31/10/2007

As "carraça" do telefone do PGR

O Procurador Geral da República (PGR) declarou ontem (citando de memória).
"Quando me foram instalar o telefone disseram-me que, pelo facto de o telefone não permitir ligações encriptadas, que se quisesse ter uma conversa sigilosa ligasse a televisão e me aproximasse dela."
Uma ligação encriptada(*) serve par dificultar extraordinariamente uma escuta que possa ter lugar por via de uma "carraça" (mecânica ou electrónica) num qualquer ponto da interligação.

Ligar um televisão para produzir barulho serve para dificultar a escuta do que for dito se essa escuta estiver a ser feita por via de um microfone localizado algures na sala.

Não é por se ligar uma televisão que se evita que haja uma escuta a uma linha telefónica não encriptada. De outra forma também o interlocutor do PGR nada perceberia.

Fica-se a saber que o PGR fala do que desconhece, dando como boa a informação que recebe de quem lhe monta um telefone.

... entretanto, suponho que a coisa foi dita perante um grupo de deputados. Nenhum terá pestanejado.

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(*) Dir-se-á criptada? Cifrada? Hei de investigar.

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29/10/2007

Rankings

Anda tudo à batatada por causa dos rankings das escolas. Anda tudo à batatada porque não se está de acordo em relação ao que é "a melhor escola".

Para mim a melhor escola é a que consegue ensinar mais, tendo em atenção o nível de resistência, seja ela de que tipo for, à aprendizagem.

O problema é que isto de pouco adianta, porque, de facto, só quem atinge as metas interessa. Para o que conta verdadeiramente, a melhor escola é aquela que consegue que mais alunos atinjam as metas.

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2007.10.30 - Leitura complementar (Helena Matos).

... e uma boa achega de
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Coisas do mundo real

Vital Moreira parece não saber que a Terra não é plana. Não sabe que o caminho mais curto entre o Irão e os Estados Unidos se faz pelos arredores do Polo Norte.

Enfim, coisas do mundo real.

(Via Blasfémias.)

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28/10/2007

Mensagem nº 794

A falta de tempo é total. So deverei voltar a publicar lá para o fim da semana.

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21/10/2007

Oooouuu lálá.

Isto está a aquecer.

Maçonaria, Opus Dei ... chamem os Marines.

Entretanto, Condes, Barões e afins.



Parece que na escola há impunidade. Os professores e funcionários já não se metem no assunto e as imagens das câmaras entretanto instaladas nas escolas vão passar a aterrar na PGR.

Isto faz-me lembrar aqueles que acham estranho que os suíços em geral sejam os seus próprios polícias. Em Portugal todos assobiamos para o lado e tentamos encontrar quem faça aquilo que todos deveríamos fazer.

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A verdade oficial ...

... a verdade dos tribunais ou a verdade? (Via Blasfémeas - transcrevi para evitar que o link se viesse a partir).
O filme de Al Gore sobre o aquecimento global (Verdade Inconveniente) transformou-o no mais importante paladino dos valores ambientais. O Governo inglês pretendia exibir o filme de Al Gore em todas as escolas públicas de Inglaterra. Stewart Dimmock, membro de um conselho escolar de Dover, considerou o filme político e o caso acabou em tribunal. Um tribunal inglês analisou o carácter político e o rigor científico do filme. O juiz concluiu que o filme tem uma orientação política e contém informações pouco rigorosas que podem induzir o espectador em erro. Para chegar a esta conclusão, o juiz comparou as ideias transmitidas pelo filme (explícitas e implícitas) com o consenso expresso nos relatórios do IPCC (Painel Intergovernamental para as Alterações Climáticas). Este procedimento judicial é um reconhecimento de que o consenso é uma fonte de verdade e que o IPCC é o detentor da "verdade" oficial sobre aquecimento global. O juiz acabou por permitir a exibição do filme nas escolas, desde que fosse garantido o contraditório. Poucos dias depois desta sentença, um comité de representantes dos principais partidos noruegueses, também conhecido por Comité Nobel Norueguês, atribuiu o Prémio Nobel da Paz a Al Gore e ao IPCC.

Esta história contém algumas situações notáveis. Um governo a querer introduzir um filme de propaganda nas escolas públicas. Um documentário que pretendia levar a ciência às massas contém afinal algumas liberdades artísticas para melhor vender uma mensagem política. Um tribunal que se vê obrigado a avaliar o rigor científico de um filme de propaganda. A ciência a ser avaliada por um comité que estabelece a "verdade" oficial (o IPCC). O comité que estabelece a "verdade" oficial a receber um prémio político (Nobel da Paz), concedido por um comité político e partilhado com um político (Al Gore).

Os procedimentos seguidos pelos diferentes actores desta história para chegarem à verdade sobre o aquecimento global são incompatíveis com a tradição científica. A tradição científica valoriza a liberdade de aprender e de ensinar, a liberdade de promover teorias impopulares, a avaliação descentralizada pelos pares e a competição entre teorias contraditórias. A tradição científica rejeita a autoridade dos consensos e as "verdades" oficiais. E percebe-se porquê. O propósito da ciência é descobrir a verdade. A verdade reside na realidade externa, não reside nos comités nem nos tribunais. A descoberta da verdade tem frequentemente que passar pela refutação dos consensos do momento e constitui um desafio permanente aos poderes estabelecidos. A descoberta da verdade requer a total liberdade de ensino e de investigação. Dispensa governos que fazem propaganda nas escolas e comités que estabelecem "verdades" oficiais.

João Miranda
Investigador em biotecnologia
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17/10/2007

IP maldito

... coisas do "aqueciemento global". Deve ser para evitar a fusão das calotes polares e preservar as melgas de morrerem afogadas.
As I mentioned yesterday, Malcolm Hughes and/or the University of Arizona Laboratory for Tree-Ring Research had gone to the trouble of blocking my IP address from accessing their website.
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Hoje é dia de Acção

No Caldeirada de Neutrões, em 20 doces fascículos*, há ambientalismo girino giro, para todos os gostos.

É escolher, rapaziada.

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* Açúcar natural e papel reciclado (incluindo o higiénico - aditivado também com "produto" natural).

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16/10/2007

Fala do homem nascido


Adriano Correia de Oliveira

Venho da terra assombrada
do ventre de minha mãe
não pretendo roubar nada
nem fazer mal a ninguém

Só quero o que me é devido
por me trazerem aqui
que eu nem sequer fui ouvido
no acto de que nasci

Trago boca pra comer
e olhos pra desejar
tenho pressa de viver
que a vida é água a correr

Venho do fundo do tempo
não tenho tempo a perder
minha barca aparelhada
solta rumo ao norte
meu desejo é passaporte
para a fronteira fechada

Não há ventos que não prestem
nem marés que não convenham
nem forças que me molestem
correntes que me detenham

Quero eu e a natureza
que a natureza sou eu
e as forças da natureza
nunca ninguém as venceu

Com licença com licença
que a barca se fez ao mar
não há poder que me vença
mesmo morto hei-de passar
com licença com licença
com rumo à estrela polar

António Gedeão

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Transgredir as fronteiras: para uma hermenêutica transformativa da gravitação quântica

... de escangalhar a rir ...
Nada do que ali escrevi, faz qualquer sentido, é um mero amontoado de palavras e frases que parodiam a retórica do Ezequiel e do Ondevaisrio.
O 5 Dias é o máximo. Segundo parece, não gostaram que lhes tivessem tirado a cuequinha e apagaram a coisa.

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07/10/2007

Só suor

Já percebi. Sem alunos estes gajos não teriam trabalho.

[via A Blasfémia, texto original no Sorumbático]

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Carlos Pimenta e a passagem

Os paranóicos do CO2 andam para aí aos gritos porque abriu a passagem de Noroeste.

Abriu?

Não deixa de ser caricato ver Calos Pimenta na TV, num daqueles programas de propaganda eco-terrorista, a defender a necessidade das eólicas ... por causa do CO2.

Carlos Pimenta está metido até ao pescoço no negócio das eólicas.

... se fossem petrolíferas, já tinha caído o Carmo e a Trindade.

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Kid raised by dogs

Não conhecia este caso, mas conheço outro. Não consegui encontar imagens do outro (com um rapaz).

Encontrei entretanto um link com muitos outros casos.

Aqui fica o vídeo que encontrei sobre uma moça da Sibéria.


06/10/2007

As moscas



Estimulado por este artigo no Rato de Biblioteca e respectiva troca de comentários, aqui vai.

...

Pensava eu que era claro a quem está ligado ao assunto que o desenvolvimento da criança está directamente relacionado com a estimulação a que ela é sujeita.

O raciocínio só pode ser desenvolvido de se raciocinar. O cálculo mental só pode ser estimulado de se tentar calcular mentalmente, etc.

Um dia destes vi um documentário onde isto era bem claro.

Determinada criança tinha, desde tenra idade, uma catarata numa das vistas. Nada havia de errado com o sistema nervoso relacionado com aquele lado da visão. O que o olho captava era difuso e a imagem enviada ao cérebro não o estimulava por ser incompreensível. O cérebro, paulatinamente, começou a desviar todos os recursos para a outra vista desligando as ligações neuronais (ou tornando-as inactivas).

Os médicos explicaram que era extremamente importante recuperar a visão da vista afectada e, para o efeito, removeram a catarata, explicando ainda que seria naquela altura ou nunca mais. Mesmo assim, adiantaram, nunca o sistema nervoso relacionado com a visão da criança seria igual ao de uma criança normal.

Segundo explicaram, nestes casos, mesmo que posteriormente a catarata viesse a ser removida essa vista seria, pelo cérebro, usada de forma irrelevante.

Executaram a cirurgia mas não ficaram por aí. Taparam o olho que se estava a desenvolver bem de forma a obrigar o cérebro a desenvolver também as ligações neuronais do olho então operado. A criança teria que andar com o olho saudável tapado cerca de 1 ano.

...

Dito isto, espanta-me que haja dúvidas em relação ao uso de calculadoras por crianças.

Quando uma criança usa uma calculadora não está a fazer mais que a pedir ao aparelho que calcule por meio de dispositivos electrónicos binários aquilo que a criança supostamente deveria ser capaz de fazer mentalmente.

