27/03/2008

Terra de ninguém

A propósito desta cena macaca, transcrevo parte de algo que escrevi há mais ou menos um ano:
Imaginemos que dois alunos, de 14 anos, desatam à porrada. Que é suposto acontecer? É suposto acontecer que qualquer funcionário ou professor que depare na cena se interponha para acabar a bulha.

Que acontece na prática? Todos evitam o risco de se encontrarem perante a necessidade de intervir, evitando zonas onde potenciais problemas possam ocorrer: professores e funcionários afastam-se dos recreios, mantêm-se em locais mais recatados ou em zonas mais sossegadas.

Caso o não consigam, assobiam para o lado.

Porquê? Porque frequentemente só é possível parar a violência usando de alguma, e isso é proibido. Os alunos sabem isso e ...

Como se consegue evitar que um aluno que insiste em pontapear tudo e todos possa ser travado sem lhe torcer um braço ou provocar alguma dor de alguma forma? Chama-se a polícia? Diz-se-lhe, simplesmente, "isso é feio"? Se o aluno for pequeno a coisa é mais fácil por razões óbvias. Mas, sendo maior, como é? Gás mostarda? Aliás, gás mostarda também já circula, aqui e ali, entre alunos.

Como forma de se armarem em gente mais papista que o Papa, há professores e funcionários que acusam colegas de usarem violência em excesso, e há conselhos directivos que encontram um nicho para exercício de poder salazarista ameaçando, mais ou menos veladamente, quem tenha tido a ousadia de fazer o que todos deveriam fazer.

Claro que a porrada se vai generalizando, sabendo-se (quem quiser saber) que até já há preocupantes sinais de tentativa de violação dentro das escolas.
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Altamente



A escola, a que alguns chamam de "sistema educativo" e a imbecilidade a que chegou.

Tenha-se atenção à voz do bovino que empunha a câmara.

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Multiplex 10%

A Rádio Europa Lisboa é uma rádio dedicada a tudo quanto é giro, tudo quanto é europeu, tudo quanto é caviar, tudo quanto é anti-sulfuroso.

Tem debates com colecções de cromos que dize coisas de mijar a rir e tem, provavelmente, a melhor música ligeira (um bocado tosca, apesar de tudo).

De qualquer forma, ouvi hoje uma de banzar. Parece que o estado tem uma central de comprar qualquer onde estão inscritas umas quantas empresas. A lista de empresas mantem-se inalterada há anos e algumas delas já deixaram de fornecer ao estado. Deixaram de fornecer, quer dizer, deixaram de fornecer mercadoria própria, fornecendo mercadoria de outros fornecedores não inscritos, pelo módico imposto de 10%.

... ou não será de imposto que estamos a falar?

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19/03/2008

Arthur C. Clark



Arthur C. Clark (16 December 1917 - 19 March 2008).

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16/03/2008

O novo logo do PSD



Esta cabeçudo ou flagelo, não faz lembrar outro?

[Publicado no Fiel-Inimigo a 13 de Março de 2008].

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Culto na escola: também quero



Um tribunal alemão botou sentença no sentido admitir o culto islâmico no interior da escola, desde que em sala apropriada.

Eu sou Pastafarianista e quero também uma sala para mim.

[Publicado no Fiel-Inimigo a 12 de Março de 2008]
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Abaixo a Polícia

Na manifestação de professores a decorrer por esta altura em Lisboa, um grupo de professores de Ourém empunha um cartaz que diz: Não nos intimidamos com as visitas da Polícia.

Ele há coisas ...

Há quem diga que não gostaram que a polícia os visitasse para saber quantos iriam partir para a manifestação.

Ele há coisas ...

Vejamos se terei percebido: a Polícia terá ido à escola para saber quantos viajariam e os professores da escola de Ourém ter-se-ão sentido intimidados.

Nnnnãh! Se calhar não percebi mesmo. Será que ostentam o cartaz para espalharem aos quatro ventos que a presença da Polícia não é suposto intimidar particularmente quem não tem razões para se sentir intimidado? Muito bem. É isso que, justamente, deve ser ensinado na sala de aula: o primado da legalidade e do poder judicial de que a Polícia é braço executivo. Só pode ser isso.

... mas não deixa de ser esquisito ser assunto a arrastar para uma manifestação. Será que se pretende fazer ver ao poder político que a Polícia é bem-vinda à escola? Talvez seja uma consequência da recente onda de criminalidade... talvez!

