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01/02/2008

Escola racista



[Já publicado aqui ao lado]

Vou referir-me a brancos e pretos sem me preocupar com os que acham que referir pretos é "feio", que se lhes deve chamar negros. Não acredito na existência de raças, muito embora perceba que a palavra pode não ser usada em função da classificação científica dos animais.

Na escola em que andei não havia pretos. Não havia, porque (quase) não havia pretos naquilo a que então se chamava metrópole (se a memória me não falha). Recordo-me, aliás, quando um belo dia, na Boa Hora (Lisboa) vi uma preta e fiquei estarrecido. Eu tinha tido um acidente que me tinha provocado um derrame gigantesco na cara e me tinha deixado, por uns 15 dias, literalmente preto. Mas aquilo era demais. A minha mãe explicou-me que os habitantes de África eram assim e para não me preocupar.

À preta que vi atravessando a rua seguiram-se muitas mais pretas e pretos. Era o início da imigração das então colónias.

O tempo acabou por me permitir aprender que os pretos são pessoas cuja pele é substancialmente mais escura em resultado da acção de determinadas células que, sendo exactamente iguais às minhas, se entretêm pintar e escurecer a pele com muito mais intensidade do que as minhas células seriam capazes.

Fiquei ainda a saber que teria, hipoteticamente, mais genes de preto do que imaginava em virtude da assimilação da população escrava. Não era a primeira vez que me perguntava por onde andaria a descendência dos escravos. Julgo não estar longe da verdade se afirmar que nenhum branco, alfacinha de gema, tripeiro, escalabitano, algarvio, alentejano ou minhoto pode afirmar, com segurança, que não tem no seu passado recente descendência de preto (ou preta), pelo menos relativamente ao período iniciado pelos descobrimentos.

...

Passa o tempo e um belo dia vou parar a uma sala de aula onde há uma boa colecção de pretos de idades à volta dos 15. É uma escola “inclusiva”, em que o eduquês oficial discrimina o preto em função do seu bairro de origem e lhe “dá o direito” a aprender apenas metade. Uma escola “inclusiva” onde o branco tem consciência que chamar preto a um preto é racismo, mas ouvir um preto dizer que tem orgulho em ser preto e nojo do branco deve ser encarado como coisa resultante da “diversidade”.

É uma escola esquisita. É uma escola que apoia os que trazem para a sala de aula os mais espectaculares telemóveis e zingarelhos mp3 apesar de um conjunto de papelada permitir determinar serem de “zonas degradadas”. Se calhar são, o que é difícil é fazer perceber aos brancos que o preto que lhe diz na tromba que “só não tem um igual porque é parvo” e que “se fosse preto já saberia como o arranjar” que o roubo deixa de ser coisa censurável.

É uma escola esquisita quando a violência perpetrada pelos intocáveis pretos se eterniza sem se conseguir saber quem são exactamente os pais, sem se saber onde moram exactamente, quem, de facto, toma conta deles.

É uma escola esquisita, que parece acreditar que tem a seu cargo pessoas que é incapaz de controlar, de ensinar, sequer de orientar. Afinal trata-se de gente “diferente”, que deve ser supostamente “integrada”, mas em “diversidade”. Uma escola que é suposto ensinar mas aceitar que não se aprenda e que, ainda por cima, aceite como válido tudo o disparate que o “diverso” debite, deitando mão à inatacável condição de “diferente”. Enfim, um exercício em que aquele que “tem que ser integrado” tem que continuar “diferente” porque ... sim.

... é apenas uma escola racista, no sentido que habitualmente se atribui ao termo, incapaz de perceber que o “diferente” é tão capaz como os outros. Uma escola que mais parece um instrumento de perpetuação do bom selvagem apesar da selva e do modelo de sociedade (?) de onde é oriundo apenas lhe permitir uma subsistência periclitante que o levou a emigrar.

Enfim, uma escola onde tudo isto “faz sentido” mesmo tendo presente que a esmagadora maioria deles não conhece mais terreno (outro país) do que eu conhecia quando encarei a primeira preta: algumas ruas da cidade e a zona da província por onde habitualmente pastava perus.

05/11/2007

Racismo politicamente correcto

Durante o último par de semanas houve burburinho à volta de alguns assuntos que eu, à medida que for conseguindo nesgas de tempo, tentarei trinchar:

1 - A história das "raças" mais inteligentes

2 - A história dos guetos explicativos do insucesso escolar

3 - A história da recusa (mais ou menos clara) de algumas escolas em aceitar alunos africanos (ou filhos de).

Indo ao primeiro caso ...

Eu não vou muito à bola em falar em assuntos relacionados com raças porque não se consegue encontrar uma definição consistente para raças humanas. Em boa verdade, cada caso é um caso - não é possível generalizar.

Mas muito embora não seja possível generalizar, há mecanismos em estatística que permitem traçar linhas gerais.

Essas linhas gerais não se referem, tanto quanto percebo, a raças no sentido estrito. Referem-se-lhes em sentido comum: aquilo a que o cidadão comum chama (quanto a mim erradamente, repito) de raças.

Não posso deixar em claro que não é difícil perceber que quem mais brande o fantasma "raça" é a esquerda e os africanos. Trata-se de uma espécie de simbiose política: a esquerda espera arregimentar "oprimidos" e os africanos porque percebem que há por ali um mecanismo por onde conseguem obter rendimento.

Vou usar o termo "pretos", exactamente para dar uma boleia à esquerda que gosta muito de se lhes referir, quando muito, como negros porque, dizem eles, preto acarreta um sentido pejorativo. Enfim, pancadas. Quanto a "brancos" a esquerda parece não se arrepiar.

Pretos são, genericamente falando, habitantes ou descendentes de africanos (habitantes do continente a que se chama África).

Segundo Darwin, que os cientologistas gostam de por em cusa, explica que as espécies se adaptam ao meio. A teoria da evolução das espécies explica a evolução de grandes quantidades de indivíduos ao longo do tempo. Outros autores pormenorizam que a evolução é conseguida graças a pequenas variações aleatórias que ocorrem de pai para filho (seja em que espécie for ou, melhor dizendo, pelo menos naquelas em que os filhos não são apenas um duplicado do pai).

As duas teorias não são contraditórias.

Não é difícil admitir que as características dos seres humanos possam variar de região para região de acordo com as necessidades ambientais que, por via de um crivo em que os menos adaptados, terão uma via mais curta.

Daí que estudos estatísticos possam determinar as características determinantes dos seres humanos que habitem cada zona.

Os estudos em causa demonstram determinada coisa do ponto de vista estatístico.

A estatística estuda tendências em enormes quantidades de dados. Aliás, se assim não fosse a estatística seria uma ferramenta inútil. Por exemplo, não é preciso usar a estatística para perceber que a maioria dos seres humanos têm pulmões e que a maioria dos peixes têm guelras.

O que espanta é a enorme quantidade de pessoas que são incapazes de abordar o assunto mantendo a conversa no domínio da estatística, reclamando de imediato que "não pode ser, porque há casos em que" ...

Já agora, e recorrendo à estatística caseira, digo que me parece que é exactamente entre a população preta que há mais racistas.

Nas escolas, o racismo em favor de uma "superioridade" preta é regularmente brandido de forma ostensivas sem que pareça daí advir qualquer mal ao mundo. Se for um branco a afirmar o inverso ... cairá o Carmo e a Trindade. ... ah, já me esquecia: se for um branco a dizer que os pretos são seres "superiores", também não há problema porque parece ser, pelo menos, politicamente correcto.

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