Em boa verdade, as crianças, no 1º ciclo, poderiam também usar software para leitura de voz (voz -> escrita - já existe que permite que se dite um texto) ou software de leitura por voz (escrita -> voz). Porque não?

E plotters com caneta? Já existem há dezenas de anos. Caíram em desuso, aliás. Porque não evitar que a criança passe por esta “tortura”, ligando a plotter de canetas ao software de leitura de voz (voz -> escrita). O sucesso escolar estaria garantido.

Tudo isto pode ser feito em prole da “felicidade” da criança.

O que já há muitos anos é sabido, é que criança criada como um cão se porta irreversivelmente como canino. Criança criada como um computador, vai portar-se como quê?

O passo seguinte consistirá em fazer tudo isto sem crianças.

Enfim, a felicidade suprema acessível no livro de Stanislaw Lem “A Nave Invencível” (título português).

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[Actualização]

Transcrevo, de seguida, a totalidade de um comentário de Joaquim Simões a um outro comentário de Alf (blog Portugal e Outras Touradas).
A aprendizagem das palavras não é da mesma natureza da dos números. A capacidade de operar com os números exige uma abstracão (básica) dupla.

Há uns quantos que o conseguem fazer desde muito cedo, da mesma forma que houve Pascal, Mozart ou Carlos Seixas. Uma coisa que é da experiência comum dos professores de filosofia é que, dos alunos que entram no 10º ano com 14 anos, raros são os que conseguem encontrar interesse na matéria e desistem, criando resistências e arrastando-a pelo ano seguinte.

Não se trata de dificuldade de compreensão, mas do próprio questionamento, que não lhes passa sequer pela cabeça, quanto mais interessar-lhes! Numa palavra: esses alunos são ainda incapazes, aos 14 anos, de encontrarem qualquer sentido de questionamento (repare que eu não disse no, mas de questionamento). Os alunos de 15 anos (dando razão a Rousseau e a Piaget quanto às fases de desenvolvimento cognitivo) já o conseguem fazer com mais ou menos dificuldade. Mas nem sequer os companheiros conseguem despertar os mais novos, que acham aquilo tudo (repito: o questionamento) incompreensível ou disparatado. Aos 15, são incapazes de perceber os temas do 11º. Não se trata unicamente de educação, mas de fases que não se pode saltar e, numa enorme medida, das características individuais. Tenho em minha casa, onde os níveis de questionamento foram mantidos, embora com uma tipologia diversificada (o chamado "ensino individualizado"), um bom exemplo disso e que me fez rever uma boa quantidade de coisas na minha forma de ver o problema. E aprendi muito, embora nem sempre de uma forma muito agradável.

A pluralidade dos seres é muito engraçada. Mas porque é que tem que haver (a pergunta não é: "porque é que há?") pluralidade? Essa é que é a pargunta, do mesmo modo que o fundamental não é apenas o "como se formam as ideias e de onde vêm elas", mas, sobretudo, "o que é conhecer?".
Bom, mas isso fica para a próxima.
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Pobes lágrimas, as do crocodilo

Declaração de João Cravinho:
«Foi dos maiores choques da minha vida ver que aquela matéria (as medidas anti-corrupção) causava um profundo mal-estar, era como um corpo estranho no corpo ético do PS. Apesar de algumas dificuldades que antevia, não contava com uma atitude de absoluta incompreensão para a Natureza real do fenómeno da corrupção».
Lágrimas de crocodilo?
De Morais Silva a 8 de Janeiro de 2007 às 15:03

Eu nunca esqueci.

O general é Garcia dos Santos um homem impoluto a quem Cravinho-ministro tirou o tapete quando o general chegou aos "finalmente" no arejamento da JAE, ao tempo, povoada por rapazes preocupados em aforrar para uma velhice descansada. Foi esta a razão e mais nenhuma...

Subitamente os media "descobriram em JC" o campeão do combate à corrupção como se esta não campeie à desfilada há dezenas de anos!

Ficamos a "dever-lhe" esta tardia "carolinice". É a vida como já dizia o "sacristão".
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Dos holocaustos



Sempre que se fada de nazismo fala-se do holocausto e de câmaras de gás.

Quase sempre que se fala de câmaras de gás saltita uma ladainha que pretende clarificar o nível de horror a que se chegou nas câmaras da morte. A ladainha refere mais ou menos que nunca como com o nazismo se chegou ao requinte da industrialização da morte. Nalguns casos a ladainha segue o seu percurso referindo que o caso estaria relacionado com a “mania da perfeição dos alemães”, projectando assim sobre eles uma espécie de gene perpetuador de uma espécie de canibalismo civilizacional dos tempos modernos.

Quanto a mim e ao nazismo e ao holocausto, vade retrum satanás.

O que não se espera é que a conversa da industrialização da morte constitua uma cortina de fumo para tentar esconder outros holocaustos capazes de fazer parecer o holocausto perpetrado pelos nazis numa brincadeira de crianças. Refiro-me aos holocaustos perpetrados por russos, chineses, etc.

Quando os nazis começaram a assassinar pessoas, maioritariamente judeus, não começaram de imediato pela via industrial. Começaram pela via do simples fuzilamento directamente para valas comuns: obrigavam as vítimas a abrir valas e depois fuzilavam-nas directamente dentro delas.

Rapidamente se tornou óbvio às chefias militares que esta forma de ‘fazer a coisa’ deixava marcas cujos efeitos nas tropas encarregadas das execuções seriam a prazo difíceis de controlar: os militares não gostavam de fuzilar, em particular, mulheres e crianças.

Foi face ao problema exposto que foi decidido ‘impessoalizar’ a coisa construindo câmaras de execução maciça por gases letais.

Porque só aconteceu isto na Alemanha? Porque noutros locais se estiveram sempre nas tintas para os efeitos secundários (dando de barato que pudessem ter vindo à tona).

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Aromas

Importante ler este artigo (de O Jumento) e os comentários subsequentes, em especial do Alf e do Joaquim Simões.

aqui fica um aroma:
Alf:
[..]ou fazemos uma evolução lenta e vamos mantendo o desemprego controlado, ou damos o salto e o desemprego dispara. Os Espanhóis escolheram a segunda opção e estão agora a recolher a recompensa. Não há milagres....
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05/10/2007

O “ensino da democracia”

O “ensino da democracia” tem sido um dos cavalos de batalha de um conjunto de mamíferos ligados à “educação”, seres que continuam em dificuldade para perceberem porque continua a generalidade dos alunos do básico e secundário a ignorar, mais ou menos paulatinamente, os “paradigmas” relacionados com a “cidadania”.

Qualquer alma que se preze percebe que o que está em causa é o ensino dos diversos tipos de regime político que já passaram pela superfície do terceiro planeta do sistema solar (a contar do sol para os que não saibam qual a temperatura de fusão da água).

Essa educação deveria supostamente ser dada pelas famílias e pela escola. As famílias estão mais preocupadas com as cretinices televisivas, a escola com as ideias que brotam dos cientologistas da educação que por lá pululam.

Face ao descalabro aparecem, de vez em quando, artistas imbuídos de uma crença meta-estável segundo a qual o mundo deveria ser como pensam propondo que a democracia deva ser “ensinada” aos alunos pelo método seringa-turbo.

O método seringa-turbo não é mais que uma variante de publicidade em doses de multinacional pretendendo impingir um qualquer novo tipo de cueca.

Porque não ensina a escola, como matéria a saber e sem a qual se chumba, as linhas pela qual se cosem a generalidade dos regimes?

Não cabe à escola defender causas. Cabe à escola ensinar do conteúdo das causas históricas e deixar que os alunos, anos mais tarde e já equipados com o discernimento que é de esperar, escolham o que muito bem entendam e à sua inteira responsabilidade.

Mas as tais luminárias não vão muito à bola em deixar que os alunos vão pensando pelas suas cabeças, tentando impingir a seringa-turbo em alternativa à seringa televisiva.

O problema com os regimes, como dizia, anda à volta do problema dos ideologicamente desempregados. Ensina-se o salazarismo (caso caseiro) com uma dose acrescida e conveniente de veneno e sem explicar a hecatombe que o precedeu, o nazismo pela mesma bitola, a democracia como a redenção dos nossos tempos, e aborda-se também o comunismo. Mas, neste último caso, foge-se sempre a explanar a dimensão do monstro deixando por um lado a ideia de que o mais cataclísmico foi o regime nazi, por outro escondendo-se que o comunismo foi, de longe, o regime responsável por um maior número de vítimas em execuções em massa de todos os tipos, tamanhos e feitios.

O que se pretende é apenas deixar ao socialismo uma porta aberta, evidenciando entretanto, as debilidades da democracia, entre as quais campeia a “impossibilidade de ser instituída pelo uso da força” (coisa que aconteceu em Portugal em 1974).

Entre outras debilidades apontadas figuram o florescimento de multinacionais, do capital descontrolado, do capitalismo “gerador de diferenças” mesmo que este tenha tirado e continue a tirar da fome dezenas de milhão de seres humanos.

A ‘mensagem’ é tentada fazer passar de várias formas: textos para análise não necessariamente sobre o seu sentido em disciplinas de línguas, ataques às linhas mestras da democracia e capitalismo em variadas disciplinas e de diversas formas, promoção de eventos ‘alternativos’ cujo conteúdo pinga um misto de anti-americanismo disfarçado em anti-imperialismo, propaganda “contra as guerras”, contra os “interesses das grandes corporações” sempre com um molho a condizer empestado em aquecimento global, protecção da natureza, “substancias naturais”, invariavelmente tentando rachar as petrolíferas mas esquecendo invariavelmente que elas produzem combustíveis não exactamente para uso próprio, etc, sem deixar passar em branco que a “Europa”, como os cientologistas da educação em coito com os eurocratas, será a solução para todos os males do mundo.

Enquadram-se neste cenário pejado de “ideais”, “utopias”, “amanhãs que cantam”, coisas como esta.

Seringa por seringa e com tanta cretinice à solta, continua a ser mais provável que a televisão seja a melhor.

