19/06/2005

Ana Gomes - Europa a menos: o remédio é mais Europa



Este irado desabafo de Ana Gomes é um exemplo daquilo que suponho fundamentar o NÃO ao tratado.

O título é sugestivo: “Europa a menos: o remédio é mais Europa”. Resolver o problema com a técnica do salto em frente. Está a morrer? Dá-lhe mais.

A azul, a excitação original.
Mais uma vez, constato que são os optimistas como eu que levam com baldes de água fria... Andei por França, nos debates pelo OUI de 23 a 26 deste mês. E quis convencer-me que a inteligência, o bom-senso, o pragmatismo, o europeismo, o sentido da História dos franceses acabariam por vencer.

Enganei-me: levaram a melhor a vingança primária, o soberanismo barato, a xenofobia e o medo, instilados pela propaganda demagógica e populista de uma sórdida aliança entre a extrema-direita anti-europeista de Le Pen/de Villiers e de dirigentes que se dizem de esquerda e «pró-europeus».
Pois é por causa dos optimismos que as coisas rebentam com uma frequência preocupante. Optimismo, ao estilo Ana Gomes, significa fazer de conta que os problemas não existem, que uma fé baseada sabe-se-lá-em-quê garantirá o sucesso da coisa. Optimismo ao estilo Ana Gomes, significa simplesmente ficar ao alcance do coice, que aliás se deu, alto e bom som.

A Ana Gomes andou por França, supõe-se que a espalhar optimismo. Pois claro.

Vejamos, em pormenor, do que ela se convenceu e andou por lá andou a “debater”:
- Inteligência - todos os que votassem não, eram estúpidos
- Bom senso - todos os que votassem não, eram irresponsáveis
- Pragmatismo - dir-se-ia, coisa de Bush. Supunha que a Ana Gomes daria mais atenção à moral que ao pragmatismo (se calhar já encetou o caminho de conversão)
- Europeismo - percebe-se que os europeus que votassem não, eram não-europeus. Talvez Ana Gomes esteja a pensar utilizar as “técnicas” de Mao Tse-tung, mandando-os fuzilar.
- Sentido da História - dir-se-ia que a votação apontou o sentido para onde a História terá que apontar: história nada tem a ver com o que vai na cabeça de Ana Gomes.

Vejamos o que ela pensa do resultado:
- Vingança primária - os franceses quiseram vingar-se, primariamente, de alguém – não se percebe de quem – talvez de George Bush.
- Soberanismo barato - muito embora o mais provável é que qualquer deles se trate, simplesmente, de um conceito gambuzino, o soberanismo caro, sofisticado, é aquele que Ana Gomes defende.
- Xenofobia - aquilo em que os europeus, mesmo nos seus mais multilateralistas unilateralismos não se distinguem dos outros povos, incluindo o Norte Americano. Ana Gomes parece ter agora descoberto isso (se calhar é pedir muito).
- Medo - papão.

Depois, Ana Gomes fala em propaganda demagógica (agitprop?), populista, sórdidas alianças, etc, etc, coisas que já não me apetece comentar porque estou a ficar enjoado. De qualquer forma, se o SIM tivesse ganho, seria pelas razões contrárias às que ela invoca.
A maioria dos franceses não conseguiu ver a floresta, encalhou na árvore - seja ela a raiva a Chirac e o seu rafareiro governo (por quem essa mesma maioria antes havia votado e por isso agora paga a factura, como a gente está a pagar pelo que o Barroso nos deixou em herança...); ou o emprego perdido ou em risco de ser levado pelas vagas das deslocalizações selvagens.
A derrota tem destas coisas, às vezes bate-se com os chifres onde não se quer. Raiva a Chirac (como é possível, um insigne multilateralista?), ao seu rafareiro governo (como os trocadalhos de Ana Gomes são viris!) e pelo emprego perdido à custa das deslocalizações selvagens (não foram selvagens quando se deslocalizaram para França deixando no desemprego os trabalhadores dos locais de onde nessa altura saíram, ou para onde nunca chegaram a ir).
Só que, tragicamente, com o NON, os franceses nem varrem Chirac, nem amainam a ondulação alterosa da globalização. Nos próximos anos, espera-os mais do mesmo... ou pior...
Os franceses são o eixo do mal.

Veja-se que passa pela cabeça de Ana Gomes que a suprema missão da Europa no sistema Solar é a de amainar a globalização. Como se a globalização não fosse um processo de cariz caótico, sem centros de decisão, e da qual o país mais populoso do planeta, a China, manobra magistralmente.

A estas pertenças intenções bonançosas, os chineses não têm perdido mais do que o tempo suficiente para dizer “Up yours”.
Com um SIM à Constituição, seguir-se-ia derrotar a direita em 2007 e mandatar quem ganhasse para trabalhar por uma Europa mais integrada, mais forte e mais eficaz a contribuir para regular a globalização.
IoooooI. Isto parece um discurso do Averel (Lucky Luke) ou do Obelix (talvez mais este último, porque o outro é bushista).

Regular a globalização … e ela a dar-lhe. Se os franceses tiverem dois dedos de testa (o que parece confirmar-se) perceberão que Ana Gomes os alicia para a cura do cancro através de extracto de sumo de teia-de-aranha.
Era uma avenida que se lhes abria - poderia percorrer-se com os vagares e labores necessários para arranjar os canteiros e até retemperar numa esplanada.... Com um NÃO - ficam com um beco em Nice... e provavelmente ver-se-ão obrigados a reduzir a horta lá instalada (pois poderá lá perder-se a oportunidade de dar a machadada que há muito se impunha na iníqua PAC?).
Aqui entramos no discurso ao sabor de Sharon … terra prometida, paraíso … A referência a “beco” deve ter a ver com a Faixa de Gaza.
Levei o murro do resultado há uma hora e meia, acabada de aterrar em Bruxelas de uma Assembleia Parlamentar da NATO em Liubliana, onde integrei a delegação do PE. Durante os últimos dois dias, inúmeras foram as referências «esperançosas» nos resultados do referendo em França que ouvi a «atlanticistas» de diferentes matizes e níveis de sofisticação.
Pois claro. Ana Gomes e o seu clube de iluminados, Com aqueles que acham que o mundo está em suspenso até que a Europa se lhe apresente, com a constituição aprovada, debaixo do braço, para lhe dizer como finalmente se vai domesticar a globalização. Já agora, se Ana Gomes quer saber como consegue um país relativamente pequeno enfrentar a globalização e dela tirar partido, sem constituição europeia e não pertencendo ao clube dos iluminados, pergunte a Tatcher e Blair. Eles explicam.
Escrevo a quente e provavelmente não devia. Mas, confesso, o que mais me enoja é a rapaziada fabiusista, que seguiu carneiramente o chefe esfomeado de projecção presidenciável e para isso violou as mais elementares regras do jogo democrático, ao ir contra o resultado do referendo interno do PSF. Alguns deles/delas, meus colegas no Grupo socialista no PE, que até votaram a favor da Constituição na Convenção! Qual será a cara dessa gente, quando os/as encontrar depois de amanhã em Tallin, onde o Grupo vai reunir ? É que eles sabem bem que o resultado para que contribuiram arreganha sorrisos escarninhos em Washington e Pequim e suspiros de alivio e desforço em Londres.
Será que nem assim Ana Gomes percebe que os europeus se estão absolutamente nas tintas para a Europa? Que esta coisa de “europeus” não passa da forma de designar os mânfios que habitam a zona geográfica a que se chama Europa? Será que Ana Gomes não percebe que qualquer assunto do país de origem de um qualquer europeu, por mais comezinho que seja, é mais importante do que os planos da pólvora que um grupo de iluminados andam a parir?
Valha-me o meu habitual optimismo - descarregar isto, já mo começa a devolver! De qualquer mal se pode extrair algum bem.... Ele há Europa para além do referendo em França. Venha o nosso! Só o prazer de discutir a UE com os portugueses, como apesar de tudo os franceses discutiram, já faz o exercício valer a pena. É que não pode mesmo haver mais Europa sem ganhar para ela os europeus!
Que descarregue, e que não se esqueça de puxar o autoclismo. Quanto ao sucesso (na óptica dela) do referendo em Portugal, talvez resulte se Ana Gomes for vender a pescada dela, para os polos, aos pinguins.

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17/06/2005

Suborno multilateralista



Não posso deixar passar em claro mais um exemplo da dualidade de critérios da esquerda portuguesa (pelo menos).

Ficou-se a saber que membros do gabinete de Lula da Silva subornam deputados do Congresso brasileiro.