De outra forma seria intolerável que os professores admitissem, como possível, que um grupo seu, supostamente representativo, tivesse bramido na praça pública um cartaz pondo em causa a Polícia, justamente a entidade longamente reclamada pelos empunhantes como necessária junto às escolas.

Evidentemente que nunca poderia ser o caso. Com que cara iriam esses professores dizer exactamente o contrário a umas quantas turmas?

Ou poderia dar-se o caso mais impensável de todos: que eles dissessem exactamente isso aos alunos. Sim, se o dissessem na praça pública seria difícil encarar a possibilidade de afirmarem o contrário na sala de aula, ou seria gente sem carácter.

... veja-se bem onde vai a minha cabecinha! Eu a pensar que era capaz de dar um par de estalos a um professor de um filho meu que tivesse a lata de, implicitamente, declarar guerra à polícia. Bem, a verdade é que, se fosse o caso, e em coerência, ele nunca reclamaria pela polícia, sua figadal inimiga.

Mas não posso deixar de pensar que, se fosse o caso, seria um par de estalos bem afinfado. Afinal, se a Polícia o intimidasse, que consideração trivial haveria ele de me merecer?

[Publicado inicialmente no Fiel-Inimigo a 8 de Março de 2008]

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08/03/2008

O extintor de fogo sulfuroso



[Actualizado (IV)]

De acordo com o inevitável guião e aproveitando o facto dos colombianos terem limpo o sebo a um imbecil produtor de droga e raptor nas horas vagas, Chávez, ferido no seu orgulho pestilento, mandou avançar as tropas venezuelanas para a fronteira colombiana.

Manda avançar e chama a atenção que o presidente colombiano é um fantoche às mãos do sulfuroso Bush.

Aguarda-se a posição da esquerda estúpida. Aposto que vai dizer 'sim, mas que ...'. E 'pois, mas há que compreender'. Ainda 'tenhamos em atenção que ele foi obrigado pelas circunstâncias'. Ou até talvez, 'tenhamos em conta que é uma reação compreensiva face à opressão provocada pela longa noite imperial'.

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Nota final:
Não se percebe se as tropas venezuelanas irão aproveitar o passeio para exterminar a guerrilha colombiana que se tem acoitado impunemente no seu território ou se se tratará apenas de uma acção para a proteger.

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Pérolas:

OS REVOLUCIONÁRIOS NÃO CELEBRAM MORTES

e
A MORTE DE UM REVOLUCIONÁRIO


Uribe: não semeies outro Israel na América do Sul

Luís Lavoura diz:
3 Março, 2008 às 10:35 am

“onde um líder terrorista que se movia em liberdade foi abatido pelas tropas colombianas”

O JCD, pelo mesmo critério, deve admitir que a Rússia nada fez de mal ao (alegadamente) mandar abater o antigo agente dos seus serviços secretos que se movia em liberdade em Londres.

De facto, é evidente que um inimigo do Estado russo não pode deixar de ser um “terrorista”, que a Rússia tem toda a legitimidade para abater, onde quer que ele se mova em liberdade.
No Arrastão:
"Se não estamos em guerra com um país não entramos pelo seu território dentro. Parece-me o mínimo, não?"

No Esquerda.net:
Em comunicado, as FARC revelaram que Reyes estava no Equador para tentar organizar um encontro com o próprio presidente Sarkozy para tratar de um novo processo de libertação de reféns.
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Publicado no Fiel-Inimigo a 3 de Março de 2008.

O indicador direito

A semana passada a minha moleirinha foi atacada por um bug e fui parar ao Hospital de S. José.

Deitado numa maca, sem nada que fazer, reparei num médico segurando uma pasta com a não esquerda enquanto escrevia ao teclado com a mão direita.

Que disparate, pensei. Que má gestão permite que não se instale um suporte que permita aos médicos escreverem com ambas mãos?

O primeiro médico esteve lá uns 15 minutos. Escreveu meia dúzia de linhas usando sempre e apenas o indicador da mão direita.

Veio um segundo médico, sem pasta e escreveu, também, apenas com um dedo da mão direita e durante o mesmo tempo aproximadamente.

Apareceu um terceiro médico e a coisa repetiu-se. Parecia uma greve de zelo.

Cada médico estava poucos minutos com o doente e cerca de 1/4 de hora às voltas com o teclado, como quem mete o dedo no umbigo. Com ou sem dossier na mão esquerda, à excepção de um único, todos teclavam apenas com o indicador da mão direita.

