Num campo de refugiados palestiniano no Líbano, dois trabalhadores da Cruz Vermelha foram mortos por militantes da Fatah Islam.
Imagine-se a peixeirada que iria pela comunicação social se tivessem sido mortos em resultado de um ataque israelita.
... entretanto ...
Em Londres, uma mulher foi executada por muçulmanos. Nem as feministas parvas nem os idiotas úteis da praxe levantaram, sequer, uma palha "contra a violência" [via Insurgente].
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13/06/2007
12/06/2007
Cavalidades
Este tipo de absurdo faz-me lembrar alguns artolas que, à boleia de um assunto trivial, debitam as mais prosaicas cavalidades. Levando nas ventas, reclamam: "não era disso que se tratava" ou "...foi uma piada"
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11/06/2007
O gato Esteves
Vasculhando o arquivo, descobri estes:
A cruz nos exames – a cruz de todos nós
O Monstro
Educação !!!
Ah!. Cá está. Era este o artolas que procurava. O amante da religião das pás esteve cá há quase um ano para gravar qualquer coisa. Parece que vai voltar. [link corrigido]
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A cruz nos exames – a cruz de todos nós
Para este ano, os idiotas do Ministério da Educação(?) deverão propor:Para o ano que vem vai sei mais girino ainda.
1 – Que todo o exame seja feito por escolha múltipla.
2 – Que uma parte do exame seja feito por carimbadela para permitir que os alunos que não saibam fazer uma cruz possam ainda responder.
O Monstro
Educação !!!
Ah!. Cá está. Era este o artolas que procurava. O amante da religião das pás esteve cá há quase um ano para gravar qualquer coisa. Parece que vai voltar. [link corrigido]
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Caindo à volta da terra

Imagem gigante
Transmissão directa

O da direita nunca chegou a voar, perdão, chegou a ser colocado em órbita mas sem tripulantes e sem sistemas de apoio à vida. Chamava-se Buran.
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10/06/2007
09/06/2007
Da selvejaria e da escola
O Bitaite e a razão

[Observação posterior à publicação do post:]
De qualquer forma parece-me que a anestesia foi, pelo menos em parte, administrada pelos próprios professores. Quantas manifestações ou greves foram feitas conta a barbaridade pedagógica reinante? Alguém se lembra de alguma?
E quantas as manifestações e greves por regalias monetárias ou outras?
Arauto

Extracto do discurso do Presidente da República Checa Vaclav Klaus before American Congressional Committee on Energy and Commerce em Março deste ano....
Veja-se quão pejados deste lixo terrorista pseudo-ambientalista "industria inimiga do ambiente, assassina do planeta" e perceba-se a lavagem ao cérebro que se tem feito aos alunos em Portugal.
Tudo politicamente correcto, inn, giro, "inclusivo".
Como este, há dezenas de outras "causas", com as quais o exército de idiotas a que se chama, globalmente, Ministério da Educação, insiste em seringar alunos.
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08/06/2007
E se o professor não deu a matéria?
E se o professor não deu a matéria?
Pergunta da Semana: "Se o professor não deu a matéria (toda), como é que os alunos vão a exame? O que é que se faz?"
Resposta do meu co-blogger Ctrl.Alt.Del.: "O professor não dá matéria, segundo o ME é um "facilitador de aprendizagens" e um "criador de situações de aprendizagem"; assim, se há matéria que o aluno não aprendeu, o problema é, obviamente, dele ;-)"
A culpa não é, obviamente, do aluno. A culpa é, obviamente, do professor que não deu a matéria.
Mas essa não era a minha questão. A minha questão é "se o professor não deu matéria, o que é que fazem os alunos?". Não podem fazer nada. Nem os que estiveram nas aulas. Eu, a esta pergunta, queria respostas, não ironias...
Sinceramente não sei. Pode um aluno ser prejudicado pela incompetência de outra pessoa? Não, certamente. Como resolver este impasse? A pergunta da Semana mantem-se.
P.S.: O professor dá matéria. É um facilitador de aprendizagens, é um criador de situações de aprendizagem, é um estimulador do pensamento, mas tem de dar matéria.
Eis um excelente exemplo dos resultados do ensino centrado no aluno:
1 – O aluno incapaz de perceber que vive em sociedade e que, por essa via, e como membro (caloiro que seja) dessa sociedade, era suposto ter tido uma quota parte da responsabilidade na sua própria aprendizagem (a maior parte do esforço, para ser mais concreto). Para ele o problema está sempre fora. O facto dele não perceber que, no processo, deveria ter tido uma quota parte de responsabilidade, demonstra que o sistema foi incapaz de lhe dizer que parte dessa responsabilidade (de aprender, custe o que lhe custar, com ou sem professor, o que tiver que ser) lhe estava sobre os ombros. Não disse, aliás, porque o sistema acha que o aluno nunca é responsável por coisa alguma porque, simplesmente, é referencial absoluto.
2 – Para ele, culpa, responsabilidade, problema, é tudo a mesma coisa, sempre dos outros – de fora.
3 – A questão que acabou de equacionar nunca é a que acabou de equacionar mas a que acabou de equacionar. Quando lhe explicam porque o que afirma é um disparate, responde sempre que nunca a explicação se encaixa no que diz afirmar. Apesar disso usa a explicação como trampolim para voltar ao disparate inicial.
4 – O egocêntrico que supõe ser o timoneiro de um mundo-ervilha. Qualquer criança é egocêntrica até perceber que é membro de uma sociedade. Este egocentrismo é suposto desaparecer, o mais tardar, ao entrar a primária. Aqui ele mantém-se. Mantém-se, e é cultivado para se manter assim. Aliás, o grande timoneiro do mundo ervilha é o centro do sistema.
...
Numa palavra, alunos que reclamam dos maus resultados de uma coisa que dizem defender, sendo incapaz de perceber que essa reclamação é exactamente resultante do falhanço das “suas” ideias (que não são deles, lhes foram impingidas). Não percebem que são filhos do sistema e que pensam como ele.
São incapazes de perceber que viver em sociedade implica vantagens e desvantagens: entre as vantagens, a de se ser frequentemente ajudado pela sociedade, entre as desvantagens, a de se ser frequentemente travado por ela. Ao fim e ao cabo, são incapazes de perceber que viver em sociedade tem muito mais vantagens que desvantagens.
Todos devem fazer tudo face aos problemas deles, nunca eles pode fazer algo por si próprios. Vêem-se como produtos em prateleiras de supermercado.
Gostam que os tragam às costas, mas ou outros pesam-lhes muito.
Quando gozam das vantagens que a sociedade lhes permite, gozam de direitos inalienáveis, conquistados, adquiridos, garantidos, imutáveis, absolutos. Quando sobre eles recaem efeitos secundários, coitados: são vítimas.
Enfim. Face ao descalabro só resta dizer-lhes: desenrasquem-se (para não dizer que vão para o raio que os parta). Nunca perceberam nem perceberão que, independentemente dos erros que os outros tenham cometido sobre eles, é a eles que cabe, em primeiro lugar, dar passos para os resolver. Mas eles não percebem porquê, porque, para cada um deles, a sociedade é propriedade deles – como no mundo dos tiranos.
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Cá se fazem cá se pagam

“Cá se fazem, cá se pagam”, diz o povo.
Há tempo, num blog aqui ao lado perguntava-se se a auto-discriminação era resultante de masoquismo.
Eu respondo que não, que a maioria das vezes é resultante da penhora do futuro por benesses imediatas.
Ligado ao ensino, vejamos três casos, micro, médio e macro, que têm resultado em discriminação.
Durante o tempo da Mocidade Portuguesa, os professores eram bem considerados. Respeitados, eram tidos, na sociedade, como referência (houve, evidentemente, excepções, mas era esta a generalidade).
Depois do 25 de Abril essa respeitabilidade continuou. Quando da primeira greve de professores, lembro-me que as pessoas se interrogavam: ”se até os professores fazem greve, o caso deve ser sério”.
Passando ao lado da bagunça imediata ao 25 de Abril, anos passados começou a sentir-se o cancro das “ciências da educação”.
Os professores foram deixando de serem professores e passaram a “agentes educativos”, “facilitadores de comunicação”, “facilitadores de aprendizagem” e outras barbaridades equivalentes.
Como explicado aqui, foi-se, na verdade, escaqueirando a escola e substituindo-a por uma instituição entorpecente onde o aluno, à volta da vontade do qual tudo gira, é mantido como um fardo de palha: sem se lhe pedir mais do que ele é capaz de dar espontaneamente. Quando sair da escola e lhe forem cortados os arames não servirá de mais que de alimento a burros – carne para indústria de salários baixos e baixa qualificação.
O mundo do aluno contemporâneo é do tamanho de uma ervilha. Eles são todos “especialistas” em informática, mas a informática deles é uma bosta. A maioria sai do 12º sem ser capaz de usar espontaneamente funções de Excel – que, como apenas uma aplicação, nem sequer permite por ela que se “perceba de informática”.
Voltando ao professor, ele é responsável pelo presente estado de coisas pelo menos na medida em que nunca foi capaz de perceber que a cada novo “paradigma” aceite punha em causa a sua respeitabilidade. O professor foi abandonando rapidamente a sua costela de intelectual e foi aceitando o crachat de “facilitador” de todo o tipo de disparate. Em muitos casos pela máxima do “amanhã cantante” (logro), noutros pela cenoura salarial - ganho a curto prazo. Esta, em momentos críticos, foi usada para comprar a aceitação ao jogo, num cenário em que dominavam sindicatos globalmente controlados (democraticamente, pois claro) pelos Cro Magnons da “esquerda”. Em qualquer dos casos uma escola “mais ligada à sociedade”(?) segurava a minhoca no anzol do facilitismo, o tal que, a curto prazo, dá menos trabalho.
O tempo foi passando e os resultados são patentes: um professor é hoje uma “coisa” cuja missão, mais ou menos indefinida, passa, sabe-se lá como, por ser responsável por que os alunos sejam capazes de acabar (?) a escola e arranjar emprego bem remunerado (não necessariamente trabalho!).
Tudo deixou de andar à volta do professor, fonte de conhecimento, para passar a andar à volta do aluno, fonte de desconhecimento e palermice. O desconhecimento passou de pura burrice a fonte inesgotável de “perplexidades”, empalmadas por “manuais” em vez de livros.
De referência de sociedade o professor passou a algo a quem qualquer papá imbecil dá porrada quando a sua imbecil criança lhe diz que o professor lhe “comunicou” que não podia cagar na sala de aula (“comunicou” entre aspas, porque os professores já não falam – comunicam apenas).
Excluindo-se implicitamente, o professor (e por maioria de responsabilidade a corja de imbecis “cientistas de educação” que pululam pelo Ministério da Educação) vai formando gente inútil (futuros excluídos) que tem vindo a relegar Portugal para o grupo dos países apalermados.
Pode resumir-se a coisa dizendo que a incapacidade (até por vontade própria) em neutralizar um bando de energúmenos “cientistas de educação” colocou os professores na posição de excluídos do papel que lhes compete, responsabilizados, ainda por cima, pela não ”educação” dos bandos de inúteis que, de ano para ano e em cada vez maior número, vão sendo despejados no mercado de trabalho em empresas que terão que concorrer com países onde a sacrossanta ciência não deu ainda os mesmos “frutos”. Esta incapacidade em ombrear com as pessoas de países de economia livre, onde se aprende mais, leva o país à posição de excluído da orquestra mundial de países desenvolvidos.
Nesta bostas por onde moscas vão passando, coisas como esta são apenas mais um tentáculo do cancro.
Claro que os idiotas úteis locais culpam os países evoluídos de tudo quanto nos acontece, em especial pela nossa ignorância e ineficiência, embora seja evidente que não são esses países a ditar os “conteúdos” imbecis e imbecilizantes com que os nossos “facilitadores” vão tristemente mantendo lavado o cérebro de quem entra na escola. Pode dizer-se que as “ciências da educação” vierem dos Estados Unidos, mas é da nossa única e exclusiva responsabilidade alinhar em idiotices.
Parece, entretanto, que as mesmas ciências vão campeando, mais aqui menos ali, a generalidade da Europa. Enfim, não é por ser moda que a cretinice generalizada produz prémios Nobel – os Estados Unidos ficam com os Nobel, nós, (Portugal e Europa) com os idiotas.
Por esta via a Europa vai-se “afirmando” (de forma bastante generalizada) como uma “potência” em insipiência. A Europa já só é capaz de riscar sentença nos pseudo órgãos de informação de consumo interno: a exclusão da Europa na cena mundial é patente – há que agradar a pacóvios cuja escola lhes deixou a tripa cageira directamente ligada ao cérebro.
...
A triste figura que vamos fazendo constitui a maior derrota do 25 de Abril face à máxima Salazarista: “pobrezinhos mas limpinhos”, ou, burros mas orgulhosos, com muita fé e muitas crenças.
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Música por pessoas
Aqui fica esta:
Mahavishnu Orchestra, 1973 - Birds Of Fire, One Word.
(... compare-se à zurrapa que empesta os auriculares que por aí abundam).
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Mahavishnu Orchestra, 1973 - Birds Of Fire, One Word.
(... compare-se à zurrapa que empesta os auriculares que por aí abundam).
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A "vitória" dos pacóvios

Fazer papel de burro é prerrogativa do político europeu.