Se o caso se tivesse dado com a administração norte americana não faltaria. E quer a esquerda que o Brasil passe a ser membro permanente do Conselho de Segurança da ONU …

Também ali, usando palavras da esquerda, “é tudo uma questão de dinheiro”.

A propósito: ainda alguém se lembra deste outro muro?

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Missão a Plutão chega, para testes, à NASA



Sumário – (13 de Junho de 2005).

À excepção de Plutão, todos os planetas do nosso sistema solar foram já visitados.

A sonda que completará o conjunto de visitas, New Horizons (Novos Horizontes), chegou ao Centro Espacial Goddard, da NASA, para testes pré-voo.

Se tudo correr bem, a New Horizons será lançada por um foguetão Atlas 5, da Lockheed Martin, em Janeiro de 2006, e chegará a Plutão e à sua lua Charon em 2015.

A sonda ficará no centro Goddard durante três meses para que os técnicos a possam fazer passar por uma série de testes de forma a certificarem-se de que está em condições de viajar num foguetão.

Artigo completo (em inglês) aqui.

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16/06/2005

Noites +

Mais uma vigarice das almas da PT.

A PT enviou-me esta bela prosa:


Por ela fiquei a saber que os querubins da PT me estava a impingir um serviço que não tinha contratado (venda forçada).

Ligando para lá, fui informado de que aquilo era tudo para meu bem, que se no fim não quisesse a “oferecida” felicidade podia desistir. Mas sou também informado de que teria que ser eu a dar esse passo, pelo que só pude concluir que me estavam, de facto, a impingir qualquer coisa.

Perante a minha fúria, a alma esclarece (ou inventa), que afinal haveria um contacto final: alguém daquele paraíso me telefonaria para obter uma confirmação final de adesão ao serviço. Perante a minha insistência em saber o que aconteceria nos vários cenários possíveis, sou informado que, se não conseguissem falar comigo (dando de barato que alguma vez tentariam), me viriam a debitar aquilo que nunca teria encomendado.

Estava eu a trepar pelas paredes quando a alminha com quem falava se voluntaria para me retirar a “oferta”. Concordei.

Passados uns dias recebo esta outra missiva:


O problema é então do computador … e demoraram 15 dias a perceber isso. Claro que nunca recebi qualquer postal.

Diz então a PT que a carta inicial pretendia relembrar a oferta, mas … dando simultaneamente conta de que a PT tinha registado a activação. Se tinham registado a activação (pressupondo-se que o cliente a tinha aceite na sequência do envio do postal) não podia deixar de ser absurdo relembrar a oferta, porque teria já implicitamente sido aceite.

Entretanto, enquanto telefonicamente lhes cascava, nunca me falaram do famigerado postal – pois claro.

Tudo não passou de mais uma aldrabice semelhante à da taxa de activação, seguida de uma tosca tentativa de encapotamento.

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Ode à Lazeira


O Chico Malhado e o Baltazar Pintado

De corpinho estiraçado
debaixo de uma figueira
Estava o Chico Malhado
mais o Baltazar Pintado
dois campeões da lazeira

O Malhado a bocejar
passando a mão pelo rosto
perguntou, Ó Baltazar
quem gosta de trabalhar
não achas que tem mau gosto??

Camarada mandrião
diz o outro com ripanço
Tens muita muita razão
Sou da tua opinião
Bendito seja o descanso!!...

Trago um projecto na mente
um engenho mui perfeito
carrega-se unicamente
num botão e de repente,
aparece tudo feito

Diz o Malhado, isso amigo
é uma grande invenção
mas escuta bem o que te digo
não deves contar comigo
para carregar no botão!!

Autor desconhecido

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15/06/2005

Pausas … à Oliveira Salazar


Em relação à realização do referendo sobre a Constituição Europeia, o Governo, pela boca de Freitas do Amaral (que acusa a administração norte americana de estar cheia de trastes de pendor nazi), admite fazer uma “pausa para reflexão”.

Durão Barroso, Presidente da Comissão Europeia, admite que, perante a “propagação*” das votações a favor do não (França e Holanda), se suspendam, até melhores dias, os restantes referendos.

Fica-se a saber que na Europa só se fazem referendos quando os resultados sejam favoráveis às visões das classes dirigentes. Vão-se fazendo sondagens, e quando previrem a vitória aos pontos de vista dos iluminados, … vota-se.

Porque não se simplificam as coisas imprimindo nos votos referendários exclusivamente os “sins” ou os nãos” que as luminárias achem ser as escolhas correctas?

Oliveira Salazar era mestre em criar as condições necessárias a que as votações resultassem no que muito bem entendesse …

Nota: Suponho que ele tenha dito “contaminação” (ouvi na rádio enquanto conduzia), mas só encontro referências a “propagação” – talvez a memória me esteja a trair. Esta correcção foi feita posteriormente à publicação deste artigo.

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A Supernova que não deixou qualquer núcleo


Sumário – (6 de Junho de 2005) Quando a supernova 1987A estoirou na Grande Nuvem de Magalhães, era a mais próxima supernova em mais de 300 anos, e era uma boa oportunidade de estudar de perto uma destas raras ocorrências.

No centro do anel de detritos em expansão devia ter-se formado uma estrela de neutrões ou um buraco negro, mas até agora ninguém os conseguiu encontrar.

Pode lá estar uma estrela de neutrões, mas nesse caso nem emite qualquer radiação nem suga, dos seus arredores, qualquer material, não podendo, portanto, ser vista ou detectada. Se a estrela de neutrões tivesse, por ano, pelo menos, uma taxa de acreção de 1/5 da massa lunar, deveria ser possível detectá-la.

Desenvolvimento, (em inglês) aqui.

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14/06/2005

Morreu Eugénio de Andrade


Eugénio de Andrade (1923 - 2005).

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As galinhas pós-modernas


Em "O Acidental".

Bem esgalhado.

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Coerência


A morte de Álvaro Cunhal tem provocado comentários chamando a atenção, salvo raras excepções, para o facto de ter sido um dirigente que teria marcado a segunda metade do século XX.

Parece implícito, pelo menos pela falta de nota contrária, que o facto de ter marcado os tais 50, será, por si próprio, um factor positivo.

A verdade é que uma boa colecção de facínoras, igualmente corentes e teimosos, marcaram o século XX, e, salvo raras excepções (cabeças rapadas, por exemplo, e outros afins), não lhes são feitas homenagens de nota.

Simplificando, coerência - especialmente acompanhada de teimosia - não são, por si só, necessariamente, uma coisa boa. É preciso analisar o sentido e as consequências dessas teimosia e coerência.

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Já saíram todos

António Perez Metelo escreve no DN de 16 de Junho:
Mau começo

"Vão-se embora, já saíram todos!"

O conflito sino-soviético motivou confrontos políticos e ideológicos tremendos entre comunistas e maoístas dentro do campo antifascista.

Um ódio intenso foi cavando uma rivalidade belicosa entre essas duas correntes políticas. Para os "marxistas-leninistas", os militantes do PCP eram "cunhalistas" ou "revisionistas". Aos olhos destes, os membros dos grupos "m-l" não passavam de "esquerdistas, provocadores".

No Forte de Peniche chegou mesmo a passar-se do insulto verbal a confrontos físicos no início dos anos setenta. Quando lá entrei, em Março de 1974, já os dois colectivos estavam separados em pisos incomunicáveis entre si. Chegada a hora da libertação, os presos do colectivo maoísta recusaram-se a ir saindo sem os camaradas que o general Spínola queria manter encarcerados por terem cometido delitos de sangue. Enquanto decorriam as negociações com advogados para resolver o impasse, os presos do PCP foram saindo ao longo da tarde e da noite de 26 de Abril.

Quando, finalmente, todos os presos maoístas passaram o portão exterior do Forte às três da manhã de dia 27, qual não foi o espanto quando ouvimos da boca das nossas famílias o que se passara horas antes. Ao completar a libertação dos seus presos, quadros do PCP disseram aos populares de Peniche, concentrados à saída da prisão, para irem para casa, pois lá dentro já não estava mais ninguém.

O sectarismo cego e obtuso tomou o freio nos dentes ao longo dos meses seguintes, mas veio logo ao de cima quando a liberdade dava os primeiros passos.

António Perez Metelo
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Sítio do Não

Blog fundamental.

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08/06/2005

Carrilho e Jardim


Em campanha eleitorais, Alberto João Jardim expõe-se em preparos bizarros de cantorias de Bailinho da Madeira.

Manuel Maria Carrilho explora esposa e filho, exibindo-os.