Percebi então que não havia má gestão, bem pelo contrário. Porquê gastar verba numa mesa que, de qualquer forma, seria inútil?

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Publicado no Fiel-Inimigo a 1 de Março de 2008.

Novo Satã: lâmpadas incandescentes


Lâmpada fluorescente
A Quercus, pela mão de Francisco Ferreira, resolveu marrar com as lâmpadas incandescentes e invectivar o governo no sentido de as exterminar.

Primeiro:
Poupando energia com lâmpadas fluorescentes resulta apenas em passar-se a deixar as luzes todas ligadas.

Segundo:
O problema da poupança de energia é um disparate todos os meses em que se liga o aquecimento. A energia desperdiçada pelas lâmpadas incandescentes é transformada em radiação infra-vermelho que não é mais que calor. Poupa-se de um lado gasta-se de outro.

Terceiro:
As lâmpadas de incandescência emitem um espectro de luz contínuo. O espectro contínuo de luz produz cores reais permitindo uma melhor percepção do meio que nos rodeia, evitando dar trabalho aos neurónios, evitando dores de cabeça e cansaço ocular. As lâmpadas fluorescentes emitem um espectro descontínuo.

Quarto:
As lâmpadas de incandescência quase não cintilam, produzem luz quase continuamente. As lâmpadas fluorescentes produzem luz cintilante, emitindo impulsos de luz à razão de 100 por segundo, aumentando o cansaço cerebral e ocular.

Quinto:
As lâmpadas fluorescentes são substancialmente mais difíceis de digerir pela natureza. Contêm tudo o que as incandescentes contêm e contêm ainda cobre e mercúrio. O 'pó' que recobre internamente o tubo da lâmpada fluorescente contem ainda elementos indesejáveis, os tais que a Quercus lembra e relembra deverem ser objecto de cuidadosa reciclagem.

Sexto:
As lâmpadas fluorescentes emitem quantidades substanciais de radiação electromagnética, a tal que a Quercus deplora nas linhas de alta tensão. Emitem, emitem a curta distância das pessoas e a uma frequência muito mais alta que as linhas de alta tensão. Basta ligar uma telefonia de onda média nas proximidades de uma lâmpada fluorescente e desligar a lâmpada para se perceber o que acontece.

Sétimo:
A Quercus 'esquece-se' de pedir aos portugueses para evitarem comprar lâmpadas incandescentes porque acham que os portugueses são estúpidos. A Quercus prefere ganhar a guerra na secretaria invectivando o governo. A Quercus acha que os portugueses são atrasados mentais e que são incapazes de perceber o momento em que a conta de energia eléctrica é demasiado alta e quer impelir o governo a obrigar os portugueses a gastar menos energia (dizem).

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Publicado no Fiel-Inimigo a 29 de Fevereiro de 2008.

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01/03/2008

Armagedão: coisas giras que a esquerda adora



Aquecimento Global é terrorismo climático

Via Mitos Climáticos

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ULTIMA HORA

Parece que as árvores estão a ficar "obesas".

Via Outra Margem
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O bólide



Parece que este bólide custa 1700€.

Alguém sabe quanto custa um dos trambolhos, de produção nacional, conhecidos por papa-reformas?

Dando de barato que o Tata é muito mais barato que o para-reformas, que argumentos surgirão para proibir a sua importação:

1 - Para proteger a industria(?) nacional.
2 - Para proteger a indústria europeia.
3 - Porque é construído com mão-de-obra barata.
4 - Porque tem pouca tecnologia amiga do ambiente.
5 - Porque há multinacionais metidas ao barulho.

Caso a lista acima seja aceitável, quais serão admitidas como tendo peso decisório e quais serão recusadas?

Na hipótese da sua importação poder permitir que o provável cliente de papa-reformas venha a poupar dinheiro que poderá então gastar, por exemplo, em saúde, poderá encarar-se a coisa como "economicismo" favorável ao lobi das farmaceuticas?

Nota: a contemplação do meu extracto bancário é, para mim, uma operação transcendente.

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24/02/2008

Quando as veias nos gelam

A esquerda é caracterizada por uma espécie de mentalidade capitalista feudal, particularmente notada no meio sindical.

Quando a fábrica da Opel, Azambuja, ameaçou fechar, os sindicatos apresaram-se a declarar greve.

Greve. Pois claro. “Greve, em defesa dos postos de trabalho”.