Se de esquerda, a burrice vem temperada com a mais viva estupidez. Se de direita, estúpida QB.
Angela Merkel vem congratular-se à TVs da retumbante vitória sobre os “americanos” reclamando Gerorge Bush como troféu.
Reclama a cavalheira, que George Bush se "comprometeu finalmente" (graças a ela, claro) a reduzir as (fantasmagóricas) emissões de CO2 em 50% durante os próximos ... 50 anos.
Será que a baronesa se convenceu que ninguém percebeu que a Europa acaba de enterrar Kyoto (equivalente imbecilidade).
A Europa andou uma série de anos a bramir que Kyoto seria a salvação do mundo. A bramir contra os “americanos” que era deles a culpa de todos (entre outros) os males climatéricos do mundo. Depois de tanta peixeirada, a Europa compromete-se com a solução final e perfeita: reduzir em 50% em 50 anos.
São 50 como poderiam ser 500. Significa, simplesmente, que nem uma palha será mexida nos próximos 30 anos.
A Europa trucidou todas as metas em que se comprometeu em Kyoto (nem outra coisa seria de esperar), fazendo, todo o tempo, exactamente o mesmo que os Estados Unidos fizeram: continuar a aumentar as emissões.
Face à óbvia candidatura da China como concorrente face a toda e qualquer economia, ela é ainda recordista em emissão de CO2 (ultrapassará os Estados Unidos em 2 anos). Os europeus reclamam ainda (pasme-se) a vitória de ter convencido George Bush a delegar na ONU as negociações (salvadoras do mundo, tá bom de ver) assentes nas cinzas de Kyoto.
Espera-se para ver o grau de receptividade com que os chineses, para não falar nos indianos, colaborarão com a parvoíce da senhora Merkel.
George Bush bebia cerveja e sorria. Terá pensado: estes pacóvios europeus pensam que o resto do mundo é tanso.
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No Abrupto, Pacheco Pereira escreve:
COISAS DA SÁBADO: OS MÍSSEIS RUSSOS E A EUROPA.
Tenho muita curiosidade em ver que tipo de resposta vai dar a União Europeia à ameaça de Putin de tornar de novo apontar os seus mísseis para alvos europeus, isto na presunção de que alguma vez estes tivessem sido apagados da lista russa. Não me refiro à resposta retórica, aos protestos diplomáticos e verbais, mas sim às medidas concretas, às medidas de carácter militar. Não custa descobrir para onde estão apontados esses mísseis: deve haver vários para a Alemanha, Polónia, República Checa, Itália, muitos para o Reino Unido, um ou dois para França, talvez para Portugal haja um para os Açores e outro para o comando da OTAN de Cascais. O que haverá certamente é um lote especial para Bruxelas, onde está situado o Quartel-General da OTAN, localização que veio do tempo em que a Bélgica era um aliado com que se podia contar na “guerra fria”. Agora ter lá o Quartel-General é um anacronismo histórico, que já Rumsfield, com a amabilidade do trato que o caraterizava, tinha ameaçado mudar para a Polónia.
Claro que se pode sempre dizer que quem dá essa resposta militar é a OTAN, cujos mísseis devem aliás também ter ficado com os alvos soviéticos clássicos guardados na memória. Ou seja, traduzido em português corrente e não em “europês”, isso significa que mais uma vez a tronitruância anti-americana da Europa esconde que esta é protegida pela sombra termonuclear dos EUA, que, como se sabe, é um país criminoso presidido por um imbecil, que todo o europeu politicamente correcto despreza no íntimo do seu ser.
Música por pessoas
Para ver se tempero a neura com que vou agredir, de seguida, a estupidez reinante, por aqui fica:

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06/06/2007
Tudo centrado no aluno
Via Portolani.
.COMO DESCONSTRUIR UMA NAÇÃO
por Patrícia Lança
Mais sobre o Reino Unido
Publicado n'O Insurgente de 27 de Fevereiro de 2007O Primeiro Alvodo multiiculturalismo da extrema-esquerda britânica não foi a imigração mas a classe operária indígena. Aproveitando as marcadas diferenças de classe que existiam tradicionalmente na Inglaterra, os sociólogos esquerdistas dirigiram a sua militância ao ensino básico e secundário. Na formação de professores para as escolas do Estado, a atenção principal deixou de ser a preparação na matéria a ensinar. Agora o que importava era transformar as atitudes dos candidatos a professor. Eram acusados de pertencerem a classe média e serem preconceituosos. Tinham que mudar. A sua tarefa não era de inculcar os modos da classe média nos alunos. Não deviam corrigir nem a gramática, nem o vocabulário, nem as maneiras dos alunos. Gritar e falar alto, interromper, chamar nomes, e todo o resto que o professor tradicional não tolerava, agora tornou-se aceitável. Porque, diziam os professores de Sociologia da Educação, era assim a cultura da classe operária. Tentar mudar o que os alunos aprendiam em casa constituía uma forma de repressão inadmissível numa democracia. Quanto a corrigir os hábitos ou a fala dos imigrantes das Caraíbas, nem pensar. Até era bom que os manuais escolares fossem escritos em crioulo. Esta iniciativa naufragou nas rochas da diversidade dos dialectos das várias ilhas, facto que os sociólogos só constataram mais tarde.O fim das sançõesO mais fácil então era simplesmente desistir de ensinar inglês à esta gente difícil. Paralelamente com o laissez faire na sala de aulas, houve o total abandono da aplicação de sanções. Deixou de haver qualquer tipo de castigo. Os ingleses, antes peritos na deplorável prática de castigos corporais, deixaram simplesmente de punir mesmo os piores abusos. Quando um professor era agredido fisicamente só restava a sua expulsão. Quarenta anos da prática desta filosofia nas escolas britânicas agora deram o seu fruto. Os piores números de insucesso escolar da Europa; hooliganismo de crianças nas ruas, a tal ponto que os adultos têm medo das crianças e dos adolescentes; as cidades à noite cheias de jovens agressivos e bêbedos; e um governo desesperado a produzir novas leis que visam, em vão, ensinar respeito. As mudanças de comportamento provocadas pelas políticas delirantes da esquerda foram muitas. Entre elas dois pequenos mas desagradáveis fenómenos: a generalização dos hábitos de urinar e de cuspir na rua. Antigamente isto só acontecia, diziam os ingleses, no outro lado da Mancha. Agora são os ingleses que ficam surpreendidos com a boa educação dos continentais.
Evidentemente que estou a referir as escolas do Estado (onde leccionei durante uns dez anos e sei do que estou a falar). Os colégios particulares (chamados, com essa típica perversidade britânica, “public schools”), muitas vezes internos, beneficiaram com a degradação do ensino estatal. As elites, incluindo muitos ministros de Tony Blair, continuam a enviar os filhos para os colégios particulares. E são estes que continuam a ter maiores possibilidades de entrar no ensino superior e nas melhores universidades. É assim a ‘sociedade sem classes’ do New Labour. E foi esse o modelo de ensino que o Portugal de Abril escolheu.
A chamada filosofia de educação que inspira os educratas que impuseram esta política educativa em diversos países ocidentais, incluindo PORTUGAL, é analisada no texto IN DEFENCE OF REASON.
05/06/2007
Arauto

Moralismo nos manuais escolares
Por estas e por outras é que os professores andam a levar nos cornos (eu também): permitem, tacitamente aprovam, ensinam pestanejando pouco, e depois espantam-se com ideias luminosas quanto esta outra: Entendamo-nos!
Tendo mais tempo voltarei a esta última para a relacionar com este outro assunto pendente.
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Valerá a pena ler ainda esta.
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Aeroportinho
No Prós & Contras de hoje parece-me ter ficado claro que vários governos andaram a vender uma decisão que ainda não teria sido tomada. Porque? - pergunto-me. Talvez por precisarem vender qualquer coisa!
... e aquela de não poderem operar duas pistas em simultâneo foi muito engraçada. Rifa-se um aeroporto de uma pista para construir outro ... de pista e meia.
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... e aquela de não poderem operar duas pistas em simultâneo foi muito engraçada. Rifa-se um aeroporto de uma pista para construir outro ... de pista e meia.
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04/06/2007
Porrada neles

CAA do Blasfémias, tem razão.
Em Rostok, um grupo de imbecis a que a comunicação social gosta de chamar "manifestantes", "críticos", "contestatários", "inconformistas" e outras idiotices equivalentes, gosta de andar à porrada.
Pois que a polícia lhes dê, com fartura, nos cornos. Só se perderão as que caírem ao lado.
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03/06/2007
A distribuição de pães
O Estado, Ministério da "Educação", vai distribuir toneladas de computadores.
A avaliar pelo resultado das medidas anteriores, de idêntica índole, os resultados serão menos que zero.
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A avaliar pelo resultado das medidas anteriores, de idêntica índole, os resultados serão menos que zero.
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Aquacimento global, de barrete em barrete
Climate Catastrophe Cancelled
As coisas mais belas e politicamente correctas que se têm ensinado nas nossas escolas!
As coisas mais belas e politicamente correctas que se têm ensinado nas nossas escolas!
02/06/2007
Porque o clima não deve mudar? Porque nos serve a nós.
No mudo dos defensores de medidas anti aquecimento global, alguém chama, finalmente, os bois pelos nomes.
O planeta Terra sempre teve variações de temperatura muito superiores àquelas que são agora anunciadas.
Tem-se vivido, no último par de séculos, uma época de excepção, particularmente favorável ao desenvolvimento do mundo como hoje o conhecemos. Qualquer substancial mudança climática afectará as latitudes correspondentes ao mundo mais desenvolvido.
Quer queiramos quer não, a temperatura média global vai mudando. Sempre mudou e mudará. Umas vezes aquece, outras arrefece. Estaremos, aliás, no final de um período inter-glacial que, acabado, trará o gelo, mais ou menos permanente, a toda a Europa.
Esta paranóia à volta do CO2 não passa disso - de uma paranóia. Para uns, uma paranóia algo religiosa, resultante da necessidade de adorar um deus qualquer, especialmente sentida após a queda do "ideal comunista". Para outros, uma forma, como outra qualquer, de ganharem a vida em estilo "jobs for the boys".
Mas a guerra pela manutenção do clima tal como está serve apenas para tentar perpetuar a mordomia climática com que o mundo mais desenvolvido tem contado. (Via Insurgente.)
O planeta Terra sempre teve variações de temperatura muito superiores àquelas que são agora anunciadas.
Tem-se vivido, no último par de séculos, uma época de excepção, particularmente favorável ao desenvolvimento do mundo como hoje o conhecemos. Qualquer substancial mudança climática afectará as latitudes correspondentes ao mundo mais desenvolvido.
Quer queiramos quer não, a temperatura média global vai mudando. Sempre mudou e mudará. Umas vezes aquece, outras arrefece. Estaremos, aliás, no final de um período inter-glacial que, acabado, trará o gelo, mais ou menos permanente, a toda a Europa.
Esta paranóia à volta do CO2 não passa disso - de uma paranóia. Para uns, uma paranóia algo religiosa, resultante da necessidade de adorar um deus qualquer, especialmente sentida após a queda do "ideal comunista". Para outros, uma forma, como outra qualquer, de ganharem a vida em estilo "jobs for the boys".
Mas a guerra pela manutenção do clima tal como está serve apenas para tentar perpetuar a mordomia climática com que o mundo mais desenvolvido tem contado. (Via Insurgente.)
Cientistas surpreendidos pelas declarações do chefe do departamento de clima da NASA.
"Não tenho dúvida de que há uma tendência de aquecimento global," declarou Griffin ao Inskeep. "Não estou certo que seja correcto dizer que seja algo contra o qual devamos lutar".
"Assumir que se trate de um problema é assumir que a Terra se encontra exactamente no seu óptimo climático, o melhor clima que poderíamos ter ou poderíamos ter tido, e que precisemos dar passos no sentido de garantirmos que não mudará," disse Griffin. "Suponho que perguntaria que seres humanos - quando e onde - deverão ter o privilégio de decidir que o particular clima que temos exactamente aqui e hoje, será o melhor clima para todos os outros seres humanos. Suponho que tal posição, a ser decidida por alguém, será de substancial arrogância."
Scientists Surprised by NASA Chief's Climate Comments
"I have no doubt that a trend of global warming exists," Griffin told Inskeep. "I am not sure that it is fair to say that it is a problem we must wrestle with."
"To assume that it is a problem is to assume that the state of Earth's climate today is the optimal climate, the best climate that we could have or ever have had and that we need to take steps to make sure that it doesn't change," Griffin said. "I guess I would ask which human beings — where and when — are to be accorded the privilege of deciding that this particular climate that we have right here today, right now is the best climate for all other human beings. I think that's a rather arrogant position for people to take."
Bovinices
Será que se começa a chamar os bois pelos nomes (sublinhados meus)?
No Abrupto:
No Insurgente:
No Abrupto:
Embora todos os anos se diga que a Feira (de Lisboa) está pior, para um bibliófilo está mesmo cada vez pior. A culpa não é da Feira em si, que, melhor ou pior, continua a ser uma boa iniciativa urbana, a culpa primeira está nos mais vocais queixosos da Feira, os editores. São os editores que publicando quilómetros de lixo, que enchem as livrarias e os balcões da Feira, tornam o livro que se vende novo completamente desinteressante. Há excepções, claro, excelentes editoras, mas a regra é o livrinho de capa frívola e texto imbecil de qualquer autor secundário na moda este ano, desaparecido do mapa no seguinte. Cada vez mais reforço a minha moratória de só ler livros (de ficção) que resistam dez anos em qualquer memória viva.
