30/09/2007
Sai um embuste para a mesa do canto
[...]
O segundo aspecto, o de definir, por inclusão e exclusão, a "cultura europeia", é mais complicado e mexe em muito mais do que a economia. Tornar "europeia" a cultura das nações da Europa é uma tarefa difícil de levar a cabo, não muito diferente da de fazer um manual de "história europeia" que sirva de norma educativa nas escolas da Europa, também desejado pelos eurocratas.
[...]
Imagine-se a metamorfose que os "manuais escolares" vão sofrer para se "adaptarem" a este novo
Depois digam que os putos e a realidade não se entendem e que a coisa se resolve com mais uns quantos computadores e quadros inter-activos.
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29/09/2007
Empreendorismo
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Coisas do multilateralismo
Não teve, mas teve neste Conselho de Sábios. Sabidões.
Está aqui tudo explicadinho.
Via A Origem das Espécies.
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Sem sublinhados
De facto de há muitos anos que me habituei a morfar muita coisa com pouco ou nenhum tempero, mas a alface, como o café e o açúcar, continua a desafiar-me. Sem azeite e vinagre não a trago. Algum gene malvado me martela o miolo quando o tento fazer. Quanto ao sal, passo bem sem ele.
...
As duas seguintes frazes terão exactamente o mesmo significado, mas a segunda é proscrita pelos cientologistas da educação.
1 - O professor ensina o aluno.
2 - O aluno aprende o que o professor ensina.
Em boa verdade também a palavra 'ensinar' é proscrita pelos cientólogos. Preferem educar. Em boa verdade sem conseguirem ensinar nunca educarão, mas como cientologistas que são nunca perceberão a diferença. Coisas de tólogo.
Para os cientologistas o aluno é apenas uma mercadoria à volta da qual tudo gira. Como quem fabrica pneus, alcatifa ou corta-unhas de qualidade que permitam que melhor se retirem macacos do nariz. O 'produto' é a coisa à volta da qual tudo gira.
Na "educação" o aluno é a mercadoria à volta da qual tudo gira. Anos a fio "centraram" a educação "nos interesses do aluno" e/ou "no aluno". Nunca o fizeram em função do aluno como pessoa, apenas como mercadoria.
Os cientologistas invocam a "educação para a cidadania" como prova de que pensam no aluno como pessoa e cidadão, mas apenas pelo vector de cidadania pelo qual os cientologistas a entendem. Tudo o que vá por fora da invocada seta se torna "susceptível" do aríete da "mudança de mentalidade".
Vai daí que os problemas do ensino passem sempre pelos métodos, pelos "conteúdos dos manuais" (nunca pela matéria contida nos livros), pelos processos de avaliação, pelos critérios de avaliação, etc, etc, enfim, tudo feito na melhor intenção face a educação centrada na mercadoria: o aluno.
Em tudo isto está implícito que que os cientologistas encaram o aluno como uma mercadoria, algo sem vontade própria. Em todo este drama o aluno é a mercadoria cuja inaceitação pelo mercado só pode ser fruto do mau processo de produção.
Os cientologistas não sabem, mas no mundo real os alunos pensam e reagem em função do ambiente no qual andam, e a pintura do ambiente tem, por todo o lado, grafitis dizendo: o aluno é rei e senhor, é vitima de um sistema perverso que não prepara para a vida e, como vítima, o aluno tem toda a autoridade para se vitimizar e exigir aquilo a que tem direito: viver feliz independentemente de quem seja (se habitar uma zona "difícil" tanto melhor) e/ou do que saiba.
O solipsismo em que nadam os cientologistas da educação não lhes permite, sequer por excepção e em bom português, encostar os alunos à parede, ou, em português assim assim, entregá-los à sua própria responsabilidade.
No mundo real, aquele em que quem não trabalha não come, a única ferramenta capaz de convencer os renitentes a aprenderem são as leis do próprio mundo real.
No mundo real quem não faz o que se espera dele sofre as consequências. No mundo da "educação", quem sofre as consequências da forma como o aluno se conduz (para não dizer deambula) pela escola é o professor, a escola, os "conteúdos", a sociedade, mas nunca o aluno, mercadoria intocável.
Para os cientologistas da educação o aluno não tem vontade e a que terá só poderá ser resultante dos paradigmas gerados pela máquina produtiva e que é suposto perceberem: os alunos são sempre vítimas, vítimas, vítimas. Os alunos são sempre vítimas, mas nunca são vítimas da cientologia em causa porque essa é inspirada no paradigma da 'melhor intenção do mundo'.
Com ou sem paradigmas, façam eles ou não sentido, enquanto não se chumbar (reter, dirão os ciento-palermoides) quem não aprende (parem de falar em educação), está-se condenado a rever os processos, os "conteúdos", etc, etc.
No mundo real quem não trabalha não come. Na escola real, quem não aprender não pode passar (transitar, chamam-lhe os idiotas). Sejam poucos ou muitos.
Ah, já me esquecia. A ser assim, que papel é reservado aos cientologistas da educação? O papel higiénico.
...
PS. Não falei no papel da família porque os cientologistas acham que a sua existência é um incómodo. Algo que atrapalha. Na melhor das hipóteses algo susceptível de uma mudança de mentalidades usando, como arma de arremesso, o produto educado.
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28/09/2007
As mentalidades e as minhocas
[...].
Dirão que são detalhes mas estes são os detalhes que infernizam a vida das pessoas cujos filhos frequentam as escolas públicas. Esta escola quotidianamente autista vê-se pouco. O dia-a-dia não faz notícias mas devia fazer pois é nessa rotina que acontecem os maiores problemas. Por exemplo, alguém sabe o que foi feito da TLEBS? Oficialmente a última vez que se falou sobre esta terminologia linguística foi numa portaria datada de 18 de Abril em que se anunciava que a TLEBS entrava em revisão científica. Até quando? E até quando a ministra vai continuar em silêncio sobre este assunto que afectou milhares de estudantes e professores?
Mas podemos continuar na lista das dúvidas. Por exemplo, podemos tentar entender esse concurso de charadas que é o programa de História e Geografia dos 5º e 6 anos ou interrogarmo-nos sobre o conteúdo de disciplinas como Área de Projecto, Estudo Acompanhado e Formação Cívica. A carga horária destas disciplinas é cada vez maior. A primeira delas, Área de Projecto, é uma fraude. A segunda, Estudo Acompanhado, pelo menos permite que, às vezes, os TPC’s sejam feitos na escola. Para o fim deixo a Formação Cívica. Esta disciplina proporcionou um dos momentos mais insólitos do presente ano lectivo e político. Esse momento aconteceu quando o ministro da Administração Interna, Rui Pereira (e repito que foi o ministro da Administração Interna e não da Educação) explicou que a disciplina de Formação Cívica era muito importante para a "a mudança de mentalidades e a construção de um Portugal melhor". Cabe perguntar quem disse ao ministro da Administração Interna que as famílias devem mudar as suas mentalidades em função do proselitismo do MAI?
Domesticamente a minha experiência da dita Formação Cívica começa pelo preenchimento de fichas e mais fichas sobre o agregado familiar. Escreve-se o mesmo que no acto da matrícula mas é um clássico. Cumprido este ritual entra-se na maravilhosa idade de ouro da unificação europeia ou esmiuça-se o comportamento da turma com vista à almejada “mudança de mentalidades”. Com tudo isto as mentalidades vão andando. A escola é que vai de mal a pior.
27/09/2007
Pedro Santana Lopes fez algo bem feito
Tendo sido interrompida a entrevista que estava a dar um canal local para que a estação pudesse transmitir a chegada de um pacóvio futebolista, deu a coisa por terminada e deu de frosques, deixando o canal e a jornalista de olhos esbogalhados (de boga).
Muito bem.
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26/09/2007
Sai uma palermice para o cliente ao fundo do balcão
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22/09/2007
CO2, pum pum pum, CO2, pum pum pum.
O fulano respondeu que não, que isso estava a acabar porque tinha havido um nível muito grande de contaminação nas separações que as pessoas faziam.
Perguntei-lhe pormenores e ele explicou que apesar das pessoas separarem lixo, havia ainda muitas misturas, o que tornava inútil toda a operação.
A coisa soou-me mal mas não pensei muito mais no assunto.
Meses depois fico a saber que a generalidade do lixo citadino é queimado na Valorsul (nem imagino a qualtidade de CO2 assim produzido), numa operação quem em termos de novilingua se chama "valorização energética". Mas fico a saber mais. Fico a saber que a Valorsul tem tido cada vez mais dificuldade em queimar o lixo porque a combustão tende a não se conseguir manter a ela própra por falta, na mistura, ... de papel e cartão!
E fico ainda a saber mais. Fico a saber que para resolver o problema a Valorsul, empresa estatal (mesmo que pelas intrincadas teias de aranha da legislação), pondera resolver o problema adicionando combustíveis fosseis à mistura a incinerar, mesmo que, para o efeito, o contribuinte tenha que vir a pagar uma taxa(*) ...
Moral?
Chateia-se toda a gente para separar papel sendo evidente que, para evitar libertação de CO2, o papel deveria ser enterrado o mais fundo possível. O lixo deixa de arder por falta de papel e queima-se combustível fóssil para resolver o problema.
Confuso? Não perca as cenas dos próximos episódios.
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(*) Imposto
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A ciência na fé e a fé na ciência.
Dizia ele que a diferença entre a ciência da pré história e a de hoje varia apenas na distância a que o seu horizonte se encontra.
Claro que a máxima na mão dos "cientistas da educação"(*) faz com que até as galinha tenham dentes e os animais, se não comerem, só sobrevivam empalhados.
Via Portugal e outras Touradas.
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Talvez faça até sentido chamar-lhes cientologistas da educação.
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21/09/2007
Estupidificação colectiva
Ele mostrou-se surpreso por ser entendido, pela professora, como um "problema", que uma aluna sua soubesse "demais", e aproveitou para tentar saber se ela chamava também habitualmente a atenção dos pais dos putos mais broncos de que a aselhice dos seus pimpolhos travava o desenvolvimento dos restantes.
A gaguez a rubrez dela pareceram explicar o resto.
A gaguez foi responsabilidade da professora e do ministério. Da professora porque nunca lhe teria passado pela cabeça que tudo quilo era uma palermice, do ministério porque a imbecilização faz parte da sua política "educativa". O rubro, espero eu, teria sido resultante da percepção, pela professora, de que estava ali a fazer papel de grande dinamizadora de um processo de estupidificação colectiva. Mas não estou muito certo disso. Se calhar por ter sido a primeira vez que aprendeu, de facto, alguma coisa.
Pelo exposto percebe-se que a professora preenche todos os requisitos para ser eleita delegada sindical. Bem tijoladinha a coisa, poderá mesmo vir a ser assessora de educação num gabinete ministerial.
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19/09/2007
O calor e o fim do mundo em cuecas
Não há dúvida: o aquecimento global está por todo o lado.
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18/09/2007
15/09/2007
Estudar é obsoleto