E as indemnizações? E quantos deles perceberam de imediato que seria o momento supremo para afundar o barco de vez e reclamar a indemnização? E, ter-se-á dado o caso de terem sido justamente os mais velhos, com mais anos de casa e mais entrincheiradamente sindicais, a irem por aí?

E os mais novos, que seria deles? E que importava os mais novos aos mais velhos desde que o graveto pingasse para o lado deles?

E a solidariedade? “Parece que temos sarna” gritavam os que ali, como pelas ‘siderurgias’ por esse país fora, iriam, de facto, para o desemprego com meia dúzia de notas no bolso. “Nem conseguimos falar com eles. Fogem de nós”. E que teriam os mais velhos a ver com isso? Direitos conquistados são direitos garantidos e direitos garantidos é graveto no bolso.

M'ai nada!

"A cantiga é uma arma
eu não sabia
tudo depende da bala
e da pontaria
Tudo depende da raiva
e da alegria
a cantiga é uma arma
e eu não sabia...

Há quem cante por interesse
há quem cante por cantar
e há quem faça profissão
de combater a cantar
e há quem cante de pantufas
p’ra não perder o lugar
a cantiga só é arma
quando a luta acompanhar

O faduncho choradinho
de tavernas e salões
semeia só desalento
misticismo e ilusões
canto mole em letra dura
nunca fez revoluções"

Publicado no Fiel Inimigo.
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14/02/2008

Porque é a Europa absolutamente irrelevante?

Robert Gates:
"We must not -- we cannot -- become a two-tiered alliance of those willing to fight and those who are not."

"Such a development, with all its implications for collective security, would effectively destroy the alliance."
[Traduzido por ML, com o meus agradecimentos]
"Não devemos - não podemos - tornar-nos uma aliança de duas posturas, aqueles que querem lutar e aqueles que não querem."

"Essa trajectória, com todas as implicações que teria para a segurança colectiva, destruiria de facto a aliança."
[Publicado, no Fiel-Inimigo]
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09/02/2008

Rússia: Microsoft perde para Ubuntu

Via Miguel Lomelino
Leonid Reiman, ministro russo com a pasta das telecomunicações, referiu à agência Itar Tass que "até 2009 vão ser implementados pacotes de software livre em todos os computadores dos colégios russos, que substituirão os programas comerciais existentes".
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07/02/2008

A balda crónica


Segundo a TSF, José Sócrates terá servido de testa-de-ferro, na Câmara da Guarda, a um colega que, sendo fiscal, nunca teria podido assinar projectos. Segundo a mesma estação, o exacto colega em cujos projectos de arquitectura Sócrates teria colocado a sua assinatura, seria posteriormente fiscal da execução da obra.

O cenário descrito acima, a ser verdadeiro, levanta-me-ia dificuldade em encontrar uma palavra, não relacionada com o mundo da pulhice, para o classificar.

José Sócrates pode ter sido movido pelas mais bondosas intenções do mundo. Foi certamente o caso.

Foi certamente pelas mesmas altruístas razões que o Ministério da "Educação" (vulgo Al-Mined*) se decidiu pela imposição, a cada professor, da obrigatoriedade legal de organizar e dar aulas de recuperação a todo e qualquer aluno que, em virtude de excesso de faltas, mesmo que injustificadas, se encontrasse impossibilitado de levar a bom termo aquela que é a sua única incumbência: aprender.

A ideia não podia ser mais filantrópica. Pena é que os alunos propensos a baldarem-se à escola o passem a fazer sistematicamente, escudados na "garantia" legal com que a Ministra de Al-Mined, inefável seguidora do grande timoneiro assinador de projectos, os projectou para o mundo da felicidade final: o da balda crónica.

A verdade é que eu, como outros professores, só posso ser parte de um gang, escumalha avarenta, que insiste em não deixar que outros coloquem a sua assinatura naquilo que escrevem ou já teriam percebido que deveriam fazer acompanhar todo e qualquer avaliação da respectiva resolução, deixando, por preencher, apenas o espaço destinado à assinatura do aluno.

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* Eduquês

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PS. Tentem não deitar este Primeiro abaixo. O próximo, na fila, é muito, mas muito pior.

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Publicado a 1 de Fevereiro de 2008 no Fiel-Inimigo.
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06/02/2008

Ciência, e "aquecimento global"

Via EcoTretas:

When we've finally gotten serious about global warming, when the impacts are really hitting us and we're in a full worldwide scramble to minimize the damage, we should have war crimes trials for these bastards -- some sort of climate Nuremberg.