No Insurgente:
Vejo nas várias televisões que as manifestações “pacíficas” contra a cimeira do G8 na Alemanha tornaram-se violentas em Rostock. Segundo a notícia que ouvi na RTP-N, os manifestantes querem “um mundo diferente”, “sem guerras” e “mais justo” e para isso, nada melhor do que transformar uma cidade numa zona de guerra..
Não estou a ver como o fazer uma manifestação violenta pode ajudar a atingir esses objectivos. Mas enfim, são apenas uns idiotas com a ilusão de que podem mudar o mundo. Mas estes, são sempre os idiotas piores e aqueles que levaram a maiores desgraças.
30/05/2007
Censura a Carvalho da Silva
Acabo de ver uma manobra de censura executada pelos pasquins televisivos cá do burgo em relação às declarações de Carvalho da Silva da CGTP (às 20:15 horas).
Não apoiei a greve, suponho que os números de Carvalho da Silva estarão errados (mais errados que os do governo), mas tem o direito de dizer o que muito bem entender ... e de ser ouvido.
Fazer figura de parvo não é um espectáculo edificante. Mas ele tem esse direito e as TVs o dever de transmitir o que ele terá para dizer.
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Não apoiei a greve, suponho que os números de Carvalho da Silva estarão errados (mais errados que os do governo), mas tem o direito de dizer o que muito bem entender ... e de ser ouvido.
Fazer figura de parvo não é um espectáculo edificante. Mas ele tem esse direito e as TVs o dever de transmitir o que ele terá para dizer.
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28/05/2007
Viva a tabuada, abaixo as calculadoas
Saiu no Público, mas não tenho link (recebido por e-mail).
As zonas a bold [seleccionadas por mim] correspondem a áreas que alguns gambozinos supõem estar relacionadas com "fascismo" e "mocidade portuguesa"
As zonas a bold [seleccionadas por mim] correspondem a áreas que alguns gambozinos supõem estar relacionadas com "fascismo" e "mocidade portuguesa"
Fica em Arruda dos Vinhos, concelho rural dos arredores de Lisboa. É a única escola desse concelho que tem terceiro ciclo do ensino básico e, por esse concelho ter sido o único onde a média a Matemática nos exames nacionais do 9º ano foi positiva, o PÚBLICO visitou a João Alberto Faria. A reportagem foi publicada segunda-feira, mas vale a pena voltar ao tema. Porque essa escola é um manifesto vivo contra o tipo de políticas que têm degradado a qualidade do ensino em Portugal..
Primeiro: naquela escola entende-se, e citamos, que “a massificação do ensino levou a um menor grau de exigência, mas a Matemática não se tornou mais fácil e mantém as dificuldades próprias da disciplina”- o que requer “esforço e trabalho”.
Segundo: naquela escola não se embarca em modas, prefere-se cultivar a exigência. Por isso “o grupo de Matemática é pouco atreito a algumas inovações pedagógicas”, por isso defende-se que “saber a tabuada é mais importante do que saber utilizar a calculadora”, por isso interditaram mesmo a sua utilização no 2º ciclo.
Terceiro: como sem bons professores não há boas escolas, na Alberto Faria todos os professores são entrevistados antes de serem contratados, explicando-se-lhes qual a filosofia da escola e avaliando se os candidatos estão à altura do que se lhes vai pedir.
Quarto: não há nenhuma relação inelutável entre os bons resultados de uma escola e o nível sócio-económico da região onde se insere. Arruda dos Vinhos está longe de ser um dos concelhos com mais poder de compra e na João Alberto Faria não se seleccionam os alunos, recebem-se todos, mais ricos ou mais pobres. Mais: recebem-se também alunos de concelhos vizinhos, porque, como explicou um aluno do 10º ano que quer ir para Medicina, nela “o nível de exigência dos professores pode ser compensado pelos resultados nos exames, que normalmente tendem a ser melhores”. Quem responde bem à exigência possui também o estímulo de figurar no Quadro de Honra da escola.
Quinto: uma direcção escolar focada em disciplinas como Matemática ou Português levou a que o tempo lectivo destinado ao Estudo Acompanhado fosse dedicado só a essas disciplinas. E quando acabam as aulas do 9.º ano os docentes estão disponíveis para dar aulas extra de preparação para os exames de Português e Matemática e ainda todas as que sentirem necessárias para o esclarecimento de dúvidas dos seus alunos.
Tudo o que atrás fica escrito permite que os bons resultados daquela escola se prolonguem no ensino secundário, tendo o ano passado ficado em 32º lugar nos rankings feitos a partir dos resultados a Matemática dos seus alunos no 12º ano. Uma boa posição, se nos lembrarmos que falamos de uma escola que não foi feita para alunos de elite.
Contudo, para o quadro ser completo, é necessário sublinhar outra: esta é uma escola privada. O seu nome completo é Externato João Alberto Faria. Mas os seus alunos não pagam para a frequentarem, pois, como é a única do concelho, tem um contrato de associação com o ministério. Estes contratos de associação são relativamente raros no país, havendo mesmo assim quem defenda que o Estado devia construir escolas públicas ao lado de estabelecimentos privados como este. Mesmo que tal saísse muito mais caro. E resultasse numa menor qualidade de ensino. Só que a Alberto Faria mostra como fazer o contrário pode resultar muito melhor.
Conclusões? Que se as escolas escolhessem os professores, se os alunos escolhessem as escolas, se o Estado se limitasse a dar orientações gerais, em vez de dirigir, e desse um cheque-ensino aos alunos menos abonados que quisessem ir para uma escola mais exigente, ou melhor, privada e paga, ganharia a qualidade de ensino e o ministro das Finanças agradeceria. Só os interesses instalados se revoltariam.
José Manuel Fernandes
27/05/2007
O nosso outro Cabo S. Vicente
Viva o Sol (ver imagem):
Há um erro no texto original (a castanho): 100 watt-hora é a potência necessária para alimentar uma lâmpara de 100 watt durante uma hora.
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In addition, strong winds perhaps associated with channeling caused by the crater's jagged rim may have contributed to deck-cleaning events for Opportunity. On two separate occasions, sols 1153 (April 22, 2007) and 1158 (April 27, 2007), the solar array power increased significantly. In fact, the power level of 848 watt-hours, reached on sol 1160 (April 29, 2007), was the highest measured since about sol 300 (Nov. 26, 2004), early in the mission. (A watt-hour is the amount of power needed to light a 100-watt bulb for one hour.)
Há um erro no texto original (a castanho): 100 watt-hora é a potência necessária para alimentar uma lâmpara de 100 watt durante uma hora.
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Mais um delírio

É apenas um dos delírios que nos empestam e que deve ter as suas raízes numa fé qualquer.
Via O Insurgente
O ALEGADO JORNALISMO.
Alberto Gonçalves
No Verão de 2005, Israel desmantelou os colonatos da Faixa de Gaza, abandonando o território à flexível jurisdição palestiniana. Desde então, Gaza tem sido principalmente utilizada pelo Hamas para lançar morteiros sobre as cidades "sionistas" limítrofes, em parte graças ao fluxo de armas e terroristas vindos da fronteira franca com o Egipto. De vez em quando, israelitas civis morrem. De vez em quando, Israel reage e bombardeia os carros ou as residências de alguns ilustres do Hamas. Em simultâneo, apoia, militar e financeiramente, a Fatah nas rituais matanças entre palestinianos. Por motivos discutíveis e discutidos, o Governo de Olmert convenceu-se de que a Fatah constitui uma espécie de aliado, embora nada permita reconhecer-lhe força ou vontade para tal. Em simultâneo, a fronteira de Gaza com o Egipto permanece aberta à circulação de "jihadistas" sedentos de martírio, próprio ou alheio. Receoso dos efeitos de uma invasão de Gaza na "opinião pública", Olmert limita-se a eliminar a ocasional luminária do Hamas e a esperar que a coisa acalme. A coisa não promete acalmar.
Resumidíssimos, eis os factos, de resto comprováveis. Mas não com facilidade. Quem, por exemplo, acompanhou os últimos dias no Médio Oriente pelos "telejornais" ou por certa imprensa, ficou apenas convicto do seguinte: a chatice que decorre no Líbano não envolve directamente Israel, portanto, não dá drama; dramática é a situação em Gaza; em Gaza, Israel estourou com uma casa repleta de civis, tanto mais inocentes quanto o "alegado" psicopata do Hamas que, por mera coincidência, habitava a dita, não estava lá dentro no instante fatal; Israel assassinou "alegados" membros do Hamas; Israel prendeu "políticos" do Hamas; Israel rejeitou "tréguas"; Israel matou e esfolou; as acções de Israel são injustificáveis, visto que o Hamas vai enviando uns engenhos "artesanais" que, no fundo, nem ambicionam magoar ninguém. Como sempre, os israelitas são deliberadamente cruéis. Como sempre, os palestinianos são "resistentes", "activistas", "insurgentes", "militantes", "combatentes". Enfim, fazem pela vida, coitados.
Podemos atribuir esta peculiar visão à má-fé. A má-fé não explica tudo. Claro, qualquer sujeito que queira saber sabe o que se esconde (se se esconde) por detrás do "jornalismo de referência" da BBC ou da Reuters. E a retórica enviesada de certa imprensa indígena só engana criaturas particularmente impressionáveis. O problema é que, inclusive na classe jornalística, as criaturas impressionáveis abundam: basta ver os pivots dos nossos noticiários televisivos repetirem os delírios acima com candura. Ali não há vestígios de uma "agenda" oculta ou de preconceito ideológico: repetem-se os delírios porque os delírios ascenderam ao cânone.
Ainda existe disponibilidade para conceder um mínimo de compaixão face ao "judeu errante", em fuga cinematográfica dos pogroms ou nos transportes para Auschwitz. Mas, passem os séculos e as tragédias que passarem, na Europa quase ninguém aceita graciosamente que os judeus tenham pátria e poder. E muito menos que tenham razão.
26/05/2007
Minimoog
Estava convencido que tinha feito um post em homenagem de Robert Moog.
A verdade é que o não encontro ...
Entretanto, imagens do que suponho ter sido a obra prima dele. Ouvi-o (ao sintetizador), pela última vez, no CCB, no espectáculo de Keith Emerson. Voltarei a ouvi-lo ao vivo?
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Abençoado seja o mundo dos utópicos
As utopias são o máximo. São sempre boas (nem poderiam ser outra coisa). E são sempre resultado de corações esbanjantes de bem-fazer.
Recordemos um dos seus mais altos expoentes; Mao Tse Tung.
1 - A utopia das siderurgias
Mao percebeu (já sabia, porque um ser superior já sabe tudo) que a China precisava entrar no mundo industrial. De acordo com o seu supremo intelecto, resolveu que cada pequena cidade Chinesa haveria de ter uma siderurgia. Daí a construírem-se fogueiras monumentais para derreter metal, foi um passo que, sendo utopia, se tornou um enorme salto em frente.
Não havendo minério para derreter, foi fundida a maioria dos utensílios domésticos. O resultado foi ... escória. O resultado no ano seguinte foi ... fome. Os agricultores "empenharam-se" de tal forma no evidente "projecto de futuro" que, entretanto, deixaram as culturas ao abandono.
2 - Tendo conhecimento que os pardais comiam parte das culturas, o mesmo querubim resolveu, durante um acometimento de ideia, cortar o mal pela raiz: matar toda a passarada. Ao fim e ao cabo, quem era a passarada para fazer frente ao superior ser e às necessidades do "seu" povo?
Nas ruas, milhões de chineses, espalhados pelos campos, fizeram barulho dias a fio. Deve ter sido algo parecido com a chungaria que a generalidade dos pimpolhos hoje ouve. A passarada não podia pousar, era mantida permanentemente em voo até cair por exaustão. Talvez, quem sabe, estivesse até a "curtir", electrizada pela "batida" chinesa.
A coisa funcionou. A passarada foi dizimada.
Pareceu, no entanto, que a mãe natureza afinal não funcionava de acordo com a sábias certezas do benemérito querubim. Mas isso era apenas um pequeno pormenor que, certamente se vergaria à utopia do herói - como que um ligeiro inconveniente que, face à sua magnanimidade, acabou até por apimentar a coisa.
No ano seguinte, limpos de passarada, os campos foram cultivados. Que maravilha: era só cereal a crescer. Oops, afinal não crescia. Quem crescia era a quantidade de insectos.
...
Bem vistas as coisas, estes dois pequenos grãos de poeira na utópica boa ideia (uma redundância, evidentemente) averbaram 20.000.000 de mortos. Não mais que um solavancozito (coisas da teimosa realidade) que, evidentemente só tornava ainda mais evidente (se possível fosse) a bondade da teoria inicial.
Abençoado seja o mundo dos utópicos.
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25/05/2007
Os "humanistas" e os tira-olhos
Há muito tempo que os "humanistas" europeus estão sossegados ...
24 de Maio.