A Ministra da "Educação", Maria de Lurdes Rodrigues, veio ontem "apelar" aos professores da primária para não chumbarem os pimpolhos (quando houver link ...).
Clarificou, mais uma vez, para os alunos que quiseram ouvir (e que se apressarão a espalhar a boa nova) que é desnecessário estudarem. Talvez seja até obsoleto.
Se não tiverem boas notas a culpa é dos professores que não se esforçaram suficientemente.
Com portáteis, quadros interactivos e outras palermices quejando, se nada aprenderem podem ter a certeza que a culpa é do equipamento.
... a minha mãe não pára de rir.
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À guisa de nota de rodapé, esclarecem-se os leitores estrangeiros que nas escolas portuguesas, com nas do resto do mundo, é suposto que sejam os alunos a aprender e os professores a ensinar, pelo que, aqui como no resto do mundo, é ao aluno que é suposto caber a grande maioria de esforço.
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A palermice dos 150

Embora com atraso, não posso deixar de chamar a atenção para a palermice dos "computadores 150 euros".
A coisa é bem explicada nos blogs Educação Cor-de-rosa e Fliscorno.
Enfim, o governo como balcão de vendas das telecoms.
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13/09/2007
... "é mais para falar com os amigos"
"eu já tinha um computador fixo, mas um portátil é melhor. Dá para ir para a cama e ficar um bocado na net antes de adormecer. Para trabalhar é melhor o fixo, este é mais para falar com os amigos" (in Sapo)Via Incontinentes Verbais.
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08/09/2007
Da avestruz III