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O direito a aprender apenas metade

Não tive tempo para cascar na devida altura. No site de Nuno Crato voltei entretanto a encontrar esta entrevista de Rita Bastos, Presidente da Associação de Professores de Matemática a Maria João Caetano do Diário de Notícias.
Ficou surpreendida com os resultados dos exames de Matemática do 9º ano?

De certa maneira, sim. Nós estamos habituados a ter resultados negativos a Matemática, mas não tínhamos nenhum motivo para achar que este ano iriam ser piores que no ano passado.
É espantoso que “sem nenhum motivo” para esperar que determinada coisa pudesse acontecer, se fique espantada apenas de “certa maneira”.
Que explicações encontra para este resultado?

É difícil encontrar uma só explicação.
Espantoso seria que houvesse uma só explicação e especialmente se ela estivesse directamente relacionada connosco.
Alguns alunos consideraram os testes difíceis. Também já ouvi queixas sobre os critérios de avaliação, que penalizavam muito as respostas erradas.
Penalizariam muito, penalizariam pouco? Estará Rita Bastos habituada a valorizar o erro?
Há colegas que dizem que muitos alunos desistiram dos exames mesmo antes de os realizar, o que é típico desta idade: convenceram-se que vão ter má nota e não investem tanto quanto poderiam.
Teria talvez feito mais sentido se tivesse dito “deveriam” e não “poderiam”. Mas essa coisa do dever é hoje tabu. Uma herança salazarista.
Isso acontece muitas com aqueles que geralmente têm boas notas noutras disciplinas. Encontram uma dificuldade na Matemática e preferem não a encarar porque têm medo do insucesso. É mais fácil dizer: não fiz melhor porque não quis, não me esforcei.
Pondo Rita Bastos posteriormente em causa o real domínio dos alunos da matéria de outras disciplinas, não se percebe como se usa esse dúbio resultado como referência no resultado próprio.
Mas isto não é uma novidade em Portugal. Todos os anos há exames e todos os anos as notas são más.

Não aconteceu só em Portugal.
... há mais burros no mundo: suprema felicidade.
É verdade que Portugal está mal classificado internacionalmente, mas é uma tendência geral e há países muito piores. E aconteceu com a Matemática porque é a disciplina em que há exames. Se calhar, se houvesse exames de Inglês ou de Física e Química no 9º ano, os resultados também seriam maus. A Matemática é uma disciplina sobrevalorizada socialmente, é a disciplina que serve para classificar os alunos.
Como dizia, fica-se agora a saber que as disciplinas em que os alunos eram bons, (explicando a opção por outra coisa que não o estudo de Matemática) são disciplinas em que os alunos não serão afinal bons. Parecerão apenas bons.

Em que ficamos? Havia ou não uma questão de opção pessoal?
Como se toda a gente tivesse que gostar de ser um óptimo aluno.
Cá está o tabu salazarista. Ninguém tem que gostar de ser bom aluno, mas todos devem ser bons alunos, gostem ou não.
E há que ter em conta que o que um aluno faz num exame nem sempre corresponde àquilo de que ele é capaz.
Pois não. Pode corresponder a mais ou a menos. Será de admitir que os alunos seriam ainda piores do que se ficou a saber?
Mas os problemas não são só os exames, os maus resultados em Matemática são comuns. Porquê?

Há vários motivos. Por um lado é uma disciplina que exige conhecimentos acumulados.
Todas as disciplinas exigem conhecimento acumulado. Numas há forma de contornar o problema, noutras não.
Uma pessoa que não saiba a tabuada tem mais dificuldade em fazer exercícios mais complexos.
O que fica por explicar é a razão pela qual quem não sabe a tabuada acaba numa aula em que a deveria saber.
E os professores têm que tentar dar a volta a isso, motivar alunos com uma história de insucesso não é fácil.
Pois não. Especialmente quando se diz : “Como se toda a gente tivesse que gostar de ser um óptimo aluno”.
Depois é uma ciência muito abstracta, [...]
A Matemática é abstracta ou Rita Bastos gosta de dizer que é abstracta?
[...] que não lida directamente com os interesses dos alunos, [...]
Cá estamos a dizer amen ao interesse dos alunos, a fazer rodar o mundo à volta do interesse dos alunos. O interesse dos alunos, naquela idade, vale tanto como um caracol esborrachado. Rita Bastos ainda não percebeu isso.
[...] o que talvez dificulte o ensino.
Fica-se a saber que para Rita Bastos o que dificulta o ensino de Matemática é o facto de ela não constar na lista de “interesses dos alunos” e não o estúpido endeusamento desse interesse.
Mas, mais uma vez, não me parece que a Matemática seja muito diferente das outras disciplinas.
Tão depressa é diferente como não é. Varia, conforme o parágrafo.
O facto de ser uma disciplina constantemente sujeita a exames e ao escrutínio social causa uma pressão enorme nos professores e dificulta o ensino.
Rita Bastos perdeu uma excelente oportunidade para reivindicar o alargamento da pressão e do escrutínio social às outras disciplinas. Prefere camuflar o mau resultado em Matemática na combustão das restantes disciplinas.
Está a dizer que ensinar Matemática é mais difícil porque há exames?

Claro. O professore tem que fazer um esforço para cumprir as normas, para dar o programa, para preparar os alunos para uma prova específica.
Pois é. Há que fazer o que é suposto fazer-se: que chatice.
Um professor de História, por exemplo, pode testar estratégias de ensino diferentes e pode, até, ter graus de exigência diferentes para os alunos. Não estou a falar e ser pior professor mas de personalizar o ensino. É impossível fazer isso quando se tem 28 alunos numa turma e todos eles têm de fazer o mesmo exame. Aliás, é impossível ter um ensino inovador com turmas de 28 alunos.
É espantoso que haja professores que pensam isto em relação a alunos do 9º ano.

Graus de exigência consoante os alunos: uns são filhos da mãe, outros são filhos da puta. Está mesmo a ver-se: alunos de zonas “difíceis” são filhos que têm o direito a aprender apenas metade.

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Fon



Esta-se aqui a passar algo de interessante.

Comprei em tempos um router para este efeito, mas acabai por converte-lo para um router normal por manifesta falta de utilidade em relação à sua inicial razão de existir.

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02/10/2007

Dos 50%

Não tenho muita pachorra para coisas dos interstícios partidários, mas não posso deixar de zurzir em Luís Filipe Menezes.

O iluminado revelou hoje que poderá perfeitamente coadunar a sua actividade de presidente de câmara com a de boss da oposição.

Sendo difícil de acreditar que ser leader do PSD tome menos que 4 horas por dia, percebe-se que ser presidente de câmara não justifica mais que uma ocupação de outras 4 horas por dia.

Sendo assim há que reclamar de Menezes a devolução de 50% de todos os salários que auferiu enquanto presidente de câmara.

Que esteve ele a fazer na câmara todo este tempo? A jogar matraquilhos?

A não ser assim, tudo indica que estaremos perante um novo fenómeno.

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PSD, a vitória de Cavaco Silva

No Jumento, via Portugal e Outras Touradas.

... e ainda PSD: o óbvio próximo repasto de Paulo Portas (digo eu).

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De totalitarismo em totalitarismo

Vale a pena ler ainda (entre outros) estes dois artigos de Pacheco Pereira:
ORNITHORHYNCHUS PARADOXUS 8: UM CLIMA DE INTOLERÂNCIA

ORNITHORHYNCHUS PARADOXUS 10: UM VELHO PROBLEMA (ESCRITO EM 1998)
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Dos "corações"

Escreve Pacheco Pereira:
Se a senhora que raptou uma "menina" num hospital e que foi descoberta um ano depois, tivesse mais dois ou três anos de convívio com a criança, passaria a ser "mãe do coração"? E que diriam os pedopsiquiatras, esta nova categoria jurídico-mediática?
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30/09/2007

Da protecção ao ambiente ou do ambientalismo kaviar.

Como é evidente ... Toyota Prius versus Hummer.

Via Blasfémias.

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Sai um embuste para a mesa do canto

Pois:
[...]

O segundo aspecto, o de definir, por inclusão e exclusão, a "cultura europeia", é mais complicado e mexe em muito mais do que a economia. Tornar "europeia" a cultura das nações da Europa é uma tarefa difícil de levar a cabo, não muito diferente da de fazer um manual de "história europeia" que sirva de norma educativa nas escolas da Europa, também desejado pelos eurocratas.

[...]

Imagine-se a metamorfose que os "manuais escolares" vão sofrer para se "adaptarem" a este novo embuste amanhã que canta ...

Depois digam que os putos e a realidade não se entendem e que a coisa se resolve com mais uns quantos computadores e quadros inter-activos.

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29/09/2007

Há pessoas que não tiram lições da História

Por José Milhazes.

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Mayra Andrade



Mayra Andrade.

Acabei de a ver na RTP-2, acompanhada por uma excelente banda.

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Polarização russa



O aquecimento global está por todo o lado.

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Empreendorismo

Há alunos a comprar portáteis para vender. Em que condições, vou investigar. Mas que os portáteis mudam de mãos, mudam.

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Coisas do multilateralismo

O Brasil queria ter assento no Conselho de Segurança, na ONU.

Não teve, mas teve neste Conselho de Sábios. Sabidões.

Está aqui tudo explicadinho.

Via A Origem das Espécies.

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Sem sublinhados

Este texto, (recolhido no blog Portugal e outras Touradas, via De Rerum Natura, via comentário da Abobrinha a um post de Ludwig Kripphal, no Que Treta! - [não atinei com os restantes links]) sabe-me a alface sem tempero.

De facto de há muitos anos que me habituei a morfar muita coisa com pouco ou nenhum tempero, mas a alface, como o café e o açúcar, continua a desafiar-me. Sem azeite e vinagre não a trago. Algum gene malvado me martela o miolo quando o tento fazer. Quanto ao sal, passo bem sem ele.

...

As duas seguintes frazes terão exactamente o mesmo significado, mas a segunda é proscrita pelos cientologistas da educação.

1 - O professor ensina o aluno.