Num recente raid a uma casa segura da Al-Qaeda, no Iraque, oficiais norte-americanos recolheram desenhos cruéis, retractando métodos de tortura como “queimaduras de pele a maçarico” e “remoção de olhos”. Com as imagens que podem ser vistas nas páginas seguintes, os soldados apanharam várias implementações de tortura como cutelos para carne, chicotes e corta-arames. [...]. As imagens, agora desclassificadas [tornadas não secretas] pelo Departamento de Defesa, incluem também uma imagem deteriorada de uma casa segura, em Bagdad, descrita como uma “câmara de tortura da Al-Qaeda”. Foi ali que, durante um raid, a 24 de Abril, os soldados encontraram um homem suspenso do tecto por uma corrente. De acordo com os militares, ele tinha sido raptado do seu local de trabalho e tinha sido agredido diariamente pelos seus raptores. Na mesma semana, noutro raid anterior, as Forças de Coligação libertaram cinco iraquanos encontrados agrilhoados em Karmah. O grupo, que incluía um rapaz, tinha sido repetidamente agredido com correntes, cabos e mangueiras. [...]
MAY 24
In a recent raid on an al-Qaeda safe house in Iraq, U.S. military officials recovered an assortment of crude drawings depicting torture methods like "blowtorch to the skin" and "eye removal." Along with the images, which you'll find on the following pages, soldiers seized various torture implements, like meat cleavers, whips, and wire cutters. Photos of those items can be seen here. The images, which were just declassified by the Department of Defense, also include a picture of a ramshackle Baghdad safe house described as an "al-Qaeda torture chamber." It was there, during an April 24 raid, that soldiers found a man suspended from the ceiling by a chain. According to the military, he had been abducted from his job and was being beaten daily by his captors. In a raid earlier this week, Coalition Forces freed five Iraqis who were found in a padlocked room in Karmah. The group, which included a boy, were reportedly beaten with chains, cables, and hoses. Photos showing injuries sustained by those captives can be found here. (12 pages)
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Da novilíngua e do carro do burguês
Na Venezuela, mais um amanhã cantante segue o seu caminho. Num comentário do log O Triunfo dos Porcos, pode ler-se:
No Brasil, a coisa vai também bem lançada. Sei, de viva voz, por um amigo, que o que Antônio Oliveira escreve faz sentido. Cláudio Tellez descreve também o mesmo padrão.
Um outro amigo refere o facto de haver múltiplas políticas no Brasil, consoante as regiões. Ele refere que Lula joga para onde os bois puxam. A ver vamos.
As fumarolas cheiram a podre.
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Lidador.
Cá pelas bandas do Brasil os neo-conservadores são considerados efetivamente ultra-direita, sem nenhuma chance, devido a um trabalho eficiente realizado pelos gestores da novilíngua nas universidades do país. A coisa está tão preta (desculpe-me os neo-racistas do "movimento negro") que o giro mental considerado de bom alvitre entre nós é o de esquerda. Se você não for de esquerda deve ser mais à esquerda ainda, senão você não existe. Liberais, conservadores, democratas-cristãos e toda essa gente está automaticamente excluída do debate público. Pode crer, o Brasil e a América Latina caminham a passos seguros direto à cubanização. Querem ver? Fiquei a saber através de um amigo um caso chocante que se deu em Venezuela. Certa pessoa teve seu carro roubado na cidade Caracas, então, imediatamente, esta acorreu a uma delegacia de polícia mais próxima para dar queixa do ocorrido. Por incrível que possa parecer, o policial responsável pela ocorrência disse-lhe que não tivesse tantas esperanças em rever seu patrimônio, pelo fato de que seu automóvel era um automóvel de "burguês" e que os "burgueses" deveriam mesmo ser expropriados de seus bens. Este infeliz era simplesmente um mero professor privado que usava seu carro para dar aulas em colégios equidistantes, meio de transporte portanto imprescindível. Esse é um panorama que conhecemos e que pode vir a se repetir, desta vez como farsa em todo nosso continente.
Antônio Carlos de Oliveira
Rio de Janeiro - Brasil
No Brasil, a coisa vai também bem lançada. Sei, de viva voz, por um amigo, que o que Antônio Oliveira escreve faz sentido. Cláudio Tellez descreve também o mesmo padrão.
Um outro amigo refere o facto de haver múltiplas políticas no Brasil, consoante as regiões. Ele refere que Lula joga para onde os bois puxam. A ver vamos.
As fumarolas cheiram a podre.
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24/05/2007
BULLYING - Mais um interesse do aluno

Tropecei, na SIC, há poucos minutos, com este assunto, já aliás tratado aqui.
Em duas penadas, um aluno, gravemente doente, é tratado da seguinte forma pelos colegas:
Chamam-lhe "surdo" [berrando aos ouvidos dele], por ter perdido parte da audição com os tratamentos [médicos]. Chamam-lhe "porco", por não usar o balneário. Um dia, um dos rapazes apanhou-o no corredor e "obrigou" outro a puxar-lhe as calças, enquanto lhe chamava "aquilo que é o contrário de gostar de mulheres". Já lhe aconteceu encontrar a mochila "cheia de ranho"...A coisa acontece porque os habituais cabeças de abóbora, deixados crescer som o chapéu dos mais sagrados "interesses do aluno", resolveram aplicar-lhe as mais sofisticadas e intelectualmente avançadas técnicas de bullying.
Entretanto, pela parte do aparelho "educativo", a resposta não se faz esperar [os bolds são meus].
O presidente [do Conselho "Educativo"], Laureano Valente, [...] considera que "a mudança de turma, no momento actual, é um cenário a excluir, por razões de ordem pedagógica". A mudança dever-se-á fazer no início do próximo ano lectivo, com cuidado, para que nada se repita.Pois evidentemente. É pedagogicamente incorrecto não dar oportunidade ao aluno doente de apreciar o excelente desempenho em bullying com que os seus colegas o presenteiam.
Cenários:
1 - Se o aluno fosse transferido para outra turma, o mesmo cenário teria ali lugar.
2 - Se o transferissem de turma ele continuaria a receber idêntico tratamento, entretanto também já praticado na nova turma. Talvez não haja, na escola turma sem bullying.
3 - Talvez, quem sabe, a nova turma resolvesse defender o colega dos selvagens da outra. Mas nessa altura iria haver pancadaria espalhada, coisa que, é evidente, a escola seria impotente para controlar. Se não controla a porrada numa turma, como a controlaria entre turmas?
Uma coisa é evidente. Os supremos "educadores" sabem que são incapazes de controlar a selvajaria. Mas acoitam-na.
No início, eram apenas três miúdas bem conhecedoras da sua história clínica. Para se proteger, Miguel deixou de sair da sala de aula nos intervalos. O professor avisou os pais. Eles sugeriram logo uma mudança de turma, mas o professor desaconselhou tal acto. Era uma turma "muito competitiva", era "bom para ele" estar ali."Turma muito competitiva". Pois então. Já se percebeu que a escola não está a fazer o seu melhor (no "interesse dos alunos", evidentemente), ou já teria distribuído navalhas para que a competição pudesse ser elevada ao zenite. YES!
Na mesma reportagem da SIC, uma entrevistada, refere a necessidade de (algo parecido com) "educar os colegas do aluno doente no sentido da diferença".
Não se percebe porque acha ela essa necessidade. Que o aluno doente é diferente já os colegas perceberam e por isso lhe aplicam o seu mais precioso carinho: bullying.
Será que ninguém é capaz de explicar aos alunos que se estão a portar como bestas? Já sei. Pela novilíngua, política e pedagogicamente correcta, diz-se apenas: "isso é feio".
E respectivos papás? Pai de besta, que será?
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Os genocidas do intelecto
Há uma confusão monumental em relação às duas máximas:
Tem-se direito a votar. Na verdade, tem-se direito à oportunidade de votar, porque se alguns não votam, renunciam a um direito, que passa a facultativo.
Tem-se o direito à saúde. Na verdade tem-se direito às oportunidade que o sistema de saúde for capaz de propiciar. E também só se tem esse direito se se quiser usar os respectivos serviços.
Tem-se direito à educação. Na verdade, tem-se direito à oportunidade de aprender. Se não se quiser aprender, não se aprende.
Em qualquer caso, o direito pode não ser exercido. Existe a oportunidade, mas pode ser deitada fora.
Se alguém não votar, não pode reclamar que quer votar depois, argumentando que tem esse direito. Na verdade teria, já não terá.
Se alguém estiver doente e não for ao hospital em devido tempo, não pode reclamar posteriormente obter os mesmos resultados que obteria se lá fosse atempadamente.
Se for à escola e não aprender, a pessoa não pode posteriormente reclamar saber o que não sabe, ou reclamar que quer uma segunda oportunidade. Ela já exerceu anteriormente o direito a que reclama.
Se a pessoa não tiver já andado na escola, poderá reclamar o direito ao acesso à escola de forma a ficar em pé de igualdade. O que não pode é reclamar que os resultados escolares sejam os mesmos. Os anos passam e o cérebro só se desenvolve eficiente e eficazmente até determinada idade, salvo erro pelos 10 anos.
Há direitos que, necessariamente, expiram, parcial ou totalmente.
No caso de uma criança, esses direitos não podem ser dependentes da vontade do rebento.
Não é suposto uma criança poder optar por não ir à escola. Não é suposto ter a possibilidade de optar por não aprender. Não é suposto ter a possibilidade de optar por aprender só o que lhe apeteça. Não é suposto ter possibilidade de optar pelo comportamento que lhe der na real gana, como aliás não é suposto decidir comer o que lhe apeteça, atravessar a estrada como lhe apeteça, brincar com o que lhe apeteça, ir onde lhe apeteça.
O problema é que há uma imensa colecção de pacóvios que supõe ser natural uma criança ou até um adolescente, do alto da sua substancial ignorância, ter autonomia suficiente para decidir, por si próprio, que “caminhos alternativos” seguir.
Chamar pacóvios a semelhantes criaturas, é de uma bondade extrema. Tendo em atenção a quantidade de vítimas que geram, idiotas que alinham neste tipo de coisas deveriam ser chamados de genocidas de intelecto.
Se alguém der voluntariamente uma cacetada noutra pessoa e daí recorra que essa pessoa fique impossibilitada de usar o cérebro de acordo com as suas potenciais capacidades, a primeira vai (deve ir) parar à choldra.
Porque pairam os trogloditas, que arrastaram o ensino para o lamaçal imbecilizante que é hoje a nossa escola, sobre o mundo do comum mortal?
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Igualdade de direitos - igualdade de oportunidades
Tem-se direito a votar. Na verdade, tem-se direito à oportunidade de votar, porque se alguns não votam, renunciam a um direito, que passa a facultativo.
Tem-se o direito à saúde. Na verdade tem-se direito às oportunidade que o sistema de saúde for capaz de propiciar. E também só se tem esse direito se se quiser usar os respectivos serviços.
Tem-se direito à educação. Na verdade, tem-se direito à oportunidade de aprender. Se não se quiser aprender, não se aprende.
Em qualquer caso, o direito pode não ser exercido. Existe a oportunidade, mas pode ser deitada fora.
Se alguém não votar, não pode reclamar que quer votar depois, argumentando que tem esse direito. Na verdade teria, já não terá.
Se alguém estiver doente e não for ao hospital em devido tempo, não pode reclamar posteriormente obter os mesmos resultados que obteria se lá fosse atempadamente.
Se for à escola e não aprender, a pessoa não pode posteriormente reclamar saber o que não sabe, ou reclamar que quer uma segunda oportunidade. Ela já exerceu anteriormente o direito a que reclama.
Se a pessoa não tiver já andado na escola, poderá reclamar o direito ao acesso à escola de forma a ficar em pé de igualdade. O que não pode é reclamar que os resultados escolares sejam os mesmos. Os anos passam e o cérebro só se desenvolve eficiente e eficazmente até determinada idade, salvo erro pelos 10 anos.
Há direitos que, necessariamente, expiram, parcial ou totalmente.
No caso de uma criança, esses direitos não podem ser dependentes da vontade do rebento.
Não é suposto uma criança poder optar por não ir à escola. Não é suposto ter a possibilidade de optar por não aprender. Não é suposto ter a possibilidade de optar por aprender só o que lhe apeteça. Não é suposto ter possibilidade de optar pelo comportamento que lhe der na real gana, como aliás não é suposto decidir comer o que lhe apeteça, atravessar a estrada como lhe apeteça, brincar com o que lhe apeteça, ir onde lhe apeteça.
O problema é que há uma imensa colecção de pacóvios que supõe ser natural uma criança ou até um adolescente, do alto da sua substancial ignorância, ter autonomia suficiente para decidir, por si próprio, que “caminhos alternativos” seguir.
Chamar pacóvios a semelhantes criaturas, é de uma bondade extrema. Tendo em atenção a quantidade de vítimas que geram, idiotas que alinham neste tipo de coisas deveriam ser chamados de genocidas de intelecto.
Se alguém der voluntariamente uma cacetada noutra pessoa e daí recorra que essa pessoa fique impossibilitada de usar o cérebro de acordo com as suas potenciais capacidades, a primeira vai (deve ir) parar à choldra.
Porque pairam os trogloditas, que arrastaram o ensino para o lamaçal imbecilizante que é hoje a nossa escola, sobre o mundo do comum mortal?
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Feios, porcos e maus
Ao melhor estilo 'feios porcos e maus', mais um excelente resultado da escola centrada nos interesses do aluno. No blog Portugal e outras touradas [os sublinhados são meus]:
... os outros alunos agrediam-me. Por isso, tive que mudar de escola.