Há uns tempos alguém me chamou a atenção que muitos problemas em física têm vindo a apontar para cenários mais e mais aparvalhados.
Foram-me referidas (de memória) casos em que:
- Um helicóptero voaria a 300 Km de altura
- Um fardo de palha pesaria 500 gramas.
Faz sentido levar-se um aluno a resolver um problema cujo desfecho desemboca nos cenários acima?
Isto poderá ser mais um sinal explicativo do aparente alheamento com que, mais e mais professores vivem a realidade.
Ainda há uns meses, num blog aqui ao lado deparei com esta. Como chegàmos aqui? Como é possível que se acredite em tudo, em particular sendo-se professor? Chiça!
Fé? Ensino básico capaz de levar a acreditar em gambozinos de tal forma que nem um professor se consegue divorciar do conceito? Ver-se-á demasiada televisão e acreditar-se-á que ela espelha a realidade?
Será que se aceita que tudo pode ser verdade desde que se acredite sem pestanejar?
... e que "educação" receberão os alunos caso os especimens em causa consigam uma turma?
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Da avestruz II
[...]O que ele escreve é verdade, mas continua a espantar-me e lembra-me a história da D. Branca.
E é aqui que as universidades clássicas cometem um gravíssimo erro histórico. Achando que a formação de professores não era assunto nobre, nem científico, (quando justamente a investigação educacional entrava em força e criava em todo o Mundo uma grande dinâmica) deixaram-na à mercê de quem a quisesse apanhar. Desde logo, centros de formação integrada, em algumas universidades recém fundadas, que, é claro, aproveitaram para se afirmar no quadro universitário nacional, depois, as escolas superiores de educação, que proliferaram por todo o País muito antes de terem recursos de qualidade em número suficiente, e pior ainda, muitas instituições particulares, centros de formação de toda a ordem, que correram atrás do negócio com o brio profissional que nos caracteriza. Ou seja, durante décadas, formaram-se, a correr, levas de professores, que iriam entupir o sistema e que o Ministério não foi capaz de planear e controlar.
Em suma, degradou-se a profissão docente, prejudicou-se a qualidade do ensino, meteu-se no sistema muito incompetente por inflação de classificações que são regra nas instituições menos qualificadas, e impede-se agora a profissionalização a muitos que poderiam dar bons professores, mas que estão impossibilitados pelo entupimento do sistema. Em suma, uma série de erros em cadeia onde falta de planeamento e de visão, oportunismo, presunção, razões de baixa política, pura ganância e amadorismo se misturaram para prejudicar o País num grau incalculável.
Mas, então, acredita-se, anos a fio, numa galinha de ovos de ouro pensando que será eterna? E os directamente interessados não reparam que a coisa se parece com uma corrida ao ouro?
Se estivéssemos a falar de profissões pouco qualificadas ainda se percebia que magotes de gente podia ter sido enganada. Mas, os professores?
Imagine-se que um engenheiro projecta um helicóptero que, construído, não sobe, e que, perante o fracasso, iria reclamar junto de uma qualquer academia de ciências, invocando que não teria qualquer responsabilidade no assunto porque alguém se teria esquecido de lhe chamar a atenção para a existência da força de gravidade ... e portanto exigiria o lugar a que teria direito ...
É impressão minha ou a reivindicação em causa é um atestado de estupidez aos próprios?
... ainda só não se reclamou que professor queima as pestanas.
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Da avestruz
Caro Jumento... a minha resposta:
Achei o seu post delicioso e com uma enorme capacidade crítica de "olhar" para o que verdadeiramente se passa na Educação. Temos de facto professores a mais e ministra a menos e a forma desprestigiante como esta tem tratado aqueles leva a que alguns (cada vez menos) ressabiados façam analises do tipo daquelas que fez range-o-dente.
Como já alguém disse se na actual confusão em que vive o nosso sistema de ensino os professores de Geografia ensinassem cartografia aos pombos-correio estes não conseguiriam chegar ao seu destino. E a culpa não seria dos professores. Nem sempre aquilo que parece é.
Raimundo Amorim.
"leva a que alguns (cada vez menos) ressabiados fa çam analises do tipo daquelas que fez range-o-dente."
Sabe, caro Raimundo, as pessoas podem ser convencidas, não necessariamente vencidas. Mas a realidade não pode ser convencida, apenas vencida.
Os professores têm sistematicamente tentado convencer a realidade. Debitam prosas convencidos que a realidade se verga a elas.
Depois, tendo desgostos, continuam ainda a insistir que são educadores.
Indo ainda mais directo ao assunto, pode dizer-se: se são incapazes de compreender o mundo que lhes diz respeito, porque carga de água hão de ser vistos como autoridade para ensinar a outros o que é o mundo?
Há professores a mais e inteligência a menos
Quando a ministra da Educação diz que a oferta de professores é maior do que a procura tem razão, mas a forma como aborda este problema é menos própria e revela uma falta de consideração pelos professores que é inaceitável num responsável pela educação. A ministra fala dos professores como se fosse o encarregado de uma obra pública a dizer aos serventes de pedreiro que procurem outra obra, porque para a semana já não há trabalho.Este parágrafo resume bem o filme O Triunfo dos Porcos. Somos todos iguais, mas uns são mais iguais que os outros. O ajudante de pedreiro pode ser despedido, ser enviado às urtigas, passar fome, que, não pertencendo à casta dos professores, nada poderá, por alí, ser apontado como inaceitável.
É evidente que o número de alunos e mesmo de escolas diminui, que as funções não educativas das escolas, como é o caso da sua gestão, tenderá a não ser desempenhadas por professores. É também evidente que a melhoria do ensino pode colidir com hábitos e mesmo direitos concedidos no passado.“Direitos concedidos no passado” ... resvalando, implicitamente para direitos inalienáveis. “Pode colidir” ... mas a força que “põe em causa” não deve prevalecer ...
Mas isso não implica que se crie na sociedade a ideia de que os professores são uns malandros, sem professores prestigiados e socialmente considerados nenhuma reforma do ensino será bem sucedida.Pois não implica, a não ser que o prestígio seja abalado por posições de defesa de casta, claramente o caso presente.
Só que não se entende que o primeiro-ministro ande com o porta-bagagens do carro cheio de portáteis para distribuir pelos bem sucedidos das Novas Oportunidades e que a ministra da Educação revele tanto desprezo por milhares de professores que são vítimas da redução do número de vagas no ensino. Que se saiba foi o Estado que criou os cursos, que estimulou a formação de professores, ninguém chegou a professor com um curso de fachada pago com dinheiros do Fundo Social Europeu.... o Estado criou e os tais de “professores”, pertensamente gente com algo entre as orelhas, que se comporta como as ratazanas: morde o isco. Fica-se a saber que o “professor”, cujo percurso formativo foi isento de processos de fachada, chegou ao fim da ladeira sem perceber que estava a ser “vítima” de um isco, como se nunca o tivesse alimentado a coisa conscientemente. Perdão, antes de ferrar o dente, a ratazana é mais cautelosa.
O mínimo que se esperava era que a ministra e o próprio primeiro-ministro abordassem este problema com alguma preocupação, com a mesma preocupação que por vezes se assiste quando fecha uma fábrica. Não basta dizer-lhes para irem ao centro de emprego mais próximo onde ainda por cima estão a ser maltratados. Ao terem optado por ser professores alguns destes profissionais dedicaram os melhores anos da sua vida à preparação, optaram por aquela que consideraram ser a sua vocação, desprezaram outras oportunidades profissionais.... e não se percebe que a merda que tem saído das organizações sindicais dos professores resultou no facto de já ninguém ter pachorra para aturar reivindicações de casta? Reclamam-se agora os poucos direitos de quem, sempre tendo aguentado sem estrebuchar, se encontra numa encruzilhada difícil. Serão os “professores” os únicos legítimos detentores do direito a estrebuchar?
Se o prestígio não se reivindica, conquista-se, muito menos se renega tomando posições desprestigiantes, e querendo, em simultâneo, manter o prestígio via reivindicação classista.
O que teria sucedido ao sistema de ensino se há dez ou quinze anos os jovens não tivessem optado pela carreira de professor prevendo que estes seriam excedentários? Agora estaríamos a contratar professores brasileiros ou mesmo galegos, foi isso que sucedeu com os profissionais da saúde onde o numerus clausus criou uma situação simétrica à do ensino, onde a oferta de profissionais é menor do que a procura. O Estado poderia e deveria ter previsto esta situação mas por incompetência, cinismo ou mesmo oportunismo das universidades nada fez, milhares de jovens deram o melhor nos seus estudos para agora estarem num beco sem saída.Depreende-se que à data “em que os jovens” optaram pela carreira de professor, não houvesse organizações sindicais compostas por adultos. Coitados. Todos jovens, embarcaram numa trapaça de governantes. Aborrecem-se agora perante o sucesso de outra casta, a dos médicos que, em devido tempo, trataram de “garantir” o seu futuro fazendo exactamente o contrário daquilo que fizeram os professores.
Parece até que os médicos tiveram sucesso à custa dos professores.
... tse, tse, tse.
O estado poderia ter previsto tudo e mais alguma coisa, os jovens ficaram em segundo lugar no acesso à inteligência obtida pelas ratazanas.
... e depois saíram ... “educadores”.
A ministra da Educação deveria compreender que há uma grande diferença entre uma responsável pela educação e um qualquer encarregado responsável por contratar serventes para uma obra pública. Deveria compreender mas pelos vistos não compreende ou a sua má formação leva-a a pensar que quanto pior tratar os professores mais fará passar a ideia de que é a grande reformadora do ensino. Reduzir o problema da redução dos alunos a uma consequência da natalidade é oportunismo, a ministra sabe (ou será que sabe mesmo?) que um dos problemas do ensino em Portugal é a reduzida escolaridade dos portugueses.Serventes e professores não são, de facto, a mesma coisa. Se os professores se comportassem como serventes já seria um passo em frente. Um dos problemas do ensino em Portugal reside na reduzida inteligência demonstrada pelo comportamento dos professores. O normal seria usarem da inteligência que, descobrem agora, os ajudantes de pedreiro também têm.
Se é verdade que a tendência é para que haja menos alunos, daí podendo resultar um excedente de professores, também é verdade que a ministra deveria questionar-se porque há professores a menos, não fazendo passar a ideia de que tudo resulta do défice de libido dos portugueses. A verdade é que ao mesmo tempo que a ministra explica que há menos crianças os dados do Eurostat a percentagem de jovens que saíram precocemente da escola e cujo nível de estudos não ultrapassa o 9º ano de escolaridade subiu de 38,6%, em 2005, para 39,2%. Isto é, uma parte dos professores que ficou no desemprego foi vítima da incapacidade de a ministra para adoptar políticas que reduzam o abandono escolar. Esta taxa vergonhosa é mais do dobro da média europeia.A ministra nunca poderá questionar-se porque haverá professores a menos no exacto momento em que há professores a mais. A matemática invocada fundamente o primeiro lugar obtido pelas ratazanas. Fica-se a “saber” que os portugueses fornicam QB mas que os rebentos abandonam a escola. Tá bem.
Pretende-se agora sacudir a água do capote e escamotear que os professores venderam a sua dignidade a proventos salariais relativos face a amanhãs-que-cantam que redundaram numa taxa de “sucesso escolar” miserável cuja qualidade nem vale a pena abordar: coisas do mundo do eduquês.
Não é por acaso que se lhe chama “sucesso escolar” e não sucesso educativo: mais uma sacudidela de capote.
Em vez de dissertar sobre as curvas da oferta e da procura do mercado de trabalho dos professores a ministra deveria explicar porque motivo o Governo foi incapaz de cumprir comas metas que estabeleceu para o abandono escolar (30% até 2008 e para 25% até 2010) e para a percentagem de jovens com o ensino secundário (65% até 2010). A verdade é que muitos dos que pensaram poder continuar a ser professores acreditando nas metas do governo estão agora no desemprego a ouvir a ministra dizer-lhes que a culpa foi do aumento do consumo de preservativos há dez anos atrás.... o professor como espantalho. Nada tem a ver como ele, a não ser no caso de nem conseguir ser, de facto, professor.
Todavia, é um facto que a inversão das tendências da natalidade e a contínua formação de professores resulta-se num desajustamento entre a oferta e a procura de docentes e que mesmo que se adoptem algumas medidas paliativas e se combata o abandono escolar o problema persista. É necessário abordar o problema com uma sensibilidade que a ministra, mais empenhada em resolver o défice público do que os problemas do ensino, não evidenciou.... como se não se tivesse mantido a engrenagem bem oleada e bem alimentada na expectativa de continuar a aumentar o número de “professores” pela via da redução do número de alunos por turma. Como se a generalidade dos professores não tivesse alinhado na aceitação de matéria aberrante, de “paradigmas” aparvalhados e não tivesse alinhado na transformação do aluno indisciplinado em aluno “hiper-activo”.
Se a ministra quer fazer uma abordagem primária do mercado de trabalho dos professores afirmando que há um excesso da procura, então também terá que concluir que há um défice na procura pela qual ela própria é responsável. Temos, portanto, professores a mais e ministra a menos.Palermices como esta, “gira”, apenas afundam ainda mais o residual prestígio dos professores face ao mundo real, no qual os professores “se vêm”, agora, forçados a viver!