2 - O aluno aprende o que o professor ensina.

Em boa verdade também a palavra 'ensinar' é proscrita pelos cientólogos. Preferem educar. Em boa verdade sem conseguirem ensinar nunca educarão, mas como cientologistas que são nunca perceberão a diferença. Coisas de tólogo.

Para os cientologistas o aluno é apenas uma mercadoria à volta da qual tudo gira. Como quem fabrica pneus, alcatifa ou corta-unhas de qualidade que permitam que melhor se retirem macacos do nariz. O 'produto' é a coisa à volta da qual tudo gira.

Na "educação" o aluno é a mercadoria à volta da qual tudo gira. Anos a fio "centraram" a educação "nos interesses do aluno" e/ou "no aluno". Nunca o fizeram em função do aluno como pessoa, apenas como mercadoria.

Os cientologistas invocam a "educação para a cidadania" como prova de que pensam no aluno como pessoa e cidadão, mas apenas pelo vector de cidadania pelo qual os cientologistas a entendem. Tudo o que vá por fora da invocada seta se torna "susceptível" do aríete da "mudança de mentalidade".

Vai daí que os problemas do ensino passem sempre pelos métodos, pelos "conteúdos dos manuais" (nunca pela matéria contida nos livros), pelos processos de avaliação, pelos critérios de avaliação, etc, etc, enfim, tudo feito na melhor intenção face a educação centrada na mercadoria: o aluno.

Em tudo isto está implícito que que os cientologistas encaram o aluno como uma mercadoria, algo sem vontade própria. Em todo este drama o aluno é a mercadoria cuja inaceitação pelo mercado só pode ser fruto do mau processo de produção.

Os cientologistas não sabem, mas no mundo real os alunos pensam e reagem em função do ambiente no qual andam, e a pintura do ambiente tem, por todo o lado, grafitis dizendo: o aluno é rei e senhor, é vitima de um sistema perverso que não prepara para a vida e, como vítima, o aluno tem toda a autoridade para se vitimizar e exigir aquilo a que tem direito: viver feliz independentemente de quem seja (se habitar uma zona "difícil" tanto melhor) e/ou do que saiba.

O solipsismo em que nadam os cientologistas da educação não lhes permite, sequer por excepção e em bom português, encostar os alunos à parede, ou, em português assim assim, entregá-los à sua própria responsabilidade.

No mundo real, aquele em que quem não trabalha não come, a única ferramenta capaz de convencer os renitentes a aprenderem são as leis do próprio mundo real.

No mundo real quem não faz o que se espera dele sofre as consequências. No mundo da "educação", quem sofre as consequências da forma como o aluno se conduz (para não dizer deambula) pela escola é o professor, a escola, os "conteúdos", a sociedade, mas nunca o aluno, mercadoria intocável.

Para os cientologistas da educação o aluno não tem vontade e a que terá só poderá ser resultante dos paradigmas gerados pela máquina produtiva e que é suposto perceberem: os alunos são sempre vítimas, vítimas, vítimas. Os alunos são sempre vítimas, mas nunca são vítimas da cientologia em causa porque essa é inspirada no paradigma da 'melhor intenção do mundo'.

Com ou sem paradigmas, façam eles ou não sentido, enquanto não se chumbar (reter, dirão os ciento-palermoides) quem não aprende (parem de falar em educação), está-se condenado a rever os processos, os "conteúdos", etc, etc.

No mundo real quem não trabalha não come. Na escola real, quem não aprender não pode passar (transitar, chamam-lhe os idiotas). Sejam poucos ou muitos.

Ah, já me esquecia. A ser assim, que papel é reservado aos cientologistas da educação? O papel higiénico.

...

PS. Não falei no papel da família porque os cientologistas acham que a sua existência é um incómodo. Algo que atrapalha. Na melhor das hipóteses algo susceptível de uma mudança de mentalidades usando, como arma de arremesso, o produto educado.

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28/09/2007

As mentalidades e as minhocas

Escreve Helena Matos no Blasfémias:
[...]

Dirão que são detalhes mas estes são os detalhes que infernizam a vida das pessoas cujos filhos frequentam as escolas públicas. Esta escola quotidianamente autista vê-se pouco. O dia-a-dia não faz notícias mas devia fazer pois é nessa rotina que acontecem os maiores problemas. Por exemplo, alguém sabe o que foi feito da TLEBS? Oficialmente a última vez que se falou sobre esta terminologia linguística foi numa portaria datada de 18 de Abril em que se anunciava que a TLEBS entrava em revisão científica. Até quando? E até quando a ministra vai continuar em silêncio sobre este assunto que afectou milhares de estudantes e professores?

Mas podemos continuar na lista das dúvidas. Por exemplo, podemos tentar entender esse concurso de charadas que é o programa de História e Geografia dos 5º e 6 anos ou interrogarmo-nos sobre o conteúdo de disciplinas como Área de Projecto, Estudo Acompanhado e Formação Cívica. A carga horária destas disciplinas é cada vez maior. A primeira delas, Área de Projecto, é uma fraude. A segunda, Estudo Acompanhado, pelo menos permite que, às vezes, os TPC’s sejam feitos na escola. Para o fim deixo a Formação Cívica. Esta disciplina proporcionou um dos momentos mais insólitos do presente ano lectivo e político. Esse momento aconteceu quando o ministro da Administração Interna, Rui Pereira (e repito que foi o ministro da Administração Interna e não da Educação) explicou que a disciplina de Formação Cívica era muito importante para a "a mudança de mentalidades e a construção de um Portugal melhor". Cabe perguntar quem disse ao ministro da Administração Interna que as famílias devem mudar as suas mentalidades em função do proselitismo do MAI?

Domesticamente a minha experiência da dita Formação Cívica começa pelo preenchimento de fichas e mais fichas sobre o agregado familiar. Escreve-se o mesmo que no acto da matrícula mas é um clássico. Cumprido este ritual entra-se na maravilhosa idade de ouro da unificação europeia ou esmiuça-se o comportamento da turma com vista à almejada “mudança de mentalidades”. Com tudo isto as mentalidades vão andando. A escola é que vai de mal a pior.
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Fandango e bailarico, do branco e do tinto..

Problemas de 'interface' com a ditadura da realidade.

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O quilograma emagreceu

Será que alguém lhe levou uma 'nesguinha' como recordação?

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27/09/2007

Pedro Santana Lopes fez algo bem feito

Pedro Santana Lopes fez, não necessariamente a primeira coisa de jeito na vida, mas a primeira dos últimos tempos.

Tendo sido interrompida a entrevista que estava a dar um canal local para que a estação pudesse transmitir a chegada de um pacóvio futebolista, deu a coisa por terminada e deu de frosques, deixando o canal e a jornalista de olhos esbogalhados (de boga).

Muito bem.

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26/09/2007

Sai uma palermice para o cliente ao fundo do balcão

Todo e qualquer jornalista devia fazer um estágio na mercearia mais próxima para aprender a fazer contas.

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Aos palermoides eufémios

Ora bem!

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22/09/2007

CO2, pum pum pum, CO2, pum pum pum.

Abreviando pormenores, estando por acaso numa organização que produzia muito lixo em papel, perguntei a um funcionário da Câmara de Lisboa se seria possível dispor-se de diferentes recipientes de forma a que se pudesse separar o lixo em tipos (que a câmara recolheria já separados, evidentemente).

O fulano respondeu que não, que isso estava a acabar porque tinha havido um nível muito grande de contaminação nas separações que as pessoas faziam.

Perguntei-lhe pormenores e ele explicou que apesar das pessoas separarem lixo, havia ainda muitas misturas, o que tornava inútil toda a operação.

A coisa soou-me mal mas não pensei muito mais no assunto.

Meses depois fico a saber que a generalidade do lixo citadino é queimado na Valorsul (nem imagino a qualtidade de CO2 assim produzido), numa operação quem em termos de novilingua se chama "valorização energética". Mas fico a saber mais. Fico a saber que a Valorsul tem tido cada vez mais dificuldade em queimar o lixo porque a combustão tende a não se conseguir manter a ela própra por falta, na mistura, ... de papel e cartão!

E fico ainda a saber mais. Fico a saber que para resolver o problema a Valorsul, empresa estatal (mesmo que pelas intrincadas teias de aranha da legislação), pondera resolver o problema adicionando combustíveis fosseis à mistura a incinerar, mesmo que, para o efeito, o contribuinte tenha que vir a pagar uma taxa(*) ...

Moral?

Chateia-se toda a gente para separar papel sendo evidente que, para evitar libertação de CO2, o papel deveria ser enterrado o mais fundo possível. O lixo deixa de arder por falta de papel e queima-se combustível fóssil para resolver o problema.

Confuso? Não perca as cenas dos próximos episódios.

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(*) Imposto

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A ciência na fé e a fé na ciência.

Ler Feynman torna isto muito claro.

Dizia ele que a diferença entre a ciência da pré história e a de hoje varia apenas na distância a que o seu horizonte se encontra.

Claro que a máxima na mão dos "cientistas da educação"(*) faz com que até as galinha tenham dentes e os animais, se não comerem, só sobrevivam empalhados.

Via Portugal e outras Touradas.

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Talvez faça até sentido chamar-lhes cientologistas da educação.

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21/09/2007

Estupidificação colectiva

Um dos meus filhos foi chamado à atenção pela professora da filha por que a catraia dele saberia demais. "É um problema porque dificulta a gestão da turma", dizia.

Ele mostrou-se surpreso por ser entendido, pela professora, como um "problema", que uma aluna sua soubesse "demais", e aproveitou para tentar saber se ela chamava também habitualmente a atenção dos pais dos putos mais broncos de que a aselhice dos seus pimpolhos travava o desenvolvimento dos restantes.

A gaguez a rubrez dela pareceram explicar o resto.

A gaguez foi responsabilidade da professora e do ministério. Da professora porque nunca lhe teria passado pela cabeça que tudo quilo era uma palermice, do ministério porque a imbecilização faz parte da sua política "educativa". O rubro, espero eu, teria sido resultante da percepção, pela professora, de que estava ali a fazer papel de grande dinamizadora de um processo de estupidificação colectiva. Mas não estou muito certo disso. Se calhar por ter sido a primeira vez que aprendeu, de facto, alguma coisa.