... um aluno de uma escola do norte do país, que está há mais de dois meses em casa, com uma crise depressiva. O rapaz, que teve que ser submetido a tratamentos devido a (segundo me pareceu) um tumor cerebral e sofre de deficiência auditiva grave, era perseguido por colegas que lhe gritavam ao ouvido: "Surdo!", e "Porco!", por não poder utilizar os balneários. Foi aconselhado à mãe da criança que a mudasse de escola, nem sequer de turma!... a minha sobrinha, aluna do 1º ano, foi gozada pelas colegas porque estava... a vomitar. A professora, pedagogicamente, admoestou-as brandamente: que isso é feio...É esta a escola, centrada no aluno, promotora dos valores da cidadania, da justiça, da democracia? Ou a que mais profundamente deseduca e nega esse mesmo sentido?
Valha-me seja lá quem for, que já não se aguenta tanta estupidez, tanta hipocrisia, tanto pavão inchado de pedagogia!!!
Subscrevo, com chapelada...
No Abrupto, hoje [os sublinhados são meus]:
Ainda no artigo acima, destaco a frase "Basta comparar o conteúdo das conversas informais entre professores com o conteúdo dos discursos formais em reuniões" para fazer notar a facilidade com que hoje um professor tem, no mínimo, 3 caras. A cara com que fala aos amigos ou anonimamente, a cara com que fala nos corredores e a cara com que fala nas reuniões. Tudo isto no melhor interesse dos alunos.
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No Abrupto, hoje [os sublinhados são meus]:
Sobre o assunto do processo disciplinar ao professor da DREN, era bom que se visse a floresta e não apenas a árvore. Esse tipo de práticas há muito que dei por elas nas escolas. Mesmo perante casos evidentes de má gestão ou perante opções pedagógicas próximas do barbárie, a maior parte dos professores come e cala. O pior dos processos disciplinares aos professores nas escolas não é a sua efectivação, mas o seu poder persuasivo. Ele paira que nem fantasma omnipresente. É o que os impede de serem racionais e críticos face a tanta estupidez pedagógica. Basta comparar o conteúdo das conversas informais entre professores com o conteúdo dos discursos formais em reuniões. Esta incongruência é um dos aspectos que tipifica os sistemas (sociais, políticos ou institucionais) repressivos, pois a verdadeira e eficaz repressão é a simbólica e não a materializada, como bem se sabe. Acrescente-se à habitual irracionalidade do discurso sindical (quem confunde esse discurso com o «dos professores» erra rotundamente) a pressão populista trazida pelo actual governo, mesclada com a pressão do concurso para professor titular, e veja para onde e como se pode estar a caminhar. Isto arrasta-se há muitos e muitos anos, tanto mais grave quanto maior o poder politicamente correcto supostamente pró-alunos de «cientistas da educação» e psicólogos associados, os ideólogos «ingénuos» de serviço. Já não é a «cortina de ferro» que nos separa do Leste, mas uma cortina de estupidez com o rótulo de «esquerda moderna» que cria barreiras entre nós. O ar já foi mais saudável. Felizmente que numa democracia tudo pode mudar de um dia para outro.... idem.
(Gabriel Mithá Ribeiro)
Ainda no artigo acima, destaco a frase "Basta comparar o conteúdo das conversas informais entre professores com o conteúdo dos discursos formais em reuniões" para fazer notar a facilidade com que hoje um professor tem, no mínimo, 3 caras. A cara com que fala aos amigos ou anonimamente, a cara com que fala nos corredores e a cara com que fala nas reuniões. Tudo isto no melhor interesse dos alunos.
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O primado da pedagogice
Gabriel Mithá Ribeiro
«Jornal de Letras/Educação», quarta-feira, 21 de Janeiro de 2004, pp.6-7.
1. «Pedagogice» - se exceptuarmos algumas vozes críticas pontuais, a educação tem vivido nas últimas décadas algo semelhante a uma «paz podre» que sobrevive debaixo do chapéu da pedagogia. Se ela é ou não romântica, é uma questão de rótulo. A verdade é que as correntes pedagógicas dominantes têm produzido resultados nefastos. É risível falar-se em exigência no ensino básico quando não há exames nacionais em final de ciclo (4º, 6º e 9º anos), quando existe um sistema de classificação feito à medida do facilitismo que permite a adulteração dos resultados escolares (os níveis de 1 a 5), quando os mil e um álibis para o não cumprimento de programas se escudam nos chavões dogmáticos das «flexibilidades» ou dos «problemas sociais», quando a dimensão burocrática faz submergir a escola numa montanha de papéis que a tornam ineficaz em muitos domínios (particularmente na avaliação e na gestão de processos disciplinares), quando a formação contínua dos professores ao longo da carreira tem um enquadramento legislativo que lhes permite exercerem a profissão mais de três décadas sem serem obrigados a regressar à sua área científica ou académica de origem, etc., etc., etc. O que sobra? A marginalização do conhecimento, o aumento da indisciplina, a desmotivação do corpo docente, o histerismo da escola, as confusões e absurdos curriculares e, em última instância, um débil projecto de sociedade. Onde pode estar a raiz do problema? Por um lado, na forma lunática como as correntes pedagógicas dominantes têm olhado para a realidade escolar e social, por outro lado, no peso inconcebível que o «lobby» das pedagogias/ciências da educação tem tido junto dos espaços de decisão política. Um dos nossos grandes equívocos é considerar que o desastre do ensino é um problema pedagógico. Não é. É um problema político como sempre foi e será. Simplesmente rotularam-se as políticas educativas de «ciências da educação» e deu-se-lhes um inacreditável enquadramento institucional com «laboratórios» em universidades e em escolas superiores de educação. É isso que tem servido para que se espraiam ideologias que, com o rótulo de «ciências», têm adormecido diferentes campos políticos. Portanto, não é a ciência que está em causa, mas um sistema ideológico que se produz e reproduz mesclando acriticamente determinadas concepções do homem com a sua aplicação institucional directa pela mão do estado. Se isso não é ideologia, então o que será? Tal como aconteceu com o socialismo (no sentido que aqui o uso), a educação só poderá ser livre e verdadeiramente discutida quando deixar de ser «científica».
2. «Consumice» - neste ponto limito-me a sublinhar que as concepções de «criatividade» e de «prazer» ganharam no nosso ensino a dimensão de consumo imediato, transformando os professores numa espécie de merceeiros que devem disponibilizar uma gama vasta de opções para os clientes-alunos se servirem, tendo em conta que o cliente tem sempre razão. Mas esses seres são inconfessadamente concebidos como possuindo múltiplos e ricos interesses inatos, mas de curta inteligência. A esses pobres coitados não podemos exigir muito. Temos de facilitar, simplificar, aligeirar. É o ensino centrado no aluno.
3. «Sociologice» - os contextos sociais para terem a mínima objectividade nas decisões sobre o ensino devem sobretudo estar relacionados com a dimensão material da nossa existência. Na escola eles devem prender-se a questões orgânicas e não entrarem avassaladoramente pela sala de aula como tem acontecido. Na essência, o domínio da acção social da escola deve ter a ver com apoios inequívocos a alunos carenciados – por exemplo, alimentação, vestuário, material escolar, transportes, adequação de horários, campanhas de saúde/higiene. Mas porque a gestão das políticas de educação tem sido um desastre que tudo confunde, não somos capazes de avaliar com rigor aquilo que poderíamos e deveríamos avaliar - os ditos «contextos sociais» -, tentamos agarrá-los pelo lado supostamente mais fácil, o «psico-cultural». Acabamos, assim, por agir sobre realidades inventadas a partir do que supomos serem esses contextos psico-culturais, cujo chavão tem sido «os interesses dos alunos». Ninguém poderá dar-lhes conteúdo credível ainda por cima sempre medidos pela bitola facilitista. É a retórica oca que tem de ser desmistificada. Isso tem tido consequências ruinosas, dado fazermos depender o rigor científico e as exigências curriculares desses falsos universos mentais que imaginamos corresponderem à realidade. Desse modo desvalorizamos a escola, pois tendemos a negar-lhe dimensão científica e institucional. Essas são naturalmente exigentes. A esmagadora maioria das aprendizagens dos alunos no ensino básico (e não só) é de saberes universais (com «variantes» nacionais, por exemplo, concretizações específicas em domínios como a Literatura, a História, a Geografia, etc.). É a universalidade que é intrínseca ao conhecimento científico e se isso não tiver implicações pedagógicas e didácticas, então para que serve o conhecimento científico na escola? Os casos em que não é assim, que sem dúvida existem, ou seja, aqueles em que a inserção social concreta das escolas (de cada escola) tem significado relevante nos domínios pedagógico e didáctico (e, com muitas reticências, científico), são meramente residuais, jamais justificadores do atomismo pedagógico em que vivemos, como se para cada localidade, para cada turma, para cada aluno tivéssemos de inventar uma ciência, um programa, um método, uma pedagogia ou uma didáctica. Os nossos pedagogos têm subvertido esta lógica e, no limite, têm apontado para uma escola construída em função de supostas pertenças sócio-económicas, culturais e até étnicas[2] de conjuntos segmentados de comunidades escolares ou de alunos, com implicações no que se consideram ser as capacidades e potencialidades intelectuais de cada um deles. Os ideólogos de sistemas como as sociedades de ordens ou de castas, do «apartheid» ou de regimes similares bem se podem rir destes actuais ataques de «sociologice». Esta questão da relação entre a escola, a família e a sociedade tem de ser repensada de raiz. Atrevo-me a dizer que a escola começa onde a família acaba.
Gabriel Mithá Ribeiro
[1] O título original do artigo era «A escola “ice”».
[2] Frase destacada pelo «JL/Educação».
«Jornal de Letras/Educação», quarta-feira, 21 de Janeiro de 2004, pp.6-7.
1. «Pedagogice» - se exceptuarmos algumas vozes críticas pontuais, a educação tem vivido nas últimas décadas algo semelhante a uma «paz podre» que sobrevive debaixo do chapéu da pedagogia. Se ela é ou não romântica, é uma questão de rótulo. A verdade é que as correntes pedagógicas dominantes têm produzido resultados nefastos. É risível falar-se em exigência no ensino básico quando não há exames nacionais em final de ciclo (4º, 6º e 9º anos), quando existe um sistema de classificação feito à medida do facilitismo que permite a adulteração dos resultados escolares (os níveis de 1 a 5), quando os mil e um álibis para o não cumprimento de programas se escudam nos chavões dogmáticos das «flexibilidades» ou dos «problemas sociais», quando a dimensão burocrática faz submergir a escola numa montanha de papéis que a tornam ineficaz em muitos domínios (particularmente na avaliação e na gestão de processos disciplinares), quando a formação contínua dos professores ao longo da carreira tem um enquadramento legislativo que lhes permite exercerem a profissão mais de três décadas sem serem obrigados a regressar à sua área científica ou académica de origem, etc., etc., etc. O que sobra? A marginalização do conhecimento, o aumento da indisciplina, a desmotivação do corpo docente, o histerismo da escola, as confusões e absurdos curriculares e, em última instância, um débil projecto de sociedade. Onde pode estar a raiz do problema? Por um lado, na forma lunática como as correntes pedagógicas dominantes têm olhado para a realidade escolar e social, por outro lado, no peso inconcebível que o «lobby» das pedagogias/ciências da educação tem tido junto dos espaços de decisão política. Um dos nossos grandes equívocos é considerar que o desastre do ensino é um problema pedagógico. Não é. É um problema político como sempre foi e será. Simplesmente rotularam-se as políticas educativas de «ciências da educação» e deu-se-lhes um inacreditável enquadramento institucional com «laboratórios» em universidades e em escolas superiores de educação. É isso que tem servido para que se espraiam ideologias que, com o rótulo de «ciências», têm adormecido diferentes campos políticos. Portanto, não é a ciência que está em causa, mas um sistema ideológico que se produz e reproduz mesclando acriticamente determinadas concepções do homem com a sua aplicação institucional directa pela mão do estado. Se isso não é ideologia, então o que será? Tal como aconteceu com o socialismo (no sentido que aqui o uso), a educação só poderá ser livre e verdadeiramente discutida quando deixar de ser «científica».
2. «Consumice» - neste ponto limito-me a sublinhar que as concepções de «criatividade» e de «prazer» ganharam no nosso ensino a dimensão de consumo imediato, transformando os professores numa espécie de merceeiros que devem disponibilizar uma gama vasta de opções para os clientes-alunos se servirem, tendo em conta que o cliente tem sempre razão. Mas esses seres são inconfessadamente concebidos como possuindo múltiplos e ricos interesses inatos, mas de curta inteligência. A esses pobres coitados não podemos exigir muito. Temos de facilitar, simplificar, aligeirar. É o ensino centrado no aluno.