Coisas que acontecem quando os iguais apoiam implicitamente a retirada de tapete, de que padecem os mais iguais.
... não tendo aprendido a bem, terão que aprender a mal. ... coisas que a “educação” deles bem podia ter evitado, não fosse dado o caso de ter sido, desde há 20 anos, capitaneada por “cientistas em educação”.
... engenhêros.
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07/09/2007
Jobs for the boys
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06/09/2007
Abandalhemos rumo ao lucro
O homem referiu que a indisciplina raiava e que turmas mais pequenas ajudaria a resolver dois problemas: o da indisciplina dos alunos e da não colocação dos professores.
A mim a coisa soou-me a um apelo a mais um reforço do desleixo à manutenção da disciplina por forma a tornar inevitável a medida proposta.
... jobs for the boys.
... se calhar e coisa que já vem de longe. Uns, mais palermas, dirão que sim. Outros menos palermas, dirão também que sim. Os não alinhados serão chamados de Velhos do Restelo ou "negacionistas" face ao que "toda a gente sabe".
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25/08/2007
De Miguel Portas e do Bloco de Esquerda
Ontem mesmo, Jaime Silva, ministro da agricultura, acusou o BE de "incentivar aqueles jovens" e insinuava que este partido teria estado por trás da acção na herdade da Lameira. O bloco não tem nada, rigorosamente nada, a ver com os acontecimentos ou o movimento que lhe esteve na origem. Nem os seus jovens, que no dia dos acontecimentos se encontravam acampados... mas a 600 quilómetros de distância.O Bloco de Esquerda faz sua bandeira o ataque à produção de alimentos por via de plantas transgénicas, em particular junto dos jovens.
No caso, o Bloco de Esquerda afasta-se “daquele jovens” como quem corta um membro atacado de cancro. Os jovens em causa foram tão palermoides que destruíram a cultura de um pequeno agricultor, e o Bloco apresou-se a abandoná-los à sua sorte.
A idiotia culmina com uma justificação tão palerma quanto o ataque ao milho: os 600 quilómetros. ... como se houvesse uma barreira, por exemplo aos 500, que inviabilizasse a organização da coisa, uma espécie de muro que pretendesse camuflar a responsabilidade do Bloco. Enfim, um problema de indigestão de muros a que o bloco não consegue fazer face.
O único elemento sobre o qual se funda esta inadmissível extrapolação por parte do ministro é o facto de eu, há três dias, ter expresso "simpatia com o gesto".“Único elemento”, escreve Miguel Portas. Depois vem dizer que se travava de uma opinião pessoal.
Escrevi o que escrevi a título estritamente pessoal, e no blog Sem Muros reconheço que errei (quem desejar que o consulte). Mas, mesmo que assim não tivesse sido, é no mínimo estapafúrdio associar uma manifestação de simpatia à posteriori com uma "conspiração antecipada". Não é só estapafúrdio. Um ministro não pode acusar ou insinuar sem provas.“Estapafúrdio”. Tá bem.
O Bloco desenvolve as suas acções às claras e de rosto destapado. Pode concordar-se ou não com elas. Mas quando age, envolve os seus próprios dirigentes. Não ficam na retaguarda.
“De rosto destapado”. Tá bem. Lembremo-nos dos SMS.
As raízes da iraTalvez porque os “miudos” sejam betinhos, vândalos, terroristas, drogados, e de desocupados a comunas. Surpreende-me, apesar de tudo, que tenham conseguido não se enganar e não tenham demolido uma cultura de girassóis. Aposto que se pretendessem destruir qualquer coisa relacionada com a criação intensiva de porcos, rachariam as copas de uma enorme quantidade de oliveiras.
Não posso deixar de me referir ao modo como os "miúdos" têm sido tratados: de betinhos a vândalos, de terroristas a drogados e de desocupados a comunas, tudo vale e continua a valer.
Sou de um tempo onde, tantas vezes à falta de melhores argumentos, se resolviam diferendos nas esquerdas com epítetos relativos à origem de classe ou ao modo de vestir e viver.E, 30 anos depois, apoia quem destrui o modo de vida de quem é estranho à “classe” de onde ele declara ser oriundo, e de quem veste e vive de forma diferente.
Assisti agora, 30 anos depois, a essa ressurreição e não gostei do que vi. Muitos dos actuais liberais bem pensantes também não deviam gostar. Por todas as razões e porque também eles, em tempos idos, apanharam com esse enxoval de "acusações".Lágrimas de crocodilo.
Na sublevação dos indignados a pedra de toque é a questão da propriedade que está em causa que dá o tom. Todos os fantasmas saltaram de imediato.Os fantasmas que andaram à solta foram zombies destruidores de culturas.
Esta mesma indignação jamais veria a luz do dia se o caso fosse o de um despedimento, ou o de um pai de um "betinho" fugindo ao fisco. Ou mesmo o de um betinho em bolsa, limpando pequenas poupanças em operações legais, envolvendo montantes bem maiores do que 3900 euros.Essa “indignação” (nos moldes que deram origem ao caso presente) são especialidade de Miguel Portas e do Bloco de Esquerda, por acções capazes de permitir levar a bom termo o que dizem repudiar.
Classifiquei este delírio como uma "tempestade num copo de água". Na realidade é bem mais do que isso. É instinto de classe e espírito de guerra.Sim. Quem trabalha sabe o que lhe custa.
O abuso dos qualificativos é particularmente grave quando chega a conceitos como o de "terrorismo". Em entrevista à SIC notícias, Rui Pereira, ministro da administração interna, não hesitou em qualificar o acto de "eco-terrorismo soft". O ministro devia saber que quando se perde o sentido das proporções, se acordam consequências escondidas: a de banalizarmos, isso sim criminosamente, o valor das palavras.Pena é que o Bloco e Miguel Portas não se tenham apressado a indemnizar o agricultor. Dessa forma amaciaria os efeitos do disparate que, até lá, continua como eco-terrorismo. O ministro acobardou-se.
Uma portaria do absurdoParece razoável ao Bloco e a Miguel Portas porque lhe cheira a “democracia directa”. Para ele, quem deve decidir sobre determinada matéria é quem sobre ela nada percebe.
Discutiu-se mais o que aconteceu do que o problema para que quis chamar a atenção. Mas a quantos, com argumentos bem razoáveis, invocaram o problema do Estado de Direito, vale a pena contar uma pequena história. Em 2003, o decreto-lei 72 regulou as condições em que poderia ocorrer o cultivo de transgénicos. Nele se incluía um anexo relativo à necessidade de defender as pessoas das inalações de pólen e um fundo de compensação para possíveis perdas de agricultores de milho híbrido. Na lei seguinte, de 21 de Setembro de 2005, misteriosamente, as "minudências" caem. Em troca, cria-se a figura "zonas livres" do cultivo de transgénicos, cuja regulamentação é diferida para uma portaria que sairia em Dezembro do ano passado.
Que nos diz a portaria? Que a fixação de zonas livres é fixada pelas assembleias municipais. Parece razoável, muito bem até.
Ou seja, a interdição de cultivo passaria a ser uma competência local, decidida pelo parlamento local. Mas a portaria também diz como acabar com a prerrogativa: impõe que dois terços dos agricultores assinem uma declaração prévia nesse sentido - um processo burocrático, tudo menos ingénuo - e , logo a seguir, que a decisão pode ser invalidada pela simples vontade de um agricultor se dedicar aos transgénicos. É um completo absurdo. De que adianta a maioria democraticamente eleita decidir (no Algarve foi por unanimidade), se um só - e foi o caso - invoca a sua vontade e direito, e com esse gesto, anula a decisão?O Miguel Portas supõe que as pessoas são tontas como ele parece quer parecer.
Que bramaria Miguel Portas caso um dos tais 2/3 de agricultores, depois de assinar a declaração mudasse de ideias e começasse a cultivar milho transgénico? Chamaria cabeça rapada ao agricultor e gritaria pela intervenção exemplar da GNR?
O essencial e o acessórioMiguel Portas e o Bloco de Eaquerda não gosta do mundo dos dilemas. Eles preferem o mundo dos”amanhãs que cantam”. Ou o mundo é perfeito ou eles estão contra. Uma forma de estarem contra tudo o que é palpável e a favor do impossível.
Cada um se agarra ao que lhe parece essencial. Para o bloco, o essencial é a resposta á questão: "transgénicos no prato"? Como bem sublinha Nuno Pacheco, em editorial do Público saído hoje, "há mais dúvidas do que certezas quanto aos transgénicos".
É exactamente essa a questão. E é exactamente porque há "mais dúvidas do que certezas", que o princípio da precaução se recomenda como critério da decisão política.Caro Miguel Portas, você não devia ter nascido. Todo o que nasce, corre o risco de vir a ser careca. Como eu sou careca, vá bugiar. Aprendi há muito a viver com a incerteza.
Há pouco mais de um mês, o governo alemão, insuspeito de simpatias ecologistas, proibiu a comercialização de uma semente de milho transgénico da Monsanto, a MON 863 porque se confirmou, após aturados exames, que o consumo desse milho diminuía a resistência dos rins e dos fígados. Vale a pena ir mais longe?Vale a pena ir mais longe, se reparar que se estava na presença de algo (pelas suas palavras) provadamente nefasta. Convém que se tenha na mão algo concreto antes de se avançar para uma acção de privação do sustento de um agricultor.
Podemos discordar, de vários modos, da acção levada a cabo. Mas não se pode ignorar o problema para que ela quis alertar. Ele radica na sede de lucros das multinacionais que detêm as patentes das sementes. É aí, e não nos agricultores que delas dependem, que se encontra o nó górdio deste debate.Podia ter começado por aqui. Você detesta que alguém lucre com o que quer que seja, quer se trate de uma multinacional quer se trate de quem se desloca a uma loja para comprar pipocas. O Miguel Portas defende que quem vende deve ter o máximo de custos de produção e lucro zero (preferencialmente prejuízo), supondo que quem quiser comprar pipocas as vai encontrar mais baratas. O Miguel Portas não se engana, apenas parece querer fazer crer que se engana. O Miguel Portas sabe que muita fome no mundo radica aí. A restante fome, não é também estranha à sua visão absurda do mundo.
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24/08/2007
Hora da manja
Uma coisa de que suspeitava mas que agora pude confirmar na Sábado: os GNR foram-se embora de junto dos manifestantes porque era a hora do almoço.A almoçarada está relacionada com isto.
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23/08/2007
Miguel Portas errou
Escrevi o que escrevi a título estritamente pessoal, e no blog Sem Muros reconheço que errei (quem desejar que o consulte). Mas, mesmo que assim não tivesse sido, é no mínimo estapafúrdio associar uma manifestação de simpatia à posteriori com uma "conspiração antecipada". Não é só estapafúrdio. Um ministro não pode acusar ou insinuar sem provas.Pena é que o ministro não possa acusar sem provas, mas que os imbecis verdeufémios possam destruir com base em coisa nenhuma. Apenas mais uma ... de Miguel Portas.
Lendo o resto, parece até que os idiotas dos verdeufémios são criancinhas de chucha.
Que nos acuda Vasco Graça Moura (via Portugal e Outras Touradas).
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19/08/2007
Miguel Portas e a carecada
Agosto 19, 2007 às 5:47
Este comentário foi deixado às 5:47, outro comentário deixado às 6:10 foi aprovado.“Claramente, a sua intenção não foi de ataque à propriedade do agricultor - “nada nos move contra ele” - mas de afirmar, através de um gesto espectacular, a defesa do “princípio da precaução”.”
Não foi de ataque à propriedade do agricultor? Bem podiam então ter-se entretido a esmurrar a cara uns dos outros.
Pena é que, como eu, o Miguel Portas seja careca. Poderiam ainda, alternativamente, ter-lhe feito uma carecada.
… que tal arrancarem-lhe pelinho por pelinho? A cada pelo arrancado gritariam: abaixo o milho transgénico.
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A Miguel Portas, pelinho por pelinho, ou, os Muros de Miguel Portas
O comentário ficou lá mas não passou a censura. Parece que Miguel Portas, como os Israelitas, gosta de construir muros à sua volta. Se pensou que me esquecia do comentário e não o salvaria, enganou-se. Sou muito cioso dos meus pés de milho.
Quem diria que "apenas um gesto de protesto" não tivesse tido acolhimento pela parte do eufémico deputado.
Digo mesmo mais. Só revela o seu machismo e falta de compreensão por aquilo a que as mulheres se sujeitam quase invariavelmente. O pelo, volta a crescer (como infelizmente, ao que parece, as mulheres sabem). O milho ...
O comentário pode ser lido acima. Vou agora informar o multilateral deputado do par de posts que aqui deixo. Vejamos se passa, ou se o muro, que ele diz não ter, fica ainda mais alto.
Aqui fica o referido aviso, com índice 39:
Range-o-Dente escreveu: O seu comentário aguarda validação pelo moderador.
Agosto 19, 2007 às 10:40
.Caro Miguel Portas,
Com muros ou sem eles, aqui fica o exemplar do meu comentário que não passou o seu crivo de censura. Afinal os Israelitas não estão sozinhos, também o Miguel gosta de se rodear de muros.
http://range-o-dente.blogspot.com/2007/08/miguel-portas-e-carecada.html
http://range-o-dente.blogspot.com/2007/08/miguel-portas-pelinho-por-pelinho.html“Nunca digas não precisarei de um muro para me defender”
Eduquês palermoide
Cá vai:
O Ecotopia é igualmente um modelo funcional de comunidade auto-sustentável que coloca em prática os princípios de um estilo de vida alternativo e mais amigo do ambiente: tomadas de decisão por consenso, reciclagem de lixo, refeições vegetarianas, uso de energias alternativas.(...) O Ecotopia tem uma estrutura horizontal (não-hierárquica) e auto-organizada; a tod@s é pedido que tomem parte no funcionamento do campo, resolvendo problemas e tomando decisões. E tod@s são responsáveis pelo programa. O Ecotopia funciona no sistema de ecotaxas - um sistema económico alternativo baseado no padrão de vida e rendimento médio de cada país, em vez de baseado nos mercados financeiros, o que significa que cada um no Ecotopia paga pela comida o mesmo que pagaria no próprio país." (Sublinhados deles)..
Da competência dos activistas e da incompetência da GNR