Só o embrulho parece diferente – a autenticidade só a Jardim pertence.

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O fenómeno Freitas do Amaral continua …

Freitas do Amaral opinou duplamente. Ficámos a saber que, enquanto membro do governo, tem determinada posição sobre o referendo ao tratado. Que pessoalmente tem (em simultâneo) a posição contrária em relação ao mesmo assunto.

Parece que Freitas do Amaral supõe que nos interessa saber o que ele pensa enquanto cidadão. É curioso que ele não opine, sobre o mesmo assunto, enquanto professor universitário, assessor jurídico, ex funcionário da ONU, ex dirigente político, etc, etc. Seria interessante saber de que lado ele estaria em cada uma dessas qualidades. Será que assumiria posições incompatíveis umas com as outras, com toda a naturalidade?

Ou será que ele não destingue, de todo, entre a sua pessoa e o lugar que ocupa?

Já agora lembram-se de quando ele de altercou com o PSD (ou vice-versa) por causa de ter congeminado um parecer jurídico contrário aos interesses de quem o nomeou para a Caixa Geral de Depósitos (o governo)? A mania de defender, em simultâneo, algo, e o seu contrario, já vem de longe.

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01/06/2005

Gato Fedorento

A quem possa interessar, declaro que não tenho, por três razões, pachorra para aturar o Gato Fedorento:

1 - É chato como a potassa (nome dado comercialmente a todas as variedades de carbonatos de potássio impuros)

2 - Porque me parece ser politicamente correcto gostar dele

3 - A maioria das pessoas que encontro, e gostam dele, gostam também de Fahrenheit 9/11

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A derrocada da Europa

A ler, no Público de hoje (Quarta-feira, 1 de Junh de 2005), o artigo do General Loureiro dos Santos sobre o cenário em que a Europa se encontra (e como lá foi parar, e por quem) face aos chumbos da famigerada "constituição".

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24/05/2005

Nova forma de escravatura?



Quando falo com alguém que trabalha para o estado a recibos verdes ou a contracto, vou ouvido, frequentemente, algo preocupante:
1.
“Os gajos do quadro não fazem nada. Nós, os recibos verdes, é que temos que fazer o trabalho todo sozinhos. “

2.
“Nós fazemos o trabalho todo. Os gajos do quadro só jogam ao computador ou curtem os chats. E se nós reclamamos os gajos põem em causa a nossa renovação do contracto.”

3.
“Nem os gajos que entraram recentemente para o quadro se lembram pelo que passaram quando também estavam a contracto. Assim que se apanharam no quadro desataram a fazer como os que já lá estavam.”

4.
“Trabalhamos horas e mais horas para fazer o nosso e o trabalho dos gajos do quadro, que, ainda por cima, entram e saem quando querem e lhes apetece. Não têm consideração nenhuma por nós.”
Será que se está a formar uma forma bizarra de sociedade por classes dentro dos serviços estatais? Será que o mesmo se passa nas empresas privadas?

Qual a relação numérica (real) entre funcionários do quadro e contratados, na função pública?

Qual o desempenho dos funcionários do quadro em relação ao dos funcionários contratados?

Qual a posição dos sindicatos nesta matéria? Será que estão a defender a classe dominante (ou escravizante)? Será que defendem o fim dos contractos a prazo como forma de aumentar a sua base de suporte e dinamizar novas contratações (temporárias (?)) para que o trabalho possa aparecer feito?

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Eles mentem, eles perdem

Andou por aí uma máxima que rezava assim:


"Eles mentem, eles perdem"

Olhando quem tem ganho e quem tem perdido, percebe-se quem tem mentido.


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Bizarria …

Por volta das 8 da noite de 22 de Maio, algo de bizarro se passou na área onde moro. Os meus vizinhos guincharam como se um porco estivesse a ser morto …

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Algo melhora, enfim

Tentando contrariar o que todos sentimos, que tudo vai mal, sinto que algo melhorou em Portugal nos últimos tempos.

1.
Parece-me ter-se reduzido substancialmente a subserviência dos meios e do poder político à comunicação social.

Tudo terá começado com José Sócrates remetendo os jornalistas presentes à tomada de posse do governo para um comunicado distribuído em simultâneo às respectivas redacções.

Posteriormente o mesmo Sócrates tornou claro que diz o que tem a dizer e não lhe compete comentar o que os jornalistas entendem que ele deve comentar.

2.
Marques Mendes parece ter percebido que, independentemente de estar na oposição, continua a ser português e nesse sentido deve zelar pelo interesse de todos, evitando a velha política de bota abaixo típica das nossas oposições (todas, não interessa em que circunstância).

Também as lideranças do CDS e PCP parecem ter melhorado de qualidade, mais tangencialmente no último caso que, de qualquer forma, continua muito abaixo da linha de água.

A única excepção continua a ser o Bloco de Esquerda, que continua tão catastrófico como anteriormente (o que, de qualquer forma é pouco relevante).

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Universidades todas iguais, todas más



Escreve José A. Ferreira Machado no DN de 23 de Maio de 2005:
Poucas instituições têm sido tão devastadas pela demagogia igualitária como as de ensino superior. "Gestão democrática", "excelência para todos" ou "acesso generalizado ao mestrado" são bandeiras sempre desfraldadas em qualquer discussão sobre os problemas do ensino superior.

A demagogia igualitária assenta em três pressupostos o de que os estudantes são todos iguais; o de que os professores são todos iguais; e o de que as instituições são todas iguais. Sendo os estudantes todos iguais, há que assegurar que todos se licenciam, concluem mestrados e, porque não, doutoramentos, independentemente de aptidões ou preferências. Como os professores são todos iguais, devem ser promovidos por antiguidade e auferir idênticas remunerações, independentemente da qualidade pedagógica ou científica e da área de conhecimento. Sendo as instituições iguais ou, não o sendo ainda, tendo igual potencial para o vir a ser, devem ser todas financiadas pela mesma bitola, independentemente da qualidade, procura dos seus serviços ou adequação dos cursos que oferecem.

Assim se perdem os melhores professores e investigadores para o estrangeiro ou para as empresas, se penalizam as melhores escolas, se debilitam as mais expostas à concorrência internacional e, enfim, se impedem os melhores estudantes de acederem a um genuíno ensino de qualidade e ajustado às necessidades da economia. Em síntese, assim perde Portugal as suas elites.

2. Vêm estas reflexões a propósito de recentes declarações do ministro da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior sobre o financiamento do 2.º ciclo do ensino superior (mestrados), que surgirá com a implementação do acordo de Bolonha. Aparentemente, as propinas dos novos mestrados não serão definidas livremente pelas instituições (como acontece com os já existentes) mas, antes, fixadas centralmente pelo ministério em montantes sensivelmente idênticos aos das actuais propinas das licenciaturas. A ideia declarada é, através de um controlo de preços a um nível baixo, generalizar a frequência dos mestrados, abrindo-os a novos públicos, nomeadamente aos estudantes-trabalhadores adultos que se desejem qualificar.

Este modo de conceber o ensino superior constitui a manifestação mais recente da ideologia igualitária. Conduzirá ao desperdício da oportunidade aberta pelo processo de Bolonha de acentuar a diversidade no ensino, de criar algumas (necessariamente poucas) instituições de nível internacional e de adaptar o sistema de ensino às reais necessidades do País. No processo, transformará todo o ensino superior num gigantesco sistema de formação profissional.

O culto da massificação patenteado é um bom exemplo da abordagem "se uma aspirina faz bem, cinco fazem melhor" como qualquer país precisa de licenciados, mestres e doutores, então quantos mais existirem melhor. Mas, na realidade, não existe qualquer relação de causa-efeito comprovada entre o número de mestres (ou, mesmo, despesa com o ensino superior) e uma maior produtividade ou riqueza. Os gastos relativos de Portugal com o ensino superior são da ordem de grandeza dos da Alemanha, Reino Unido ou Japão, que, obviamente, apresentam superiores níveis de prosperidade.

3. Qual deve ser o papel do ensino superior? Antes de tudo, preparar os estudantes para a vida profissional. Não no sentido estreito de um programa de formação mas antes ensiná-los a explorar e a adaptarem-se. Deve identificar talentos e dar-lhes uma formação simultaneamente teórica e aplicada que responda às necessidades da economia.

É por possibilitar o correcto ajustamento entre as necessidades da economia (e oportunidades de emprego), as escolhas dos estudantes e a oferta de cursos pelas escolas, que a questão das propinas é fulcral.

