24/05/2005

Nova forma de escravatura?



Quando falo com alguém que trabalha para o estado a recibos verdes ou a contracto, vou ouvido, frequentemente, algo preocupante:
1.
“Os gajos do quadro não fazem nada. Nós, os recibos verdes, é que temos que fazer o trabalho todo sozinhos. “

2.
“Nós fazemos o trabalho todo. Os gajos do quadro só jogam ao computador ou curtem os chats. E se nós reclamamos os gajos põem em causa a nossa renovação do contracto.”

3.
“Nem os gajos que entraram recentemente para o quadro se lembram pelo que passaram quando também estavam a contracto. Assim que se apanharam no quadro desataram a fazer como os que já lá estavam.”

4.
“Trabalhamos horas e mais horas para fazer o nosso e o trabalho dos gajos do quadro, que, ainda por cima, entram e saem quando querem e lhes apetece. Não têm consideração nenhuma por nós.”
Será que se está a formar uma forma bizarra de sociedade por classes dentro dos serviços estatais? Será que o mesmo se passa nas empresas privadas?

Qual a relação numérica (real) entre funcionários do quadro e contratados, na função pública?

Qual o desempenho dos funcionários do quadro em relação ao dos funcionários contratados?

Qual a posição dos sindicatos nesta matéria? Será que estão a defender a classe dominante (ou escravizante)? Será que defendem o fim dos contractos a prazo como forma de aumentar a sua base de suporte e dinamizar novas contratações (temporárias (?)) para que o trabalho possa aparecer feito?

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