Foto Kelly Bolden/AP
Será que se um grupo de "activistas" tentar destruir um quartel da GNR os militares se limitarão a identificar os líderes da acção?
Poderão portugueses avançar com idênticas acções nos países de origem dos "activistas" e será que obterão recíproco resultado?
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18/08/2007
PJ e encriptação
O Skype, (suponho que o Voip e outros também) encripta a voz enviada pela Internet de forma a tornar inviável a escuta de conversas, se interceptada durante o percurso do sinal, e quando efectuada entre computadores.
Aparece agora uma aplicação capaz de fazer o mesmo entre telemóveis.
... bye-bye escutas ...
Lá terão as polícias que começar mesmo a trabalhar.
...
Este meu artigo anterior vem também a propósito.
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Ecologistas e pára-quedas


Será que nunca ocorreu aos idiotas dos "verdes" e/ou imbecis destruidores de culturas que não faz sentido transportar uma bicicleta sobre o tejadilho de um carro?
Será que não ocorre aos palermoides ecologistas que, em vez de tentarem que o limite de velocidade nas auto-estradas baixe de 120 ara 118, faria muito mais sentido promover o transporte de bicicletas na traseira dos carros, como em qualquer país civilizado?
Será que nunca se espantaram por ver estrangeiros transportarem bicicletas sem acréscimo significativo de consumo de combustível enquanto, paralelamente, um português é obrigado a pespegar as bicicletas no pior local de transporte possível, como quem arrasta um pára-quedas?
Tanto palram os Quercus cá do burgo, e ainda não se aperceberam que a obrigatoriedade de transporte, no tejadilho dos carros, das bicicletas cujo uso dizem tanto defender, são um desincentivo ao seu transporte e utilização por implicarem um acréscimo de consumo de combustível de, pelo memos, mais 2 litros aos 100Km?
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Escala aberta com máximo
Escala aberta como máximo? Se tem máximo, é escala fechada. Se é aberta, não tem máximo.
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Solidariedade ...
09/08/2007
05/08/2007
Arauto

A reacção não passará, no Sem Penas.
16 belos e gordos directores 16, no Quarta República
... e ainda, A arte de bem consumir:
[...]... continuando, Os computadores e os professores.
Mas quando a cabeça não é boa e a arte não é capaz de suplantar as dificuldades, normalmente o corpo é que paga.
Depois, a sociedade e o estado é que levam com as culpas. O próprio é sempre uma vítima!...
Antepassados, no Esquerda Republicana, e ainda Museu Nacional de Arte Antiga.

Via Esquerda Republicana
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Votem nas Putas
Entretanto aqui fica uma deliciosa passagem de um artigo de Baptista Bastos, transcrito aqui na íntegra (suponho).
Nos finais da década de 70, invectivando contra o Conselho da Revolução, Jardim proclamou: «Os militares já não são o que eram. Os militares efeminaram-se». O comandante do Regimento de Infantaria da Madeira, coronel Lacerda, envergou a farda número um, e pediu audiência ao presidente da Região Autónoma da Madeira. Logo-assim, Lacerda aproximou-se dele e pespegou-lhe um par de estalos na cara. Lamuriou-se, o homenzinho, ao Conselho da Revolução. Vasco Lourenço mandou arrecadar a queixa com um seco: «Arquive-se na casa de banho»..
Carinhoso
Meu coração
Não sei porque
Bate feliz, quando te vê
E os meus olhos ficam sorrindo
E pelas ruas vão te seguindo
Mas mesmo assim, foges de mim
Ah! Se tu soubesses
Como sou tão carinhoso
E muito e muito que te quero
E como é sincero o meu amor
Eu sei que tu não fugirias mais de mim
Vem, vem, vem, vem
Vem sentir o calor
Dos lábios meus
À procura dos teus
Vem matar esta paixão
Que me devora o coração
E só assim então
Serei feliz, bem feliz
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Portadores de gaita, abstei-vos de sacudir.
Mas não foi por isso que aqui vim. A propósito de poupança de energia lembrei-me de lançar uma campanha (politicamente correcta, está bem de ver):
Já alguém fez contas à energia consumida em sacudidelas de gaita de cada vez que algum dos portadores do precioso instrumento vai à casa de banho?
Se esse pavoroso acto de esbanjamento energético fosse banido, os alimentos que se poderiam evitar ingerir seriam suficientes para alimentar milhões de esfaimados ...
.. já para não falar doutro caso, mais assintoso, de gaital sacudidela.
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04/08/2007
A praga das eólicas

[Actualização: Caldeirada de Neutrões explica (chapeada), ainda mais detalhadamente, o assunto em seguida abordado].
Outra das loiras de olhos azuis dos ecologistas são as eólicas.
Os moinhos, como vulgarmente se lhes chama, são chamados, pelos idiotas verdes, de geradores de energia "limpos".
Problemas:
1 - Tendo em conta a energia que podem gerar são caríssimos. Repare-se que digo 'podem gerar': a possibilidade existe, mas ...
2 - Só geram energia quando há vento. Contrariamente ao que pode parecer, não é pelo facto de rodarem que geram a energia correspondente à sua capacidade máxima. Quando o vento escasseia não lhes são aplicadas as correntes de controlo que permitiriam obter a máxima produção porque, evidentemente, o sistema imobilizar-se-a (a hélice pararia).
3 - Decorrente do facto anterior, há que providenciar meios alternativos de geração de energia. As eólicas não substituem, por exemplo, a geração a combustíveis fósseis. Se não houver vento ...
4 - Tendem a produzir pouca energia exactamente quando ela mais é necessária: nos picos de verão e inverno.
Meteorologicamente falando, tende a haver pouco vento quando as temperaturas são muito altas ou muito baixas, alturas em que há brutais picos de consumo. Nessas ocasiões as verdes eólicas estão de férias (como os "verdes", na neve ou nas Maldivas).
Repare-se neste gráfico retirado so site da REN.

