não faltam aliás acusações vindas exactamente de dentro do meio autárquico.

Suponho que este convencimento pode implicar duas outras possibilidades:

1 – Que os casos que foram parar à justiça resultaram da catrafilagem dos candidatos (outrora presidentes de câmara) pelos próprios correligionários, por não verem fluir a quantidade de bens que acham apropriados em proveito dos respectivos partidos e/ou deles próprios.

2 – Que a denúncia destes casos por adversários políticos se deve somente ao apetite que os mesmos recursos lhes provocam.

Partindo destes pressupostos, parece-me razoável que a população conclua que há que apoiar exactamente aqueles que cortaram amarras aos partidos políticos. Estando quebrado o canal de drenagem de bens, estão finalmente criadas as condições para um exercício mais saudável do poder autárquico. De acusados passam a heróis.

O inexplicável e rocambolesco comportamento do sistema de justiça (demora nas investigações, fugas de informação sobre os resultados das investigações, demora em ser deduzida uma acusação, fugas de informação em relação às decisões de juizes, sentenças contraditórias, julgamentos para as calendas gregas, milhentos adiamentos) parece tornar ainda mais verosímil todo este cenário.

Lembremo-nos do julgamento do General Garcia dos Santos por causa da JAE: levantou a lebre, foi condenado.

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O vetusto monárquico


[Este artigo vem atrasado, mas não podia deixar de aqui saltitar.]

Mário Soares candidato à Presidência da República ...

Será que ele não escutou as palavras do antigo Presidente da Assembleia da República, Almeida Santos? Dizia ele: “Na minha idade, sabe-se como se está hoje, mas não se sabe como se estará amanhã”.

Evidentemente que isso se pode dizer de qualquer um, mas não é difícil perceber que aos 80 anos é mais verdade do que nunca. E quanto à ainda intocada sagacidade ... a decisão não é mais que uma prova do seu mau estado.

Só vejo uma possibilidade: Sócrates está a fazer os possíveis para retirar do caminho a linhagem monárquica Soares. Esperemos que não fique um espinho em Sintra.

Todos devemos algo a Soares. Para preservar essa memória há que evitar que ele volte a ocupar o palácio de Belém. Temos que passar à etapa seguinte, não à anterior.

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29/09/2005

O preto e branco, a poesia e a fome.

A propósito deste excelente artigo, resolvi ranger um bocado.

[revisto]

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Quando é que a esquerda resolve reclamar o fim do proteccionismo à agricultura europeia?

As ajuda económica (dinheiro) a uma vaca europeia é superior ao que um pobre, do terceiro mundo, tem para viver.

Embora isto embarateça os produtos agrícolas ao consumidor final (à custa de impostos, evidentemente), não é mesmo assim suficiente para competir com o preço das eventuais exportações de países do terceiro mundo. Portanto, para aplacar essa possibilidade, há que aplicar taxas alfandegárias à entrada de víveres daqueles com quem os Live Aids dizem preocupar-se.

Os Live Aids não são, portanto, mais que um processo de tranquilização das próprias consciências invocando os maus da fita do costume - governos capitalistas, unilateralistas, etc, etc.

Nenhum governo europeu se atreve a defender o levantamento puro e simples do proteccionismo porque sabe que isso significará desemprego, abandono dos campos, etc, enfim, a eventualidade de se verem avançar campos de golfe.

Tudo se resume, portanto, a um dilema: ou comemos nós (os europeus) ou come o terceiro mundo.

Claro que pode haver nuances: percentagens de importação, etc. Mas disso a esquerda não gosta. Isso é navegar no cinzento. O preto e branco (como nos filmes) é mais poético. Poesia e fome (a dos outros) andam, pelas nossas paragens, de mãos dadas.

Nesta matéria, como noutras, a esquerda, que se parece cada vez mais com uma lagarta anafada (escolhi lagarta por similitude de inteligência), prefere alienar, à direita, suficiente campo de manobra para que seja esta a reivindicar a defesa dos pobres. Perante o facto consumado, e para a contrariar, a esquerda coloca-se rapidamente ao lado da extrema direita – proteccionismo, proteccionismo, proteccionismo, abaixo a globalização.