As instituições de ensino superior devem poder fixar livremente as propinas de todos os cursos que oferecem (quer licenciatura quer mestrado). Para garantir um acesso independente do rendimento familiar, o Estado deve promover a criação de uma sistema de empréstimos aos estudantes, que começarão a ser pagos uma vez concluídos os estudos. A obrigação de reembolso do empréstimo levará a uma maior aplicação nos estudos (e à edução do insucesso escolar) mas, acima de tudo, reduzirá os incentivos à escolha de especialidades que conduzam ao desemprego. Os estudantes serão, muito naturalmente, levados a procurar, e as escolas a oferecer, as especialidades mais ajustadas às necessidades da economia.

Um sistema que descentralize o financiamento e a decisão criará ainda incentivos para que as instituições se especializem em diferentes nichos de tipo qualidade-preço dos serviços que oferecem. Por exemplo, alguma instituições poderão escolher oferecer um ensino profissionalizante, de massas e a baixo preço, enquanto outras poderão escolher ser uma boutique, oferecendo um ensino generalista, caro e para pequenos números.

4. Pretender aplicar regras idênticas e centralmente definidas conduz a um ensino nacionalizado e uniforme. Tal será prestar um mau serviço aos estudantes e ao País. Tendo as instituições, tal como os estudantes, ambições e capacidades distintas, o nivelamento só pode acontecer na mediocridade.

É tempo de recuperar a máxima maoísta "que mil escolas floresçam e que mil flores desabrochem". Para o conseguir, e aqui o velho Mao Tsé-Tung dará uma volta no túmulo, basta deixar que, também no ensino superior, o sistema de preços funcione.
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20/05/2005

Mancha solar gigante


Uma mancha solar gigante emerge entre 10 e 14 de Janeiro de 2005. Créditos: SOHO.

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Robots procurarão depósitos de água lunares


Sumário – (29 de Abril de 2005) Antes de haver novas pegadas humanas na Lua, robots terão já feito à superfície o trabalho de busca de fontes de água gelada que poderão ser usadas como combustível, como fontes de ar ou utilizadas no crescimento de plantas.

O primeiro a ser lançado será o Lunar Reconnaissance Orbiter (Orbitador de Reconhecimento Lunar), agendado para 2008.

Transportará 6 instrumentos diferentes e mapeará a superfície lunar em grande pormenor.

A partir dessa altura uma nova missão será lançada por ano, até que o homem chegue [de novo] à Lua, espera-se que até 2020.

Desenvolvimento (em inglês).

19/05/2005

Ana Gomes e o Arroz Malandro


Ana Gomes voltou à carga, desta vez disparando para Condoleezza Rice, referindo-se a ela como Sra Arroz.

Podia ter-se referido a ela como Sra Arroz Doce: Condoleezza significa mais ou menos “com doçura”. Arroz doce, portanto.

A má fé de Ana Gomes volta a estar patente.

Diz Ana Gomes que a visita de Rice foi apara consumo interno americano (norte americano, supõe-se – não parece provável que Ana Gomes se esteja a referir à América do Sul).

Bom, para consumo europeu não seria certamente, porque a Europa nestas matérias nada risca. Tenta riscar se lhe cheirar a proventos económicos, mas só nesse caso e só se daí não puderem vir a ocorrer baixas próprias. Os asiáticos têm mais em que pensar, os africanos têm pouca margem para pensar, etc,. Talvez não seja o caso do Médio Oriente, do Iraque e, evidentemente, dos Estados Unidos da América.

A viagem seria para consumo interno dos EUA, mas Ana Gomes esqueceu-se de referir os encontros com os dirigentes iraquianos. Talvez suponha que façam parte da administração dos EUA ou prefira fazer de conta que não existem.

Ignora em absoluto (agora como antes) o sofrimento do povo iraquiano – para ela o Iraque só existe na medida em que é fonte do martírio dos norte americanos, gáudio de Ana Gomes.

Ana Gomes preocupa-se com razões que “consolem a América” mas, mais uma vez, ignora a necessidade de consolo dos iraquianos. Já agora há que notar que, em matéria de consolo, não será a multilateralista Europa (só a pacifista) a consolar os iraquianos, porque nem sequer apoio moral deu à sua libertação.

A má fé de Ana Gomes vai mais longe. Suponho, aliás, que já não se tratará de má fé, mas pior, muito pior – e não é só malandrice (arrozeira ou de bacalhau com todos).

Ana Gomes sabe certamente que, no Iraque, há um problema de falta de eficácia do exército iraquiano, anda em consolidação e sabe porquê.

Ana Gomes sabe que esse exército está ainda numa fase algo incipiente, e sabe que, nessa fase, assumir um combate directo e arriscado aos terroristas (que ela não nomeia mas a que também não tem a coragem de chamar patriotas) na presença de um exército norte americano bem organizado, corajoso e eficaz (coisa com que certamente não concorda - mas é um problema dela), leva facilmente os soldados iraquianos a uma inércia que, se por um lado não abona muito em favor das teses patrióticas defendidas por muitos (Ana Gomes inclusivé), por outro lhes salva a pele – coisa pouco displicente para eles, como para os europeus pacifistas e multilateralistas. Ana Gomes sabe tudo isto, mas faz de conta que não sabe, preferindo tentar o golpe baixo, envenenando arroz.

Ana Gomes percebe evidentemente que Condoleezza Rice está a pressionar as autoridades iraquianas (e indirectamente o exército iraquiano) no sentido de que assumam o controlo do território que permita a desocupação (coisa que Ana Gomes agora parece não desejar – porque as mortes de americanos lhe vão alimentando o ego).

Talvez devesse aprender o que é frontalidade – George Bush é exemplo suficiente para valorizar Ana Gomes - caso ela seja capaz de o perceber (já se sabe que não é porque … blá, blá, blá).

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Adriano Moreira - Os custos da vitória


Adriano Moreira é um dos comentadores de assuntos internacionais que mais respeito.

Crítico contundente da administração Bush, vai deixando, de cada vez que aborda a questão da guerra no Iraque, pistas no sentido da crítica paralela à política europeia, nomeadamente no que respeita ao “multilateralismo”.

No DN de 17 de Maio de 2005, uma frase de Adriano Moreira é particularmente clara:
Não é razoável imaginar que ao eventual unilateralismo de intervenções discutíveis se pode responder com um multilateralismo de abstenções.
Caso o referido artigo deixe de estar acessível no site do DN, pode ainda ser lido aqui.

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Pedimos desculpa por esta interrupção …

Pedindo desculpa aos leitores, aqui retomo, mesmo que menos intensamente, a publicação de artigos.

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05/05/2005

Eclético - bom Blogue

Pena é ter muita coisa em inglês (pessoalmente aguento-me), mas sei que traduzir dá muito trabalho.

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04/05/2005

Alguém sabe de Ana Gomes?


Há que tempos que Ana Gomes nada escreve no Causa Nostra. Estou a ficar preocupado.

Faltando-me essa fonte de inspiração, e enquanto vou lambendo as feridas provocadas por tão vincada ausência, relembro estes meus artigos anteriores (sobre artigos da senhora, pois claro):

O cano roto
O Hilariante planeta dos gambuzinos de Ana Gomes
A decisão do Presidente da República (tangencialmente)

Supunha que eram mais ... devo ter perdido algo. Anda o blog a comer artigos, andará à solta o monstro das bolachas ou terá havido um contra-ataque de gambozinos?

Inquietação:
Não seria do máximo interesse (académico, evidentemente) se o Avatares de um Desejo se debruçasse sobre a inextricável lógica dos artigos de Ana Gomes e a inquietante expressão de Mona Lisa.

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03/05/2005

Absolutamente Errado


Transcrição de um artigo do blog Jaquinzinhos - mais uma cavalidade jornalística

Título do Público:

"PIB dos EUA ao nível mais baixo dos últimos dois anos."

O joranlista confundiu PIB com 'crescimento do PIB'. O crescimento do PIB no 1º trimestre de 2005 (anualizado) foi de 3,1%. Desde o primeiro trimestre de 2003 que o PIB crescia sempre acima deste valor. A confusão do jornalista é absoluta. O título correcto seria:

"PIB dos EUA ao nível mais alto dos últimos dois anos."

O jornalista escreve também que esta evolução é decepcionante. Crescer a 3,1% ao ano é decepcionante. Portugal não cresce a este ritmo desde 1999. Vou gostar de ler o que este homem vai escrever sobre a evolução da economia portuguesa nos próximos anos.