Quando finalmente levamos a sério o aquecimento global e, visto que os impactos nos estão a atingir e estar a lutar-se a nível global para minimizar o problema, deveria haver julgamentos marciais para estes bastardos ["negacionistas" do aqueciemnto global] -- algum tipo de Nuremberga para clima.
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01/02/2008

Escola racista



[Já publicado aqui ao lado]

Vou referir-me a brancos e pretos sem me preocupar com os que acham que referir pretos é "feio", que se lhes deve chamar negros. Não acredito na existência de raças, muito embora perceba que a palavra pode não ser usada em função da classificação científica dos animais.

Na escola em que andei não havia pretos. Não havia, porque (quase) não havia pretos naquilo a que então se chamava metrópole (se a memória me não falha). Recordo-me, aliás, quando um belo dia, na Boa Hora (Lisboa) vi uma preta e fiquei estarrecido. Eu tinha tido um acidente que me tinha provocado um derrame gigantesco na cara e me tinha deixado, por uns 15 dias, literalmente preto. Mas aquilo era demais. A minha mãe explicou-me que os habitantes de África eram assim e para não me preocupar.

À preta que vi atravessando a rua seguiram-se muitas mais pretas e pretos. Era o início da imigração das então colónias.

O tempo acabou por me permitir aprender que os pretos são pessoas cuja pele é substancialmente mais escura em resultado da acção de determinadas células que, sendo exactamente iguais às minhas, se entretêm pintar e escurecer a pele com muito mais intensidade do que as minhas células seriam capazes.

Fiquei ainda a saber que teria, hipoteticamente, mais genes de preto do que imaginava em virtude da assimilação da população escrava. Não era a primeira vez que me perguntava por onde andaria a descendência dos escravos. Julgo não estar longe da verdade se afirmar que nenhum branco, alfacinha de gema, tripeiro, escalabitano, algarvio, alentejano ou minhoto pode afirmar, com segurança, que não tem no seu passado recente descendência de preto (ou preta), pelo menos relativamente ao período iniciado pelos descobrimentos.

...

Passa o tempo e um belo dia vou parar a uma sala de aula onde há uma boa colecção de pretos de idades à volta dos 15. É uma escola “inclusiva”, em que o eduquês oficial discrimina o preto em função do seu bairro de origem e lhe “dá o direito” a aprender apenas metade. Uma escola “inclusiva” onde o branco tem consciência que chamar preto a um preto é racismo, mas ouvir um preto dizer que tem orgulho em ser preto e nojo do branco deve ser encarado como coisa resultante da “diversidade”.

É uma escola esquisita. É uma escola que apoia os que trazem para a sala de aula os mais espectaculares telemóveis e zingarelhos mp3 apesar de um conjunto de papelada permitir determinar serem de “zonas degradadas”. Se calhar são, o que é difícil é fazer perceber aos brancos que o preto que lhe diz na tromba que “só não tem um igual porque é parvo” e que “se fosse preto já saberia como o arranjar” que o roubo deixa de ser coisa censurável.

É uma escola esquisita quando a violência perpetrada pelos intocáveis pretos se eterniza sem se conseguir saber quem são exactamente os pais, sem se saber onde moram exactamente, quem, de facto, toma conta deles.

É uma escola esquisita, que parece acreditar que tem a seu cargo pessoas que é incapaz de controlar, de ensinar, sequer de orientar. Afinal trata-se de gente “diferente”, que deve ser supostamente “integrada”, mas em “diversidade”. Uma escola que é suposto ensinar mas aceitar que não se aprenda e que, ainda por cima, aceite como válido tudo o disparate que o “diverso” debite, deitando mão à inatacável condição de “diferente”. Enfim, um exercício em que aquele que “tem que ser integrado” tem que continuar “diferente” porque ... sim.

... é apenas uma escola racista, no sentido que habitualmente se atribui ao termo, incapaz de perceber que o “diferente” é tão capaz como os outros. Uma escola que mais parece um instrumento de perpetuação do bom selvagem apesar da selva e do modelo de sociedade (?) de onde é oriundo apenas lhe permitir uma subsistência periclitante que o levou a emigrar.

Enfim, uma escola onde tudo isto “faz sentido” mesmo tendo presente que a esmagadora maioria deles não conhece mais terreno (outro país) do que eu conhecia quando encarei a primeira preta: algumas ruas da cidade e a zona da província por onde habitualmente pastava perus.