Surgem alguns com uma ideia ainda mais peregrina: alinhar com a globalização para, estando lá dentro, poderem controlá-la, leia-se “canalizar recursos para a Europa à custa do resto do mundo”. Mas os países (e empresas) que já estão (globalmente instalados) têm sistema nervoso central desenvolvido e não cairão na esparrela.

Voltando à poesia, que diria a isto Manuel Alegre?

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27/09/2005

Lobis e penhoras

A propósito de lobis e mais lobis, de dinheiro mal gasto e da incompetência generalizada que grassa pelo funcionalismo público, já alguém se apercebeu de que muitas Câmaras Municipais têm dívidas de tal maneira altas à Portugal Telecom que ficam sem possibilidade de renegociar contractos ou procurar fornecedor alternativo por forma a poderem ter melhores preços de chamadas telefónicas (telecomunicações em geral)?

Nem procuram alternativa porque sabem que a PT lhes cortaria de imediato os telefones invocando a dívida … que as Câmaras não estão, evidentemente, em posição para liquidar …

E a farra vai continuando. À custa de todos, a PT cobra preços exorbitantes, usando como penhora, a dívida que as Câmaras lhe vão fazendo o jeito de manter.

João Cordeiro e a PIDE



Em relação ao debate de ontem na RTP1, programa Prós e Contras, só me ocorre lembrar um programa que recordo ter visto enquanto criança no programa Zip Zip (fim dos anos 60).

Nessa altura Fialho Gouveia entrevistava um prestamista proprietário (casa de penhores).

Alguém da produção do programa tinha levado ao balcão da casa de penhores do entrevistado, para penhorar, um gravador de som novinho em folha. O estabelecimento avaliou o equipamento numa ninharia e foi esse o valor entregue ao pretenso dono do equipamento.

Fotocopiado o documento comprovativo da penhora, o equipamento é resgatado no dia seguinte.

Durante o programa, em directo, Fialho Gouveia pergunta ao prestamista o porquê de serem atribuídos, nas casas de penhores, valores tão baixos aos objectos penhorados. O prestamista contraria Fialho Gouveia dizendo que isso não é verdade e que, imbuído da noção que tem de estar a prestar um bom serviço à sociedade, avalia sempre os objectos por valores muito próximos do seu valor real.

Fialho Gouveia convida-o então a avaliar o mesmíssimo gravador anteriormente avaliado pela casa de penhores de que o entrevistado é proprietário. O homem avalia o equipamento por um valor aproximadamente 10x superior ao oferecido ao balcão do seu estabelecimento.

Revelada ao prestamista a fotocópia do documento obtida anteriormente ao balcão, o convidado, sentindo-se encurralado, não se coíbe de ameaçar, em directo, Fialho Gouveia (e o programa), invocando “o conhecimento de pessoas importantes” supõe-se que, directamente ou indirectamente da PIDE/DGS.

O representante da Associação Nacional de Farmácias, na pessoa de João Cordeiro, fez-me lembrar ontem o prestamista.

Como é que o homem se atreveu a ameaçar o ministro e o estado?

A cena foi tão surreal que tive por momentos a nítida impressão de ver entrar um inspector da PIDE e seus capangas para abafar o impertinente ministro comunista (qualidade que João Cordeiro não se coibiu de insinuar).

… eles andam aí …


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26/09/2005

Segurança Social - 1 ano de atrazo

Venho aqui de passagem para perguntar se alguém percebe porque está a ser processada, com mais de 1 ano de atraso, a documentação entregue pelas empresas na Segurança Social?

Há uns tempos comprei um carro (em segunda mão, claro). O carro tinha sido matriculado no registo automóvel do Porto, portanto, demorei mais de 1 ano a receber o novo registo de propriedade.

Já que anda por ai uma febre de expor tudo na Internet, talvez fosse de também lá colocar o nome dos responsáveis, incluindo os trabalhadores, de todas as secções do estado que têm trabalho em atraso, e, já agora, a percentagem de dias em que cada um deles não compareceram ao trabalho, quer por motivos justificados quer injustificados.

… entretanto, continuo sem linha telefónica. A empresa de telecomunicações em causa explicou-me, a semana passada, que o atraso se devia … a falta de impressos …

15/09/2005

... ainda estrebucho

Embora ganas me não faltem, só dentro de um mês devo poder voltar a publicar regularmente (a linha telefónica nunca mais é instalada).