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O Jornalista confundiu PIB com crescimento do PIB, e vai, provavelmente, continuar a confundir. Já agora lembro este outro jornalista, que atacado de confusões idênticas declarou posteriormente, ainda por cima, que, como a vasta maioria dos portugueses, era avesso a matemáticas ... (estamos, evidentemente, a falar de matemática"s" da 4ª classe - 'rocket science').

Entretanto, é claro que abundantes especialistas de esquerda hão-de ligar a hecatombe do dito crescimento à guerra do Iraque. Outros, do mesmo lado, mais avisados, dirão que, afinal, o sucesso do dito crescimento será consequência da guerra do Iraque - à custa dos iraquianos (pois claro).

Como a história dos 100.000 mortos ...

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Viver morto

E quando estou a tentar explicar aos alunos algo mais complexo e eles disparam: “mas stôr, para que é que isso serve tudo se a única coisa que a gente vai fazer é assim tipo coisas mais simples?”

Dá-me vontade de lhes responder: olhem, matem-se … há lá coisa mais fácil que viver morto!

Estou convencido de que não vi este filme antes, porque não era nascido. O que me espanta é conseguirmos ter ainda electricidade nas tomadas ...

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02/05/2005

Kumba Ialá esperneia …



Kumba Ialá resolveu reclamar que a medida do governo português de avisar os seus (portugueses) cidadãos no sentido de evitarem deslocar-se à Guiné nos próximos tempos é uma ingerência de Portugal nos assuntos internos da Guiné.

Faz lembrar os recorrentes abespinhanços das autoridades das ex-colónias, de cada vez que, nos anos 70, um jornal português publicava algo de que não gostavam. Reclamavam então essas novas “autoridades” que o governo português controlasse os jornais portugueses …

Voltando ao assunto inicial, espera-se que o governo português governe os seus cidadãos como o devia fazer o governo gineense (isto, sim, é uma ingerência, mas estou-me nas tintas). Faz parte da esfera das decisões de cada governo, avaliando os riscos, aconselhar, ou não, deslocações dos seus cidadãos a territórios estrangeiros. Que a Guiné está, outra vez, à beira da guerra interna, é mais que óbvio.

A reclamação de Kumba Ialá (como aliás esta outra) não tem outro efeito que o de transformar uma decisão do estrito foro interno de Portugal numa ingerência auto-importada.

Reafirmando que nenhum gineense merece os dirigentes que tem tido, relembro Vinícius: “a burrice não tem transplante”.

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Jorge Sampaio e a fuga ao fisco



O Presidente da República Jorge Sampaio, declarou um dia destes que só por via de um impiedoso combate à fraude fiscal seria possível esperar um abaixamento geral de impostos.

Lamento, mas parece-me difícil acreditar que tal possa vir a acontecer.

Nunca, até agora, e apesar de múltiplos anúncios de haver avanços no combate à fraude, houve o mais pequeno abaixamento de impostos.

Lembro, por exemplo, a história dos jeeps: foi declarado que os jeeps iam (e foram) passados a ser tributados como os restantes ligeiros (por razões que não vêm ao caso mas que achei correctas), e a essa subida não correspondeu a mínima descida dos restantes veículos, deixando perceber que se tratava, simplesmente, de uma medida para agravamento de impostos e não de equilíbrio tributário.

Suponho que ninguém acreditará nem por um segundo, que tal possa vir a acontecer mesmo que o combate à fuga seja coroado de sucesso, porque se percebe que não é essa a intenção. Para tornar sólida a subjacente promessa bastaria, aliás, quantificar: a ‘x’ de recuperação de impostos “extraviados” corresponderá ‘y’ de abaixamento generalizado.

Nem Jorge Sampaio nem nenhum governante foi, até agora, por aí.

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Já se cá sabia – Saddam e Kim Il-Sung, herois da esquerda (?) II

No espaço reservado a comentários, Votem nas Putas (aparentemente) responde ao meu comentário ao seu artigo: Já se cá sabia.
Comentário ao comentário de Range-o-Dente:

O que determinada esquerda pensa, não sei. O que eu penso é que, quando se querem derrubar ditaduras se deve assumir essa louvável actuação com frontalidade. Do mesmo modo que a intenção de consolidar posições geoestratégicas não deve ser camuflada com desculpas de combate ao terrorismo ou quaisquer outras. O que esta esquerda exige é que não se inventem pretextos para prosseguir políticas encapotadas.
Comentário ao comentário ...

Sendo assim, o caminho correcto - que a esquerda não tomou - seria o de declarar que apoiava o ataque no sentido de obter o desmantelamento da ditadura mas que não ia na historia das ADMs. Essa declaração de apoio nunca foi feita, bem pelo contrário (de lembrar que a esquerda sempre declarou que não se instalavam democracias pela força – ainda na véspera das eleições iraquianas sempre previstas como de altíssimos níveis de abstenção).

Votem nas Putas declara agora como “louvável” essa actuação. Pode, sem dificuldade concluir-se, que do ponto de vista do referido blog, George Bush fez, afinal, algo de louvável - declaração sem dúvida surpreendente.

Ainda sobre a consolidação da ocupação de posições camuflada de combate ao terrorismo, trata-se de um ponto de vista absolutamente niilista. Como é possível combater o que quer que seja, com sucesso, sem consolidação de posições? O que se pretenderia alternativamente? Que os norte americanos atacassem e seguidamente retirassem das posições geo-estratégicas entretanto alcançadas deixando o terrorismo reocupar o terreno para que depois a esquerda dissesse que as operações se tinham saldado num fracasso?

Verterei mais tarde alguns caracteres sobre a história das ADMs, e explicarei porque me parece que as consequências da sua inexistência constituem um erro estratégico de maior monta para a esquerda e para Europa que para os Estados Unidos da América.

O que exigido à esquerda é que não se contradiga em cada duas palavras.

Adenda (3 de Maio)

Votem nas Putas escreve:
“O que esta esquerda exige é que não se inventem pretextos para prosseguir políticas encapotadas.”
Para ser coerente com o conteúdo, deveria escrever:
O que esta esquerda exige é que não se inventem pretextos para prosseguir políticas correctas.
Nessa altura eu estaria de acordo.

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Há luz verde para o desdobramento do radar da Marsis



Algo de muito interessante se passa aqui. Logo que tenha tempo farei a tradução do artigo.

É uma missão da ESA, Agência Espacial Europeia.

Já agora, os europeus dão muito pouca importância ao projecto espacial europeu. Nem sequer proporcional ao que os americanos dão em relação ao seu programa e tendo em atenção as respectivas magnitudes.

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28/04/2005

Será que o Spirit encontrou um leito de rochas em Columbia Hills (colinas)?



Sumário – (26 de Abril de 2005) Desde a sua chegada às colinas de Columbia, Spirit, uma dos rovers exploradores de Marte, tem deparado com alguns misteriosos fenómenos.



A roda frontal direita do Spirit, cujos problemas de “arterite” têm importunado a sua jornada de 3 quilómetros através da planície, está agora a funcionar em perfeitas condições, e os painéis solares, outrora de tal forma cobertos de pó que não lhes permitia obter mais de 50% da sua capacidade em gerar electricidade, aparecem agora miraculosamente limpos.

O maior mistério nas colinas de Columbia está nos afloramentos rochosos angulosos que o Spirit encontrou nas proximidades de “Larry’s Lookout” na colina Husband.

Desenvolvimento
(em inglês).

Remoinhos em Marte



Sem palavras ...

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A Girafa



Se olhar atentamente para a imagem, suponho que acabe por descobrir uma girafa. :-)

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27/04/2005

Já se cá sabia – Saddam e Kim Il-Sung, herois da esquerda (?)



Escreve Votem nas Putas:
Pronto, agora é oficial: a CIA concluiu que não existem armas de destruição massiva no Iraque.

Sabia-se que Saddam era um facínora, um ditador cruel e, provavelmente, bastariam estes atributos para justificar uma guerra.

É caso para dizer que não havia necessidade de inventar a desculpa do combate ao terrorismo e as armas de destruição massiva para consolidar posições geo-estratégicas.

Assim, passam a ter razão todos os que criticaram os fundamentos então invocados, por mais que hoje os protagonistas da guerra nos venham falar em restabelecimento da democracia no Iraque.

Esta só aconteceu como efeito colateral de uma guerra insensatamente iniciada.

Se é de instauração da democracia que se trata, para quando a invasão da Coreia do Norte?
Continua a transparecer que determinada esquerda (será?) acha que não é de remover do poder ditadores facínoras e cruéis.