Pelo exposto percebe-se que a professora preenche todos os requisitos para ser eleita delegada sindical. Bem tijoladinha a coisa, poderá mesmo vir a ser assessora de educação num gabinete ministerial.

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19/09/2007

O calor e o fim do mundo em cuecas

Aqui está mais uma colecção de belas imagens mostrando a mestria com que foram escolhidos locais de recolha de dados de temperatura. Os dados recolhidos nos locais referenciados têm sido usados na determinação da temperatura da atmosfera do planeta.

Não há dúvida: o aquecimento global está por todo o lado.

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18/09/2007

Rumo ao obscurantismo

Ká vamos, cantando e rindo, rumo ao obscurantismo:

Cantando.

Rindo.


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15/09/2007

And now ...



Estou a ouvir a irmã dela e o marido.

Quem oiço?

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Estudar é obsoleto



A Ministra da "Educação", Maria de Lurdes Rodrigues, veio ontem "apelar" aos professores da primária para não chumbarem os pimpolhos (quando houver link ...).

Clarificou, mais uma vez, para os alunos que quiseram ouvir (e que se apressarão a espalhar a boa nova) que é desnecessário estudarem. Talvez seja até obsoleto.

Se não tiverem boas notas a culpa é dos professores que não se esforçaram suficientemente.

Com portáteis, quadros interactivos e outras palermices quejando, se nada aprenderem podem ter a certeza que a culpa é do equipamento.

... a minha mãe não pára de rir.

...

À guisa de nota de rodapé, esclarecem-se os leitores estrangeiros que nas escolas portuguesas, com nas do resto do mundo, é suposto que sejam os alunos a aprender e os professores a ensinar, pelo que, aqui como no resto do mundo, é ao aluno que é suposto caber a grande maioria de esforço.

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A palermice dos 150



Embora com atraso, não posso deixar de chamar a atenção para a palermice dos "computadores 150 euros".

A coisa é bem explicada nos blogs Educação Cor-de-rosa e Fliscorno.

Enfim, o governo como balcão de vendas das telecoms.

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13/09/2007

... "é mais para falar com os amigos"

Portáteis para os rebentos.
"eu já tinha um computador fixo, mas um portátil é melhor. Dá para ir para a cama e ficar um bocado na net antes de adormecer. Para trabalhar é melhor o fixo, este é mais para falar com os amigos" (in Sapo)
Via Incontinentes Verbais.

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08/09/2007

Da avestruz III



Há uns tempos alguém me chamou a atenção que muitos problemas em física têm vindo a apontar para cenários mais e mais aparvalhados.

Foram-me referidas (de memória) casos em que:

- Um helicóptero voaria a 300 Km de altura
- Um fardo de palha pesaria 500 gramas.

Faz sentido levar-se um aluno a resolver um problema cujo desfecho desemboca nos cenários acima?

Isto poderá ser mais um sinal explicativo do aparente alheamento com que, mais e mais professores vivem a realidade.

Ainda há uns meses, num blog aqui ao lado deparei com esta. Como chegàmos aqui? Como é possível que se acredite em tudo, em particular sendo-se professor? Chiça!

Fé? Ensino básico capaz de levar a acreditar em gambozinos de tal forma que nem um professor se consegue divorciar do conceito? Ver-se-á demasiada televisão e acreditar-se-á que ela espelha a realidade?

Será que se aceita que tudo pode ser verdade desde que se acredite sem pestanejar?

... e que "educação" receberão os alunos caso os especimens em causa consigam uma turma?

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Da avestruz II

De Rerum Nostra explica, num par de parágrafos, de onde vem a crise de trabalho em que um batatal de professores se encontra.
[...]

E é aqui que as universidades clássicas cometem um gravíssimo erro histórico. Achando que a formação de professores não era assunto nobre, nem científico, (quando justamente a investigação educacional entrava em força e criava em todo o Mundo uma grande dinâmica) deixaram-na à mercê de quem a quisesse apanhar. Desde logo, centros de formação integrada, em algumas universidades recém fundadas, que, é claro, aproveitaram para se afirmar no quadro universitário nacional, depois, as escolas superiores de educação, que proliferaram por todo o País muito antes de terem recursos de qualidade em número suficiente, e pior ainda, muitas instituições particulares, centros de formação de toda a ordem, que correram atrás do negócio com o brio profissional que nos caracteriza. Ou seja, durante décadas, formaram-se, a correr, levas de professores, que iriam entupir o sistema e que o Ministério não foi capaz de planear e controlar.

Em suma, degradou-se a profissão docente, prejudicou-se a qualidade do ensino, meteu-se no sistema muito incompetente por inflação de classificações que são regra nas instituições menos qualificadas, e impede-se agora a profissionalização a muitos que poderiam dar bons professores, mas que estão impossibilitados pelo entupimento do sistema. Em suma, uma série de erros em cadeia onde falta de planeamento e de visão, oportunismo, presunção, razões de baixa política, pura ganância e amadorismo se misturaram para prejudicar o País num grau incalculável.
O que ele escreve é verdade, mas continua a espantar-me e lembra-me a história da D. Branca.

Mas, então, acredita-se, anos a fio, numa galinha de ovos de ouro pensando que será eterna? E os directamente interessados não reparam que a coisa se parece com uma corrida ao ouro?

Se estivéssemos a falar de profissões pouco qualificadas ainda se percebia que magotes de gente podia ter sido enganada. Mas, os professores?

Imagine-se que um engenheiro projecta um helicóptero que, construído, não sobe, e que, perante o fracasso, iria reclamar junto de uma qualquer academia de ciências, invocando que não teria qualquer responsabilidade no assunto porque alguém se teria esquecido de lhe chamar a atenção para a existência da força de gravidade ... e portanto exigiria o lugar a que teria direito ...

É impressão minha ou a reivindicação em causa é um atestado de estupidez aos próprios?

... ainda só não se reclamou que professor queima as pestanas.

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Arauto





O PCP E OS ASSASSINOS NOS BLOGUES.


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Da avestruz

No Jumento, Raimundo Amorim deixou um comentário ao meu artigo anterior, nestes termos:
Caro Jumento

Achei o seu post delicioso e com uma enorme capacidade crítica de "olhar" para o que verdadeiramente se passa na Educação. Temos de facto professores a mais e ministra a menos e a forma desprestigiante como esta tem tratado aqueles leva a que alguns (cada vez menos) ressabiados façam analises do tipo daquelas que fez range-o-dente.

Como já alguém disse se na actual confusão em que vive o nosso sistema de ensino os professores de Geografia ensinassem cartografia aos pombos-correio estes não conseguiriam chegar ao seu destino. E a culpa não seria dos professores. Nem sempre aquilo que parece é.
... a minha resposta:
Raimundo Amorim

"leva a que alguns (cada vez menos) ressabiados fa çam analises do tipo daquelas que fez range-o-dente."

Sabe, caro Raimundo, as pessoas podem ser convencidas, não necessariamente vencidas. Mas a realidade não pode ser convencida, apenas vencida.

Os professores têm sistematicamente tentado convencer a realidade. Debitam prosas convencidos que a realidade se verga a elas.

Depois, tendo desgostos, continuam ainda a insistir que são educadores.

Indo ainda mais directo ao assunto, pode dizer-se: se são incapazes de compreender o mundo que lhes diz respeito, porque carga de água hão de ser vistos como autoridade para ensinar a outros o que é o mundo?
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Há professores a mais e inteligência a menos

Acicatado pelo António (chapelada), aqui fica mais uma autópsia.
Quando a ministra da Educação diz que a oferta de professores é maior do que a procura tem razão, mas a forma como aborda este problema é menos própria e revela uma falta de consideração pelos professores que é inaceitável num responsável pela educação. A ministra fala dos professores como se fosse o encarregado de uma obra pública a dizer aos serventes de pedreiro que procurem outra obra, porque para a semana já não há trabalho.
Este parágrafo resume bem o filme O Triunfo dos Porcos. Somos todos iguais, mas uns são mais iguais que os outros. O ajudante de pedreiro pode ser despedido, ser enviado às urtigas, passar fome, que, não pertencendo à casta dos professores, nada poderá, por alí, ser apontado como inaceitável.
É evidente que o número de alunos e mesmo de escolas diminui, que as funções não educativas das escolas, como é o caso da sua gestão, tenderá a não ser desempenhadas por professores. É também evidente que a melhoria do ensino pode colidir com hábitos e mesmo direitos concedidos no passado.
“Direitos concedidos no passado” ... resvalando, implicitamente para direitos inalienáveis. “Pode colidir” ... mas a força que “põe em causa” não deve prevalecer ...
Mas isso não implica que se crie na sociedade a ideia de que os professores são uns malandros, sem professores prestigiados e socialmente considerados nenhuma reforma do ensino será bem sucedida.
Pois não implica, a não ser que o prestígio seja abalado por posições de defesa de casta, claramente o caso presente.
Só que não se entende que o primeiro-ministro ande com o porta-bagagens do carro cheio de portáteis para distribuir pelos bem sucedidos das Novas Oportunidades e que a ministra da Educação revele tanto desprezo por milhares de professores que são vítimas da redução do número de vagas no ensino. Que se saiba foi o Estado que criou os cursos, que estimulou a formação de professores, ninguém chegou a professor com um curso de fachada pago com dinheiros do Fundo Social Europeu.
... o Estado criou e os tais de “professores”, pertensamente gente com algo entre as orelhas, que se comporta como as ratazanas: morde o isco. Fica-se a saber que o “professor”, cujo percurso formativo foi isento de processos de fachada, chegou ao fim da ladeira sem perceber que estava a ser “vítima” de um isco, como se nunca o tivesse alimentado a coisa conscientemente. Perdão, antes de ferrar o dente, a ratazana é mais cautelosa.
O mínimo que se esperava era que a ministra e o próprio primeiro-ministro abordassem este problema com alguma preocupação, com a mesma preocupação que por vezes se assiste quando fecha uma fábrica. Não basta dizer-lhes para irem ao centro de emprego mais próximo onde ainda por cima estão a ser maltratados. Ao terem optado por ser professores alguns destes profissionais dedicaram os melhores anos da sua vida à preparação, optaram por aquela que consideraram ser a sua vocação, desprezaram outras oportunidades profissionais.
... e não se percebe que a merda que tem saído das organizações sindicais dos professores resultou no facto de já ninguém ter pachorra para aturar reivindicações de casta? Reclamam-se agora os poucos direitos de quem, sempre tendo aguentado sem estrebuchar, se encontra numa encruzilhada difícil. Serão os “professores” os únicos legítimos detentores do direito a estrebuchar?