3. «Sociologice» - os contextos sociais para terem a mínima objectividade nas decisões sobre o ensino devem sobretudo estar relacionados com a dimensão material da nossa existência. Na escola eles devem prender-se a questões orgânicas e não entrarem avassaladoramente pela sala de aula como tem acontecido. Na essência, o domínio da acção social da escola deve ter a ver com apoios inequívocos a alunos carenciados – por exemplo, alimentação, vestuário, material escolar, transportes, adequação de horários, campanhas de saúde/higiene. Mas porque a gestão das políticas de educação tem sido um desastre que tudo confunde, não somos capazes de avaliar com rigor aquilo que poderíamos e deveríamos avaliar - os ditos «contextos sociais» -, tentamos agarrá-los pelo lado supostamente mais fácil, o «psico-cultural». Acabamos, assim, por agir sobre realidades inventadas a partir do que supomos serem esses contextos psico-culturais, cujo chavão tem sido «os interesses dos alunos». Ninguém poderá dar-lhes conteúdo credível ainda por cima sempre medidos pela bitola facilitista. É a retórica oca que tem de ser desmistificada. Isso tem tido consequências ruinosas, dado fazermos depender o rigor científico e as exigências curriculares desses falsos universos mentais que imaginamos corresponderem à realidade. Desse modo desvalorizamos a escola, pois tendemos a negar-lhe dimensão científica e institucional. Essas são naturalmente exigentes. A esmagadora maioria das aprendizagens dos alunos no ensino básico (e não só) é de saberes universais (com «variantes» nacionais, por exemplo, concretizações específicas em domínios como a Literatura, a História, a Geografia, etc.). É a universalidade que é intrínseca ao conhecimento científico e se isso não tiver implicações pedagógicas e didácticas, então para que serve o conhecimento científico na escola? Os casos em que não é assim, que sem dúvida existem, ou seja, aqueles em que a inserção social concreta das escolas (de cada escola) tem significado relevante nos domínios pedagógico e didáctico (e, com muitas reticências, científico), são meramente residuais, jamais justificadores do atomismo pedagógico em que vivemos, como se para cada localidade, para cada turma, para cada aluno tivéssemos de inventar uma ciência, um programa, um método, uma pedagogia ou uma didáctica. Os nossos pedagogos têm subvertido esta lógica e, no limite, têm apontado para uma escola construída em função de supostas pertenças sócio-económicas, culturais e até étnicas[2] de conjuntos segmentados de comunidades escolares ou de alunos, com implicações no que se consideram ser as capacidades e potencialidades intelectuais de cada um deles. Os ideólogos de sistemas como as sociedades de ordens ou de castas, do «apartheid» ou de regimes similares bem se podem rir destes actuais ataques de «sociologice». Esta questão da relação entre a escola, a família e a sociedade tem de ser repensada de raiz. Atrevo-me a dizer que a escola começa onde a família acaba.
Gabriel Mithá Ribeiro
[1] O título original do artigo era «A escola “ice”».
[2] Frase destacada pelo «JL/Educação».
23/05/2007
No Zimbabwe, as ratazanas são caras
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Killing Them Softly
by James Kirchick
Post date 03.08.07
A menos de 16Km da mansão de Robert Mugabe, Presidente do Zimbabwe em Harare – a maior residência privada do continente africano - Cleophus Masxigora caça ratos. Num dia bom, disse-me ele, consegue apanhar entre 100 a 200 ratos. Para os capturar, ele incendeia mato para os imobilizar, matando-os então à pazada. Esta prática tem-se tornado tão generalizada no Zimbabwe que, de acordo com o que um jornalista me disse, a televisão estatal emitiu avisos contra cidadãos que pegam fogo ao mato. Masxigora começou a caçar ratos para alimentar a sua esposa e os seus três filhos logo após Mugabe ter começado a confiscar, em 2000, milhares de quintas produtivas, propriedade de brancos, uma política que tem levado à fome generalizada. Há não muito tempo o Zimbabwe, o “celeiro de África”, exportava comida e produzia o que eram considerados os melhores víveres de África. Hoje, Masxigora diz-me que cada rato vale 30 dólares do Zimbabwe, cerca de 12 cêntimos, o que faz dele, no Zimbabwe, um homem rico. ”Isto, para nós, é bife”, disse-me em Agosto ...
Less than ten miles from Zimbabwean President Robert Mugabe's mansion in Harare--the largest private residence on the African continent--Cleophus Masxigora digs for mice. On a good day, he told me, he can find 100 to 200. To capture the vermin, he burns brush to immobilize them, then kills them with several thumps of a shovel. This practice has become so widespread in Zimbabwe that, as a Zimbabwean journalist informed me, state-run television has broadcast warnings against citizens setting brush fires. Masxigora began hunting mice to support (and feed) his wife and three children soon after Mugabe began confiscating thousands of productive, white-owned farms in 2000, a policy that has since led to mass starvation. Not long ago, Zimbabwe, the "breadbasket of Africa," exported meat and produced what was widely considered to be Africa's finest livestock. Today, Masxigora tells me that each mouse nets $30 Zim dollars, about 12 cents, which makes him a wealthy man in Zimbabwe. "This is beef to us," he told me in August...
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Killing Them Softly
by James Kirchick
Post date 03.08.07
A menos de 16Km da mansão de Robert Mugabe, Presidente do Zimbabwe em Harare – a maior residência privada do continente africano - Cleophus Masxigora caça ratos. Num dia bom, disse-me ele, consegue apanhar entre 100 a 200 ratos. Para os capturar, ele incendeia mato para os imobilizar, matando-os então à pazada. Esta prática tem-se tornado tão generalizada no Zimbabwe que, de acordo com o que um jornalista me disse, a televisão estatal emitiu avisos contra cidadãos que pegam fogo ao mato. Masxigora começou a caçar ratos para alimentar a sua esposa e os seus três filhos logo após Mugabe ter começado a confiscar, em 2000, milhares de quintas produtivas, propriedade de brancos, uma política que tem levado à fome generalizada. Há não muito tempo o Zimbabwe, o “celeiro de África”, exportava comida e produzia o que eram considerados os melhores víveres de África. Hoje, Masxigora diz-me que cada rato vale 30 dólares do Zimbabwe, cerca de 12 cêntimos, o que faz dele, no Zimbabwe, um homem rico. ”Isto, para nós, é bife”, disse-me em Agosto ...
Less than ten miles from Zimbabwean President Robert Mugabe's mansion in Harare--the largest private residence on the African continent--Cleophus Masxigora digs for mice. On a good day, he told me, he can find 100 to 200. To capture the vermin, he burns brush to immobilize them, then kills them with several thumps of a shovel. This practice has become so widespread in Zimbabwe that, as a Zimbabwean journalist informed me, state-run television has broadcast warnings against citizens setting brush fires. Masxigora began hunting mice to support (and feed) his wife and three children soon after Mugabe began confiscating thousands of productive, white-owned farms in 2000, a policy that has since led to mass starvation. Not long ago, Zimbabwe, the "breadbasket of Africa," exported meat and produced what was widely considered to be Africa's finest livestock. Today, Masxigora tells me that each mouse nets $30 Zim dollars, about 12 cents, which makes him a wealthy man in Zimbabwe. "This is beef to us," he told me in August...
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A minha Teoria dos Nichos
Há uns 3 anos, espicaçado por um amigo, resolvi verter uns quantos caracteres desenvolvendo aquilo que me atrevi então a chamar "a minha teoria dos nichos".
Suponho que esta minha teoria (?) já tenha sido inventada, reinventada e esquecida. De qualquer forma, tal como gosto de gelados sabendo que me fazem mal, mordisco novamente a coisa.
Acontecimentos recentes levaram-me a procurar os kilobytes então alocados no disco, ajeitar a prosa e ...
=====
Fora do nível de tudo quanto é o micro (fora do átomo e para conjuntos de muitos ziliões deles), a natureza funciona, sabe-se lá porquê, por nichos.
Cada ambiente criado propicia ser ocupado por uma criatura apropriada - por uma que mais rapidamente se adapte de forma a tirar partido do novo ambiente. Tirar partido, em proveito próprio, evidentemente.
A criatura que mais rapidamente se adaptar fica, regra geral, em vantagem perante eventuais novos pretendentes ao seu novo nicho.
Os nichos podem ser ocupados por mais que uma espécie. Se as espécies não forem “incompatíveis” (uma delas, ou ambas, puderem comer a outra) elas podem ocupar o mesmo.
Se as espécies forem incompatíveis, a que servir de potencial alimento terá que correr mais que a outra.
Há um outro tipo de nicho em espécies onde há uma hierarquia de clã. Nesse caso cada animal ocupa o seu nicho dentro do clã, e o clã ocupa o nicho territorial. Tanto num caso como noutro, haverá lugar à luta pela manutenção do clã ou pela conquista de um melhor.
Enfim, há toda um leque de possibilidades, mas, pelo grosso, a coisa anda pelas linhas anteriores.
Se por alguma razão em especial, for criado um nicho completamente novo, pode acontecer duas coisas: ou há bicho que, nos arredores, tenha propriedades que lhe permitam com uma adaptação mínima ocupa-lo e dele tirar partido ocupe, ou não há.
No caso de não haver, poderá ser por dois motivos: ou não há de todo, ou há mas a grande distância. No segundo caso poderá ser uma questão de tempo até que, por razões mais ou menos bizarras, o bicho lá possa chegar. É o caso, por exemplo, dos gatos que, tendo sido deixados pelo bicho homem em Madagáscar dizimaram a maioria da bichesa caminhante.
No caso em que não haja de todo, pode demorar muito mais tempo até que a mãe natureza “congemine” algo que acabe por se lhe adaptar.
Em ambos os casos, o timming de resolução do problema está ligado à teoria do caos. Há que ter em atenção que, na natureza, a escala do tempo pouco tem a ver com a escala do tempo humano.
Pelo exposto acima, parece inevitável que, mais tarde ou mais cedo, tirando partido do novo nicho de dimensão planetária (via linhas aéreas e comércio) constituído pelo não isolamento de populações e pelos maus tratos à ecologia, incluindo maus tratos ao caminho que mãe natureza desenhou para a cadeia alimentar, venha a surgir um novo “animal” que o venha a ocupar tirando partido da inexistência de inimigos naturais (vírus, por exemplo).
Naturalmente que o bicho homem continua convencido que será possível, via ciência, fazer frente a esse “bicho”, mas a verdade é que tal não parece plausível e a prova está nos arrepios que todos sentimos quando do aparecimento da história das vacas locas, do vírus das galinhas, do vírus que assolou algumas zonas da China, felizmente controlado – mas por uma unha negra - até ver.
É de prever que, mais tarde ou mais cedo, um vírus ataque toda a humanidade e dizime a maioria da população mundial, será uma questão de tempo. Os sinais já foram dados, e o passado é, a esse respeito, bem esclarecedor. A ciência evoluiu, livrando-nos de algumas doenças tenebrosas, ou permitindo-nos fazer-lhes frente, mas o perigo potencial aumentou (novo e gigante nicho) e novas doenças podem dele tirar partido.
De facto, parece-me que a extensão de toda a cadeia alimentar tanto humana como dos animais de que os humanos se alimentam, se tornou tão abrangente, interdependente e fluida, que se comporta como uma autêntica auto-estrada e, simultaneamente, um gigantesco novo nicho.
Suponho que não será difícil perceber que o mesmo se esteja a passar com as sociedades e em relação aos comportamentos de grupos ou indivíduos. O aparecimento de outro tipo de comunidade pode dar origem ao aparecimento de grupos que dela tirem partido como os parasitas o fazem.
Deslocamentos de vastos grupos populacionais ou alterações rápidas e substanciais do seu modo de vida desenraízam e tornam obsoletos formas de viver que já tinham encontrado antídotos para os comportamentos desviantes (individuais ou de grupo). Naturalmente aparecerão ninhos que, mais tarde ou mais cedo acabam por ser ocupados por alguém. Será apenas uma gestão de tempo.
Quanto mais rapidamente crescer esse novo nicho, mais eficazmente e eficientemente aprecem formas de vida mais ou menos parasíticas.
Sociedades mais conscientes do problema podem começar a trabalhar mais cedo para calafetar a ocupação do novo nicho e evitar o aparecimento da praga social, pelo menos com intensidade capaz de gerar sérias consequências. Sociedades menos conscientes são presa fácil destes comportamentos.
Gangs, hooligans, serial killers, traficantes de droga, seitas religiosas, crime organizado, extremismo ou praticantes individuais de violência gratuita são exemplos de indivíduos que, adaptando-se rapidamente ao nicho, poderão tirar partido dele. As consequências podem ir do roubo por esticão a um indivíduo à usurpação de uma nação inteira tornando-a um estádio-pária, ou estado-personalidade.
Parece ainda razoável pensar que nichos de comportamento humano desviante não sejam unicamente dominados por gente identificada com comportamentos mais ou menos claros de delito comum. Um exemplo deste caso parece-me ser o caso do eduquês, que tem dominado toda a máquina de ensino, resultando não apenas na estupidificação generalizada dos alunos, mas numa cada vez maior necessidade de pessoal para gerir o disparate, naturalmente constituído em nicho tentacular para fornecimento de “jobs for the boys”. Neste caso, uma cáfila de espertalhões, apercebendo-se da incapacidade da sociedade para pôr travão ao alastrar do cancro – viabilidade de um novo nicho - vai abrindo espaço, vai vivendo à sua custa e vai perpetuando as condições para o tornar cada vez mais omnipresente.
Neste último caso, se não houver oposição, o cancro alastra até rebentar como rebentam os esquemas piramidais de ‘captação’ de dinheiro. Se houver oposição mas não for decisiva, estabelece o equilíbrio que permitirá manter o monstro a níveis que a sociedade vá podendo pagar. Alternativamente, pode estoirar subitamente se o dano causado puser em perigo a vida do animal.