Continua a transparecer que determinada esquerda (será?) acha que não deve haver consolidação de posições geo-estratégicas em zonas dominadas por ditadores facínoras e cruéis, por potências capazes de propiciar a instauração de democracias (incipientes que sejam) derrubando figuras que consideram o seu povo como não mais que gado.

Continua a transparecer que determinada esquerda (será?) continua sem coragem de defender, para si, o que defende para os outros – ditaduras facínoras e cruéis. Aposto de a mesma determinada esquerda (será?) festejou (como eu) o 25 de Abril – eu sei porque o relembro sempre, será que essa esquerda (será?) o sabe ao certo?

Quanto à Coreia do Norte, por mim, se for possível – se for exequível – derrube-se já o ditador. Que não haja potências dispostas a dar o passo pode ser censurável. O que é certamente censurável é não se ter a coragem de declarar que urge derrubar a ditadura norte-coreana. Se calhar não é uma questão de coragem. É pior ainda …

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26/04/2005

Acusação versus compreensão

O Barnabé salta em defesa do governo timorense. E salta bem, em quase tudo (e o quase é pouco relevante).

Gostaria no entanto de ter conseguindo encontrar, no mesmo blog, textos de semelhante conteúdo também em relação aos poderes muçulmanos por esse mundo fora. Tenho ideia de que, nestes, casos se tratarão simplesmente “de culturas diferentes que devemos tentar compreender” …

Se estiver errado, venham os links. O endereço, está no topo deste blog.

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Timor e a separação de poderes



A notícia referia que estavam a decorrer manifestações em frente à cede do governo timorense por causa de uma decisão deste no sentido de tornar facultativas as aulas de religião e moral.

“Já?”, pensei de imediato. Sendo razoável que isso pudesse vir a acontecer, surpreendeu-me que a sociedade timorense estivesse já preparada para essa medida. Supus que a manifestação fosse uma coisa incipiente porque me pareceu que a Igreja Católica timorense não tivesse dificuldade em convencer o seu rebanho a assistir às aulas. Não percebi então, e continuo ma mesma, se a possibilidade em não assistir às aulas era facultativa por opção da família, tornando implícita a sua obrigatoriedade se ela assim decidisse – caso os encarregados de educação decidissem que os jovens fossem às aulas de religião e moral então a sua presença fosse implicitamente obrigatória, ou ser-lhes-ia marcada falta – ou se os alunos poderiam optar por sua livre iniciativa (o que me parece excessivo sendo crianças).

Não esperava a reacção da Igreja Católica timorense, na pessoa de Ximenes Belo. Estava notoriamente irritado com a medida, o que me fez perceber que a segurança deste na devoção do seu rebanho não seria tanta quanto eu supunha inicialmente. Se o nível de devoção fosse alto, talvez bastasse sugerir que as famílias devessem instruir os educandos a ir às aulas para que a medida ficasse vazia de conteúdo.

Salvo novos desenvolvimentos, tudo parece indicar que o governo timorense esteja a tentar separar as águas e que a Igreja Católica esteja a reagir tentando não perder a influência que parece deter directamente dentro do estado timorense.

O conflito parece estar a trepar – a igreja timorense pede o afastamento do primeiro ministro … o que me parece ilegítimo porque me pareceria também ilegítimo que o governo timorense exigisse, fosse qual fosse a razão, o afastamento do bispo Ximenes. São ambos poderes legítimos, mas de tipos distintos. Os respectivos campos não se devem entre-cruzar.

Esta última declaração parece ainda justificar a medida governamental, porque parecendo tornar claro um défice de homogeneidade no comportamento religioso dos timorenses, legitima duplamente a medida tomada.



Em relação aos reflexos internos, é curioso lembrar três coisas:
1 – a reacção da esquerda em defesa da relação de poderes entre religião e estado no Iraque, em que se percebe que àquela esquerda parece razoável que, no Iraque, não haja (nem venha a haver) separação de poderes,

2 – a recente reacção da mesma esquerda a uma homilia de propaganda eleitoral reclamando que a separação de poderes existente (que a mesma esquerda vê, para consumo próprio, como um direito fundamental) torna essa uma atitude inadmissível

3 – a ausência de reacção da mesma esquerda aos acontecimentos em Timor.
O segundo caso é contraditório em relação ao primeiro, o terceiro em relação ao segundo.

Poder-se-ia dizer que, no segundo caso se tratava de um problema interno (de Portugal) e no terceiro um problema externo. Mas o primeiro também era externo.

Freitas do Amaral manifesta-se preocupado com o sucedido em Timor. A sua expressão faz transparecer essa inquietação, mas não a consubstancia. Sendo razoável que seja parco em comentário, pelo menos por enquanto, vejamos se assim continua caso as coisas se compliquem. Nessa altura veremos se terá presentes os disparates que verteu sobre a administração Bush ou as contradições da esquerda kitsch.

22/04/2005

Bernardino Soares e o éter



É doloroso ver Bernardino Soares, na Assembleia da República, acusando o governo, no que respeita à questão da venda de medicamentos fora das farmácias, de ter cedido ao loby das grandes superfícies.

É doloroso, não por se ter Bernardino esquecido de felicitar o governo por ter dado uma cacetada a um dos lobies mais bem organizados e entrincheirado cá do burgo (o das farmácias), mas por se estar perante a visão de um ser humano cuja única forma de dar a entender que supõe estar vivo é a de dizer qualquer coisa, simplesmente para ocupar o éter … que afinal nunca existiu.

Faleceu Edgar Correia


Durante longos anos militou no Partido Comunista Português, muitos deles em lugares de topo.

Que o Partido se tenha incompatibilizado com ele, ou vice versa, são coisas da vida. Mas a história não pode ser apagada e é ignóbil que o partido não se tenha feito representar no funeral de uma pessoa que à defesa das suas causas políticas dedicou a maior parte da vida.

Lá estava Manuel Carvalho da Silva - gente civilizada é outra coisa.

Voltando ao PCP, é difícil ser-se mais bronco. Bimbo mesmo.

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Choque tecnológico

Esta coisa de choque tecnológico é uma conversa com zero de sentido. Uma espécie de masturbação intelectual ... Que coisa mais estúpida. Só falta decretarem que o choque está feito e teve sucesso. Se decretassem que chovesse, teriam talvez mais sucesso.

Suponho que o Blasfémias tenha razão.

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Cultura: O choque teatral - actualização

Este artigo foi actualizado com este link.

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21/04/2005

Kuwait: mulheres vão poder votar e ser eleitas

Mais um facto que não está de cordo com a predições da esquerda em relação às consequências da política de George Bush para o Médio Oriente.

No Público, pode ler-se:
Kuwait: mulheres vão poder votar e ser eleitas (19.04.2005)

Os deputados do Parlamento do Kuweit chegaram a um acordo de princípio para a elaboração de um projecto de lei que dá às mulheres o direito de voto e que as torna elegíveis já a partir das próximas eleições.

A legislação, já aprovada em Outubro de 2003 pelo Governo, passou com os votos favoráveis de 26 deputados. Votaram contra 20 deputados e três abstiveram-se.

Todos os deputados tribais e islamistas, que são contra os direitos políticos das mulheres, votaram contra este projecto de lei.

O Parlamento é composto por 50 deputados eleitos mais 15 membros do Governo, que também têm direito de voto.

A última votação deverá decorrer dentro das duas próximas semanas.

A Constituição do Kuwait garante a igualdade entre os sexos, mas a lei eleitoral só dá direito de voto aos homens.

Em 1999, o emir árabe promulgou um decreto sobre o direito de voto e a elegibilidade das mulheres. O documento foi posteriormente aprovado pelo Governo mas rejeitado pelo Parlamento.
Quem está na origem de mais esta, quem? Será que a esquerda também a vai considerar negativa? Ou negativa por ser insuficiente (não é perfeito - não serve)?

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O espírito do tempo

Em O Acidental, pode ler-se:
"O “espírito do tempo” é, de resto, a coisa mais totalitária que conheço."
Há que ler todo o artigo.

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O voto de George Bush ... - ADENDA



Há uma adenda a este artigo, aqui transcrita:

Adenda
(inserida a 21 de Abril).

Suponho ainda que a administração norte americana se esteja razoavelmente nas tintas para o resultado do referendo francês e para a possibilidade da entrada em vigor, ou não, do Tratado Constitucional.

Se ele for aprovado ficará assistindo ao desenvolvimento das contradições internas da Comunidade Europeia em que cada um dos multilateralistas membros tentará levar de vencida o seu particular multilateralismo.