Se o prestígio não se reivindica, conquista-se, muito menos se renega tomando posições desprestigiantes, e querendo, em simultâneo, manter o prestígio via reivindicação classista.
O que teria sucedido ao sistema de ensino se há dez ou quinze anos os jovens não tivessem optado pela carreira de professor prevendo que estes seriam excedentários? Agora estaríamos a contratar professores brasileiros ou mesmo galegos, foi isso que sucedeu com os profissionais da saúde onde o numerus clausus criou uma situação simétrica à do ensino, onde a oferta de profissionais é menor do que a procura. O Estado poderia e deveria ter previsto esta situação mas por incompetência, cinismo ou mesmo oportunismo das universidades nada fez, milhares de jovens deram o melhor nos seus estudos para agora estarem num beco sem saída.
Depreende-se que à data “em que os jovens” optaram pela carreira de professor, não houvesse organizações sindicais compostas por adultos. Coitados. Todos jovens, embarcaram numa trapaça de governantes. Aborrecem-se agora perante o sucesso de outra casta, a dos médicos que, em devido tempo, trataram de “garantir” o seu futuro fazendo exactamente o contrário daquilo que fizeram os professores.

Parece até que os médicos tiveram sucesso à custa dos professores.

... tse, tse, tse.

O estado poderia ter previsto tudo e mais alguma coisa, os jovens ficaram em segundo lugar no acesso à inteligência obtida pelas ratazanas.

... e depois saíram ... “educadores”.
A ministra da Educação deveria compreender que há uma grande diferença entre uma responsável pela educação e um qualquer encarregado responsável por contratar serventes para uma obra pública. Deveria compreender mas pelos vistos não compreende ou a sua má formação leva-a a pensar que quanto pior tratar os professores mais fará passar a ideia de que é a grande reformadora do ensino. Reduzir o problema da redução dos alunos a uma consequência da natalidade é oportunismo, a ministra sabe (ou será que sabe mesmo?) que um dos problemas do ensino em Portugal é a reduzida escolaridade dos portugueses.
Serventes e professores não são, de facto, a mesma coisa. Se os professores se comportassem como serventes já seria um passo em frente. Um dos problemas do ensino em Portugal reside na reduzida inteligência demonstrada pelo comportamento dos professores. O normal seria usarem da inteligência que, descobrem agora, os ajudantes de pedreiro também têm.
Se é verdade que a tendência é para que haja menos alunos, daí podendo resultar um excedente de professores, também é verdade que a ministra deveria questionar-se porque há professores a menos, não fazendo passar a ideia de que tudo resulta do défice de libido dos portugueses. A verdade é que ao mesmo tempo que a ministra explica que há menos crianças os dados do Eurostat a percentagem de jovens que saíram precocemente da escola e cujo nível de estudos não ultrapassa o 9º ano de escolaridade subiu de 38,6%, em 2005, para 39,2%. Isto é, uma parte dos professores que ficou no desemprego foi vítima da incapacidade de a ministra para adoptar políticas que reduzam o abandono escolar. Esta taxa vergonhosa é mais do dobro da média europeia.
A ministra nunca poderá questionar-se porque haverá professores a menos no exacto momento em que há professores a mais. A matemática invocada fundamente o primeiro lugar obtido pelas ratazanas. Fica-se a “saber” que os portugueses fornicam QB mas que os rebentos abandonam a escola. Tá bem.

Pretende-se agora sacudir a água do capote e escamotear que os professores venderam a sua dignidade a proventos salariais relativos face a amanhãs-que-cantam que redundaram numa taxa de “sucesso escolar” miserável cuja qualidade nem vale a pena abordar: coisas do mundo do eduquês.

Não é por acaso que se lhe chama “sucesso escolar” e não sucesso educativo: mais uma sacudidela de capote.
Em vez de dissertar sobre as curvas da oferta e da procura do mercado de trabalho dos professores a ministra deveria explicar porque motivo o Governo foi incapaz de cumprir comas metas que estabeleceu para o abandono escolar (30% até 2008 e para 25% até 2010) e para a percentagem de jovens com o ensino secundário (65% até 2010). A verdade é que muitos dos que pensaram poder continuar a ser professores acreditando nas metas do governo estão agora no desemprego a ouvir a ministra dizer-lhes que a culpa foi do aumento do consumo de preservativos há dez anos atrás.
... o professor como espantalho. Nada tem a ver como ele, a não ser no caso de nem conseguir ser, de facto, professor.
Todavia, é um facto que a inversão das tendências da natalidade e a contínua formação de professores resulta-se num desajustamento entre a oferta e a procura de docentes e que mesmo que se adoptem algumas medidas paliativas e se combata o abandono escolar o problema persista. É necessário abordar o problema com uma sensibilidade que a ministra, mais empenhada em resolver o défice público do que os problemas do ensino, não evidenciou.
... como se não se tivesse mantido a engrenagem bem oleada e bem alimentada na expectativa de continuar a aumentar o número de “professores” pela via da redução do número de alunos por turma. Como se a generalidade dos professores não tivesse alinhado na aceitação de matéria aberrante, de “paradigmas” aparvalhados e não tivesse alinhado na transformação do aluno indisciplinado em aluno “hiper-activo”.
Se a ministra quer fazer uma abordagem primária do mercado de trabalho dos professores afirmando que há um excesso da procura, então também terá que concluir que há um défice na procura pela qual ela própria é responsável. Temos, portanto, professores a mais e ministra a menos.
Palermices como esta, “gira”, apenas afundam ainda mais o residual prestígio dos professores face ao mundo real, no qual os professores “se vêm”, agora, forçados a viver!

Coisas que acontecem quando os iguais apoiam implicitamente a retirada de tapete, de que padecem os mais iguais.

... não tendo aprendido a bem, terão que aprender a mal. ... coisas que a “educação” deles bem podia ter evitado, não fosse dado o caso de ter sido, desde há 20 anos, capitaneada por “cientistas em educação”.

... engenhêros.

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07/09/2007

Jobs for the boys

Relacionadas com a posta anterior, eis um caso apalermado, secundado aqui e devidamente dissecado aqui.

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06/09/2007

Abandalhemos rumo ao lucro

Um dia destes ouvi um dirigente sindical de um sindicato de professores verberar contra a não colocação de um batatal de docentes (precisarei logo que a memória mo permita).

O homem referiu que a indisciplina raiava e que turmas mais pequenas ajudaria a resolver dois problemas: o da indisciplina dos alunos e da não colocação dos professores.

A mim a coisa soou-me a um apelo a mais um reforço do desleixo à manutenção da disciplina por forma a tornar inevitável a medida proposta.

... jobs for the boys.

... se calhar e coisa que já vem de longe. Uns, mais palermas, dirão que sim. Outros menos palermas, dirão também que sim. Os não alinhados serão chamados de Velhos do Restelo ou "negacionistas" face ao que "toda a gente sabe".

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25/08/2007

De Miguel Portas e do Bloco de Esquerda

Escalpelizemos o texto de contrição de Miguel Portas.
Ontem mesmo, Jaime Silva, ministro da agricultura, acusou o BE de "incentivar aqueles jovens" e insinuava que este partido teria estado por trás da acção na herdade da Lameira. O bloco não tem nada, rigorosamente nada, a ver com os acontecimentos ou o movimento que lhe esteve na origem. Nem os seus jovens, que no dia dos acontecimentos se encontravam acampados... mas a 600 quilómetros de distância.
O Bloco de Esquerda faz sua bandeira o ataque à produção de alimentos por via de plantas transgénicas, em particular junto dos jovens.

No caso, o Bloco de Esquerda afasta-se “daquele jovens” como quem corta um membro atacado de cancro. Os jovens em causa foram tão palermoides que destruíram a cultura de um pequeno agricultor, e o Bloco apresou-se a abandoná-los à sua sorte.

A idiotia culmina com uma justificação tão palerma quanto o ataque ao milho: os 600 quilómetros. ... como se houvesse uma barreira, por exemplo aos 500, que inviabilizasse a organização da coisa, uma espécie de muro que pretendesse camuflar a responsabilidade do Bloco. Enfim, um problema de indigestão de muros a que o bloco não consegue fazer face.
O único elemento sobre o qual se funda esta inadmissível extrapolação por parte do ministro é o facto de eu, há três dias, ter expresso "simpatia com o gesto".
“Único elemento”, escreve Miguel Portas. Depois vem dizer que se travava de uma opinião pessoal.
Escrevi o que escrevi a título estritamente pessoal, e no blog Sem Muros reconheço que errei (quem desejar que o consulte). Mas, mesmo que assim não tivesse sido, é no mínimo estapafúrdio associar uma manifestação de simpatia à posteriori com uma "conspiração antecipada". Não é só estapafúrdio. Um ministro não pode acusar ou insinuar sem provas.

O Bloco desenvolve as suas acções às claras e de rosto destapado. Pode concordar-se ou não com elas. Mas quando age, envolve os seus próprios dirigentes. Não ficam na retaguarda.
“Estapafúrdio”. Tá bem.