Hoje, um dia bastante quente, as eólicas poderiam produzir 700MW de energia eléctrica. Quanto produziram? À volta de 50MW, 1/14 do que poderia parecer. Porquê? Não trabalham sozinhas porque não há vento significativo.
...
Por estas e por outras, a energia que produzem e das mais caras de todas. Muitíssimo mais cara que barragens, centrais térmicas ou centrais nucleares. Alguém as terá que pagar, habitualmente com língua de palmo.
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"Viver pela natureza"
Do artigo que aponto, ocorrem-me uma entrevista de Carvalho Rodrigues a uma estação de televisão local que, a seu tempo, se viria a tornar um dos mais pestilento meios de disseminação da brutalidade e estupidez.
Babuseava a jornalista (cito de memória) palermices relacionadas com "as coisas naturais": medicamentos naturais, comida biológica, ..., viver pela natureza ...
Carvalho Rodrigues remata - viver com a morte!
- Com a morte?
- Sim, viver pela natureza implica também a morte. A existência, por exemplo, de antibióticos representa um afastamento à ordem natural das coisas na perspectiva que refere. Se optamos pela via tecnológica com apoio a substancias criadas artificialmente viveremos algo afastados da mãe natureza, mas podemos gozar de uma melhor qualidade de vida, na qual se inclui a maior longevidade. Se nos afastarmos dos mecanismos criados pela civilização para vivermos mais de mão dada à natureza teremos que aceitar as consequências daí decorrentes, entre as quais a morte ao virar a esquina.
A 'jornalista' ficou embuxada, mas não fiquei certo que tivesse percebido que tinha estado a fazer figura de tonta.
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03/08/2007
Arvorezinhas-as-Coitadinhas

Numa primeira leitura deste excelente 'post' ocorreu-me o incontornável exercício de girinice(*1) imbecil, pós moderno, absurdo, ridículo, idiota, politicamente correcto , ... : Reciclemos papel - bradam os ditos acima qualificados, recorrendo ao eduquês - a gramática que 'está a dar'.
Porque? Porque em cada folha de papel reciclada está parte da vida de uma Arvorezinha-a-Coitadinha, cuja vida se poupará.
...
A mãe natureza parece dispor de uma e apenas uma forma eficiente de capturar carbono da atmosfera e fixá-lo ao solo: pela clorofila. Em morte, o tronco da árvore devolve ao solo o carbono que, pacientemente, ao longo de toda a sua vida, foi retirando da atmosfera.
A clorofila, consumindo energia solar, decompõe o CO2 ("gás de efeito de estufa", tenhamos presente) em oxigénio libertado para a atmosfera, e carbono que fica retido nos tecidos da arvore.
O oxigénio é fundamental à vida animal, e sem a sua libertação a vida tornar-se-ia impossível tal como a conhecemos (talvez por enquanto).
É exactamente a energia solar consumida pela clorofila na dissociação do CO2 que nós recuperamos quando queimamos carvão ou petróleo.
...
Voltando ao papel, há que reciclar, reciclar, reciclar, reciclar, reciclar, reciclar, reciclar, reciclar, ...
Porquê? Para poupar a vida das Arvorizinhas-as-Coitadinhas, que nos fornecem o oxigénio que nos permite respirar e continuar vivos.
Mas não é exactamente enterrando papel que se fixa, de volta ao solo, de onde o mau-bicho-homem o retira sob a forma de carvão, o carbono que, combustado, vai libertar para a atmosfera o CO2, o execrável "gás de efeito de estufa"?
Ah, pois é ... Olha que giro (girinice imbecil, pós moderna, absurda, ridícula, ideota, absurda, politicamente correcta).
...
Os idiotas dos verdes (de várias estirpes - todas anti-globalização, anti-CO2, anti indústria, anti-americanos(*2) e anti-Bush - numa palavra, o Satã pós-moderno) reclamam a poupança da vida das Arvorezinhas-as-Coitadinhas (leia-se eucaliptos), propondo em alternativa a reciclagem do papel, para a qual será consumida energia geradora de CO2 grandemente originária do carvão ou de centrais nucleares (outra coisa que eles abominam, desenvolvida pelo mesmo Satã). Poupando a vida das Arvorezinhas-as-Coitadinhas, acabam defendendo que, para obter a energia necessária à reciclagem do papel, se liberte CO2, queimando carvão - o tal que eles defendem que se retenha e devolva ao solo do planeta, impossibilitando, implicitamente, o retorno de carbono, ao solo.
Numa penada defendem e condenam a fixação de carbono, defendem e condenam a libertação de CO2. Tudo numa única tirada. Que giro (girino, digamos)!
Alternativamente defendem que se produzam isótopos e elementos radioactivos (fisicamente instáveis) consumindo energia proveniente de centrais nucleares.
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*1 - "de ... "aaaaiii que giiiiirooooo!".
*2 - até os americanos da América do Sul, sem que disso se apercebam.
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02/08/2007
Cuba - do amanhã cantante à morte miserável

A RTP acaba de passar, pela batuta de Sandra Felgueiras, um programa muito interessante sobre o amanhã cantante cubano.
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Luz apagada
...Quanto a mim tem a ver com a dificuldade que bastas camadas de "intelectuais" enfrentam por tentarem viver sem ligações ao metafísico. Querem não acreditar em Deus mas não são capazes. Quero dizer, não acreditam em Deus mas apenas enquanto encontrarem um substituinte escape qualquer.
Pois não, eles nunca aceitam nada que contrarie as teorias existentes e escolhem sistematicamente uma explicação simplória para o desajuste entre teorias e observações. Assim, é completamente impossível construirem teorias correctas. Será por se especializarem em campos muito estreitos e perderem informação contextual?
...
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01/08/2007
30/07/2007
Roberto Carneiro - O Iluminado

No DN, pode ler-se:
A partir de Setembro, os estudantes do 1.º e 2.º ciclo, dos sete aos onze anos, terão um novo currículo nas salas de aula: vão aprender a entender a publicidade e a defender-se dos seus abusos.É curioso que o estado perca tempo com uma coisa destas e, fazendo-o, resolva que publicidade seja uma coisa que as crianças devam digerir e não vomitar.
Continua o artigo:
Em Portugal, a supervisão estará a cabo de um grupo de peritos, liderado pelo ex-ministro da Educação Roberto Carneiro.Pois claro. Provavelmente o mais eminentes "cientista da educação", um dos mais directos responsáveis pela catástrofe em que o ensino se tem atascado.
Mas, segundo a edição impressa (via O Insurgente), o antigo ministro refere ainda:
“É preciso educar as crianças e através delas as famílias”Pois. Baboseira maior seria difícil.
Roberto Carneiro supõe que os pais das crianças serão incompetentes para tratarem o assunto e que quem estará em melhores condições para "passar a mensagem" serão os rebentos. Sendo assim, a mensagem deveria brotar da prole de Roberto Carneiro, não dele próprio.
Roberto Carneiro assina, portanto, um atestado de incompetência próprio e, implicitamente, ao estilo Mao Tse-Tung, a todas as famílias portuguesas: imbuir os rebentos em meia dúzia de palermices e botar os ditos, já como iluminados, a ensinar os palermas dos papás*.
É uma ideia luminosa, assim como 'fechar a gaveta à chave e meter a chave lá dentro' e é desta lógica imbecil que o nosso ensino está pejado.
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* Os tais que é suposto, nas escolas, classificarem os professores. Resumindo: o iluminado rebento ensina o pacóvio do papá que, por sua vez, classifica o atrasado mental do professor, que ensina o iluminado rebento que ensina o pacóvio do papá que classifica o atrasado mental do professor, que ensina o iluminado...
... não é giro?
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29/07/2007
As radiações do PCP.