Se não for aprovado ficarão assistindo, calmamente, à resultante peixeirada. Neste caso ficarão um pouco mais atentos porque a Comunidade estará mais perto da realidade, portanto mais divorciada do planeta dos gambuzinos em que tende a viver, pelo menos no que respeita à política francesa / alemã / espanhola. Evidentemente que os norte americanos terão a vida tanto menos facilitada quanto menos a Europa viver um ambiente de ficção.

Voltando a Mário Soares e George Bush, o que mais interessa saber à administração americana é que figuras de referência da Europa tenham em conta a opinião de George Bush num óbvio assunto interno da Comunidade. George Bush não vota, evidentemente. Mas influencia o voto (muitos votos - vota indirectamente, múltiplas vezes) pela mão de figuras de referência europeias. Antes votasse – seria apenas mais um voto.

Há ainda outra forma de encarar a coisa: será que Mário Soares tenta usar o papão George Bush para influenciar o voto a favor do Tratado? Neste caso além da implícita fraqueza, seria uma reedição da história da deglutição de criancinhas, pelos comunistas, ao pequeno almoço (para os mais novos, há que procurar referências ao assunto na época pós 25 de Abril) – enfim, o problema do sapo (para os mais novos, novamente, trata-se de uma referência à campanha eleitoral presidencial entre Freitas do Amaral e Mário Soares. Já agora, nessa altura, Freitas do Amaral era acusado, por Mário Soares, de “ter acordado tarde para a política” e “ter uma postura pouco claramente anti-totalitária”. Na minha opinião isto era verdade e continua a ser: detecto em Freitas do Amaral uma mistura bizarra de egocentrismo com totalitarismo).

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20/04/2005

Detector pronto para receber feixe de neutrinos


A escada, localizada à direita, dá uma boa noção das dimensões do equipamento.

Sumário – (5 de Março de 2005) Alguns cientistas começaram a disparar um feixe de neutrinos, através da terra, até um alvo localizado a 735Km de distância.

Esta experiência ajudará a equipe a compreender como são os neutrinos capazes de atravessar tremendas quantidades de matéria, raramente interagindo.

Considera-se actualmente que existem pelo menos 3 variedades (ou sabores) de neutrinos, respectivamente associados aos electrões, aos muões e às partículas tau.

Pensa-se que só serão gerados neutrinos da variedade associada ao muão, mas isso será confirmado por detectores colocados junto à origem no e(in)jector, situado no laboratório "Fermilab", perto de Chicago.

Se no alvo, situado no subsolo, na mina Soudan no Norte do estado de Minnesota, se detectar qualquer outra variedade de neutrino, poderá concluir-se então que a variedade original (muão) se terá transformado.

Com sorte, poderão mesmo vir a capturar-se partículas no exacto momento da sua transformação (de uma para outra variedade) podendo então os cientistas vir a compreender melhor o que se terá passado durante o trajecto entre Chicago e o Minnesota.


Desenvolvimento (em inglês).

Link recomendado (em inglês).

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O voto de George Bush no Tratado Constitucional Europeu



No Público de 19 de Abril pode ler-se:
Num debate com o deputado bloquista Fernando Rosas, Mário Soares disse que votar pelo "não" deixará Bush "muito contente".

O simples facto de Mário Soares referir o agrado ou desagrado do presidente dos norte americanos a uma decisão estritamente interna da Comunidade Europeia espelha não só insegurança na justeza das decisões internas dos europeus como uma assumida dependência de decisão em relação ao voto, nesta matéria, face à opinião de George Bush. Mário Soares não é um qualquer cidadão da Europa, ou, pelo menos, não parece querer assumir-se nem ser considerado como tal.

A opinião de Bush nunca deveria ser chamada à discussão nesta matéria. Quanto muito para referir que ela seria, simplesmente, irrelevante (ignorando-a implicitamente).

Chamar sistematicamente George Bush aos assuntos internos da Europa espelha o caminho de irrelevância política que ela tem trilhado, legitimando implicitamente a ingerência dos norte americanos nos assuntos políticos internos da Europa.

Os Estados Unidos da América vão-se afirmando não só como polícias do mundo, mas também como guardiões do mundo, e conseguem-no não só pelo esforço próprio mas também pela demissão de outros eventuais pólos - neste caso a Europa.

Suponho que os chineses não andem distraídos.


Adenda (inserida a 21 de Abril).

Suponho ainda que a administração norte americana se esteja razoavelmente nas tintas para o resultado do referendo francês e para a possibilidade da entrada em vigor, ou não, do Tratado Constitucional.

Se ele for aprovado ficará assistindo ao desenvolvimento das contradições internas da Comunidade Europeia em que cada um dos multilateralistas membros tentará levar de vencida o seu particular multilateralismo.

Se não for aprovado ficarão assistindo, calmamente, à resultante peixeirada. Neste caso ficarão um pouco mais atentos porque a Comunidade estará mais perto da realidade, portanto mais divorciada do planeta dos gambuzinos em que tende a viver, pelo menos no que respeita à política francesa / alemã / espanhola. Evidentemente que os norte americanos terão a vida tanto menos facilitada quanto menos a Europa viver um ambiente de ficção.

Voltando a Mário Soares e George Bush, o que mais interessa saber à administração americana é que figuras de referência da Europa tenham em conta a opinião de George Bush num óbvio assunto interno da Comunidade. George Bush não vota, evidentemente. Mas influencia o voto (muitos votos - vota indirectamente, múltiplas vezes) pela mão de figuras de referência europeias. Antes votasse – seria apenas mais um voto.

Há ainda outra forma de encarar a coisa: será que Mário Soares tenta usar o papão George Bush para influenciar o voto a favor do Tratado? Neste caso além da implícita fraqueza, seria uma reedição da história da deglutição de criancinhas, pelos comunistas, ao pequeno almoço (para os mais novos, há que procurar referências ao assunto na época pós 25 de Abril) – enfim, o problema do sapo (para os mais novos, novamente, trata-se de uma referência à campanha eleitoral presidencial entre Freitas do Amaral e Mário Soares. Já agora, nessa altura, Freitas do Amaral era acusado, por Mário Soares, de “ter acordado tarde para a política” e “ter uma postura pouco claramente anti-totalitária”. Na minha opinião isto era verdade e continua a ser: detecto em Freitas do Amaral uma mistura bizarra de egocentrismo com totalitarismo).

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Pregas no espaço-tempo podem ser a explicação para a energia escura



Sumário – (18 de Março de 2005) Uma equipe internacional de astrofísicos desenvolveu uma nova teoria para explicar a aceleração da expansão do universo, conhecida como “energia escura”.

A equipe supõe que, em vez ser a misteriosa energia a empurrar a matéria a uma taxa de aceleração, o fenómeno poderá ser resultante do aparecimento natural de pregas no espaço e no tempo, criadas durante os momentos iniciais de expansão após o Big Bang.

Estas pregas poderão alargar-se para lá do que se pode observar usando os telescópios actuais, não se podendo fazer mais do que calcular a sua existência.

Desenvolvimento (em inglês).

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19/04/2005

Procura de Energia Negra estudará 300 milhões de galáxias



Sumário – (23 de Março de 2005) Está em preparação um novo levantamento astronómico para ajudar a descobrir a fonte da misteriosa energia escura [negra?] que acelera a expansão do universo.

Planeada para começar em 2009, a Busca de Energia Escura [negra?] recolherá dados em aproximadamente 300 milhões de galáxias, abrangendo os últimos 2/3 da história do universo.

Uma câmara de 520 milhões de pixeis será instalada no telescópio Blanco, de 4 metros, do Observatório Inter-Americano de Cerro Tololo no Chile, esperando os astrónomos pesquisar o céu 10 vezes mais rapidamente que anteriormente.

Desenvolvimento
(em inglês).

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Detritos como balas



Sumário – (22 de Março de 2005) Quando se está for a da atmosfera terrestre, perde-se a sua protecção contra detritos espaciais. Pequenas partículas, mais pequenas que alguns centímetros, movimentam-se a tais velocidades que podem causar tremendos estragos se colidirem com um satélite ou astronauta.

Em 1993, enquanto reparavam o Telescópio Espacial Hubble, os astronautas descobriram, numa antena, um buraco, numerosas pequenas covas e fendas.

Que estratégias podem adoptar os planeadores de missões para proteger, no espaço, pessoas e equipamento?

Desenvolvimento (em inglês).

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Os carvões

Imagine-se que a chaminé do fumo papal apareceria entupida.

Imagine-se que o fumo negro produzido não poderia sair, invadiria as salas cardinalícias e os ditos seriam obrigados a debandar, espavoridos, de cara enfarruscada.