Desculpem.

RoD

19/07/2005

Sou um só ... !!!



Este blog não é como o monstro das bolachas: é alimentado por um único escravo.

Suponho que não terei tempo para ele durante mais umas duas semanas.

Peço desculpa aos leitores,

Range-o-Dente.
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04/07/2005

Live Aid ...

Na Biblioteca de Babel, artigo a ler: Live Aid - os poetas oferecem sonhos... mas não soluções

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Fenómeno Unilateralismo / Multilateralismo

Nova tabela clarificadora de como as diversas partes do globo encaram o fenómeno Unilateralismo / Multilateralismo em função do público a que se destina.

Já agora, é de relembrar a "(Sempre Nova) Bíblia do Jornalista".

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01/07/2005

Energia nuclear "limpa"

Salvador, na Biblioteca de Babel, publica este excelente artigo, a que acrescentei, em comentário:
A mim irrita-me outra coisa: não queremos o nuclear mas não nos importamos de consumir energia eléctrica gerada por essa via.

É como dizer que os fins justificam os meios desde que em território alheio. Ou que queremos a energia mas não queremos os efeitos colaterais.

Evidentemente que pagamos a electricidade. Fazemos (esquerda inclusive) o que os norte americanos dizem: o (vil - diz a esquerda) dinheiro paga tudo. Dito de outra forma, desde que se pague tudo está certo. E continuamos a não querer o nuclear.
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30/06/2005

Buuuuuum



* Actualizado *

Aconteceu ao Barnabé o mesmo que às fábricas de pirotecnia portuguesas. Digamos que foi atacado por um efeito colateral, ou, melhor dizendo, fogo amigo.

O estudo desta discussão fúnebre revela a fragilidade e contradições deste tipo de "esquerda" que, à mais pequena sombra de contrariedade se esfuma em plasma (imagem ao topo).

Suponho que ignorarem mutuamente os artigos dos colegas (de blog), abstendo-se de os comentar, e revelando-o publicamente, teria evitado o aniquilamento mútuo em violência proporcional ao inverso da soma das contradições.

Aqui está a lista de links que apontam para a discussão final (dos mais antigos aos mais recentes).

Daniel Oliveira - http://barnabe.weblog.com.pt/arquivo/116635.html
Bruno Reis - http://barnabe.weblog.com.pt/arquivo/116777.html
Daniel Oliveira - http://barnabe.weblog.com.pt/arquivo/116986.html
Bruno Reis - http://barnabe.weblog.com.pt/arquivo/117128.html
Rui Tavares - http://barnabe.weblog.com.pt/arquivo/117148.html
Bruno Reis - http://barnabe.weblog.com.pt/arquivo/117241.html
Rui Tavares - http://barnabe.weblog.com.pt/arquivo/117787.html
Pedro Oliveira - http://barnabe.weblog.com.pt/arquivo/117885.html

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27/06/2005

Morreu Jack Kilby


Jack Kilby
(1923 - 2005)

O inventor do microship.



O primeiro circuito integrado desenvolvido, em 1958, por Jack Kilby.

“Naquela altura não percebemos que o circuito integrado reduziria o custo de funções electrónicas por um factor de um num milhão. Nunca nada antes o tinha feito” - Jack Kilby.

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Memória e Matemática

Sobre Matemática: uma nota que deixei no blog Blasfémias.

Minha nota inicial:
Para se poder ser bom aluno a matemática há que ter memória persistente, e capacidade de trabalho persistente.

Tudo hoje à nossa volta vai ao arrepio dessa forma de estar.

Os professores de matemática estão condenados, os alunos também, estamos todos lixados.

Os putos vivem no mundo virtual da TV, dos jogos de computador, dos chats. Aqui, não é preciso que se tenha memória com duração superior a 1 minuto.

A culpa é nossa, individualmente e como sociedade.

Nota de CA:

"Para se poder ser bom aluno a matemática há que ter memória persistente, e capacidade de trabalho persistente."

Trabalho sim. Quanto à memória é útil mas está muito longe de ser fulcral em matemática.

"COntas básicas; tabuada decorada;operações de cálculo mental; problemas de aritmética; fracções( o busílis de muitas questões). Se este prgrama fosse cumprido e tivesse êxito em 60 por cento, estaríamos bem melhor de que estamos hoje."