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Suponho que esta minha teoria (?) já tenha sido inventada, reinventada e esquecida. De qualquer forma, tal como gosto de gelados sabendo que me fazem mal, mordisco novamente a coisa.
Acontecimentos recentes levaram-me a procurar os kilobytes então alocados no disco, ajeitar a prosa e ...
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Fora do nível de tudo quanto é o micro (fora do átomo e para conjuntos de muitos ziliões deles), a natureza funciona, sabe-se lá porquê, por nichos.
Cada ambiente criado propicia ser ocupado por uma criatura apropriada - por uma que mais rapidamente se adapte de forma a tirar partido do novo ambiente. Tirar partido, em proveito próprio, evidentemente.
A criatura que mais rapidamente se adaptar fica, regra geral, em vantagem perante eventuais novos pretendentes ao seu novo nicho.
Os nichos podem ser ocupados por mais que uma espécie. Se as espécies não forem “incompatíveis” (uma delas, ou ambas, puderem comer a outra) elas podem ocupar o mesmo.
Se as espécies forem incompatíveis, a que servir de potencial alimento terá que correr mais que a outra.
Há um outro tipo de nicho em espécies onde há uma hierarquia de clã. Nesse caso cada animal ocupa o seu nicho dentro do clã, e o clã ocupa o nicho territorial. Tanto num caso como noutro, haverá lugar à luta pela manutenção do clã ou pela conquista de um melhor.
Enfim, há toda um leque de possibilidades, mas, pelo grosso, a coisa anda pelas linhas anteriores.
Se por alguma razão em especial, for criado um nicho completamente novo, pode acontecer duas coisas: ou há bicho que, nos arredores, tenha propriedades que lhe permitam com uma adaptação mínima ocupa-lo e dele tirar partido ocupe, ou não há.
No caso de não haver, poderá ser por dois motivos: ou não há de todo, ou há mas a grande distância. No segundo caso poderá ser uma questão de tempo até que, por razões mais ou menos bizarras, o bicho lá possa chegar. É o caso, por exemplo, dos gatos que, tendo sido deixados pelo bicho homem em Madagáscar dizimaram a maioria da bichesa caminhante.
No caso em que não haja de todo, pode demorar muito mais tempo até que a mãe natureza “congemine” algo que acabe por se lhe adaptar.
Em ambos os casos, o timming de resolução do problema está ligado à teoria do caos. Há que ter em atenção que, na natureza, a escala do tempo pouco tem a ver com a escala do tempo humano.
Pelo exposto acima, parece inevitável que, mais tarde ou mais cedo, tirando partido do novo nicho de dimensão planetária (via linhas aéreas e comércio) constituído pelo não isolamento de populações e pelos maus tratos à ecologia, incluindo maus tratos ao caminho que mãe natureza desenhou para a cadeia alimentar, venha a surgir um novo “animal” que o venha a ocupar tirando partido da inexistência de inimigos naturais (vírus, por exemplo).
Naturalmente que o bicho homem continua convencido que será possível, via ciência, fazer frente a esse “bicho”, mas a verdade é que tal não parece plausível e a prova está nos arrepios que todos sentimos quando do aparecimento da história das vacas locas, do vírus das galinhas, do vírus que assolou algumas zonas da China, felizmente controlado – mas por uma unha negra - até ver.
É de prever que, mais tarde ou mais cedo, um vírus ataque toda a humanidade e dizime a maioria da população mundial, será uma questão de tempo. Os sinais já foram dados, e o passado é, a esse respeito, bem esclarecedor. A ciência evoluiu, livrando-nos de algumas doenças tenebrosas, ou permitindo-nos fazer-lhes frente, mas o perigo potencial aumentou (novo e gigante nicho) e novas doenças podem dele tirar partido.
De facto, parece-me que a extensão de toda a cadeia alimentar tanto humana como dos animais de que os humanos se alimentam, se tornou tão abrangente, interdependente e fluida, que se comporta como uma autêntica auto-estrada e, simultaneamente, um gigantesco novo nicho.
Suponho que não será difícil perceber que o mesmo se esteja a passar com as sociedades e em relação aos comportamentos de grupos ou indivíduos. O aparecimento de outro tipo de comunidade pode dar origem ao aparecimento de grupos que dela tirem partido como os parasitas o fazem.
Deslocamentos de vastos grupos populacionais ou alterações rápidas e substanciais do seu modo de vida desenraízam e tornam obsoletos formas de viver que já tinham encontrado antídotos para os comportamentos desviantes (individuais ou de grupo). Naturalmente aparecerão ninhos que, mais tarde ou mais cedo acabam por ser ocupados por alguém. Será apenas uma gestão de tempo.
Quanto mais rapidamente crescer esse novo nicho, mais eficazmente e eficientemente aprecem formas de vida mais ou menos parasíticas.
Sociedades mais conscientes do problema podem começar a trabalhar mais cedo para calafetar a ocupação do novo nicho e evitar o aparecimento da praga social, pelo menos com intensidade capaz de gerar sérias consequências. Sociedades menos conscientes são presa fácil destes comportamentos.
Gangs, hooligans, serial killers, traficantes de droga, seitas religiosas, crime organizado, extremismo ou praticantes individuais de violência gratuita são exemplos de indivíduos que, adaptando-se rapidamente ao nicho, poderão tirar partido dele. As consequências podem ir do roubo por esticão a um indivíduo à usurpação de uma nação inteira tornando-a um estádio-pária, ou estado-personalidade.
Parece ainda razoável pensar que nichos de comportamento humano desviante não sejam unicamente dominados por gente identificada com comportamentos mais ou menos claros de delito comum. Um exemplo deste caso parece-me ser o caso do eduquês, que tem dominado toda a máquina de ensino, resultando não apenas na estupidificação generalizada dos alunos, mas numa cada vez maior necessidade de pessoal para gerir o disparate, naturalmente constituído em nicho tentacular para fornecimento de “jobs for the boys”. Neste caso, uma cáfila de espertalhões, apercebendo-se da incapacidade da sociedade para pôr travão ao alastrar do cancro – viabilidade de um novo nicho - vai abrindo espaço, vai vivendo à sua custa e vai perpetuando as condições para o tornar cada vez mais omnipresente.
Neste último caso, se não houver oposição, o cancro alastra até rebentar como rebentam os esquemas piramidais de ‘captação’ de dinheiro. Se houver oposição mas não for decisiva, estabelece o equilíbrio que permitirá manter o monstro a níveis que a sociedade vá podendo pagar. Alternativamente, pode estoirar subitamente se o dano causado puser em perigo a vida do animal.
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Mais eduquês
O eduquês e a pedagogia romântica nunca existiram....
Texto de NUNO CRATO
Professor de Matemática no Instituto Superior de Economia e Gestão, Lisboa
Passa-se entre nós um fenómeno novo. Há um ou dois anos apenas, sempre que num debate sobre educação alguém exprimia alguma ideia contrária à corrente pedagógica dominante, as coisas aqueciam. Bastava que se falasse na necessidade de decorar a tabuada, na importância de aprender a ortografia, no combate à indisciplina, na importância da avaliação ou na necessidade de os alunos saberem meia dúzia de datas históricas. Bastava isso para que imediatamente chovesse um enxame de ataques acesos. Os críticos da pedagogia dominante eram classificados de reaccionários ou conservadores: não percebiam as novas abordagens, queriam voltar ao ensino acrítico e repetitivo...
Subitamente, tudo mudou. Dizem-se hoje as mesmas coisas e não aparece oposição aberta. Há discordâncias num ponto ou noutro. Coisas menores... ninguém afinal defendeu o que se diz que defendeu. As teorias delirantes sobre educação que, durante anos, ouvimos da boca de alguns teóricos da pedagogia romântica, essas teorias nunca foram formuladas... A linguagem esotérica depreciativamente classificada como «eduquês» parece que desapareceu. Pois é... o eduquês nunca existiu!
Os que dizem e mantêm as suas ideias, tanto em momentos favoráveis como desfavoráveis, merecem o maior respeito. Os que pensavam de uma maneira e alteraram o seu pensamento como resultado da reflexão merecem, igualmente, o maior respeito. Já o mesmo não acontece, pelo menos no plano intelectual, com os que defenderam ontem determinadas teses, defendem hoje outras e mantêm que, afinal, sempre tiveram razão. Há responsáveis políticos e teóricos da pedagogia romântica que disseram, por exemplo, que «a avaliação é o braço armado da selecção social (reprodutora das desigualdades)» e que, anos depois, quando os ventos mudaram, passaram a dizer que sempre defenderam o rigor na avaliação. Não devem essas pessoas ser confrontadas com o que disseram?
Há também os que tiveram responsabilidades governamentais e que defenderam, durante anos e anos, que a divulgação dos resultados das escolas oficiais não devia ser feita e que, agora, agora que essa divulgação se tornou norma e é vista como um direito democrático dos cidadãos e das famílias, agora... falam da divulgação dos resultados das escolas como de «um processo que deve ser melhorado». Não será natural que nos espantemos com tanta incoerência?
A CASSETE DO ROMANTISMO PEDAGÓGICO
É evidente que os teóricos da pedagogia romântica, dita progressista ou inovadora, não constituem uma corrente totalmente homogénea. E é evidente que os problemas devem ser discutidos cuidadosamente, ponto a ponto. Pode haver quem pense que se deve decorar a tabuada, mas defenda que não devem existir exames. Tal como pode haver quem condene o regulamento do ‘Big Brother’ nos manuais de português, mas pense que Camões deve regressar ao 10º ano. No entanto, a realidade é que há uma corrente pedagógica que se classifica a si própria como progressista e que, na realidade, é romântica e pós-moderna. E a verdade é que essa corrente teve um peso desmesurado no pensamento e na governação educativa em Portugal nas últimas décadas.
Há traços comuns a esse movimento que, em maior ou menor grau, estão presentes em programas aprovados, em decretos-lei e no discurso de muitos teóricos da pedagogia, alguns com papel preponderante em várias universidades e escolas superiores de educação. Será preciso fazer citações dos manuais usados para ensinar futuros professores? Será preciso reler alguns decretos-lei e discursos oficiais, repletos de uma confusa terminologia pós-moderna? Será preciso citar extractos dessa tristemente vaga cartilha ideológica sectária que é o «Currículo Nacional do Ensino Básico — Competências Essenciais» de 2001?
O epíteto de «romântico», não é derivado da falta de senso, apesar de muitos representantes dessa corrente defenderem ideias lunáticas, tais como as que citámos abundantemente em anterior artigo publicado neste jornal («A pedagogia romântica e a falta de senso», 1 de Outubro de 2003). Relembramos apenas aqui uma dessas ideias românticas extravagantes que uma professora de pedagogia, defensora confessa dos programas de matemática instituídos pelos românticos, escreveu e publicou em livro usado para ensinar futuros professores: «os conceitos matemáticos se desenvolvem espontaneamente nas crianças, não havendo necessidade de serem ensinados». Espantoso, não é? Posso citar a autora, o manual, a edição e a página. Mas valerá a pena?
Apesar destes dislates lunáticos, é por razões ideológicas que o epíteto romântico se aplica com propriedade a esta corrente. Permitam-me citar alguns conhecidos filósofos contemporâneos. Comecemos por Simon Blackburn, no seu “Dicionário de Filosofia”: «Romantismo. Movimento que varreu a Europa e daí a cultura americana [...] acima de tudo a elevação da natureza e do sentimento acima da civilização e do intelecto de acordo com Rousseau [...] predominância do subjectivo, do imaginativo e de emocional [... defesa da ideia da] espontânea inocência da criança corrompida pela separação intelectual com a natureza» (tradução minha a partir da edição inglesa, Oxford, 1994; existe tradução portuguesa da Gradiva, a que não tenho de momento acesso).
Mario Bunge, no seu “Philosophical Dictionary” (Prometheus, 2003), é ainda mais claro: «Romantismo. O movimento cultural complexo que começou com Vico e Rousseau e culminou com Hegel. Progressivo na arte, retrógrado na filosofia e ambivalente em política. Características principais: irracionalismo, obscuridade, holismo, desregramento, subjectivismo, fantástico, excessivo, nostálgico, desejo de associar a história natural (e não a ciência) com filosofia, religião e arte.»
ROUSSEAU EM VERSÃO ‘BIG BROTHER’
Não é só a influência de Rousseau entre os pedagogos ditos progressistas que os associa ao romantismo (como corrente intelectual e não estética, claro). São muitas outras das suas características «retrógradas na filosofia»: o repúdio pela tradição racionalista crítica, o desprezo pela cultura clássica, a defesa do predomínio da natureza e o apelo à espontaneidade em detrimento do intelectualismo e da valorização de conhecimentos.
Atentemos, por exemplo, no recente debate sobre a introdução do regulamento do ‘Big Brother’ em manuais de português. Pouca gente o disse, mas essa escolha tem fundamento na pedagogia romântica e foi por isso que vários elementos dessa corrente ficaram tão pouco à vontade no debate levantado por esse episódio incómodo. A introdução desse texto tem perfeito cabimento na filosofia que presidiu aos novos programas. A direcção da Associação de Professores de Português emitiu na altura um parecer público que muitos gostariam que hoje estivesse esquecido. Nesse parecer saudavam-se os programas do secundário pela «redução e flexibilização do corpus literário», nomeadamente pelo facto de ter deixado «de ser obrigatória a abordagem de textos de Gil Vicente, Bocage e Cesário Verde», sendo «dada a possibilidade de selecção de textos de acordo com os interesses e necessidades dos alunos». O parecer é muito claro, saúda «a redução do corpus» por permitir «o trabalho com uma grande diversidade de textos não-literários» (APP, Setembro de 2001).