“De rosto destapado”. Tá bem. Lembremo-nos dos SMS.
As raízes da ira

Não posso deixar de me referir ao modo como os "miúdos" têm sido tratados: de betinhos a vândalos, de terroristas a drogados e de desocupados a comunas, tudo vale e continua a valer.
Talvez porque os “miudos” sejam betinhos, vândalos, terroristas, drogados, e de desocupados a comunas. Surpreende-me, apesar de tudo, que tenham conseguido não se enganar e não tenham demolido uma cultura de girassóis. Aposto que se pretendessem destruir qualquer coisa relacionada com a criação intensiva de porcos, rachariam as copas de uma enorme quantidade de oliveiras.
Sou de um tempo onde, tantas vezes à falta de melhores argumentos, se resolviam diferendos nas esquerdas com epítetos relativos à origem de classe ou ao modo de vestir e viver.
E, 30 anos depois, apoia quem destrui o modo de vida de quem é estranho à “classe” de onde ele declara ser oriundo, e de quem veste e vive de forma diferente.
Assisti agora, 30 anos depois, a essa ressurreição e não gostei do que vi. Muitos dos actuais liberais bem pensantes também não deviam gostar. Por todas as razões e porque também eles, em tempos idos, apanharam com esse enxoval de "acusações".
Lágrimas de crocodilo.
Na sublevação dos indignados a pedra de toque é a questão da propriedade que está em causa que dá o tom. Todos os fantasmas saltaram de imediato.
Os fantasmas que andaram à solta foram zombies destruidores de culturas.
Esta mesma indignação jamais veria a luz do dia se o caso fosse o de um despedimento, ou o de um pai de um "betinho" fugindo ao fisco. Ou mesmo o de um betinho em bolsa, limpando pequenas poupanças em operações legais, envolvendo montantes bem maiores do que 3900 euros.
Essa “indignação” (nos moldes que deram origem ao caso presente) são especialidade de Miguel Portas e do Bloco de Esquerda, por acções capazes de permitir levar a bom termo o que dizem repudiar.
Classifiquei este delírio como uma "tempestade num copo de água". Na realidade é bem mais do que isso. É instinto de classe e espírito de guerra.
Sim. Quem trabalha sabe o que lhe custa.
O abuso dos qualificativos é particularmente grave quando chega a conceitos como o de "terrorismo". Em entrevista à SIC notícias, Rui Pereira, ministro da administração interna, não hesitou em qualificar o acto de "eco-terrorismo soft". O ministro devia saber que quando se perde o sentido das proporções, se acordam consequências escondidas: a de banalizarmos, isso sim criminosamente, o valor das palavras.
Pena é que o Bloco e Miguel Portas não se tenham apressado a indemnizar o agricultor. Dessa forma amaciaria os efeitos do disparate que, até lá, continua como eco-terrorismo. O ministro acobardou-se.
Uma portaria do absurdo

Discutiu-se mais o que aconteceu do que o problema para que quis chamar a atenção. Mas a quantos, com argumentos bem razoáveis, invocaram o problema do Estado de Direito, vale a pena contar uma pequena história. Em 2003, o decreto-lei 72 regulou as condições em que poderia ocorrer o cultivo de transgénicos. Nele se incluía um anexo relativo à necessidade de defender as pessoas das inalações de pólen e um fundo de compensação para possíveis perdas de agricultores de milho híbrido. Na lei seguinte, de 21 de Setembro de 2005, misteriosamente, as "minudências" caem. Em troca, cria-se a figura "zonas livres" do cultivo de transgénicos, cuja regulamentação é diferida para uma portaria que sairia em Dezembro do ano passado.

Que nos diz a portaria? Que a fixação de zonas livres é fixada pelas assembleias municipais. Parece razoável, muito bem até.
Parece razoável ao Bloco e a Miguel Portas porque lhe cheira a “democracia directa”. Para ele, quem deve decidir sobre determinada matéria é quem sobre ela nada percebe.
Ou seja, a interdição de cultivo passaria a ser uma competência local, decidida pelo parlamento local. Mas a portaria também diz como acabar com a prerrogativa: impõe que dois terços dos agricultores assinem uma declaração prévia nesse sentido - um processo burocrático, tudo menos ingénuo - e , logo a seguir, que a decisão pode ser invalidada pela simples vontade de um agricultor se dedicar aos transgénicos. É um completo absurdo. De que adianta a maioria democraticamente eleita decidir (no Algarve foi por unanimidade), se um só - e foi o caso - invoca a sua vontade e direito, e com esse gesto, anula a decisão?
O Miguel Portas supõe que as pessoas são tontas como ele parece quer parecer.

Que bramaria Miguel Portas caso um dos tais 2/3 de agricultores, depois de assinar a declaração mudasse de ideias e começasse a cultivar milho transgénico? Chamaria cabeça rapada ao agricultor e gritaria pela intervenção exemplar da GNR?
O essencial e o acessório

Cada um se agarra ao que lhe parece essencial. Para o bloco, o essencial é a resposta á questão: "transgénicos no prato"? Como bem sublinha Nuno Pacheco, em editorial do Público saído hoje, "há mais dúvidas do que certezas quanto aos transgénicos".
Miguel Portas e o Bloco de Eaquerda não gosta do mundo dos dilemas. Eles preferem o mundo dos”amanhãs que cantam”. Ou o mundo é perfeito ou eles estão contra. Uma forma de estarem contra tudo o que é palpável e a favor do impossível.
É exactamente essa a questão. E é exactamente porque há "mais dúvidas do que certezas", que o princípio da precaução se recomenda como critério da decisão política.
Caro Miguel Portas, você não devia ter nascido. Todo o que nasce, corre o risco de vir a ser careca. Como eu sou careca, vá bugiar. Aprendi há muito a viver com a incerteza.
Há pouco mais de um mês, o governo alemão, insuspeito de simpatias ecologistas, proibiu a comercialização de uma semente de milho transgénico da Monsanto, a MON 863 porque se confirmou, após aturados exames, que o consumo desse milho diminuía a resistência dos rins e dos fígados. Vale a pena ir mais longe?
Vale a pena ir mais longe, se reparar que se estava na presença de algo (pelas suas palavras) provadamente nefasta. Convém que se tenha na mão algo concreto antes de se avançar para uma acção de privação do sustento de um agricultor.
Podemos discordar, de vários modos, da acção levada a cabo. Mas não se pode ignorar o problema para que ela quis alertar. Ele radica na sede de lucros das multinacionais que detêm as patentes das sementes. É aí, e não nos agricultores que delas dependem, que se encontra o nó górdio deste debate.
Podia ter começado por aqui. Você detesta que alguém lucre com o que quer que seja, quer se trate de uma multinacional quer se trate de quem se desloca a uma loja para comprar pipocas. O Miguel Portas defende que quem vende deve ter o máximo de custos de produção e lucro zero (preferencialmente prejuízo), supondo que quem quiser comprar pipocas as vai encontrar mais baratas. O Miguel Portas não se engana, apenas parece querer fazer crer que se engana. O Miguel Portas sabe que muita fome no mundo radica aí. A restante fome, não é também estranha à sua visão absurda do mundo.

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24/08/2007

Hora da manja

No Abrupto, pode ler-se:
Uma coisa de que suspeitava mas que agora pude confirmar na Sábado: os GNR foram-se embora de junto dos manifestantes porque era a hora do almoço.
A almoçarada está relacionada com isto.

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23/08/2007

Miguel Portas errou

Miguel Portas diz que errou.

Escrevi o que escrevi a título estritamente pessoal, e no blog Sem Muros reconheço que errei (quem desejar que o consulte). Mas, mesmo que assim não tivesse sido, é no mínimo estapafúrdio associar uma manifestação de simpatia à posteriori com uma "conspiração antecipada". Não é só estapafúrdio. Um ministro não pode acusar ou insinuar sem provas.
Pena é que o ministro não possa acusar sem provas, mas que os imbecis verdeufémios possam destruir com base em coisa nenhuma. Apenas mais uma ... de Miguel Portas.

Lendo o resto, parece até que os idiotas dos verdeufémios são criancinhas de chucha.

Que nos acuda Vasco Graça Moura (via Portugal e Outras Touradas).

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19/08/2007

Miguel Portas e a carecada

Range-o-Dente escreveu: O seu comentário aguarda validação pelo moderador.

“Claramente, a sua intenção não foi de ataque à propriedade do agricultor - “nada nos move contra ele” - mas de afirmar, através de um gesto espectacular, a defesa do “princípio da precaução”.”

Não foi de ataque à propriedade do agricultor? Bem podiam então ter-se entretido a esmurrar a cara uns dos outros.

Pena é que, como eu, o Miguel Portas seja careca. Poderiam ainda, alternativamente, ter-lhe feito uma carecada.

… que tal arrancarem-lhe pelinho por pelinho? A cada pelo arrancado gritariam: abaixo o milho transgénico.

Este comentário foi deixado às 5:47, outro comentário deixado às 6:10 foi aprovado.

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A Miguel Portas, pelinho por pelinho, ou, os Muros de Miguel Portas

Deixei um comentário no blog der Miguel Portas declarando que acharia interessante que se lhe arrancasse milho por milho pelinho por pelinho e que, após cada arranque de milho pelo, se gritasse: abaixo os trangénicos.

O comentário ficou lá mas não passou a censura. Parece que Miguel Portas, como os Israelitas, gosta de construir muros à sua volta. Se pensou que me esquecia do comentário e não o salvaria, enganou-se. Sou muito cioso dos meus pés de milho.

Quem diria que "apenas um gesto de protesto" não tivesse tido acolhimento pela parte do eufémico deputado.

Digo mesmo mais. Só revela o seu machismo e falta de compreensão por aquilo a que as mulheres se sujeitam quase invariavelmente. O pelo, volta a crescer (como infelizmente, ao que parece, as mulheres sabem). O milho ...

O comentário pode ser lido acima. Vou agora informar o multilateral deputado do par de posts que aqui deixo. Vejamos se passa, ou se o muro, que ele diz não ter, fica ainda mais alto.

Aqui fica o referido aviso, com índice 39:

Range-o-Dente escreveu: O seu comentário aguarda validação pelo moderador.

Caro Miguel Portas,

Com muros ou sem eles, aqui fica o exemplar do meu comentário que não passou o seu crivo de censura. Afinal os Israelitas não estão sozinhos, também o Miguel gosta de se rodear de muros.

http://range-o-dente.blogspot.com/2007/08/miguel-portas-e-carecada.html
http://range-o-dente.blogspot.com/2007/08/miguel-portas-pelinho-por-pelinho.html

“Nunca digas não precisarei de um muro para me defender”

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Eduquês palermoide

Chamo a atenção para este post de Pacheco Pereira, bem como para o eduquês palermoide conducente às crenças imbecis que empestam o nosso ensino.