A matemática, mesmo no 1.º ciclo, é muito mais do que isto. Falta a geometria e a capacidade de resolver problemas, mais ou menos complexos.
Minha resposta:
Isto está animado.

"Trabalho sim. Quanto à memória é útil mas está muito longe de ser fulcral em matemática."

Reafirmo que a memória persistente é fulcral. O busílis é que tendemos a ligar memória a dados, mais ou menos "crus".

Em matemática é fulcral ter memória persistente em conceitos, formas de encarar a coisa, ideias. Até memória visual.

De outras forma não se explica porque tanta gente tem dificuldade em perceber porque é que um desconto de 20% sobre um desconto de 30% não é o mesmo que um desconto de 50%.

Não é aqui qualquer alta matemática - é um problema comezinho.
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Já agora, suponho que a também memória pode ser treinada ( ~ aprendida?).

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23/06/2005

O presidente da Associação Sindical de Juizes espicaça o Presidente da República


Baptista Coelho
Acerca das palavras da ministra da educação sobre decisões aparentemente contraditórias dos tribunais do continente e dos Açores, o presidente da Associação Sindical de Juízes, Alexandre Baptista Coelho, vem pedir que Jorge Sampaio “não fique calado”.

O presidente da Associação Sindical demonstra, desta forma, qual julga ser a posição dele perante a sociedade portuguesa.

1 – Este tipo de comentário não tem cabimento a um sindicalista, mesmo que Baptista Coelho seja juiz. Não foi nessa qualidade que usou da palavra. As magistraturas têm órgãos próprios para este tipo de problema. Em boa verdade, os órgãos de topo das magistraturas deveriam pronunciar-se sobre as comentários de Baptista Coelho, mas isso é outra história (também triste).

2 – O Presidente da República não é surdo, e não consta que precise de ser espicaçado para dizer o que muito bem entenda, muito menos por um sindicalista como milhares de outros. Já que ele fala de “cultura pouco democracia”, convém que não esqueça o nível de relatividade da sua posição.

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Os chavões de Ana Gomes

(desta vez não leva foto)

Ana Gomes publicou mais um artigo no Causa Nostra.

Não vou debruçar-me pormenorizadamente sobre o conteúdo do artigo, mas fazer notar um pormenor de forma: as enfatizações a negro (ou mais negro, ou negrito, como quiserem).

Ana Gomes enfatiza pequenas partes do texto que correspondem, regra geral, a chavões mais ou menos propagandísticos.

Na minha opinião, nestes artigos, há que ler cuidadosamente todo o que não está enfatizado.

De outra forma, pode dizer-se que o texto se destina a fazer passar os chavões enfatizados, alguns deles particularmente absurdos ou vazios. A gravá-los na nossa memória como se eles, tivessem um valor intrínseco.

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22/06/2005

Rasto de libertação



O pequeno carro (rover) que a NASA colocou em Marte, atolou-se em areia fina, há umas 3 semanas.

A imagem documenta o rasto deixado pelas rodas metálicas durante a manobra de recuo que permitiu libertar o aparelho (que tem por nome Opportunity).

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O presidente do Sindicato dos Enfermeiros e a podridão



Guadalupe Simões, presidente do Sindicato dos Enfermeiros, declarou à TSF:
«Quando o ministro faz uma afirmação dessas, devia também salientar a carência de profissionais de saúde que existem nos hospitais. Isto obriga a um aumento tão grande do ritmo de trabalho que pode ser descurada, por vezes, a lavagem das mãos»
É confrangedora a incompetência que o presidente do Sindicato dos Enfermeiros revela e que projecta irremediavelmente nos associados do sindicato.

Não passa pela cabeça de Guadalupe Simões que o facto de não lavarem as mãos (que não põe em causa) causa o aparecimento de infecções que resulta num significativo acréscimo de trabalho? Ele não percebe que este acréscimo vai, obrigar ao aumento do ritmo de trabalho (já para não falar do sofrimento dos pacientes, que podem até morrer) que ele critica?

A resposta sensata poderia ser:
“De facto, a sobrecarga de trabalho a que estamos sujeitos pode fazer descorar as regras básicas de alguns dos nossos profissionais. Mas estamos, tanto quanto o ministro, interessados em corrigir essas eventuais situações para garantir o mais alto nível de competência da nossa classe profissional. Não queremos entre nós profissionais desleixados”
Há muito dirigente sindical que precisa reciclagem.