É o romantismo anti-intelectual no seu melhor. Por um lado, a crença lunática no poder atraente do regulamento do ‘Big Brother’ e de textos similares para o posterior ensino do português (alguém acredita que são esses textos que despertam nos alunos o gosto pela leitura?). Por outro lado, a ideia romântica de que é preciso partir sempre dos interesses imediatos dos alunos, da sua «natureza» rousseauniana em versão pimba, e que esses interesses seriam ponto de passagem obrigatório, sem o qual não valeria a pena tentar o ensino da literatura.
Tudo aparece colocado de pernas para o ar. Para a aprendizagem do português são importantes os textos clássicos e a boa literatura, não só literária ou ficcional no sentido estrito, mas também ensaísta, narrativa e mesmo jornalística. Abundam aí textos de uma simplicidade que roça o elementar, mas que têm a dignidade da grande escrita. E a aprendizagem do bom português possibilita aos alunos a posterior abordagem e compreensão de «uma grande diversidade de textos não-literários». Essa deve ser a perspectiva da escola: chamar os alunos, antes de tudo, ao nosso património cultural. Há ou não há aqui duas perspectivas diferentes?
DO DISLATE À BANALIDADE
O drama da pedagogia romântica é que as suas afirmações inovadoras estão erradas e as suas afirmações verdadeiras são banais. Quando, pretendendo-se ser interessante e inovador, se diz, por exemplo, que é necessário «adaptar a matemática aos interesses dos alunos», está-se a proferir uma frase desprovida de sentido, conducente à fragmentação do conhecimento e desculpabilizante do insucesso. Quando se justifica esta frase dizendo que os alunos «aprendem melhor aquilo por que se interessam», está-se a dizer uma banalidade. Os alunos interessam-se pelo que se interessam... Até aí estamos todos de acordo.
Da matemática à escrita, o panorama é semelhante. Quando se defende que a leitura tem de começar pela escrita, está-se a produzir uma afirmação contestada pela psicologia experimental e claramente contrária à ordem lógica das coisas. Será isso mesmo que se quer dizer? Essa ideia pode ser inovadora e interessante, mas está errada. Se, pelo contrário, se defende apenas que a escrita ocupa um lugar central e que esta se deve articular com a leitura reforçando-se mutuamente as duas práticas, está-se a granjear um consenso e marcar uma distância em relação ao dogmatismo da pedagogia romântica.
Não terá chegado o tempo de sacudirmos o jugo do dogmatismo pedagógico e de encararmos as realidades do ensino sem os preconceitos românticos retrógrados? Há muita gente, provinda de lados diferentes, que pensa que sim. Seria bom que assim fosse e que se pudesse caminhar para práticas de ensino temperadas pela experiência e pelo bom senso.
O emprego de Margarida Moreira II

Margarida Moreira
Directora da DREN
Actualizado o artigo O emprego de Margarida Moreira.
Entretanto, Provedor de Justiça pede explicações à DREN.
Liberdade de Expressão.
Mário Lino: outro mânfio a suspender.
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21/05/2007
A possível saída do lamaçal
Actualização (a vermelho).
baldassare said...
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O Baldassare quer levar-me a um exercício de planeta de gambosinos? Ao estado a que chegámos, uma escola ideal é um miragem e eu gosto de contar com a realidade.
Mesmo uma escola pouco ideal é uma miragem.
Apesar destes dois parágrafos, Baldassare conclui:
O cromo encasquilhou meia dúzia de verborraicos slogans e daí não passa. Para ele, um sabonete e um autocarro são a mesma coisa e garante que é capaz de se ensaboar com o autocarro. A cada arroto, debita um peido para compensar. Ainda por cima, não contente por declarar que tenho um modelo, classifica-o de "educativo", conhecendo a minha posição em relação às capacidades educativas do lamaçal escolar em que estamos mergulhados.
Suponho que não perderei muito mais tempo com o gambosino. Já devia aliás ter percebido que explicar qualquer coisa a este artista é como explicar física nuclear a um frango assado.
Mas dou-lhe a primeira meta: a disciplina, sem a qual nem aulas se consegue dar.
Será pouco frutífera uma guerra destas para os que já vão do 5º para cima, mas bem poderia ser a primeira coisa por que lutar na primária (quanto mais tarde pior).
Vou mais ao pormenor. Aqui não há idealismos: o único caminho trilha-se pela subida de fasquias e a primeira fasquia será a da disciplina. Subindo ligeiramente a fasquia ‘saltariam’ alunos que seriam, numa primeira fase, entregues aos papás, com uma única hipótese de benefício de dúvida. À reincidência e percebendo-se que os papás não estariam à altura, seriam entregues a instituições mais duras. Esta manobra não daria aos alunos instituições ideais, mas dar-lhes-ia as possíveis. Não esqueça que eu não vivo no planeta dos gambosinos nem no mundo do ideal. Apenas no do possível.
Para que isto funcionasse, seria provavelmente necessário fazer coisas desagradáveis, como gravar os comportamentos dos alunos na sala de aula, coisa com que não concordo mas à qual a sociedade parece ser sensível. Aliás, a continuar assim, será coisa que a população pedirá, como já aconteceu em muitos outros casos – transportes, por exemplo. Basta que comecem a morrer alunos à navalhada. Digo que seria necessário porque a comunicação social que cultivamos, ávida de sangue, só reage a imagens – caso contrário encenará as mais diversas teorias de conspiração contra as medidas de forma a fazerem render o peixe do ‘desgraçadinho’.
Para que estas coisas dessem resultado seria necessário ter uma boa ideia daquilo que as tais instituições mais duras (de internamento, etc) aguentariam como fluxo de alunos, ou cair-se-ia na sabotagem da coisa simplesmente afogando-as em alunos para que a medida rebentasse ... o tal problema da realidade. O 'sistema' tem muitos truques para se manter incontrolável: tão depressa nega a realidade como a força em proveito próprio - em ambos os casos sempre em proveito próprio.
Chegados aqui penso que os sinais dados seriam suficiente para obter uma acalmia das coisas o que facilitaria uma nova subida de fasquia, etc, etc. Nessa nova fasquia 'saltariam' ainda (também) alunos com muito más notas.
Com uma subida regular de fasquia em relação ao comportamento e ao aproveitamento as coisas melhorariam gradualmente.
... e não há que haver tibiesas: só exercendo autoridade e poder se consegue o que quer que seja (neste mundo, no outro, que o Baldassare já sabe qual é, talvez não).
...
Mas eu estou convencido que as coisas vão ainda piorar bastante antes de serem pedidas, abertamente, medidas draconianas (muito embora cenas como navalhadas possam precipitar os acontecimentos).
Quando o país voltar a cair numa recessão (dando de barato que estamos a sair desta) e se tornar claro que só conseguimos competir com países claramente do terceiro mundo (para o caso de, também a Europa, se fartar de nos aturar), não faltará quem peça coisas bem mais desagradáveis. Até o castigo corporal (e a pena de morte) será exigido, na praça pública, por multidões ululantes.
E, já agora, falta aqui uma segunda guerra. Uma boa parte dos professores já estão também anquilosados pelo eduquês reinante. Mais uma bota para descalçar.
... e uma terceira guerra: a dos conteúdos propagandísticos, niilistas, disparatados, inconsistentes, absurdos, contraditórios, inúteis, etc. Reintroduzir métodos de repetição, que calculo sejam odiados pelo Baldassare, mas com provas dadas em todo o lado. Fazer 10 exercícios à volta de um problema não é um atentado à criatividade mas uma ajuda à criação de ligações neuronais facilitantes da utilização de funções mentais.
Só se chegam aos ideais (dando de barato que são atingíveis) passo a passo, perante a realidade.
Estamos entalados entre duas realidades: somos globalmente incompetentes e o mundo não se compadece da nossa incompetência.
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baldassare said...
"Já agora: desafio-o a fazer um comment no seu blog sobre a Escola ideal para si. "Aqui vai:
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O Baldassare quer levar-me a um exercício de planeta de gambosinos? Ao estado a que chegámos, uma escola ideal é um miragem e eu gosto de contar com a realidade.
Mesmo uma escola pouco ideal é uma miragem.
Apesar destes dois parágrafos, Baldassare conclui:
Modelo da Educação segundo Range-o-Dente: Dá-se disciplina. Se o aluno for bem disciplinado e aprende bem, sobe-se a fasquia, pedindo ainda mais disciplina. Se o aluno não corresponder, "salta".Perante a lata que Baldassare teve, salvo erro pela 6ª vez, de colocar na minha boca coisas que eu nunca disse, suponho não valer a pena continuar a dialogar com semelhante cromo.
O cromo encasquilhou meia dúzia de verborraicos slogans e daí não passa. Para ele, um sabonete e um autocarro são a mesma coisa e garante que é capaz de se ensaboar com o autocarro. A cada arroto, debita um peido para compensar. Ainda por cima, não contente por declarar que tenho um modelo, classifica-o de "educativo", conhecendo a minha posição em relação às capacidades educativas do lamaçal escolar em que estamos mergulhados.
Suponho que não perderei muito mais tempo com o gambosino. Já devia aliás ter percebido que explicar qualquer coisa a este artista é como explicar física nuclear a um frango assado.
Mas dou-lhe a primeira meta: a disciplina, sem a qual nem aulas se consegue dar.
Será pouco frutífera uma guerra destas para os que já vão do 5º para cima, mas bem poderia ser a primeira coisa por que lutar na primária (quanto mais tarde pior).
Vou mais ao pormenor. Aqui não há idealismos: o único caminho trilha-se pela subida de fasquias e a primeira fasquia será a da disciplina. Subindo ligeiramente a fasquia ‘saltariam’ alunos que seriam, numa primeira fase, entregues aos papás, com uma única hipótese de benefício de dúvida. À reincidência e percebendo-se que os papás não estariam à altura, seriam entregues a instituições mais duras. Esta manobra não daria aos alunos instituições ideais, mas dar-lhes-ia as possíveis. Não esqueça que eu não vivo no planeta dos gambosinos nem no mundo do ideal. Apenas no do possível.
Para que isto funcionasse, seria provavelmente necessário fazer coisas desagradáveis, como gravar os comportamentos dos alunos na sala de aula, coisa com que não concordo mas à qual a sociedade parece ser sensível. Aliás, a continuar assim, será coisa que a população pedirá, como já aconteceu em muitos outros casos – transportes, por exemplo. Basta que comecem a morrer alunos à navalhada. Digo que seria necessário porque a comunicação social que cultivamos, ávida de sangue, só reage a imagens – caso contrário encenará as mais diversas teorias de conspiração contra as medidas de forma a fazerem render o peixe do ‘desgraçadinho’.
Para que estas coisas dessem resultado seria necessário ter uma boa ideia daquilo que as tais instituições mais duras (de internamento, etc) aguentariam como fluxo de alunos, ou cair-se-ia na sabotagem da coisa simplesmente afogando-as em alunos para que a medida rebentasse ... o tal problema da realidade. O 'sistema' tem muitos truques para se manter incontrolável: tão depressa nega a realidade como a força em proveito próprio - em ambos os casos sempre em proveito próprio.
Chegados aqui penso que os sinais dados seriam suficiente para obter uma acalmia das coisas o que facilitaria uma nova subida de fasquia, etc, etc. Nessa nova fasquia 'saltariam' ainda (também) alunos com muito más notas.
Com uma subida regular de fasquia em relação ao comportamento e ao aproveitamento as coisas melhorariam gradualmente.
... e não há que haver tibiesas: só exercendo autoridade e poder se consegue o que quer que seja (neste mundo, no outro, que o Baldassare já sabe qual é, talvez não).
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Mas eu estou convencido que as coisas vão ainda piorar bastante antes de serem pedidas, abertamente, medidas draconianas (muito embora cenas como navalhadas possam precipitar os acontecimentos).
Quando o país voltar a cair numa recessão (dando de barato que estamos a sair desta) e se tornar claro que só conseguimos competir com países claramente do terceiro mundo (para o caso de, também a Europa, se fartar de nos aturar), não faltará quem peça coisas bem mais desagradáveis. Até o castigo corporal (e a pena de morte) será exigido, na praça pública, por multidões ululantes.
E, já agora, falta aqui uma segunda guerra. Uma boa parte dos professores já estão também anquilosados pelo eduquês reinante. Mais uma bota para descalçar.
... e uma terceira guerra: a dos conteúdos propagandísticos, niilistas, disparatados, inconsistentes, absurdos, contraditórios, inúteis, etc. Reintroduzir métodos de repetição, que calculo sejam odiados pelo Baldassare, mas com provas dadas em todo o lado. Fazer 10 exercícios à volta de um problema não é um atentado à criatividade mas uma ajuda à criação de ligações neuronais facilitantes da utilização de funções mentais.
Só se chegam aos ideais (dando de barato que são atingíveis) passo a passo, perante a realidade.
Estamos entalados entre duas realidades: somos globalmente incompetentes e o mundo não se compadece da nossa incompetência.
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