Cá vai:
O Ecotopia é igualmente um modelo funcional de comunidade auto-sustentável que coloca em prática os princípios de um estilo de vida alternativo e mais amigo do ambiente: tomadas de decisão por consenso, reciclagem de lixo, refeições vegetarianas, uso de energias alternativas.(...) O Ecotopia tem uma estrutura horizontal (não-hierárquica) e auto-organizada; a tod@s é pedido que tomem parte no funcionamento do campo, resolvendo problemas e tomando decisões. E tod@s são responsáveis pelo programa. O Ecotopia funciona no sistema de ecotaxas - um sistema económico alternativo baseado no padrão de vida e rendimento médio de cada país, em vez de baseado nos mercados financeiros, o que significa que cada um no Ecotopia paga pela comida o mesmo que pagaria no próprio país." (Sublinhados deles).
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Da mosca tonta

Da mosca tonta, com chapelada.

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Da competência dos activistas e da incompetência da GNR


Foto Kelly Bolden/AP

Será que se um grupo de "activistas" tentar destruir um quartel da GNR os militares se limitarão a identificar os líderes da acção?

Poderão portugueses avançar com idênticas acções nos países de origem dos "activistas" e será que obterão recíproco resultado?

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18/08/2007

PJ e encriptação

Suponho que a PJ já ande às aranhas por causa da utilização do Skype.

O Skype, (suponho que o Voip e outros também) encripta a voz enviada pela Internet de forma a tornar inviável a escuta de conversas, se interceptada durante o percurso do sinal, e quando efectuada entre computadores.

Aparece agora uma aplicação capaz de fazer o mesmo entre telemóveis.

... bye-bye escutas ...

Lá terão as polícias que começar mesmo a trabalhar.

...

Este meu artigo anterior vem também a propósito.

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Ecologistas e pára-quedas



Será que nunca ocorreu aos idiotas dos "verdes" e/ou imbecis destruidores de culturas que não faz sentido transportar uma bicicleta sobre o tejadilho de um carro?

Será que não ocorre aos palermoides ecologistas que, em vez de tentarem que o limite de velocidade nas auto-estradas baixe de 120 ara 118, faria muito mais sentido promover o transporte de bicicletas na traseira dos carros, como em qualquer país civilizado?

Será que nunca se espantaram por ver estrangeiros transportarem bicicletas sem acréscimo significativo de consumo de combustível enquanto, paralelamente, um português é obrigado a pespegar as bicicletas no pior local de transporte possível, como quem arrasta um pára-quedas?

Tanto palram os Quercus cá do burgo, e ainda não se aperceberam que a obrigatoriedade de transporte, no tejadilho dos carros, das bicicletas cujo uso dizem tanto defender, são um desincentivo ao seu transporte e utilização por implicarem um acréscimo de consumo de combustível de, pelo memos, mais 2 litros aos 100Km?

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Escala aberta com máximo

É sempre espantoso ouvir, num órgão de comunicação social como a TSF, um jornalista palermoide insistir que determinado sismo "atingiu o garu X na escala aberta de Richter que tem o máximo de 9".

Escala aberta como máximo? Se tem máximo, é escala fechada. Se é aberta, não tem máximo.

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Solidariedade ...

A jihad.

[Actualização]

Deixei aqui um comentário no sentido de saber se os carros exportados poderiam também vir a ser conduzidos por mulheres.

A caixa de comentários é moderada, a ver vamos.

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09/08/2007

Hasta la vista



É agora a vez do 'je'.

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05/08/2007

Arauto



A reacção não passará, no Sem Penas.

16 belos e gordos directores 16, no Quarta República

... e ainda, A arte de bem consumir:
[...]

Mas quando a cabeça não é boa e a arte não é capaz de suplantar as dificuldades, normalmente o corpo é que paga.

Depois, a sociedade e o estado é que levam com as culpas. O próprio é sempre uma vítima!...
... continuando, Os computadores e os professores.

Antepassados, no Esquerda Republicana, e ainda Museu Nacional de Arte Antiga.



Via Esquerda Republicana

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Votem nas Putas

Bartsky, do Votem nas Putas (com quem eu não vou à bola a maioria das vezes), está de volta. Folgo que assim seja. Também eu estou a recuperar de uma catástrofe múltipla de há uns tempos.

Entretanto aqui fica uma deliciosa passagem de um artigo de Baptista Bastos, transcrito aqui na íntegra (suponho).
Nos finais da década de 70, invectivando contra o Conselho da Revolução, Jardim proclamou: «Os militares já não são o que eram. Os militares efeminaram-se». O comandante do Regimento de Infantaria da Madeira, coronel Lacerda, envergou a farda número um, e pediu audiência ao presidente da Região Autónoma da Madeira. Logo-assim, Lacerda aproximou-se dele e pespegou-lhe um par de estalos na cara. Lamuriou-se, o homenzinho, ao Conselho da Revolução. Vasco Lourenço mandou arrecadar a queixa com um seco: «Arquive-se na casa de banho».
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Carinhoso

(Pixinguinha e João de Barro)

Meu coração
Não sei porque
Bate feliz, quando te vê
E os meus olhos ficam sorrindo
E pelas ruas vão te seguindo
Mas mesmo assim, foges de mim
Ah! Se tu soubesses
Como sou tão carinhoso
E muito e muito que te quero
E como é sincero o meu amor
Eu sei que tu não fugirias mais de mim

Vem, vem, vem, vem
Vem sentir o calor
Dos lábios meus
À procura dos teus
Vem matar esta paixão
Que me devora o coração
E só assim então
Serei feliz, bem feliz

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Portadores de gaita, abstei-vos de sacudir.

Espicaçado por este assunto abordado pelo Caldeirada de Neutrões, começo por informar que não fui ainda bafejado ou auto-bafejado pela propriedade de um ecran LCD. Tenho, em contrapartida um excelente monitor de raios catódicos de 21" cuja qualidade arrasa qualquer LCD que até agora tenha encontrado. Quando alguém me visita tenho sistematicamente que recorrer a uma rede de apanhar borboletas para evitar a queda inopinada dos testículos de quem olha para o meu Nokia Multigraph 445Xpro.

Mas não foi por isso que aqui vim. A propósito de poupança de energia lembrei-me de lançar uma campanha (politicamente correcta, está bem de ver):

Portadores de gaita, abstei-vos de sacudir.


Já alguém fez contas à energia consumida em sacudidelas de gaita de cada vez que algum dos portadores do precioso instrumento vai à casa de banho?

Se esse pavoroso acto de esbanjamento energético fosse banido, os alimentos que se poderiam evitar ingerir seriam suficientes para alimentar milhões de esfaimados ...

.. já para não falar doutro caso, mais assintoso, de gaital sacudidela.

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04/08/2007

A praga das eólicas



[Actualização: Caldeirada de Neutrões explica (chapeada), ainda mais detalhadamente, o assunto em seguida abordado].

Outra das loiras de olhos azuis dos ecologistas são as eólicas.

Os moinhos, como vulgarmente se lhes chama, são chamados, pelos idiotas verdes, de geradores de energia "limpos".

Problemas:

1 - Tendo em conta a energia que podem gerar são caríssimos. Repare-se que digo 'podem gerar': a possibilidade existe, mas ...

2 - Só geram energia quando há vento. Contrariamente ao que pode parecer, não é pelo facto de rodarem que geram a energia correspondente à sua capacidade máxima. Quando o vento escasseia não lhes são aplicadas as correntes de controlo que permitiriam obter a máxima produção porque, evidentemente, o sistema imobilizar-se-a (a hélice pararia).

3 - Decorrente do facto anterior, há que providenciar meios alternativos de geração de energia. As eólicas não substituem, por exemplo, a geração a combustíveis fósseis. Se não houver vento ...

4 - Tendem a produzir pouca energia exactamente quando ela mais é necessária: nos picos de verão e inverno.

Meteorologicamente falando, tende a haver pouco vento quando as temperaturas são muito altas ou muito baixas, alturas em que há brutais picos de consumo. Nessas ocasiões as verdes eólicas estão de férias (como os "verdes", na neve ou nas Maldivas).


Repare-se neste gráfico retirado so site da REN.





Hoje, um dia bastante quente, as eólicas poderiam produzir 700MW de energia eléctrica. Quanto produziram? À volta de 50MW, 1/14 do que poderia parecer. Porquê? Não trabalham sozinhas porque não há vento significativo.

...

Por estas e por outras, a energia que produzem e das mais caras de todas. Muitíssimo mais cara que barragens, centrais térmicas ou centrais nucleares. Alguém as terá que pagar, habitualmente com língua de palmo.

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"Viver pela natureza"

Uma chapelada, com vénia, ao Joaquim Simões.

Do artigo que aponto, ocorrem-me uma entrevista de Carvalho Rodrigues a uma estação de televisão local que, a seu tempo, se viria a tornar um dos mais pestilento meios de disseminação da brutalidade e estupidez.

Babuseava a jornalista (cito de memória) palermices relacionadas com "as coisas naturais": medicamentos naturais, comida biológica, ..., viver pela natureza ...

Carvalho Rodrigues remata - viver com a morte!

- Com a morte?

- Sim, viver pela natureza implica também a morte. A existência, por exemplo, de antibióticos representa um afastamento à ordem natural das coisas na perspectiva que refere. Se optamos pela via tecnológica com apoio a substancias criadas artificialmente viveremos algo afastados da mãe natureza, mas podemos gozar de uma melhor qualidade de vida, na qual se inclui a maior longevidade. Se nos afastarmos dos mecanismos criados pela civilização para vivermos mais de mão dada à natureza teremos que aceitar as consequências daí decorrentes, entre as quais a morte ao virar a esquina.

A 'jornalista' ficou embuxada, mas não fiquei certo que tivesse percebido que tinha estado a fazer figura de tonta.

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