Francisco Lopes
[Actualizado]
A silly season no parlamento.
O PCP, pela voz do seu deputado Francisco Lopes, na TSF, acusa a Siderurgia do Seixal de ter radiação espalhada pelas instalações.
Das duas uma: ou o PCP tentou extorquir uns cobres à Siderurgia, ou ao LNEC. A coisa deve ter falhado e a revange não se terá feito esperar. Tiques estalinistas e coisas que só a democracia permite.
Contra a vontade do PCP, com Zita Seabra viva, também os responsáveis pela Siderurgia e pelo LNEC assim se manterão. ... por muitos anos, espero.
A coisa é tão estúpida que o iluminado deputado nem se lembrou que o aço produzido, pretensamente empestado em radiação, acabaria por afectar toda a população portuguesa e, como tal deveria, nesse sentido, ter reagido.
...
Lembro-me de Cunhal, chegado da URSS, desmentindo que algo de problemático tivesse tido lugar em Chernobyl.
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Vulcão sexual luso na intempérie da reestruturação soviética

De ler este post de José Milhazes.
O livro “Etna no vendaval da perestroika”, escrito por Miguel Urbano Rodrigues e Ana Catarina Almeida, despertou em mim uma grande curiosidade por duas razões..
A primeira tem a ver com a dedicatória: “aos portugueses que estudaram na União Soviética e permanecem comunistas” e a segunda prende-se com a afirmação em uma das capas: “é o primeiro romance português que tem por tema central o sismo político e social que destruiu a União Soviética”.
Quanto à dedicatória, fico de fora, porque estando entre os bolseiros que estudaram na URSS, não obedeço ao segundo critério. Porém, no que respeita à segunda razão, eu estive lá na mesma altura e, por conseguinte, posso falar com conhecimento de causa.
A descrição da chegada de um novato à URSS e das aventuras ligadas aos primeiros trâmites coincide com o que aconteceu com a maioria dos bolseiros quando chegaram ao “país dos Sovietes”.
Porém, a continuação do enredo provocou em mim enorme perplexidade. O grande número de orgasmos bem conseguidos por Etna, intervalados com citações de discursos e declarações de Mikhail Gorbatchov e de outros dirigentes soviéticos, trouxeram-me à memória as primeiras linhas do brilhante romance “As doze cadeiras”, dos escritos soviéticos Ilf e Petrov.
Peço desculpa por algum desvio, mas vou citar de memória: “Na cidade N. havia tantas barbearias e agências funerárias que se ficava com a impressão de que os habitantes dessa cidade apenas nasciam para cortar o cabelo e morrer”. Até parece que os bolseiros portugueses foram para a URSS aprender a atingir orgasmos supremos e, nos intervalos, liam os discursos dos dirigentes soviéticos.
Talvez para prestar tributo ao internacionalismo proletário, um dos fundamentos básicos do marxismo-leninismo, a heroína fez amor pela primeira vez com o português Francisco, mas depois atraiu e foi atraída por homens de outras raças e civilizações.
Mas é estranho que uma jovem revolucionária sexualmente tão activa, a ponto de fazer inveja a uma das maiores defensoras do amor livre: Alexandra Kolantai, não tenha feito amor com um representante sequer dos mais de cem povos e etnias que povoavam a URSS (cito a propaganda soviética).
Em geral, os soviéticos são seres raros neste livro que pretende retratar um dos períodos mais agitados da História da URSS. Uma colega de quarto ucraniana, a senhora anafada do Palácio dos Casamentos, o presidente do Kolkhose (unidade agrícola soviética) e o professor de História. Não me devo ter esquecido de muitos mais.
As aventuras “kama-sutristas” do vulcão sexual luso, fundamentalmente com homens de países oprimidos, trouxeram-me à memória uma reunião de militantes comunistas portugueses em Moscovo, no início de 1978. Joaquim Pires Jorge, nosso controleiro e representante do PCP junto do irmão mais velho, decidiu colocar na ordem de trabalhos a discussão dos namoros e casamentos de estudantes portugueses com estrangeiros, alertando para o perigo de se estar a assistir “a uma perda de quadros para a futura revolução portuguesa”. Se Etna tivesse participado nessa reunião, não se teria saído bem ...
A ausência de nativos soviéticos nesta obra e a presença maioritária de personagens estrangeiras levou-me a pensar que isso tenha levado à indevida interpretação da correlação dos factores dirigente-massas no período da perestroika soviética (1985-1991).
Etna tenta-nos convencer que Mikhail Gorbatchov conseguiu realizar, quase sozinho, aquilo a que se opunham a maioria dos dirigentes comunistas soviéticos e do povo, ou seja, a destruição da União Soviética. Um estudante que cursou História numa universidade soviética, que queimou muitas pestanas a decorar a História do PCUS, o Materialismo Histórico e Dialéctico, o Ateísmo e Comunismo Científico, apresenta-nos o decorrer dos acontecimentos, grosso modo, como uma operação planeada e realizada por Gorbatchov (claro que a CIA deveria estar algures) contra a vontade de “verdadeiros comunistas” como Vorotnikov, Ligatchov e Krutchkov e com a “passividade das massas”.
Tal como um “encantador de serpentes”, Gorbatchov conduz um bando de carneiros de tal maneira dóceis e ingénuos, que quase não reagem mesmo quando sabem que estão a ser conduzidos para o “matadouro”.
A Etna, talvez ocupada com outras coisas importantes, não viu as grandes manifestações de rua que se realizaram nos anos da perestroika, não participou, nem acompanhou as acesas discussões sobre o futuro da URSS, nem, embora historiadora, se interessou pelos numerosos documentos que foram então revelados.
Os organizadores do golpe de 19 de Agosto de 1991, reunidos no Comité para o Estado de Emergência, pensaram da mesma forma e esperavam que a sua conjura se iria cingir a um golpe palaciano, tal como fora derrubado Nikita Khritchov em 1964. Enganaram-se. As massas saíram para as ruas de Moscovo e de outras cidades soviéticas, pondo os dirigentes da conjura a tremer de medo ou talvez os tremores se devessem à ingestão excessiva de álcool. Basta recordar aquela famosa conferência de imprensa dos cinco "salvadores" da URSS que lhe deram o golpe de misericórdia.
Eu acompanhei os acontecimentos e posso testemunhar que nem todos os que vieram defender a sua liberdade nas ruas da capital russa eram agentes da CIA. Longe disso... Claro que se pode discutir se se concretizaram as expectativas desses milhares e milhares de pessoas, mas, nessa altura, acreditaram na sua força.
Mas este livro poderá ter um mérito, se provocar a publicação de outras memórias, de outros romances sobre a passagem pela URSS. Eu não me arrisco a isso, porque – e escrevo isto sem a mínima ironia – falta-me as veias poética, romântica e trágica para conseguir ilustrar tão grande saga.
Quanto aos autores, entendo que Ana Catarina Furtado tenha escrito este livro, pois viveu em Kiev, mas Miguel Urbano Rodrigues, ao que sei, não foi bolseiro na antiga União Soviética. Mas, enfim, cada um escreve o que quer e ao leitor cabe tirar conclusões.
Urticária

Sou atacado de urticária de cada vez que se "fica a saber" que um determinado "fenómeno" climático, atribuído ao "aquecimento global" foi o mais significativo nos últimos 50 anos.
Das duas uma: ou isto é escrito por idiotas imberbes que suporão ter o mundo começado na véspera do dia em que nasceram ou por "ideólogos" desempregados.
50 anos em história natural equivale a dizer que foi ontem. 100 anos, a dizer que foi na véspera.
Em Inglaterra já não chovia assim há 60 anos. So what?
Quem os manda construir em leito de cheia? O leito de cheia terá sido foi inventado pelo "aquecimento global"?
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27/07/2007
O batom
Numa escola estava a ocorrer uma situação inusitada:.
Uma turma de meninas de 12 anos usava batom todos os dias e removia o excesso beijando o espelho da casa de banho.
O director andava bastante aborrecido, porque a senhora da limpeza tinha um trabalho enorme para limpar o espelho ao final do dia.
Mas, como sempre, na tarde seguinte, lá estavam as mesmas marcas de batom.
Chegou a chamar a atenção delas por quase 2 meses, e nada mudou, todos os dias acontecia a mesma coisa....
Um dia o director juntou as meninas e a senhora da limpeza na casa de banho, explicou pacientemente que era muito complicado limpar o espelho com todas aquelas marcas que elas faziam.
Depois de uma hora falando, e elas com cara de gozo, o director pediu à senhora "para demonstrar a dificuldade do trabalho".
A senhora da limpeza imediatamente pegou um pano, molhou na sanita e passou no espelho.
Nunca mais apareceram marcas no espelho!!!!
"Há professores e há educadores". Eheheheheh
26/07/2007
Arthur C. Clark.

Arthur C. Clark ainda por aqui não tinha passado.
Fará 90 anos a 16 de Dezembro.
http://lakdiva.org/clarke/1945ww/
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17/07/2007
15/07/2007
Comutação aleatória
Há tempos casquei a tacha de Marie-Ségolène Royal.
A coisa está a tornar-se epidémica. Agora também Sócrates faz o mesmo, embora intermitentemente.
Sócrates declara qualquer coisa com cara sisuda, e, de repente, zzzzás, 'liga' o sorriso nº 23 (o mesmo da Ségolène) arreganhando a tacha.
O momento escolhido para a famigerada comutação parece ser aleatório: liga-se e desliga-se, sabe-se lá porquê.
Será que, a dormir, faz o mesmo? Que susto as melgas devem apanhar!
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Igualdade
Rouxinol:
"É impossível vencer as desigualdades de oportunidades, mas é possível minimizá-las de forma a que todos partam de uma linha de partida relativamente semelhante, para que seja possível determinar com alguma precisão qual o melhor atleta."
Pois é possível e isso deve ter lugar.
Mas não é isso que está a acontecer.
O que está a ter lugar é, entre outros disparates de equivalente calibre, a transformação de igualdade de oportunidades em igualdade ou, melhor, em igualitarismo.
Perante o aparecimento de um melhor atleta o 'sistema' supõe que se tratará de uma imperfeição do próprio sistema e achincalha o atleta, desvalorizando o que ele conseguiu e apagando as sucessivas metas cuja qualidade, entretanto, tem sistematicamente baixado.
O achincalhamento produz a dinamização do ensino privado coisa que os "defensores" do ensino público não gostam porque lhes deixa de fora a careca.
Alunos de qualidades indistintas passam ao privado e, entre eles, os melhores cortam a (famigerada) meta em primeiro lugar.
Potenciais bons alunos que, entretanto, no ensino público soçobram à bandalheira, perdem-se.
Eis como uma paranóia igualitária cria um status quo em que só aprende quem tem dinheiro.
... há quem diga que os "defensores" do público (em regime de defesa paranóica) pretendem apenas manter uma vasta classe de idiotas para à custa dela viverem.
... isto traz-me à memória a sociedade triunfo-dos-porcos.
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14/07/2007
Esturro