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Os calos dos lobis

Há lobis cujos calos estão a ser pisados.

Os juizes fazem greve de zelo por se sentirem atingidos em virtude da redução do tempo de férias de 3, para 1 mês (como eu tenho pena … ).

Na TSF declaram que nada farão que os obrigue a ficar depois da hora de saída.

Já agora, que zelem no sentido de entrar à hora suposta e de começarem de imediato a trabalhar.

… 3 meses de férias … que lata.

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Derrota

A ler, este e este artigos de Vital Moreira.

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Alinhamento de Mercúrio, Vénus e Saturno



O alinhamento pode ser visto a poente, depois do pôr do Sol.

Os três planetas aproximar-se-ão (uns dos outros) nos próximos dias.

O artigo original pode ser visto no site da NASA (em inglês).

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Saturno e perfil dos respectivos aneis


Clicar imagem para ler artigo original (em inglês)

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21/06/2005

Contas

Já alguém calculou quantos postos de trabalho podem ser usados em algo de mais produtivo, integrando, num só, todos os sub-sistemas de saúde do estado?

Porque há-de haver diferentes sub-sistemas de saúde? Resquícios de uma sociedade por classes?

A propósito: onde anda a esquerda?

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Férias

As reacções dos juizes (várias estirpes) à perda de tempo de férias acarreta uma enorme perca de dignidade – a reacção sim, não a perca de tempo de férias.

Às vezes parece estarem a reclamar o direito a manter regalias sobre a outra classe – os escravos. Argumentam do alto da mordomia “órgão de soberania” (agarram-se a ele), como se estivessem acima dos mortais por quem têm a benevolência de lhes aplicar umas chicotadas de vez em quando.

Faz-lhes bem misturarem-se, de vez em quando, com a plebe, para sentirem o que ela sente.

E a propósito: onde anda a esquerda?

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Greves e ping-pong.

Tem havido regularmente, em períodos de greves, disputas sobre a legitimidade sobre o decretar de requisições civis ou serviços mínimos.

É triste que em 30 anos de democracia este tipo de coisas acabe sempre em tribunal.

É triste que quem faz greve não possa faze-la sabendo que está dentro da legalidade.

É triste que o governo (este e os anteriores) tenham visto frequentemente declarada em tribunal a ilegitimidade das medidas de requisição civil.

É triste, num palavra, que estas coisas tenham que ser resolvidas em tribunal. Das duas uma, ou as partes (ou, pelo menos, uma delas) estão sistemática e conscientemente (ou por incompetência) violando a lei, ou o sistema democrático não consegue legislar de forma suficientemente clara para que estas coisas não aconteçam. Nada disto é bom sinal – continua a apostar-se no medo.

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Vitória, onde?

Os Sindicatos de Professores tinham anunciado que a greve desta semana resultaria na inviabilização de exames. Aliás, nesse sentido, parecia não verem qualquer inconveniente para os alunos, argumentando que eles poderiam efectuar os exames posteriormente.

Podiam ter simplesmente feito greve às aulas, deixando de for a os exames. Mas não.

Vêm agora cantar vitória por terem uma altíssima taxa de adesões.

A verdade é que a vitória (se vitória) é frouxa.

Em primeiro lugar não estão a conseguir boicotar os exames. Em segundo lugar não conseguiram, em boa verdade, boicotar as aulas, porque o ministério o fez administrativamente.

O Ministério pode cantar de galo porque as medidas de serviços mínimos (ou coisa que o valha) resultaram. Pode cantar de galo porque se pode vangloriar de ter sido pela sua acção que os alunos puderam efectuar exames (contra a vontade dos professores), saindo do filme como defensores dos alunos.

Os sindicatos não se podem queixar de excesso de serviços mínimos porque não podem, simultaneamente, reclamar uma vastíssima maioria de adesões à greve e um número excessivo de professores requisitado para os serviços mínimos. Se o número de adesões foi esmagador, então os serviços mínimos uma ínfima percentagem.

Pode ser, na perspectiva dos professores, uma vitória, mas é uma vitória sobre coisa nenhuma.

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