Imagine-se a orgia “informativa” que isso iria gerar. Até os satélites de telecomunicações sairiam de órbita. Alguns chocariam mesmo com o Hubble e com o Chandra.

A esquerda (Kitsch e Cro-magnon), atenta ao atentado ao multi-lateralismo demonstrado recentemente pela Santa Sé, apresar-se-ia a declarar – “só podem ter sido os Bushistas … “

18/04/2005

O cano roto

Parece-me que há uma manobra de diversão neste artigo.

Segundo percebi, veio a averiguar-se que alguém, dentro da ONU, pactuava com “fugas” de petróleo iraquiano, à revelia das resoluções da ONU, lucrando com elas.

Ana Gomes chama a atenção que ingleses e norte americanos sabiam da coisa.

Não nego que assim fosse. Mas, segundo leio no mesmo artigo, Ana Gomes, e outros diplomatas portugueses, sabia do mesmo … O que os põe então ao abrigo das mesmíssimas críticas que parecem fazer a ingleses e americanos?

Provavelmente toda a gente sabia. De facto até eu já tinha ouvido, na comunicação social, nomeadamente a Pacheco Pereira, referências ao assunto.

O que não percebo é porque chama Ana Gomes a atenção para ingleses e norte americanos sem apontar a responsabilidade do ocorrido - sem falar na corrupção propriamente dita, perpetrada, segundo julgo perceber, directamente por funcionários da ONU.

Uma coisa é saber-se que as sanções estão a ser furadas. Outra coisa é saber-se que estão a ser furadas com lucro de funcionários da ONU. Neste caso a dúvida imediata é saber se as furadelas são catalisadas directamente de dentro da ONU para obter proventos directos.

Ana Gomes não refere que ingleses ou norte americanos soubessem da corrupção dentro da ONU (coisa que suspeito saberem porque, naturalmente, no timming apropriado seria – e foi – uma boa arma de arremesso).

Será que Ana Gomes está simplesmente chocada pela mistura de Jack Straw com as virgens?

Ou dar-se-há o caso de ter havido mais gente a saber da corruptiva marosca?

Já agora, toda a gente sabia menos o Kofi? Até a Ana Gomes sabia ... Se calhar é o Kofi a virgem enganada …

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Assim não brinco

Vou descrever um meu dia típico de trabalho no que respeita a pormenores organizativos.

Eu trabalho em função de pedidos – vulgo pedidos remunerados a recibo verde.

Mantenho uma agenda com os trabalhos marcados para não faltar àqueles com que me comprometo.

Comecei hoje a trabalhar às 8 da manhã.

Às 10, telefonam-me de uma empresa para saberem se eu posso ir imediatamente para lá executar um trabalho cuja existência que se tinham esquecido de me comunicar.

Expliquei que nada era possível porque estava, exactamente, executando outro.

Entretanto vão-me telefonando outros colegas tentando saber se eu conhecia alguém que estivesse imediatamente disponível para o mesmo tipo de tarefa. Inquirindo concluo que estão todos de volta do mesmo problema.

Sem que houvesse solução, a empresa combina com o cliente final outras hora, 7 da tarde, e telefona-me para me dizer para estar lá então a essa hora.

Justamente a essa hora tenho outro trabalho, mas sabendo não ter um timmimg crítico, telefono a esse meu cliente para adiar o trabalho para o dia seguinte, coisa que fica assente.

Apresento-me na empresa que me tinha telefonado às 5 horas da tarde, a tempo dos preparativos necessários.

Com tudo preparado, dirijo-me à pessoa responsável para recolher matéria prima que me permita começar a executar o trabalho mal chegue o cliente final.

É-me, nessa altura, dito, que afinal o cliente final já não vinha, e que se tinham esquecido de me dizer …

Isto repete-se vezes sem conta …

… há “por aí” problemas de eficiência no trabalho ???

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O Erro dos Futurólogos

A Biblioteca de Babel tem razão.

Este artigo de Semiramis deve ser lido.

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Manuel Carvalho da Silva



É imperdoável, mas tenho-me esquecido de debitar umas sílabas acerca da entrevista de Manuel Carvalho da Silva, Secretário Geral da CGTP, há umas 3(?) semanas, no programa Diga Lá Excelência.

Sempre me pareceu que o nível intelectual dos representantes das entidades patronais era superior ao dos representantes das centrais sindicais. Com Carvalho da Silva as coisas invertem-se.

Apesar de ser óbvio (e natural) que Carvalho da Silva defende a sua dama, não se pode deixar de perceber que o homem não fala à toa.

Na referida entrevista lembro-me (com algumas falhas de memória, suponho) de duas passagens:

1 – Graça Franco pergunta: “Porque raio não haverão os trabalhadores independentes de negociar independentemente os seus salários? Sendo independentes … “

Carvalho da Silva responde: “Desculpe, mas todos nós somos simultaneamente dependentes e independentes. Isso não faz qualquer sentido”.

2 – Porque não há-de haver uma maior flexibilização dos despedimentos?

Como assim? Porque se fazem então, com os gestores, contractos contendo cláusulas de gorda compensação para o caso de serem despedidos? Esse princípio é só para alguns?

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Descoberta a primeira galáxia em matéria negra



Sumário: - (23 de Fevereiro de 2005) Os astrónomos acreditam que uma parte significativa (mais de 80%) do universo é misteriosamente feita de matéria negra [ou escura]; é invisível a todos os instrumentos, mas pode ser detectada porque os seus efeitos gravíticos afectam a matéria visível. A matéria negra é habitualmente encontrada à volta de galáxias com um enorme auréola, mas astrónomos britânicos pensam ter encontrado uma galáxia completa exactamente constituída por matéria negra. A equipa usando um radiotelescópio para observar o movimento de uma nuvem de átomos hidrogénio, poude perceber que a nuvem estava a rodar muito mais rapidamente do que se fosse unicamente constituída por matéria “normal”. Rodando à velocidade observada, só se poderia manter unida, se fosse maioritariamente constituída por matéria negra.

Desenvolvimento (em inglês).

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Telescópios realmente grandes



Sumário – (8 de Abril de 2005) Se pensa que os telescópios actuais são poderosos, espere para ver. Está a ser preparada uma nova classe de observatórios capazes de suportar espelhos de 100 metros de diâmetro e tendo 40 vezes a potência de observação do Telescópio Espacial Hubble. Um novo estudo, desenvolvido por uma comissão de astrónomos europeus, propõe que instrumentos desta dimensão possam ser construídos por mil milhões de Euros, aproximadamente, e levar 10 a 15 anos a construir.

Desenvolvimento (em inglès).

Os fantoches de verde

Este texto, de Helena Matos publicado no jornal Público, transcrito por Contra a Corrente, não podia fazer mais sentido.

De facto, quem são Os Verdes e que estão a fazer na Assembleia da República e no Parlamento Europeu?

Este é mais um exemplo da duplicidade de critérios de uma parte da esquerda contemporânea.

Porque está esta esquerda tão preocupada com os eventuais desequilíbrios de representatividade no Iraque, se dentro de portas (Nacionais e Europeias) há um partido cuja única razão de ser deriva da possibilidade, deixada pela lei em aberto, de um determinado partido, neste caso p PCP, ocupar o dobro dos recursos do que seria normal, e, paralelamente, conduzir-se tendo como único fito a potenciação da sua estratégia?

Onde estão os fantoches? No Iraque, onde os partidos obtiveram votos directos dos seus votantes, ou nos Verdes que nunca se sujeitaram como partido que dizem ser, ao escrutínio do povo?

Para a dita esquerda (na qual se inclui Os Verdes) e para o PCP em particular, os eleitos no Iraque são lacaios do imperialismo. Que são Os Verdes?

É esta a noção de democracia desta esquerda? Percebe-se porque Bernardino disse: "Tenho dúvidas que a Coreia do Norte não seja uma democracia" …

Por Bernardino Sores, já sabemos o que nos esperaria se chegasse ao poder. E lá continua … no PCP. Se chegasse ao poder só seríamos libertados se os norte americanos se mexessem.


PS.
Quando refiro uma parte da esquerda refiro-me basicamente, a todo o PCP e suas ramificações, todo o Bloco de Esquerda e parte do PS.

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Cultura: O choque teatral

Fernando Mora Ramos, actor e encenador to Teatro da Rainha, Caldas da Rainha, escreve um artigo no Le Monde Diplomatique, edição portuguesa.

O artigo é de muito interesse, pena é que esteja imerso numa floresta de gambuzinos.

Actualização
O artigo pode ler-se aqui.

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