Isto cheira-me a esturro.
[...]E ainda, Dos Pobrezinhos.
Um dia, o Conselho Executivo é surpreendido pela chegada, sem aviso prévio, de um grupo de inspectoras. Estas, porém, tranquilizam desde logo toda a gente: trata-se de uma visita integrada na formação de inspectores estagiários e nada mais, pelo que não haverá qualquer avaliação oficial seja do que ou de quem seja. Nada de anormal tendo sido detectado ao nível administrativo ou da documentação pedagógica, solicitam, de seguida, permissão para assistirem a uma aula de um docente, a designar pelos próprios órgãos directivos da escola, os quais indicam, compreensivelmente, um professor de comprovada competência científica e sucesso pedagógico.
Este inicia a aula como de costume e tudo decorre normalmente. A certa altura, porém, começa a ouvir-se um zunzum estranho, que vai aumentando a pouco e pouco, levando-o a suspender por momentos a leccionação e a comentar: “Vocês hoje estão muito irrequietos…!” Para seu espanto, é o orientador de estágio dos inspectores a pedir desculpa, lá do fundo da sala, pelo facto de estarem a conversar e, assim, a perturbar o bom funcionamento da aula.
Contudo, o mais absurdo há-de vir depois, quando a escola toma conhecimento do relatório feito pelo grupo de estágio. Nele se pode ler, em apreciação à referida aula, que esta não decorrera bem… por o professor ser demasiado directivo! Conhecedor da situação, o Conselho Executivo protesta, mas o relatório nunca virá a ser alterado.
[...]
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12/07/2007
Dos Cro Magnon
Para os distraídos, o programa está aqui.
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Nota: Se o Firefox abrir um ficheiro em vez de um 'player', instale esta extensão.
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07/07/2007
A Europa sou eu

Fernando Nobre, da AMI, declarou à Rádio Europa-Lisboa que o novo mini-tradado da Comunidade Europeia falhará porque “não vai levar, [...] à Europa que eu idealizei para mim”.
Por muito palerma que o mini tratado possa ser, poderá Fernando Nobre explicar porque carga de água haveria o documento de ter alguma relação ao que ele idealiza para ele próprio?
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06/07/2007
Do Plano Tecnológico


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02/07/2007
Novas oportunidades?
Tenho pouco conhecimento da fora como está a funcionar este programa, mas a observação sociológica do leitor José Carlos Santos, apesar de não (me) surpreender, devia ser motivo de reflexão. Aqui está outro exemplo do mesmo tipo: como deve saber, os exames ad-hoc para entrada no Ensino Superior foram extintos, pois (e estes foram os únicos motivos que ouvi serem frequentemente apontados) "reprovavam muita gente" e "aumentavam o insucesso e o desânimo" (posteriormente, ouvi insinuações de fraude, mas nenhuma prova); na minha experiência (e possivelmente também na sua), os alunos que tive e que entraram via exame ad-hoc foram , no geral, bons; na maior parte dos casos, destacaram-se da média dos outros que entraram pela via regular. Nada disto é surpreendente: quem tem a inteligência e auto-disciplina para se preparar sózinho para um exame, terá boas possibilidades de sucesso depois de entrar; e isto é ainda mais verdade em sítios (a utilização deste termo é intencional) onde o aluno médio é mediocre, se não mesmo mau (como acontece onde trabalho)..
Agora, no lugar do exame ad-hoc, temos os +23, uma alteração com implicações na qualidade do nosso Ensino Superior que nunca foram cabalmente analisadas. Os únicos motivos apresentados foram economicistas e de feitura de estatísticas: se não entrassem mais, metade do ensino superior em Portugal, em especial o Politécnico, fechava e, além disso, assim temos mais gente "qualificada", um adjectivo que, cada dia que passa, se afasta mais do "competente".
Um resultado imediato desta alteração, foi a admissão de muitos candidatos que não têm qualquer preparação para fazer um curso superior e, se juntarmos a isto as pressões que os docentes que estão em situação precária sofrem para aprovar o maior número possível, o resultado inevitável é um abaixamento de nível sem precedentes.
Mas, voltando à observação, uma coisa é verdade: é, em geral, nos mais velhos que ainda existe alguma vontade de aprender e trabalhar, em vez de tentar explorar as vulnerabilidades dos docentes na expectativa de os intimidar. São também eles que dão os exemplos de boa educação e civilidade. O ambiente em algumas turmas nocturnas ainda recorda as aulas clássicas, o que já não acontece com os mais novos.
Talvez a nossa sobrevivência futura dependesse de uma reflexão e de acções resultantes, sobre o nosso rumo, mas não me parece que as nossas élites, políticas e outras, estejam à altura.
(João C. Soares)
01/07/2007
Xanana - Alkatiri
É provável que a coisa não seja assim tão simples e eu, concedo, pouco sei sobre o assunto. Mas há aqui um padrão que não é novo e não é estranho.
Dando de barato que a coisa é como a descrevo, estaremos perante gás inflamável.
Não percebo como pensa Alkatiri evitar que o cacau acabe sendo drenado para a sociedade, e não percebo se Xanana está ciente do risco que Timor corre caso aconteça o que Alcatiri quer evitar.
Para Alkatiri levar a água ao seu moinho (e caso vença as eleições) será necessário recorrer a uma autoridade que raiará a ditadura. Terá que se apoiar nas forças de segurança e, para o conseguir, terá que os ‘comprar’.
Para Xanana levar a água ao seu moinho (caso vença as eleições) será necessário certificar-se que o cacau drenado seja consumido de forma a evitar por em causa a iniciativa interna e a não permitir a manutenção de esquemas tribais de distribuição de cacau. Mal o dinheiro comece a escorrer, a pressão para aumentar o caudal será imensa, só aplacável por meio de uma autoridade que raiará a ditadura.
Em qualquer caso, o exercício de poder andará sempre pelo equilíbrio ao fio da navalha. Ambos terão, provavelmente, que entreabrir a torneira para atenuar pressões internas. Alkatiri terá que explicar bem porque quer manter o taco no banco – suspeitas não faltarão. Xanana terá que explicar bem porque só quererá gastar dinheiro nalgumas coisas e noutras não (partindo do princípio que as decisões serão potencialmente acertadas) – suspeitas não faltarão.
... a ver vamos.
Esperemos que a maldição dos recursos naturais não se abata sobre Timor.
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Dos nomes

Se olhar atentamente a imagem, acabará, provavelmente, por ver uma girafa.
Escreve Pacheco Pereira no Abrupto:
Mães, antes de chamarem às vossas filhas Sónias, Vanessas, Vandas(1), Sandras e coisas do género,Por mim acho o máximo quando me aparece um mânfio chamado de Sandro.
Eu vou mesmo mais longe que Pacheco Pereira: defendo que as pessoas passem a ter nomes neutros, seguidos do apelido. Por exemplo: 3426 845 da Silva Benevides.
Há lá coisa mais linda que uma mânfia chamar-se 6969 Castro Abrúncio. Se for do signo peixes tudo estará explicado. Se não for, poder-se-á argumentar que terá o dito nome por ter sido desejo dos pais que nascesse por aquele signo.
As vantagens seriam óbvias. Deixaria de haver uma ligação entre o nome e o sexo. Já se poderia ser gay, de qualquer tipo ou subtipo, ou até em combinações de sexo tipo e subtipo, sem que houvesse qualquer colisão de formalidades.
Por mim optaria por um número primo qualquer, sabendo-se (vou falar baixinho) que sou pelos harens.
...
(1) Eu conheci uma Wanda, que era podre de boa.
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Assim com não quero a coisa, lembro um livro de Isaac Asimov chamado ... [já volto, vou tentar descobrir qual - suponho ser um conto de um dos seus '9 amanhãs'].
...
[Já voltei]
Se não estou em erro, trata-se mesmo de um conto quer terá por nome "Spell My Name with an S" ("Escreva o meu nome com um S").
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Adenda:
Que tal se o nosso bem amado Primeiro Ministro se chamasse de Zócrates? Enfatizaria a empatia com Zapatero e com Zorro (que me perdoe Zenha).
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30/06/2007
"Estilo" Sócrates
"....
O estilo de Sócrates consolida-se. Autoritário. Crispado. Despótico. Irritado. Enervado. Detesta ser contrariado. Não admite perguntas que não estavam previstas. Pretende saber, sobre as pessoas, o que há para saber. Deseja ter tudo quanto vive sob controlo. Tem os seus sermões preparados todos os dias.
..."










